Thursday, November 29, 2007

Braga: desta vez, não. E das outras?

Quem disse que vira um porco andar de bicicleta tem agora motivos para dizer que viu, por estes dias, uma bicicleta andar de porco — escrevia Manuel António Pina (JN 22.11.2007).

É o que está a acontecer em Braga. Finalmente, tornou-se oficial em Braga: vivemos no município dos bananas. As obras na Variante Sul mostram um desnorte total. Para falar de competência na execução deste tipo de obras, não tenho conhecimentos técnicos que a sustentem, embora tenha olhinhos e tenha visto como se faz noutros sítios, também em Braga.

Vem isto a propósito da confissão — muito tardia, após duas semanas de silêncio e de sobranceria face às críticas — feita pelo presidente da Câmara Municipal de Braga, depois de acossado por toda a Oposição e pela comunicação social.

O senhor presidente quase lhe apetecia citar as declarações do senhor Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e dizer também que “alguns empresários deviam ter vergonha da sua actuação”.

Porquê? Porque prejudicam o Município (e todos nós) cometendo atropelos aos cadernos de encargos que eles aceitaram para vencer os concursos públicos.
Como prejudicam o Município?

Porque obrigam a Câmara Municipal a pactuar com actos de concorrência des-leal só admitidos depois da pressão da comunicação social.

Porque mandam para a valeta a credibilidade que um município deve ter como pessoa de bem que não pode fechar os olhos perante a violação clara das regras do jogo da actividade empresarial.

Depois, mancham a credibilidade dos autarcas porque — apesar das multas anunciadas aos incumpridores — pois os bracarenses até podem duvidar se algum dia era anunciado algum castigo se não houvesse tantos protestos na comunicação social.

Porque fazem os braca-renses acreditar que o poder político está de cócoras diante do poder económico, pois cresce o número daqueles que acreditam que alguns fazem o que querem e fazem da lei letra morta.

Porque, perante tanto silêncio ao longo de várias semanas, face aos protestos de uns e às denúncias de outros, os bracarenses começam a acreditar que uns são mais iguais que outros.

Os empresários que se comportam desta forma — desrespeitando os direitos dos companheiros do tecido empresarial — gerem as empresas sem ética nos negócios.

Se não estivessem habituados a fugir sem ser punidos, não o faziam da forma grosseira como o fizeram agora. Desrespeitam o povo, escarnecem o poder político e prejudicam os empresários cumpridores.

O governo municipal de todos não pode limitar-se a dizer, tardiamente, que sabe e que desta vez não passou, na esperança de que a denúncia leve a mudanças de comportamento de alguns.

Não nos basta que os cofres do município continuem a engordar à custa de muitos, que pagam cada vez mais, nem à custa dos empresários que cumprem os seus deveres.

Se o senhor presidente da Câmara disse é porque sabe do que fala. Os bracarenses agora têm direito a saber qual vai ser o montante das multas, para verificarem se o incumprimento dos cadernos de encargos e o desrespeito por quem manda nes-te município compensa.

Não queremos que Mesquita Machado seja mais um daqueles políticos, que dizem — depois de abando-narem os cargos — coisas interessantes quanto contraditórias com a acção anterior. Um dos exemplos, é Ronald Reagan. Depois de deixar a Casa Branca saiu-se com esta: “achava que a política era a segunda pro-fissão mais antiga. Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira”.

Já agora, meu caro presidente. Não se esqueça da descoberta de George Bush, quando deixou de ser presidente: “é impressionante como as pessoas me ganham no golfe depois de eu deixar de ser presidente”.

Imponha-se, antes de ser substituído no tapete verde.

Uma proposta simples para enriquecer Braga

É perder tempo com os leitores falar da imponência e da beleza arquitectónica do Campo das Hortas, do Arco da Porta Nova e do Palácio dos Biscainhos, com os seus exóticos jardins.

Recentemente, aquela área foi enriquecida com a recuperação de uma das torres medievais, para aí instalar o Museu da Imagem.

Com a demolição de um edifício onde funcionou o restaurante Tulha, na rua dos Biscainhos, ficou visível — podendo ser apreciada por quem nos visita — uma das paredes da Torre.

No entanto, corre o risco de ser tapada, outra vez, o que constitui uma perda para os bracarenses, para o nosso património e para o turismo. Ainda estamos a tempo de evitar que isso aconteça, se existir boa vontade da autarquia e dos proprietários do edifício.

Nas nossas pesquisas — sobre outro tema — deparámos estes dias com umas declarações interessantes de Mesquita Machado no Forum Gallaecia das Cidades Augustas do Noroeste.

Nesse forum, em Lugo, ele defendia o reforço de iniciativas que “possam redobrar a consciência dos cidadãos para a importância do património histórico das cidades” (cf. Correio do Minho, 5 de Dezembro de 1998, p. 4). Este alerta enquadra-se nesse apelo.

A tarefa de conservação do património histórico — como acrescentou nessa altura — “só pode ter sucesso com a contribuição dos próprios cidadãos, tendo em conta a interiorização de que honrar e dignificar o nosso passado é também uma forma de conseguirmos melhor futuro”.

Atendendo à zona envolvente que inclui o campo das Hortas, o Palácio dos Biscaínhos com os seus Jardins, o espectacular Arco da Porta Nova, o renovado pólo cultural que é o Museu da Iamgem.

Acresce que estamos perante uma das portas mais dignas do centro histórico de Braga. Não podia a Câmara Municipal de Braga fazer mais um esforço — consentâneo com o que dizem pensar os seus mais altos responsáveis — para enriquecer os bracarenses e quem os visita? Toda a gente sabe que pode e dificilmente se percebe uma resposta negativa.

Basta — em nome do interesse público, sem danificar os direitos de ninguém — anular a reconstrução do edifício onde funcionou durante décadas aquele restaurante, permitindo que mais um pedaço da muralha antiga da cidade ficasse disponível para admiraçãode quem nos visita.

Mais tarde ou mais cedo, com melhor disponibilidade financeira que a actual, a autarquia podia também adquirir o prédio do gaveto da Praça Conde S. Joaquim com a rua dos Biscaínhos, de modo a deixar a Torre do Museu da Imagem totalmente despida de elementos e edifícios que foram acrescentados à sua sombra ao longo dos séculos. Seria uma espécie de segunda Torre de Menagem que Braga tinha para mostrar.

Quando se fazem campanhas para — através da gastronomia — chamar turistas a Braga para apreciarem o nosso património, está aqui mais uma oportunidade para o enriquecer. Não basta tê-lo (encoberto por outros prédios, como acontece com grande parte do pano da muralha), é preciso, cada vez mais, mostrá-lo, até porque ninguém aprecia o que não vê nem ninguém ama o que não conhece.

Nas vésperas da festa do Padroeiro da cidade, S. Geraldo, uma decisão que preservasse e mostrasse mais aquele pedaço da dua história e do seu passado era um bom presente para a cidade de Braga.

Imaginem, por momentos, o esplendor que era dado a esta parte da cidade, a quem entra nela a partir da Estação da CP: dar de caras com um belo jardim, um arco imponente e uma torre fantástica, ao lado de um palácio de sonho, formando um conujunto de rara beleza que mistura as arquitecturas militar, civil e religiosa.

Querer é poder. Há quem tenha poder. E quem tem poder tem dado provas de defesa, preservação e revitalização do património constuído bracarense.

Braga merece e sabe ser grata a quem gosta dela. Vamos lá, passem das palavras — como aquelas de Lugo — às acções, mandando a reconstrução do antigo Tulha para o entulho.

Thursday, November 22, 2007

Antónia Lage: 30 anos ao serviço da beleza feminina



“Não sei desenhar mas sei criar”: é assim que se apresenta. Ela orgulha-se das suas inúmeras clientes, mas ao fim de duas horas de animada conversa, estas bem se podem derreter de vaidade por terem escolhido Antónia Laje como conselheira de bem vestir. Até o jornalista que escreve estas humildes linhas recebeu umas valiosas instruções para a sua ‘toillete’, sem estar à espera...

É assim a Antónia Lage, desprendida, disponível mas com um bom gosto sofisticado que encaixa perfeitamente na actualidade das tendências da moda, apesar de andar nestas idas e vindas ao “coração da moda que é Paris” há mais de trinta anos.
Olhar para o cabelo, o tom de pele, o corpo e sua estatura, descortinar a personalidade da mulher e saber o que ela era capaz de vestir constituem os talentos de Antónia Lage, na sua relação com as clientes.

Depois, há que escolher peças com movimento para fluir a feminilidade, com tecidos muitos bons e caros. Depois, acrescenta, “pego no morto, um manequim, e mostro à cliente para ver se é isso que ela deseja. Após sucessivas provas e sugestões minhas e da cliente, porque os pormenores são essenciais”, a alegria contagia cliente e estilista.

“Gostava muito da moda, mas a sua juventude foi vivida como funcionária bancária, no Banco de Fomento em Paris. Era e é o centro da moda, da criação, nos anos 70. Os estilistas e criadores de Paris eram muito ricos em tudo” – recorda António Lage.
Nota-se no olhar uma certa nostalgia daqueles tempos: “ a moda era tudo para ela, quando se tratava de gastar dinheiro...”

Esta filha do antigo presidente da Junta de Freguesia de S. Lázaro, Antónia Lage, regressou de Paris há 32 anos. Ao chegar a Braga, onde nasceu e viveu a sua adolescência, “comecei logo a trabalhar na moda e vendia para Lojas em Braga e no Porto, sempre as melhores “griffes” de Paris. Ainda me ofereceram trabalho num banco em Braga, logo a seguir ao 25 de Abril, mas eu recusei porque pagavam muito pouco” – recorda a nossa interlocutora que nos recebe no seu atelier, na Travessa Machado Vilela, onde se instalou há 30 anos, bem perto da loja que possui no Centro Comercial Santa Tecla.

Antes de Paris, estudou em Londres e “já então gostava imenso de moda e todos os tostões que juntava eram para roupa”. “Sempre aceitei a moda na sua irreverência” – destaca, de imediato, dando a conhecer um pouco da sua personalidade.
Hoje, diz-nos, considera que estes trinta anos de sucesso se “cosem” com uma fidelização de clientes que é notável “porque começaram por ser as avós, vieram as filhas e hoje são as netas que são minhas clientes”.

“Também escolho para elas como se escolhesse para mim, pois sei do que elas gostam e do que lhes fica bem. Sabe que numa colecção há sempre cinco tendências, mas nós escolhemos aquelas que se adaptam melhor à mulher portuguesa” – acrescenta Antónia Laje ao tentar explicar-nos tão grande fidelidade das suas clientes. Mas, acima de tudo, “a honestidade e seriedade com as clientes é o nosso maior trunfo. O meu sucesso depende disso”.

Assim, prossegue, “neste momento só trabalhamos com marcas italianas de alta-costura, ou directamente ou através dos importadores. São dezassete marcas que disponibilizamos de roupa de senhora. Já tivemos de homem mas deixamos esse segmento”.

Antónia Lage compra um ano antes, por isso ela já não se lembrava bem das tendências da moda para este Outono e Inverno, porque já está a pensar – “com muita ansiedade” – nas compras para o Outono de 2008.

Instada a definir a sua clientela, Antónia Lage escolhe duas palavras “requintada e de gosto afinado”. Neste momento da conversa, entra a herdeira do atelier e da actividade, a filha Alexandra, que define as clientes como oriundas de um “estatuto social elevado com simplicidade”.

Antónia Lage recebe as suas clientes por marcação, com atendimento personalizado onde elas se sentem à vontade para escolher os tamanhos, cores e estilos. Tudo o que está exposto é uma escolha própria da estilistas mas “as clientes também nos ensinam muito”,

Associada hoje a uma “toillete” que “é sinónimo de qualidade”, Antónia Lage define-se como “perfeccionista” que oferece a quem a procura um serviço de qualidade e preço equivalente. Não olhar para o preço foi sempre o meu lema. Nunca tive medo dos preços. É muito raro equacionar o binómio preço/qualidade. Eu olho para o interior das peças, percebo muito de tecidos, de corte e depois explico à cliente a dificuldade de corte e a qualidade da peça”.

O segredo do seu sucesso, explica Antónia Lage, é, em primeiro lugar, a exigência nas compras: “se comprarmos mal, não vendemos bem. Temos de comprar quase sempre cem peças de cada colecção”.

Em segundo lugar, o segredo assenta “na vertente criativa. Conseguir perceber o que a pessoa quer, ou mostrar-lhe o que a cliente quer, porque já a conhecemos”.
Com “clientes de todo o país, desde o Minho ao Algarve, passando por Lisboa”, esta senhora que não sabe desenhar mas sabe criar conta com o apoio de três costureiras com uma categoria que “é muito difícil encontrar no mercado”.

Sobre o futuro, diz-nos que vai manter o seu actual atelier muito falado recentemente por ali ter sido confeccionado um vestido de noiva, qual “deusa grega”, de Isabel Figueiras. No entanto, o seu sonho era “algo para cortar e criar, moldar”.

TENDÊNCIAS
DESTE ANO

Para este ano, as linhas dominantes das tendências da moda andam à volta das jóias, carteira, meias, sapatos e cabelos (muito curtos ou compridos).

Das suas quatro viagens ao estrangeiro, em cada ano, percebe que os acessórios são o elemento distintivo deste Outono e Inverno, mas, cuidado, “porque os acessórios mal escolhidos matam um vestido perfeito”.

Os acessórios, “as peles, muito luxo, moda muito feminina, muito pormenor, mangas e vestidos com balão” constituem algumas das características da moda para a estação que começou, aqui e ali ponteada com elementos tradicionais da Índia e da China.

No que se refere a cores, o eterno preto e o branco, são acompanhados este ano de muito cinza e de púrpura (que é muito forte em todas as tendências” porque o “vermelho do Valentino já desapareceu do mercado”.

Antónia Lage adverte as mulheres que “nem sempre as tendências da moda são as mais elegantes”, antes de dar conta do predomínio dos botins até ao tornozelo”. Este botim surge por causa da calça ‘cigarrete’ “para dar uma silhueta muito interessante e elegante à mulher”. O botim também fica muito bem com saia e as “meias baças são quase obrigatórias”. Em alternativa, há o “sapato de cordão e salto altíssimo” e os jeans que nunca saem de moda. São como o preto eterno, os leopardos e animais “que ninguém tira do guarda-vestidos”.

Outra imagem forte da moda deste ano, além é a carteira: “é fundamental e este ano é o hit” num conjunto em que “foram buscar elementos de vários quadrantes com peças mais ricas e muito femininas”.
É o caso do casaco de malha acima do joelho ou a luva que este ano também é muito importante, para além dos “ombros largos para afinar o resto da silhueta”.

No que se refere às jóias, “o ouro volta a destacar-se e os próximos cinco anos vão ser de muito luxo”.

A nossa interlocutora desfaz também alguns mitos, quando afirma que “a moda nunca foi sexy porque quando aposta num decote grande tapa as pernas, por exemplo”.

Antónia Lage destaca também que “as portuguesas entram muito depressa na moda. A mulher portuguesa, em geral, veste-se melhor que a mulher lá fora. A mulher portuguesa é muito limpa, muito clean”.

Esta postura encaixa num “Inverno sofisticado que se adivinha para o próximo ano. É que de todas as épocas, a moda de 2008 tirou tudo os que as mulheres mais gostam de vestir, com tecidos elásticos. Será uma moda cara mas muito bonita e simples”.
Quanto ao próximo Verão, adianta Antónia Lage, “vai tudo andar de preto, aqui e além com uma pela vermelha e as cores brilham nos acessórios”.

No pret-à-porter, o vinil (verniz), apesar de ser um tecido pouco nobre porque não deixa respirar, será muito forte, além de muitas caxemiras.

Antónia Lage descreve 2008 como um ano “de tecidos muito nobres, das rendas, dos dourados, dos vestidos com malha de seda e algodão, das peles, cabelos muito curtos ou compridos, com chapéus, boinas, gorros, bonés com palas pequeninas e luvas.

“Elegância e luxo marcam o futuro da moda nos próximos cinco anos. Coisas boas é o que as mulheres querem e a moda vai corresponder-lhes”, conclui a senhora que mantém uma loja há 15 anos, com peças de roupa exclusiva para Braga.

Quando as cores influenciam comportamentos





Quando falamos de moda, não podemos abdicar das cores, embora nos custe a admitir que elas estão intimamente relacionadas com a nossa forma de estar na vida, no lazer ou no trabalho.

Já nos demos conta disso, mas não nos apercebemos até que ponto as cores influenciam os nossos comportamentos. Basta pintar as paredes da sala de um infantário de amarelo vivo para entendermos por que as crianças daquela sala ficam muito mais excitadas e activas.

Se entrarmos num café com as paredes pintadas de verde fluorescente, percebemos de imediato por que as pessoas falam mais alto.

Mas se não formos adeptos de cafés ou não tivermos idade para infantários, olhemos em volta do nosso escritório. Se tiver uma cor quente sentimo-nos bem melhor a trabalhar ali.

Quem nos alerta para estas singularidades é Joana Sousa que, em parceria com Bruno Barreto, se lançaram há dois meses na Companhia das Flores, uma loja multi-serviços na área da arquitectura e decoração de interiores, organização de eventos e comercialização de flores e prendas para todas as ocasiões.

A decoração de restaurantes, remodelação de interiores, organização de eventos, flores, prendas com assinatura exclusiva com destaque paras a velas decorativas constituem os pontos fortes da Companhia das Flores.

Joana Sousa e Bruno Barreto não são alheios às tendências da moda e acompanham-nas de perto, no que se refere à decoração.

É o caso das cores em que o prateado se destaca por estes tempos, apesar de “sabermos que o preto não sai de moda”, até porque o “preto permite que as flores ganhem outra vida” – destaca Bruno Barreto.

Na arquitectura de interiores, a cor preta funciona como alargamento do espaço, enquanto os espelhos dão profundidade a esse espaço.

Depois há a junção de materiais que constitui outro momento importante na decoração e as coisas funcionam como um estilista a fazer uma peça de vestuário.

Situada em Vila Verde, na Avenida do Autarca, n.º 99, junto ao Campo da Feira e à Escola Profissional Amar Terra Verde, o espaço de flores surpreende pelos aromas de cores que proporciona a quem o visita à procura de um serviço de renovação de espaços ou de uma peça de autores com exclusividade para assinalar um momento singular.

Que nos oferece a Companhia das Flores? Disponibiliza concepção de projectos, estética de espaços comerciais, showrooms e stands promocionais, na área da arquitectura. Na vertente de design oferece a concepção de mobiliário, web design gráfico e criação de materiais promocionais.

Na área da decoração alarga-se aos espaços habitacionais, comerciais, eventos e festas temáticas. Finalmente, na organização de eventos tem capacidade para congressos, feiras, inaugurações, festas, casamentos, baptizados, aniversários, festas infantis e acções de promoção.

“Estamos na fase em que nos vamos dar a conhecer” – admite Joana Sousa – para que as pessoas percebam e interiorizem o conceito da Companhia das Flores”.
Se esta fase inicial constitui uma dificuldade, a verdade é que as flores “podem acompanhar tudo, na arquitectura, nos eventos e festas”, embora o principal argumento de Joana Sousa seja o “querer ser forte na capacidade e qualidade de resposta”.

“Não queremos fazer o trivial” – alerta, para “fecho” de conversa, Joana Sousa, uma jovem empresária preparada para responder às necessidades das pessoas que vão desde a organização da festa de um casamento, à decoração de casas, lojas e apartamentos.

Através de parcerias com empresas – dos mais variados sectores de actividade, desde a confecção de vestidos a painéis publicitários – a Companhia das Flores assenta em quatro pilares de actividade que são a imagem de marca: arquitectura, design, decoração, organização de eventos.

Explicando-se melhor, Bruno Barreto adianta: “por exemplo, uma noiva entra aqui, tem um atendimento personalizado e pode começar por comprar o vestido de Elsa Barreto, e deixar-se de preocupações sobre a organização e realização da festa do Casamento, desde os convites às prendas, passando por tudo o que é necessário para uma festa completa, em que proporcionamos todo o requinte e glamour. Tudo é pensado ao pormenor e de forma única”.

Nascida em Vila Verde, a Companhia das Flores tem capacidade de resposta para eventos em todo o país. “As pessoas olham para a nossa fachada e pensam que isto é um espaço muito caro, mas os preços que praticamos são os normais do mercado” – garante Joana Sousa, que sempre se dedicou a esta área de actividade, embora admita que “fala com as flores”, tal é a sua afeição desenvolvida através de uma loja que lançou na Galeria Comercial Campus S. João, no Porto.

Com muita “experiência na organização de casamentos”, Joana Sousa garante aos seus clientes parcerias de prestígio nas mais diversas áreas de serviços que presta, sem esquecer acções de formação nesta área de organização de eventos.
Um dos projectos consiste na abertura de um curso para hospedeiras/hospedeiros destinados a acções de promoção de produtos e serviços por parte das empresas e organização de eventos.

Hoje em dia, refere como exemplo, os pais não têm tempo para organizar a festa de aniversário do filho e nós tratamos de tudo, desde a escolha do espaço, à decoração e à festa propriamente dita”.

A decoração de restaurantes, remodelação de interiores, organização de eventos, flores, prendas com assinatura exclusiva com destaque paras a velas decorativas constituem os pontos fortes da Companhia das Flores.



Joana Sousa e Bruno Barreto não se alheiam das tendências da moda e acompanham-nas de perto e a Companhia das Flores cativa-nos, logo à entrada, pelo cheiro agradável que é das velas - decorativas de todos os feitos e tamanhos - e não das flores. É a melhor expressão do requinte, numa terra onde as pessoas são sofisticadas na arte de bem receber.

No entanto, o “cartão de visita” avisa-nos que as “flores são companhia de tudo, desde a decoração, à arquitectura e a todos os eventos que possam ser contemplados com a sua contribuição em momentos e espaços inesquecíveis da vida de cada um de nós.
Já agora, para terminar, se quiser oferecer uma linda prenda e única a alguém – mesmo que seja de Braga – tem na Companhia das Flores o local que responde às suas necessidades e aos seus interesses.

AS ovelhas merecem novo estilo evangélico

O Papa Bento XVI pediu aos bispos portugueses que é preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II”.

Alguns ficaram surpreendidos com este raspanete abençoado do sucessor de Pedro quando o que nos devia surpreender é que tenha sido necessário ir a Roma para perceber que os bispos portugueses vivem distantes do Povo de Deus, não escutam as pessoas, têm medo da inovação, e temem os desafios feitos há dois mil anos no Evangelho, a nova lei.

Os bispos portugueses foram de mãos vazias. Partiram para esta visita sem terem feito inquéritos aos fiéis sobre qual o sentir destes e destas em relação à acção da Igreja como instituição e como testemunho de Cristo.

Depois esconderam outras verdades ao Papa: não lhe disseram que eles, Bispos, vivem em círculo fechado, se mperceber o sentir dos crentes, na sua variedade e amplitude.

Como dizia o leitor do jornal ‘Público’, “nesta visita, Roma ficou a saber o que os bispos pensam das suas dioceses. Tudo bem. Mas como é que consegue saber o que é que as dioceses pensam dos seus bispos?»

A frieza dos números ajuda a perceber a necessidade urgente de mudança: o “guia” da Igreja Católica de Portugal a quebra progressiva do número de Baptismos e de ordenações sacerdotais que ficam a metade dos padres que morrem.

A Prática Dominical, em 2001, mostrava que oito em cada dez portugueses não vai à Missa.

As celebrações continuam a ter pouca beleza. As homilias são mal preparadas pelos padres. A música litúrgica não sobe de qualidade e a oferta de celebração não é a mais adequada.

Os bispos portugueses podem ficar descansados enquanto virem multidões nas procissões ou grandes festas? Isso, muitas vezes, não passa de uma mera religião natural que tem pouco fundamento cristão e evangélico.

É urgente o novo ritmo e o novo estilo que o Papa pediu aos bispos portugueses.

Os bispos sabem que o Espírito Santo não pode fazer tudo se eles não quiserem nada e continuarem a ver adversários em todas as esquinas quando deviam ver ovelhas que fugiram do rebanho e é preciso ir ao encontro delas.

O B., o pai e a escolinha



A história conta-se em poucas palavras, mas é um exemplo eloquente para uma palestra sobre o futebol como escola de virtudes para os adolescentes e jovens.

O pai de B., operário e futebolista amador, B.R., garante que o filho "é do Sporting" e só assinou "papéis para autorizar a presença dele num torneio que o Benfica ia disputar em Numância". Uma assinatura inútil, porque o filho nem chegou a jogar nesse torneio.

O caso já mereceu as honras da intervenção do presidente de uma entidade que alegra o coração de mais de seis milhões de portugueses:

Diz esse senhor que o Benfica “não obrigou ninguém, nem enganou ninguém” e acrescenta: “Não vamos pactuar com oportunistas e com mentirosos". "Esse jovem foi ao balneário com o Simão, levou bolas e a camisola do jogador. Estou convicto de que este caso será exemplar para determinados encarregados de educação."

O miúdo, garante o pai, "é do Sporting" e diz que a sua assinatura foi usada pelo Benfica para federar o miúdo.

Eis um exemplo requintado do desporto como um mundo de mentirosos e oportunistas, como muito bem disse o presidente da nação benfiquista.

O pequeno, de oito anos, está a ser disputado como se fosse um troféu de caça. Agora, a fugir dos galgos que correm para o apanhar, está a receber tratamento psicólogico.

Se não quiserem usar esta triste história num debate sobre as vitudes do desporto, podem usá-la também numa palestra qualquer sobre os direitos da crianças e a defesa dos seus legítimos interesses.

O caso do B., comparado com o da Esmeralda, não tem nada a ver. Neste caso, é um combate de afectos, naquele é uma luta por efeitos de tesouraria.
Só mais uma coisa sem importância: é para estas trapalhadas e negócios que se criam escolinhas de futebol?

Depois da porcaria de Viseu e do apito dourado, das confusões entre autarcas e dirigentes do futebol, que é preciso para alguém neste país acabar com esta choldra? Se ninguém quer fazer nada, ao menos, exige-se que os pais façam qualquer coisinha.

Letras e sons da vidas reflectidos


s

Certamente, o leitor já ouviu sua voz voltar de um penhasco ou contraforte, de um edifício alto ou de uma montanha íngreme, formando um eco?

Ouve-se o eco porque o som bate e volta como acontece a uma bola de borracha que batemos contra e volta de uma parede ao nosso encontro.

O eco também é semelhante a um raio de luz reflectido num espelho.
Um eco é um som reflectido.

Só ouvimos os ecos como sons isolados quando eles nos atingem um décimo de segundo ou mais depois do som original.
Esse é o tempo necessário para o ouvido humano separar um som do outro.
Se o leitor quiser ouvir o seu eco deve ficar pelo menos a 17 metros de distância da parede reflectora.
Se o leitor gritar diante de um penhasco a 17 metros, o som caminhará 17 metros até o penhasco e mais 17 de volta para si, numa distância total de 34 metros.

Porquê 34 metros?
Porque o som tem a velocidade de 340 metros por segundo, e tem de percorrer essa distância em um décimo de segundo. O eco chega ao seu ouvido um décimo de segundo depois do leitor ouvir a sua voz original.
Mas há ecos e ecos.
Um eco pode provocar séria interferência na audição, principalmente num ginásio grande ou num auditório. Os ecos cobrem as palavras de quem fala, causando confusão. Pode-se superar esse problema usando material amortecedor de som para as paredes, tectos e chão.
Mas não é desses ecos que estamos a falar ou estamos a escrever – perdão, quem escreveu foi Monsenhor Eduardo Melo Peixoto.

Para não criarem confusão foram colocados em letra impressa no jornal Correio do Minho, a cada Domingo que passava. Na Rádio Antena Minho, as manhãs de Domingo também acolheram estes ecos diferentes porque eram “ecos da vida”.
Porquê em livro, se já foram transcritos num jornal e ouvidos numa rádio, ainda por cima neste tempo das novas tecnologias? Podiam ser colocados num blogue, na Internet... dirão alguns.
Não há como um livro, como afirma o insuspeito fundador da Microsoft. Escreve ele que “os meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história”.

Explicado o que é um eco e justificada a necessidade de um livro sobre ecos, é tempo de definirmos que este livro inclui ECOS da Vida.

O que é a vida?

Desculpem meus senhores – leitores e autor dos ‘Ecos da Vida’ – mas eu entendo a vida como uma viagem de comboio. Estou a fazer uma escolha inconveniente mas ecológica, além de ser uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada.

Em anterior edição deste livro, o eng. Abílio da Cunha Vilaça dava-nos o mote para estas reflexões, quando escreveu que “Os Ecos da Vida traduzem vivências, reflexões, pensamentos, sempre numa atitude de alerta, e de despertar o sentido crítico de quem está nesta vida, não apenas para ver “passar os comboios”, mas que actua e faz actuar os que estão à sua volta” (1)
Interessante, porque nossa vida é como uma viagem de comboio, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques.

Quando nascemos — ao embarcarmos neste comboio, encontramos duas pessoas que, acreditamos que farão connosco o percurso até o fim: os nossos pais.

É verdade mental mas não real. Infelizmente, num qualquer apeadeiro, eles desembarcam, deixando-nos órfãos do seu carinho, dedicação, mimos, protecção e amor. Ficamos sem a rectaguarda protectora, mas isso não impede que a viagem prossiga. Assistimos ao embarque de pessoas interessantes que vão ser especiais para nós: irmãos, professores, patrões, companheiros, colegas, camaradas, amigos e amores.

Muitas pessoas entram neste comboio para passear. Outras viajam para esquecer as tristezas da vida. Há outras pessoas que vagueiam de carruagem em carruagem abertas a ajudar quem precisa.
Alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso. Isso obriga-nos a fazer essa viagem separados deles, quantas vezes durante anos, sem nos vermos, falarmos, amarmos. Com maior ou menor dificuldade, a vida faz com abandonemos o nosso vagão e consigamos chegar até eles. Afinal, eles eram o melhor pedaço de nós.

Às vezes é difícil aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado, pois outra pessoa está a ocupar esse lugar. Essa viagem da vida é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, desilusões, traições, derrotas, triunfos, esperas, embarques e desembarques.

Uma coisa é certa: este comboio não volta ao início da viagem. Por isso, só nos resta uma alternativa: fazer esta viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajecto podem fraquejar. Nós mesmos fraquejamos algumas vezes e queremos que algum passageiro nos entenda.

O grande mistério desta viagem de comboio é que não sabemos em que apeadeiro descemos do vagão da vida.
Acresce que, quando chegar o apeadeiro da saída, vai ser dramático deixar os filhos a viajar sozinhos, separar-me dos amigos que nele fiz, e arrancar-me do amor da minha vida.

Resta a esperança de chegar estação principal, onde sentiremos o agradável arrepio de prazer em ver os pais, irmãos, professores, patrões, companheiros, colegas, camaradas, amigos e amores, todos com a bagagem, que não tinham quando embarcaram.

Em que é que esta história contribui para a felicidade dos leitores. Em nada, porque o que nos deixa felizes é saber que de alguma forma, eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido e se tornado valiosa.

Ora, este é o objectivo de Monsenhor Eduardo Melo Peixoto quando decidiu publicar em livro as crónicas “Ecos da Vida” – que escreveu para o jornal Correio do Minho e leu na Rádio Antena Minho. Contribuir para que cada leitor cresça e tenha uma vida mais valiosa para os seus pais, irmãos, professores, patrões, companheiros, colegas, camaradas, amigos e amores.

Desta forma, Monsenhor Eduardo Melo Peixoto aponta-nos uma nova maneira de encarar o desembarque final na viagem da vida. A última estação não é a representação da morte, mas é sobretudo o clímax de uma história, de uma vida que duas ou mais pessoas construíram porque tiveram sempre a coragem de reconstruir para recomeçar.

“Ecos da Vida” acompanha-nos nesta viagem e cada crónica é um símbolo de garra e de luta, um vagão de sabedoria da vida, uma carruagem que frequentamos e nos ensina a tirar o melhor de "todos os passageiros".
“Ecos da vida” é uma dupla delícia porque traz a vantagem da gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado nesta viagem de comboio.

Monsenhor Eduardo Melo aproveita, de forma simples, directa, afirmativa e acessível a todos – como um bom jornalista! - pedaços da vida para extrair deles valores que podem ecoar como lições na vida de quem lê.
Os textos das crónicas são curtos, adequados a um excelente livro de cabeceira que funciona como exame de consciência de um dia que passamos na carruagem da vida ou programa de vida até ao apeadeiro do dia seguinte.

“Ecos da Vida cumpre os requisitos de um livro, traçados pelo nosso padre António Vieira - é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive – mas também é a prova de que os homens são capazes de fazer magia.
Como director do jornal Correio do Minho, ao tempo em que Monsenhor Eduardo Melo Peixoto escreveu estes textos, agradeço a honra de o termos tido connosco ao longo de largas dezenas de semanas.

Posso afirmar que a Rádio Antena Minho subscreve este sentimento e termino com uma provocação aos leitores: o verdadeiro cavalheiro compra sempre três exemplares de cada livro — um para ler, outro para guardar na estante e o último para dar de presente.

Como estamos próximos da estação... do Natal, aqui fica uma boa sugestão. “Ecos da vida” é um bom companheiro de viagem.

(1) PEIXOTO, EDUARDO MELO, Ecos da Vida, Ed. Irmandade de São Bento da Porta Aberta, Terras de Bouro, 2005, p. 15

Europa: porquê tanto medo dos povos?



O referendo em Portugal a novo Tratado da União Européia está "nas mãos" de Cavaco Silva, o mesmo é dizer que não há referendo.

O poder determinante do chefe de Estado nesta matéria decorre do disposto na actual Constituição portuguesa, cuja última revisão, em 2005, teve como único objectivo abrir "a possibilidade de convocação de um referendo sobre a aprovação de Tratado que vise a construção e aprofundamento da União Europeia”, à qual Portugal pertence há 21 anos.

É a contar com esta postura do presidente da República que o calendário traçado por José Sócrates será perfeitamente cumprido pelo nosso país.

Os novos Tratados da Europa comunitária. têm de ser aprovados por unanimidade pelos Governos dos Estados membros e depois ratificados por todos, sem excepção, Parlamentos nacionais, com ou sem consultas populares prévias.

O primeiro-ministro José Sócrates remete uma decisão sobre o referendo para depois da Cimeira de Lisboa de chefes de Estado ou de Governo dos 27 na próxima semana.

Não restam dúvidas de que a generalidade dos Estados membros, incluindo Portugal, vai tentar ao máximo evitar referendos prévios, dada a imprevisibilidade dos resultados.

Exceptuando Cavaco Silva, que não espanta pelo medo que sempre mostrou das urnas, o abandono do referendo ao futuro Tratado europeu ameaça ter custos políticos.

Foi promessa eleitoral do PSD e do PS realizar o referendo ao futuro Tratado Europeu e o"conforto" do presidente da República, apenas agrava a ideia de que o PS receia a consulta ao povo sobre estas matérias.

Ao negar o referendo, o PS vai entregar de mão beijada nos partidos à sua esquerda a ideia de uma Europa construída às escondidas do Povo.

Isto não é bom para o PS que mais uma vez esquece os compromissos eleitorais; isto é péssimo para a Europa que cada vez gera mais desconfiança entre os eleitores e constitui um atestado de menoridade aos cidadãos portugueses.

Os portugueses não percebem estas manobras, a História do PS não é digna desta cambalhota e a construção da União Européia suscita cada vez menor paixão.

José Sócrates ainda está a tempo de se credibilizar dando aos portugueses o direito de afirmar que a Europa é mais que uma árvore das patacas.

Saúde: piedosa intoxicação por incúria

A última semana foi marcada por uma troca azeda de palavras entre alguns dirigentes da Igreja Católica Portuguesa e o Governo acerca da assistência religiosa nas unidades hospitalares.

Dois aspectos foram sistematicamente repetidos pelos media como constituindo objecções centrais da Igreja Católica à proposta governamental: a restrição da assistência ao horário das visitas e o facto dos pacientes serem obrigados, na sua admissão ao hospital, a requererem por escrito a assistência, sob pena de esta não ter lugar.

Ora na proposta em discussão, o que está escrito é que a assistência religiosa "pode ser prestada a qualquer hora, de preferência fora do horário normal das visitas", e que o paciente, ou um familiar ou amigo por ele, pode requisitar a assistência a qualquer altura, "de forma escrita" e "a ser assinada por quem a requer, sob pena de se entender que o utente não deseja receber assistência".

Também tem sido repetido que o Governo quer "desmantelar" a estrutura de assistência religiosa nos hospitais, constituída só por sacerdotes e leigos católicos, pagos pelo Estado e em muitos casos com o estatuto de funcionários públicos.

Manda a verdade dizer que, apesar de ser "preciso compatibilizar o regime de assistência espiritual e religiosa com o princípio da igualdade previsto na lei da liberdade religiosa”, se mantém o estatuto, incluindo para efeitos de aposentação (...)".
Na prática, mantêm-se padres católicos como funcionários dos hospitais a auferir salários que variam entre 986 e 1474 euros, até à respectiva reforma.

Por outro lado, especifica-se que em cada unidade hospitalar deve existir "um local com condições de privacidade para reuniões de doentes com os assistentes espirituais ou religiosos.

Ainda bem que José Sócrates veio acalmar a piedosa tempestade num copo de água que alguns senhores da Igreja Católica semearam.

Foi uma polémica sem razão e os bispos e outros dirigentes, que falaram contra o Governo, mostraram imprudência e prestaram um mau serviço à democracia.

Em vez que clarificarem as posições, intoxicaram os portugueses num piedoso mas perigoso exercício de manipulação.

O ministério da Saúde não esteve bem, porque devia ter sido mais transparente e dar a conhecer o projecto de lei que está em discussão, o que só fez nos últimos dias, quando se viu acossado na comunicação social.

Quando é que o Governo aprende a explicar melhor as suas decisões e cortar pela raiz campanha de manipulação como esta de alguns dirigentes da Igreja que se mostraram mais papistas que o Papa?

Oficina da Poesia: para que serve em tempos de penúria?


Mais de 130 poetas e artistas plásticos (de Portugal e do mundo) procuram dar resposta à pergunta — “para que servem poetas/em tempos de penúria? — formulada pela poetisa Adília Lopes na abertura da revista “Oficina da Poesia” que assinala dez anos de existência.

Editada teimosa e carinhosamente pela Palimage — A Imagem e a Palavra, “Oficina da Poesia” está na segunda série e apresenta-nos agora um fascículo duplo para assinalar uma década, sob direcção de Graça Capinha, coajuvada por Jorge Fragoso, “alma mater” da editora viseense, com delegação em Braga.

Apoiada pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, através do seu Conselho Directivo, e pelo Centro de Estudos Sociais da mesma escola, “Oficina da Poesia” mantém-se fiel à matriz fundadora de “revista da palavra e da imagem” que aloja “muitas dezenas de jovens poetas, muitas leituras e muitos exercícios de escrita muito poéticas, muitas discussões tremendas, muitas noites que (nos?) tiravam o sono” ¬— lembra a Directora no seu editorial.

Dez anos depois, “sobrevivemos — prossegue Graça Capinha. E fortes laços de respeito e amizade foram criando raiz, assumindo a sua transindividualidade poética e/ou discursiva. Alguns/mas poetas daquela primeira ‘turma’ ainda hoje participam no seminário semanal. Outros/as a viver longe mantêm contacto e ainda enviam material para publicação como acontece neste número especial”.

“Oficina da Poesia” começou por ser uma revista annual, passou a semestral e é “culpada” do lançamento de vários primeiros livros e à sua sombra — ou à luz deste candelabro que alumia todos os que estão em casa?— se estimularam várias participações em outras revistas e antologias de poesia nacionais e internacionais, prémios literários nacionais e internacionais.

Se ainda não se respondeu à pergunta inicial, manda a verdade escrever que “Oficina da Poesia” se assume como uma “militante intervenção poética na comunidade através de leituras públicas e acções de rua” e os que nela participaram já perceberam para que servem os poetas em tempos de penúria.

É que a poesia “só tem sentidos na comunidade, no meio do ruído imenso produzido pelo embate semore violento entre os vários poderes dos vários discurso presentes na sociedade e na história”.

Sendo assim entendida, a poesia “serve o que não é”, na sua radicalidade “social e política” constitui um momento (ou tantos momentos) de procura (de tantos encontros) do infinito, entendido como “dádiva generosa” que não espera o retorno do “muito obrigado”.

A poesia só se agradece com muitos poemas e é isso que explica que a editora Palimage, com a mesma idade da Oficina, teime em manter este filho primogénito, “pedra sobre pedra”.

Ou, como escreve Alfredo Pérez Alencart, porque Jorge Fragoso pode confortar-se dizendo “tengo llave de la casa ancestral/y mapas de la tierra prometida”, essa terra em que “la clave del secreto es un salmo/que lava las heridas del éxodo”.

A edição deste fascículo duplo — 200 páginas de textos e imagens — de “Oficina da Poesia” é a melhor garantia de que “não porá fim à vida,/em legítima defesa”.

Thursday, July 5, 2007

Quarenta perolas da cultura popular

Fui a Braga ao São João
Tive uma ideia, adivinha,
Construir o aeroporto
Onde era o Campo da Vinha

Foi com esta quadra que Heitor Morais da Silva, residente no Largo das Te-resinhas, em Braga, arrebatou o primeiro lugar, entre cerca de 350 participações no Concurso de Quadras do S. João promovido pelo Correio do Minho.
O segundo prémio foi entregue a Abílio de Oliveira Ferreira, residente no Bairro Nogueira da Silva. com esta quadra:

Nossa cidade é vaidosa
A TV nisso não fala;
Nas festas de S. João
Braga se veste de gala.

O terceiro foi a bracarense Maria Amélia Palmeira Soares, residente na Travessa Pascoal Fernandes, com a seguinte quadra:

Fui a Braga, ao S. João
Nele pus minhas esp’ranças
Tirar da face da terra
Os predadores de crianças.

Conforme prometido, aqui ficam as quadras quue me-receram uma menção honrosa do júri que destacou “a elevada participação dos leitores neste concurso”.

Vim ao S. João a Braga
Entrei na Arcada velhinha
E como painel de fundo
Senti que Braga era minha.

António Fernandes Ferreira, Braga

Em Braga há S. João
O melhor de Portugal
Prende qualquer coração
O Estádio Municipal.

Orlando Peixoto Rodrigues, Braga

Vim a Braga ao S. João
Apenas para rezar:
Acabar com a pedofilia
E as ‘Madeleines’ voltar.

Tatiana Cristina, Braga

Ó meu S. João de Braga,
Sei que gostas d’ajudar.
Precisava duns pontinhos
P’ra professor titular.

Jacinta Pinto Ribeiro, Braga

Ó meu rico S. João,
Em Braga tens teu altar,
Peço-te com devoção
Fazei a crise passar.

Orlando Peixoto Rodrigues, Braga

É uma festa sem igual
A tua, meu S. João.
A melhor de Portugal
É em Braga, pois então!

Maria Luz M. S. Rocha, Braga

A Braga venho pedir
(A vós S. João milagroso)
Que ao rio deixes cair...
Este Governo ‘jocoso’.

Maria Graça S. Horta, Famalicão

Vou ao S. João a Braga
Está dito, não há tretas.
Vou lá de qualquer maneira
Nem que seja de muletas.

Abílio Oliveira Ferreira, Braga

Ao descer a Avenida
Em Braga, no S. João,
Um alho porro bateu-me
Bem fundo, no coração.

Francisco Assis Canário, Braga

O S. João é de Braga
Como o Correio do Minho;
Qualquer notícia que traga
Serve p’ra ler no caminho.

Francisco Assis Canário, Braga

Ai que lindo manjerico
Leva a moça no seu braço;
Foi a Braga ao S. João,
Chegou morta de cansaço.

Jorge Tinoco, Amares

Ó meu S. Joõ de Braga,
Como tu não há igual.
É a festa mais bonita
Que temos em Portugal.

Maria Conceição P. Rodrigues, Braga

O do Porto é muito bom
Na concorrência de santos
Mas de Braga o S. João
Não tem rival engre tantos.

Jorge Tinoco, Amares

Ó meu rico S. João,
Que tanta folia tens.
Dá também uma lição
A quem aumenta os pães.

Francisco Assis Nogueira, Fafe

Que bonito é de ver
Em Braga, no S. João,
As moçoilas bem contentes
Com manjerico na mãos.

Francisco Assis Nogueira, Fafe

De martelinho na mão
A Braga fui festejar
As festas de S. João
Comer, beber e saltar.

Parcídio Fernandes, Fafe

Vim a Braga p’ra parir
Mas passei p’lo S. João:
Tantos apertos e... puxos...
Se rebentou o ‘balão’!

António L. S. Pereira, Nine, Famalicão

Saúde, paz e amor
Eu pedi ao S. João;
Levo para onde for
Braga no meu coração.

Orlando P. Rodrigues, Braga

Fui ao S. João a Braga,
De martelinho e balão.
Da Ponte até à Arcada
Toda a noite é S. João.

José Amorim Costa, Maximinos, Braga

O Carro das Ervas é
Uma velha tradição;
Nesta Braga sem igual
Na altura do S. João.

Carlos Leitão Azevedo, Braga

S. João, ouvi dizer:
Em Braga és o maior.
Bem podem outros fazer
Mas não tem este vigor.

Carlos Leitão Azevedo, Braga

Em Braga, no S. João,
Há pessoas bem dispostas.
Levam com alho na cara
E nem ousam dar respostas.

Cristela R. Oliveira, Braga

Ó meu S. João de Braga,
Grande santo popular,
É com muita euforia
Que te vamos festejar.

Cristela R. Oliveira, Braga

Em Braga há grande folia
No dia de São João
A ajudar há cabeçudos
Provocando animação.

Cristela R. Oliveira, Braga

São João e ABC
São reis das emoções.
Braga em quarto, já se vê,

É terra de campeões.
Orlando P. Rodrigues, Braga

Tua festa não tem par,
Ó meu rico S. João.
É a Braga milenar
Que mantém a tradição.Maria da Luz S. Rocha, Braga

Diz-me cá meu S. João
Isto em Braga é
[pim-pam-pum;
Temos OTA? Alcochete?
Ou Portela e mais um?...

Feliciano Mendes Braga

S. João bem popular,
É tempo de sardinhada.
Todos para a romaria
Até bem de madrugada.

Américo da Silva Alves, Braga

S. João é romantismo
Que perdura e seduz;
Braga é quadro de artista
Pois tem o seu Bom Jesus.
António F. Ferreira, Braga

Já me cheira a S. João
Já me cheira a manjerico;
C’o alho porro na mão
Vou a Braga, ao bailarico.

Francisco Assis Canário, Braga

S. João, és cá dos meus.
Também gostas de bailar.
Pede lá licença a Deus,
Vem a Braga festejar.

Maria da Luz S. Rocha, Braga

O meu S. João de Braga,
Tem alegria sem fim.
Sardinhas e manjericos,
Braga é um belo jardim.
Maria Conceição Rodrigues, S. Pedro de Merelim

Nada tem mais popular,
Esta Braga tão bonita,
Do que quando alguém citar
S. João ou o Mesquita.
Jorge Tinoco,
Amares

Braga, cidade antiga,
S. João a padroeiro.
Tem a Sé como amiga,
Bom Jesus como romeiro.
Parcídio G. Fernandes,
Fafe

Vem ao S. João a Braga,
Faça calor, faça frio;
Vem ver os nossos santinhos
E o São Cristóvão no rio.
Abílio Oliveira Ferreira, Braga

Vem a Braga ao S. João;
É pertinho, pouco paga.
Porque todos os caminhos
Vão direitinhos a Braga.

Abílio Oliveira Ferreira, Braga

S. João ornamental!
Diria mestre Zé Veiga.
Braga e seus continuadores
Dele colheram a seiva.
António Lucílio Pereira
Braga

Alegria e bem-estar
Em Braga, no São João.
Venham todos festejar,
Viver esta tradição.

Cristina Filipa Barcosa, Ucha, Barcelos.

Wednesday, July 4, 2007

Degelo da Gronelândia: efeitos devastadores


Há quinze dias verificámos que os mapas do mundo vão ter de ser redesenhados à medida que aquecimento do Planeta Terra vai aquecendo e o degelo desfaz o continente da Antárctida e a Gronelândia.
Mas debaixo deste Carvalho de Calvos, á espera do sol do Verão, começamos a desesperar. O Verão come-çou mas já não é o que era, quando a TV nos mostra inundações em Inglaterra e na Alema-nha, enquanto a Grécia e a Arménia estão assar com um calor nunca visto. E por falar de Inglaterra, situemo-nos em Londres, uma cida-de que é atravessada pelo rio Tamisa, sujeito às marés do Oceano Atlântico. Nas últimas décadas, os níveis das águas do mar come-çaram a causar mais estragos durante as tempestades, o que obrigou o Governo a construir umas barricadas que podem ser fechadas para prteger grande parte da cidade.
A partir de 1985, as barricadas começaram a fechar a uma média de seis vezes e agora já é necessário fazê-lo onze vezes por ano. É um número que nos alerta para o impacto do crescente aquecimento global através do mundo. O aumento do nível do mar pode vir a ser mais rápido e maior, dependendo do que acontecer na Grone-lândia e na Antárctida e das opções que estão nas mãos de quem gere as grandes potências.
Se observarmos as maiores áreas de gelo — Antárctida e Grone-lância — que estão em risco, ficamos muito mais inquietos.
A plataforma de gelo da Antárctida oriental é a maior massa de gelo da Terra. Pensava-se que estava a crescer mas, em 2000, descobriu-se que o volume de gelo desta plataforma está a diminuir e 85 — 85! — por cento dos glaciares que lá existem aceleram o seu a-vanço para o mar, ou seja, estão a derreter-se. Por outro lado, as temperaturas do ar —medidas acima da massa de gelo — aumentaram mais rapidamen- te que as temperaturas do ar em qualquer outra parte do mmundo. Esta descoberta foi uma triste surpresa sem que os cientistas tenham conseguido explicar este fenómeno.
Os mesmos cientistas afirmam que a pla-taforma oriental será mais estável que a pla-taforma ocidental da Antárctida, apoiada na terra, e, por isso, não se deslocou para o mar como acontece com o gelo flutuante. Se esta plataforma ocienttal se derretesse ou se a ilha escorregasse para o mar, isso fazia aumentar seis metros o nível dos mares em todo o mundo.
Esta plataforma ocidental regista altera-ções alarmante na parte inferior. Estamos a falar de uma plataforma gelada do tamanho da Gronelândia que também faria subir em seis metros o nível das águas do mar em todo o mundo, se se derreter ou se se desprender e deslizar para o mar cada vez mais quente.

Agora, centremos a nossa atenção nas alterações que se verificam na Gronelância: em 2005 foram avistadas enormes lagoas de água do degelo. Sempre existiram estas lagoas, mas agora são muitas mais e cobrem uma área mmuito maior do gelo.

Acresce que estas lagoas são se-melhantes às da plataforma Larsen — de que falávamos há 15 dias — antes do seu súbito e chocante desaparecimento.

Também a Gronelândia mostra a existência de profundos sulcos e túneis ou ‘moulins’ constituídos por água produzida pelo derretimento do gelo. Quando esta água che-ga ao fundo do gelo, lubrifica a superfície do leito da rocha e desestabiliza a massa de gelo, fazendo com que esta deslize para o oceano.

Dirão os entendidos que sempre houve de-gelo sazonal oou ‘moulins’ mas estas nada tinham a ver com o que está a acontecer hoje, porque o degelo se tem acelerado rapidamente.

Em 1992, o degelo verificava-se em pequenas franjas da Gronelândia, a sul. Dez anos mais tarde, o degelo já atingia franjas maiores e chegava ao Norte. Em 2005, me-ta-de da ilha da Gronelandia sofre efeitos do degelo.

Se a Gronelândia se derretesse ou se quebrasse ou ainda des-lizasse a suua massa de gelo para o mar Atlântico, os níveis do mar subiam em todo o mundo cerca de seis metros. Al Gore, no seu livro que temos vindo a resumir para os lei-tores, ao longo destas “carvalhadas”, escreve que a Florida ficava reduzida a metade do seu território.

Se as águas do mar subirem seis metros, façam um pequeno e-xercício para ver o que acontece entre a Póvoa de Varzim e Caminha e poderão avaliar as reais consequências do aquecimento global do Planeta terra.

Se acharem que isto não é preocupante, continuem a fazer como até agora.

Monóculos e altar aproximam Santuário do Sameiro a Braga



A Confraria da Senhora do Sameiro já decidiu demolir o altar moderno mas polémico que separa o Santuário do escadório — revelou Mons. Eduardo Melo Peixoto.

O presidente daquela Confraria e da Cooperativa TUREL falava no programa “Sinais” que a rádio Antena Minho emite hoje, a partir das 10 horas, em que manifestou a esperança de que o Novo Centro Apostólico do Sameiro esteja totalmente renovado em finais de Agosto ou Setembro.

Como minhoto, Mons. Eduardo Melo assegura que “o nosso Minho é um santuário religioso e natural” que é preciso preservar e conservar.

Quanto aos santuários existentes no Minho, a TUREL está apostada em  dotá-los de “parques de silêncio e lazer porque os santuários são recantos de peregrinação, de descanço e de lazer”.

Possuidores de uma matriz com certa homogeneidade, através de acordos com o ministério da Administração Interna, as Confrarias colaboram na conservação da natureza, uma vez que os “Santuários funcionam também como postos de vigilância dos incêndios” enquanto “procuramos que possam acolher dignamente quantos os procuram, com sanitários, pontos de água potável e pontos de recolhimento espiritual”.

O facto de haver obras em  todos os santuários significa que as mesas estão tentas a fazer o melhor e respeitar o que nos deixaram”.
No Sameiro têm sido feitas “muitas obras no exterior e envolvência: com novas árvores, novos sanitários (cinco batrias bem equipadas para os peregrinos), e parques automóveis suficientes”.

O Centro Apostólico, construído em 1969 e devido a muita utilização, estava muito deteriorado ao nível das canalizações e teve de se mexer tudo de modo a criar ali a “Albergaria Nossa Senhorra do Sameiro e Centro Apostólico, pois toda a gente vai usufruir do equipamento nas mesmas condições que tinha até agora”. O novo espaço requalificado está “aberto a todos os movimentos apostólicos e a turistas que queiram aproveitar aquele local para repouso corporal e espiritual”.

É uma obra muito profunda porque só ficaram praticamente as paredes e é enriquecida com “uma piscina interior, bem como uma piscina para pequenos, um SPA, e muitas salas para reuniões e convívios de modo a poder albergar actividades dos movimentos de pastoral” — prossegue o presidente da Confraria do Sameiro.

Interrogado sobre o prazo de conclusão das obras, Mons. Eduardo Melo deseja  que “no fim de Agosto, aquando da realização da peregrinação dos emigrantes, estivesse tudo pronto, mas deverá ser difícil. As obras estão em ritmo acelerado e este ano o Centro Apostólico e a Albergaria estão em pleno funcionamento”.

Mons. Eduardo Melo destaca que “o Sameiro continua a ser um lugar de procura de muita gente e dá o  exemplo da “Capelinha no exterior que é um lugar de refúgio de noite, mesmo no inverno”.




Quando se lhe pergunta o que falta, Mons. Eduardo Melo compara os “santuários aos homens —  nunca estão completos” mas sempre vai revelando que “vamos retirar aquele altar das celebrações em frente à cripta porque ninguém concorda com aquilo”.

A comissão de Arte Sacra da altura, na década de 70, concordou mas de facto “quebra a unidade e união entre o Sameiro e a cidade de Braga.

Portanto, temos de procurar uma  maior ligação cidade e santuário. Nas grandes celebrações colocaremos um estrado amovível”.

“Vamos colocar ali uns monóculos especiais para que dali se aprecie a cidade, com dois aparelhos que pu-xam a cidade mais parao Sameiro. Não são dois ‘canudos’, mas permitem aos turistas e peregrinos terem uma maior proximidade com a nossa cidade” — explica Mons. Eduardo Melo.

Ao longo do escadório, estava prevista a colocação de painéis de cerâmica com passos da vida de Nossa Senhora. Só foram colocados dois  — um da Assunção e outro que evoca a descida do Espírito Santo.

“As intempéries e geada não permitem aquele tipo de painéis; é por isso que o programa previsto para aqueles quadros não avançou. Vamos ver se os retiramos dali e dar um arranjo diferente ao escadório. Já pensamos em colocar cruzes de forma a fazer uma Via-Sacra, desde o início do Escadório até lá cima. É uma proposta que está em estudo” — conclui Mons. Eduardo Melo.

Thursday, June 28, 2007

S. João da Ponte: coração da romaria de Braga




Era a quinta dos Arcebipos onde estes repousavam na estação de Verão até que foi confiscada pelo estado, nos alvores da República. Estamos a falar do parque da Ponte onde existe uma fonte de água puríssima mandada construir por D. Frei Agostinho de Jesus, nos fins do século XVI. Esta fonte conserva ainda o brasão daquele prelado.
Os documentos históricos asseguram que esta quinta era propriedade dos Senhores de braga já ao tempo de Frei Bartolomeu dos Mártires.

De facto este Arcebispo, a caminho dos altares, mandou construir ali um hospital para tratar dos “infeccionados pela peste de 1570, como consta da inscrição gravada no pedestal do cruzeiro ali existente e levantado no sítio que servira de cemitério das vítimas”.

Depois deste respigo pelos “Fastos Episcopaes da Igreja primacial de Braga”, escritos por José Augusto Ferreira (Braga, 1935, pag. 419), paremos junto da Capela de S. João da Ponte, construída em 1916, a partir de uma outra ermida mais pequenina, poucos anos depois de ter sido terraplanado o grande largo que a circunda.



A Capela foi idealizada por um mestre coimbrão, António Gonçalves e a sua construção foi custeada por Júlio Lima, ao passo que Ernesto Korrodi (autor do palácio Dona Chica, em Palmeira), foi quem fez a distribuição dos espaços que hoje são conhecidos pelo parque da Ponte e largo envolvente da Capela de S. João.

No ano de 1911, o Governo cedia à Câmara Municipal a quinta dos arcebispos para ali construir um mercado fechado e um horto mas as notícias de 1922 falam-nos dos esforços do bracarense Júlio Lima que construíra, nas imediações um campo de futebol e um hipódromo “que deve ficar o melhor do país”.

Um éden terreal
adentro da cidade

Azevedo Coutinho, no seu “Guia do Forasteiro de Braga” (1922) descreve o S. João da Ponte como um dos “mais belos e pitorescos da cidade de Braga, tendo sido muito transformado, pois além do ajardinamento de que dispõe e fontanários, tem no lado poente, um pequeno lago, com uma gruta também de minúsculo tamanho, um coreto na alameda, na rectaguarda da capela e mais ao fundo um outro lado maior”.

Escrevia Azevedo Coutinho que aquela zona “é, aos domingos, durante o Verão, muito frequentada, não só pelo povo desta cidade, mas também pelos inúmeros visitantes que vêm a esta terra e mais o será quando as obras estiverem todas completas o que será caso para dizer que deve ser um Éden terreal, adentro da cidade”.



DA CAPELINHA Á CAPELA
NUMA VIAGEM POR CAMILO

A Capela de S. João é acanhada e simples arquitectura, em cujo alpendre se pode ler 1616, data de uma reconstrução da anterior ermida fundada no mesmo local por iniciativa de D. Diogo de Sousa (1505-1532), sede de uma confraria responsável pela festa do baptismo de S. João, cuja fama vinha dos tempos do rei D. João I que impôs esta festa a todos os concelhos.

Camilo Castelo Branco, que vinha muitas vezes a Braga, citando um documento do séc. XVII, fala-nos dos cavalheiros bracarenses que lançavam porcos na coutada dos arcebispos, sendo um deles de cor preta, criado durante o ano à custa de um ou dois mordomos nomeados para esse ano.

Quando rompia a madrugada, os cavalheiros subiam ao alto do Picoto onde recebiam as orvalhadas e soltavam o porco para o perseguirem atè à margem esquerda do rio este, onde encontrava sobre a velha ponte um grupo de moleiros — da zona dos Galos – que impediam a sua passagem para a cidade. Se o porco conseguisse passar, venciam os moleiros que depois o matavam, desamanchavam e distribuíam entre eles. Se não conseguisse passar a ponte, era comido pelos cavalheiros.



O PINHEIRO DA GREGÓRIA:
ORIGEM DE UM NOME

A cerca de dois quilómetros da velha ponte do rio Este — na estrada em macadame para Guimarães — existiam dois pinheiros mansos, de proporções gigantescas. O da esquerda foi derrubado antes de 1895. Neste ano, a senhora D, Maria Couto. Residente na rua do Carvalhal, “sem o mínimo respeito por essa vida tão longa, vendeu-o por 31.500 reis. Os seus braços enormes deram dezanove carros de lenha que foram vendidos por 18 mil reis. A maior parte da madeira foi comprada por um snehor António Fernandes Lopes para a casa que construiu na Rua dos Capelistas.

É o desaparecimento do Pinheiro da gregória — que dá origem ao nome do lugar — foi muito chorado naquela altura e levou alguns bracarenses a plantarem um outro pequenino.



UM CRUZEIRO
E O DIABO MANQUINHO

Um dos sítios mais interessantes do parque da Ponte é o cruzeiro do Senhor da Saúde. Começou por estar junto à Sé, depois passou para a Capela de S. Miguel-o-Anjo e dali para o Largo das Carvalheiras. A invocação deriva da sua integração numa casa de saúde, construída por D. Frei Bartolomeu dos Mártires, aquando da peste de 1570.

O cruzeiro tem uma inscrição onde se lê: Sendo o Arcebispo de Braga D. Frei Bartolomeu dos Mártires, houve peste nesta cidade, no ano de 1570, e os ‘impedidos’ foram trazidos a esta devesa”.

Uma das estátuas que desperta a curiosidade dos que passeiam pelo parque da Ponte é o Diabo manquinho, (idealizada por André Saores?) situada à direita da Capela de S. João.

Esta estatueta estava originariamente numa alameda do Bom jesus, por trás do antigo Hotel do Parque. Por ali se encontram ainda capitéis peretencentes á antiga Igreja e Convento dos Remédios (demolido em 1911) e do pórtico jónico da Igreja do Salvador.

Estes elementos escultóricos mereciam melhor sorte se… e é melhor não dizer mais nada!

Kiddo: guarda e diverte as crianças aliviando os pais



Nos tempos que correm, os pais têm receio de levar os filhos a locais onde se concentra muita gente, como ‘shoppings’, festas e arraiais. Com Kiddo – um alarme criado por uma empresa bracarense – pode andar à vontade com os seus filhos, mantendo-os em segurança.

“Vivemos num mundo cheio de perigos onde as pessoas também são chamadas a viver num ritmo apressado e a falta de tempo leva a que se tenha de fazer diversas coisas ao mesmo tempo” – explica o prospecto que divulga este equipamento. Isto dispersa-nos a atenção e gera distracções inevitáveis, expondo as crianças que nos acompanham aos mais diversos riscos.

Atenta aos novos ritmos de vida, uma empresa do Minho – a Smart-target – desenvolveu um equipamento muito simples que constitui uma preciosa ajuda aos pais.

Carla Martins, responsável pela comunicação e marketing da Q.I.DS, um espaço de baby sitting e loja de brinquedos educativos, instalado no Braga Parque, que está a testar a comercialização deste equipamento, explica-nos como funciona e quais são as suas vantagens.

Kiddo é um sistema inteligente que avisa os pais quando as crianças se afastam, ou seja, “permite aos pais controlar o afastamento entre dois e oito metros, ajudando a evitar situações como perdas, raptos ou movimentos das crianças para sítios de risco”.

O Kiddo pode ser levado pelos pais e crianças para a praia, para um parque, para um shopping ou qualquer outro local de concentração de muitas pessoas, oferecendo tranquilidade e segurança a toda a família.

O aparelho electrónico é um simples emissor, colocado na criança, que alerta o receptor (que o pai usa) – dispara o alarme - quando ela se afasta do receptor mais de oito metros.

Este aparelho, com design apropriado às crianças, serve para proteger aqueles miúdos mais ariscos em espaços frequentados por muitas pessoas.

Carla Martins explica que este projecto da Smart-Target esteve em desenvolvimento durante dois anos e agora foi lançado no mercado.

A Q.I.DS Brinquedos Educativos Park foi convidada para “ser a empresa que testa a vendabilidade deste produto cujo lançamento oficial acontecerá em breve no Porto”.




QUE É O Q.I.DS PARK?
BRINCADEIRAS INTELIGENTES

Afinal, o que é a Q.I.DS? É um espaço infantil inovador: no mesmo espaço associa a venda de brinquedos educativos a um espaço de ‘Baby Sitting’, o Q.I.DS Park.

Com mais de 1200 crianças na sua base de dados, desde que abriu no ano passado, o Q.I.DS Park é um espaço de ‘Baby sitting’ e venda de brinquedos educativos que resultou de uma Iniciativa Local de Emprego (ILE).

Esta ILE foi desenvolvida por Maria João Baía Sousa e Sofia Corais e permitiu a criação de quatro postos de trabalho na loja 213 no segundo piso do Braga Parque. Com seis pessoas, esta equipa começou a trabalhar, após um curso de empreendedorismo na Associação Comercial de Braga, frequentado pela Maria João Baía Sousa, cujo projecto apontava para os brinquedos que permitam uma educação construtiva.

A Loja Q.I.DS abriu em Setembro do ano passado, após a aprovação do projecto pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, em que o “Baby sitting é um serviço de complemento à loja de brinquedos e tem resultado exponencialmente”.

O serviço oferecido por Q.I.DS “permite aos pais realizar certas actividades que não podiam no Shopping e que agora podem ir à ginástica, ao cinema, etc. por 2,5 euros à hora”.

Este serviço tem sido uma excelente aposta destas jovens empreendedoras pois há fins-de-semana que chegam a ter entre oitenta e cem crianças em baby sitting, atendendo a que apenas podem atender dez crianças por hora.

Ali, enquanto os pais fazem o que têm a fazer no Shoping, as crianças pintam, colam, cortam, tudo em “actividades manuais”. Acresce que na sala não existe televisão nem computadores, estimulando as crianças “para as brincadeiras físicas, desenvolvendo as artes manuais e resgatando certas competências”.




BRINQUEDOS
CERTIFICADOS

A aposta da Q.I.DS – sublinha Carla Martins – reside nos brinquedos “certificados que permitem aos pais e filhos brincar para educar”.

Se é verdade que o ‘Baby sitting’ ultrapassou os objectivos iniciais, em termos de brinquedos, falta ainda dar “tempo ao tempo para sensibilizarmos os pais e educadores para as vantagens deste tipo de brinquedos”.

Assim, Carla Martins destaca que os brinquedos disponíveis na Q.I.DS são todos de madeira, resultam de artes manuais, tradicionais, tecidos, jogos de equipa e não têm pilhas. “Essa é a nossa preocupação, promover junto dos pais uma brincadeira de forma construtiva para os seus filhos” – prossegue a nossa interlocutora.

O preço e a juventude da marca podem explicar ainda alguma resistência dos pais a este tipo de brinquedos. “tudo tem o seu tempo para que as pessoas comecem a valorizar um brinquedo certificado e reconhecer que a qualidade tem um preço diferente e para o qual alguns pais ainda não estão sensibilizados para investir”.


CAMPANHA JUNTO DOS COLÉGIOS

O projecto mais recente de Q.I.DS – Brinquedos Educativos e Espaço Baby Sitting – consiste numa campanha em parceria com os colégios da cidade.

A Q.I.DS está a distribuir pelas escolas, aos pais, um Vale de Desconto Q.I.DS equivalente a 10% de desconto em compras de valores iguais ou superiores a 10€, válido até 31 de Outubro 2007;

Por cada compra efectuada em valores iguais ou superiores a 10€, os pais estão a contribuir com 5% do valor total da compra para a escola que o filho(a) frequenta;

No dia 31 de Outubro faz-se o apuramento do valor acumulado ao longo dos meses;
No dia 1 de Novembro 2007 todas as escolas são informadas do valor que ganharam em brinquedos e materiais didácticos na Q.I.DS – Mundo Criativo, graças à colaboração de todos os pais.

Carla Martins explica assim o novo projecto: os colégios envolvem-se connosco, uma vez que nós damos um vale de desconto aos pais que comprem produtos na nossa loja, até 31 de Outubro”.

Nessa data, uma parte vai para o colégio aderente que pode vir aqui fazer compras no valor desse desconto.
“Queremos estimular e divulgar o conceito de brinquedos educativos, estamos em reuniões com vários colégios para entrarem nesta campanha e já temos várias adesões”, como são a Fundação Bonfim, a Miúdos e Pimpolhos-Creche e Jardim de Infância e a Creche Quinta da Nascente – concluiu Carla Martins.

S. Joao de Braga e o Carro dos Pastores






O carro da Dança do Rei David e dos Pastores constituem dois momentos indescritíveis das festas de S. João, em Braga.
O carro do Rei da David, com tocadores e Rei, continua a ser uma responsabilidade herdada por uma família da freguesia de Palmeira, de geração em geração, desde o século XIX. Ainda hoje, essa família faz questão de manter a tradição. Trata-se de um grupo de pessoas que apenas actua no dia 24 de Junho, em Braga, e uma ou outra vez em programas televisivos. O grupo é constituído por treze pessoas, sendo um Rei, mais dois guias e dez músicos.

É o carro mais conhecido das Festas de S. João, embora o mais enternecedor seja o dos pastores, uma vez que as personagens, quatro anjos cantores, e restantes acompanhantes da dança são crianças.

Desde há 54 anos – e talvez pela última vez este ano – são ensaiados por uma senhora que aprendeu com a mestra, D. Alice Ribeiro. Estamos a falar da D. Maria Emília Timóteo Gonçalves, vizinha do Parque da Ponte, aposentada de Auxiliar de acção Educativa em Ferreiros, S. Lázaro e no Carandá.

Os ensaios começam dois meses antes porque parte dos elementos não passam de um ano para o outro, até ao dia de hoje, dia 22. Neste dia, o carro dos pastores devidamente decorado com ervas, heras e flores, faz o ensaio geral.
Trata-se de um auto em dois actos sobre a vida do Baptista e não é fácil preparar crianças de dez a 13 anos para cantarem e dançarem como deve ser.

O grupo dos quatro anjos cantores e o coro das bailarinas são acompanhados por um grupo de músicos requisitados à banda de Cabreiros, sob direcção do mestre João Brás.

A curiosidade de milhares de pessoas que rodeiam o desfile destes carros concentra-se no menino João Baptista com o seu cordeirinho. A tradição diz que ele não deve ter muito mais que três anos, deve ser loiro e cabelo encaracolado, o que “é bastante difícil de recrutar”. O seu recrutamento e escolha exige um trabalho de acompanhamento dos pais, quer para o João quer para o cordeirinho que fica à disposição dos pais do João para que se habituem um ao outro.

Por outro lado, os quatro anjos “têm de ter uma voz forte porque não há qualquer suporte electrónico. Em tempos chegou a colocar-se uma aparelhagem sonora mas isso retirava genuinidade e pureza ao auto.



No entanto, a pessoa indicada para nos falar deste Carro dos pastores é a sua ensaiadora, que foi “pastorinha, quando era criança, fui Santa Isabel primeiro e depois fui anjo”.

“A D. Alice Ribeiro era quem ensaiava e ela achou que eu tinha jeito e paciência para continuar o trabalho dela e cá estou há 54 anos a ensaiar e preparar o Carro dos pastores” – começa por nos recordar a D. Maria Emília Timóteo.

Mais à vontade lá foi abrindo a caixa dos segredos: “comecei a ensaiar com uma gravação numa cassete e ainda é assim que faço hoje”, embora nos mostre depois os papéis comas letras e um livro publicado por D. Helena Palha, há 23 anos, sobre a Dança do rei David e o Carro dos Pastores, com a sua história, letra e partituras para os diversos instrumentos.

DE FAMALICÃO
PARA BRAGA

Constituído por 14 pastores, Isabel e Zacarias, mais quatro anjos e João Baptista, o grupo começa a aprender a música mas “tenho-me visto consumida. De ano para ano, está pior. Agora é difícil arranjar rapazes. Antigamente, ofereciam-se para ir no carro. Agora é raro aparecer alguém a oferecer-se”.

O que vai valendo “é a D. Vitória, da freguesia da Sé, que veste os anjinhos, que vai sensibilizando os pais para deixar os filhos ir no Carros dos Pastores, se não pouca gente tínhamos”.

Depois a escolha do S. Joãozinho é muito difícil. Há crianças que “não dão: fogem e têm medo. Este – o deste ano – deu bem, com um chocolate e uns rebuçados lá foi indo e aprendendo...”

E quanto à sua traquinice? Maria Emília Gonçalves não concorda: “são as pessoas que puxam por ele para fazer chi-chi ou andar às cavalitas no carneirinho porque lhe acham piada.

“Sabe que quem trata do carneiro, para o lavar, dar-lhe comida, enfeitá-lo, são os familiares do menino e às vezes também são os pais que os levam para estas brincadeiras” – admite a nossa interlocutora.

Os ensaios começam em Maio, diariamente, excepto ao sábado e domingo. “Tem que ser assim porque alguns faltam muitas vezes. Este ano foi muito difícil, por causa das comunhões” – lamenta D. Maria Emília que acentua a dificuldade em arranjar anjos com voz forte.

“Eu começo a cantar com eles sem música. Depois quando eles apanham a música, colocamos a gravação e eles cantam com o som de fundo. Depois de saberem a letra e a música começa o ensaio da dança”. Estes são os principais momentos da preparação do Carro dos pastores.

Os momentos principais da exibição do Carro dos Pastores são em S. João do Souto, Avenida da Liberdade, Câmara Municipal e Pópulo.

A banda com dez ou doze músicos só aparece nesta semana dos ensaios gerais mas D. Maria Emília sossega os forasteiros: “acho que estão bem ensaiados este ano”.

Mas o que é o Carro dos Pastores e de onde veio?

Trata-se de um auto-pastoril sobre a vida de S. João Baptista que se celebrava em Landim, Famalicão, por altura do Corpo de Deus.

A melodia sobre um texto da tradição oral é da autoria de João Guedes, com arranjo do famoso Fernando José de Paiva, conhecido por ser o autor do hino de Braga.

Colégio João Paulo II: rigor para a excelência






O Colégio João Paulo II é um projecto novo do ensino privado em Braga e resulta da vontade dos pais que se uniram numa força recuperadora de valores (rigor, exigência e excelência) de portas abertas à comunidade onde se insere: S. Martinho de Dume.

Assente no conhecimento da realidade e alimentado pela confiança das famílias, esta nova escola não acolhe só os alunos, mas abre as portas às famílias de modo a ajudá-las com uma “proposta educativa que responda às necessidades delas no século XXI” – diz-nos a d.ra Carla Fonseca, presidente da Direcção da ASDEPESO (Associação para o Desenvolvimento Pessoal e Social).

Esta associação foi criada por 16 pais, de vários quadrantes de actividade, mas animados pelo mesmo ideal: “uma proposta educativa que ofereça todas as condições humanas e materiais necessárias à educação integral dos nossos alunos valorizando o aspecto académico, o aspecto humano, o esforço e a criatividade, a reflexão e tranquilidade, a razão e a fé”.

Da fundação da ASDEPESO nasceu o Colégio João Paulo II que se distingue por possuir uma “missão única” de servir uma “proposta educativa de excelência, numa perspectiva construtiva e inovadora em equipamentos e instalações do complexo educativo de grande qualidade” – assegura Carla Fonseca.

E o nome? “Fomos buscá-lo a uma referência de trabalho, de dedicação aos amigos, de ligação ao desporto e ao teatro que é João Paulo II” – explica a nossa interlocutora.

De facto, esta escola pretende cultivar “atitudes reveladoras de amizade, de gentileza, de companheirismo, de tolerância, de responsabilidade e de auto-exigência” para além do culto do “diálogo, respeito pelos outros e pelo meio ambiente”.

A proposta educativa para o século XXI, sob coordenação da prof. Nadalete Faria, desenvolve-se num ambiente calmo, mas estimulante, organizado e inovador, com professores dedicados em exclusividade, professores de apoio e tutores, cursos de recuperação, acompanhamento de necessidades especiais, actividades de índole social e comunitário, serviço de saúde, actividades extracurriculares e formação dos pais.

Carla Fonseca recorda que o lançamento do novo Colégio se ficou a dever ao reconhecimento do valor do novo projecto por parte do dr. Cabral Vilas Boas e de outros parceiros que permitiram a aquisição de um palacete situado junto à Igreja de Dume, o seu restauro e a construção, faseada, das novas instalações da escola.

Assim foi possível à ASDEPESO – sem fins lucrativos – lançar-se na sobras de construção da escola em Abril do ano passado, de modo a poder abrir em 4 de Setembro do mesmo ano, depois de um programa de acolhimento em que ninguém teve férias.




No primeiro ano de actividade, o Colégio João Paulo II é frequentado por quase 90 crianças nas valências de creche, pré-primário e primeiro ciclo.

As crianças dispõem de salas de arte, de música, de gabinetes de apoio individualizado, informática e multimédia, pavilhão gimnodesportivo, recreio coberto, polivalente, biblioteca, laboratórios e refeitório.

O programa da ASDEPESO é levar as crianças que ali entram para a valência de creche a continuar os estudos e formação até ao 12.º ano. Assim, em 2007, o Colégio já terá terceiro ano do primeiro ciclo, em 2008, o quarto ano, e por aí adiante, sempre com duas turmas de pré-escolar, duas turmas de cada ano de escolaridade subsequentes.

Carla Fonseca destaca, como timbre desta escola, o trabalho em equipa dos professores, com perfil seleccionado e apropriado, que lhes permite conhecer a realidade da família, em virtude da sua total disponibilidade.

“Nunca será um colégio massificado porque é incompatível com o nosso projecto educativo. De modo a ter acompanhamento das famílias, apoio personalizado aos alunos” – esclarece Carla Fonseca.

O Colégio está aberto das 7 às 20 horas de modo a realizar um dos seus propósitos que é estar ligado á comunidade de Dume e ao seu serviço, de modo a sensibilizá-la também para “um crescimento saudável” numa zona onde o apelo à construção é enorme.



A ligação à comunidade sente-se já através de contactos com o CNE em que os jovens fazem voluntariado com as crianças do colégio, de modo a poder dizer-se que “Dume entra no colégio e o colégio está ao serviço de Dume” disponibilizando os seus espaços e equipamentos.

O Colégio dispõe de uma Ludoteca e centro de recursos educativos, adquiridos a Ana Paula Proença, do Abre-te Sésamo, de modo a “consolidar a qualidade do ensino, com rigor, exigência, excelência”.

Quanto ao futuro, uma vez que apenas foi executada uma fase das obras do plano global, Carla Fonseca adverte que “o crescimento será feito sempre com viabilidade económica para que possamos chegar ao 12.º ano”.

Quanto a outros projectos, de âmbito educativo, a presidente da ASDEPESO desabafa: “gostaríamos de ter o ensino profissional, como resposta alternativa, após o nono ano, para que os alunos possam ter continuidade até à universidade”.

Braga: “bogalha” dos tempos livres alastrou-se às crianças e idosos





Os mais crescidos lembram-se de ocupar os tempos livres a jogar “à bogalha” ou à “bogalinha” – essa paixão de toda a miudagem - e foi esta brincadeira que levou Adolfo Eduardo Castro Fernandes e seus companheiros a uma aventura séria em prol da infância e da terceira idade.

Depois de andar com a “casa às costas”, “A Bogalha” do filho do jogador arsenalista Cesário dispõe hoje de excelentes instalações, a meio caminho entre a Quinta dos Congregados e o Bairro da Alegria. Ali acolhe gente de todo o lado, incluindo a D. Arménia, que foi cozinheira do general Norton de Matos.

É com um brilho nos olhos – para suavizar as dores de cabeça dos encargos e dos efeitos da crise – que Adolfo Fernandes nos mostra as magníficas instalações da Associação “A Bogalha” que faz 21 anos de vida depois de amanhã.

Este funcionário da Segurança Social foi estimulado por Fernando Rocha – então presidente do Centro Distrital de Segurança Social de Braga – a criar uma creche que começou a funcionar numa vivenda na av. 31 de Janeiro, para apoio aos filhos dos colaboradores da Segurança Social, agregada ao Centro de Cultura e Desporto. Depois de alguns meses adquiriu o estatuto de IPSS e alargou os seus serviços a Jardim de Infância, com vinte crianças, e ATL, com dez.

Hoje, é uma estrutura consolidada, com um orçamento da ordem de um milhão de euros e 49 funcionários que prestam apoio a 124 crianças do Jardim de Infância, mais 33 crianças na valência de creche criada em Setembro do ano passado. No ATL é prestado apoio a 120 crianças, enquanto o centro de Dia para idosos acolhe oito pessoas e é prestado apoio domiciliário a mais de uma dezena.

“A Bogalha” presta ainda serviço de acção social, no âmbito das acções de levantamento, requerimento e fiscalização do Rendimento Social de Inserção (RSI).

Falávamos acima de dores de cabeça do Adolfo Fernandes e da sua Direcção: é que as novas instalações foram financiadas, com atraso, no âmbito da Medida 5 do programa europeu “Integrar” em 50 mil contos. Foi bastante pouco para um investimento de 320 mil contos, apesar de terem sido desbloqueados mais 25 mil contos do Fundo de Socorro Social. O resto foi financiado através do recurso ao crédito bancário que está a ser amortizado à medida que a Associação pode.

Com boas relações com as autarquias – quer a Câmara Municipal quer a Junta de Freguesia de S. Vítor – “A Bogalha” não abdica da “participação cívica na vida da cidade, contribuindo para o enriquecimento cultural da cidade, sem tirar protagonismo a ninguém” – assegura Adolfo Castro Fernandes.

NOVA CRECHE

É este dinamismo da direcção de “A Bogalha” que justifica um novo projecto em marcha: a construção de uma creche, cuja candidatura já foi aprovada pelo programa PARES. A creche será construída no terreno anexo às actuais instalações. Dentro de dois meses abre o concurso e a obra tem de estar concluída no prazo de um ano ara atender 33 crianças – revela o nosso interlocutor.

Adolfo Castro Fernandes fala-nos de outro “projecto inovador” – no nosso entender de grande alcance social – mas ainda é cedo para dizer quando avança e por isso é melhor guardar os pormenores, para já.
Em termos educativos, o projecto é coordenado por Elisabete Dinis e a “menina dos olhos” desta instituição passa pelo “Numérica”, um projecto de ensino da Matemática através de jogos e apoio multimédia.

O lema de Elisabete Dinis passa por “promover todas as potencialidades da criança, independentemente da sua condição social, em todas as vertentes, desde a emocional à sócio-afectiva, de modo a possibilitar-lhe um desenvolvimento harmonioso em todas as áreas”.

Este projecto assenta na “aprendizagem activa, mediante a qual a criança aprende fazendo, com experiência e acção”.
“Temos conseguido – diz – porque as nossas equipas têm feito um excelente trabalho nesse sentido. Temos conseguido desenvolver trabalhos de estimulação, ao nível da diversidade dos temas explorados”.

Este projecto educativo tem um nome “A Bogalha sem barreiras, no respeito pela multi-culturalidade” que permite um conjunto de aprendizagens, através de pesquisas, com as educadoras, em colaboração com os pais, de acordo com os países explorados e as culturas”.

A segunda fase deste projecto envolve um grande número de crianças com as culturas do Brasil, Leste Europeu, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Roménia.

Os resultados do programa têm sido excelentes e traduzem-se no Dia da Poesia, saraus multiculturais, em que as crianças, por exemplo, “declamam poemas de autores dos diferentes países” ou expõem trabalhos realizados pelo ATL e pelo Clube Juvenil.

O conhecimento dos diferentes países passa também pelas suas tradições, pela gastronomia (por exemplo, confeccionar os crepes franceses e outros petiscos que são servidos no fim dos saraus culturais), desenvolvendo um tema abrangente.
“Apostamos nas relações humanas e afectivas entre pessoas de diferentes culturas e países” – sustenta a Coordenadora Pedagógica de “A Bogalha”.

O próximo projecto educativo, explica Elisabete Dinis, passa pela “descoberta das ciências e das novas tecnologias para promover nas crianças o gosto pela observação, análise, registos, avaliação, espírito crítico, raciocínio lógico, novas tecnologias (porque cada sala dispõe de um computador)”.

Na sala do ATL existem vários computadores com acesso à Internet que permitem a pesquisa sobre temas que estão a ser explorados. Este projecto vai envolver o Departamento de Ciências da Universidade do Minho, com a presença de professores e de estudantes.

Outra das virtualidades apontadas por Elisabete Dinis foi a forte motivação dos pais para participarem nestas actividades e nas reuniões.

Outra das apostas passa pela recuperação do boletim da instituição, “Meio metro”, um instrumento de comunicação no seio da instituição, cujo presidente da Assembleia Geral é Luís Alberto da Costa Pereira. O presidente do Conselho Fiscal, eleito em Dezembro, com os seus pares, para um mandato de três anos, é António Manuel Almeida Seara.

No Lar D. Pedro V gira em torno do sol




“Tudo gira em torno do sol” bem pode ser o lema do serviço que diariamente é prestado pela Associação Lar D. Pedro V. No entanto, é o tema da exposição de trabalhos que se pode apreciar nos claustros da instituição.
Trata-se do resultado do trabalho efectuado pelas crianças e equipa pedagógica desta instituição particular de solidariedade social, cuja marca é o apoio à infância e à juventude feminina.
O Lar D. Pedro V recebe crianças de todo o concelho de Braga nas valências de Jardim de Infância e ATL e um pouco de todo o país no Internato. Além disso, constitui uma bela escola de aprendizagem que é proporcionada, através de protocolo, a estudantes da Universidade do Minho.
Com amplas instalações, a Associação do Lar D. Pedro V não poupa em equipamentos e serviços pedagógicos de apoio ás crianças, desde os espaços de lazer e desporto até às novas tecnologias, passando pela música, ginástica e inglês multimédia, entre outras ofertas.
Criado no longínquo ano de 1733 no Largo das Carvalheiras, o Lar D. Pedro V instalou-se num antigo convento de religiosas, por oferta do rei D Luís, para funcionar como “asilo da infância desvalida”.
Inicialmente o “asilo” absorveu também o do Menino Deus da Tamanca, mas em 1982 assumiu novos estatutos, transformando-se em Associação com missão de IPSS. Em termos estatutários, revela Manuel Morais da Costa, Secretário da Direcção que é presidida pelo Cónego Manuel Azevedo Tinoco, “estamos a pensar e mudar os estatutos para o regime de Fundação”, como forma de ultrapassar a crise por que passa o associativismo e o voluntariado de dirigentes.
Por outro lado, a Associação luta com carência de membros – são pouco mais de meia centena – e as suas principais fontes de receita derivam dos protocolos com a Segurança Social e as comparticipações das famílias e “vão dando para o dia-a-dia”.
O Lar D. Pedro V possui três valências, uma de internato para adolescentes e jovens, com trinta quartos de duas camas cada um, outra de Jardim de Infância, com cem crianças e uma terceira de ATL, com 80 miúdos.

BERÇÁRIO SUBSTITUI ATL?

O principal desafio que se coloca neste momento à instituição é o do ATL, em resultado das alterações do prolongamento de horário no ensino básico do primeiro ciclo. Esta dificuldade é transversal a todas as instituições com este apoio às famílias, uma vez que a procura está a diminuir significativamente.
Esta situação obriga a Direcção a estudar alternativas que podem passar pela “criação de um berçário/creche para responder à diminuição da procura da valência do ATL. Temos um plano em fase de arquitectura e o estudo financeiro está em curso” – adianta Manuel Morais da Costa que espera apanhar a próxima fase de candidatura do PARES.


No que se refere ao internato, as utentes são para ali enviadas pelas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, após decisões dos tribunais ou indicação dos serviços da Segurança Social. No Lar D. Pedro V são acolhidas crianças e jovens com idades entre os seis e os 18 anos que frequentam as escolas públicas da cidade de Braga.
Com uma colónia de férias em Fão, um investimento da ordem dos cem mil contos, que serve de apoio nos períodos não lectivos das jovens, o internato está confiado às Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado, através do serviço de quatro religiosas, apoiadas por cinco auxiliares.
Para o ATL, o Lar D. Pedro V disponibiliza duas educadoras sociais com apoio de duas auxiliares.
Apesar das dificuldades, a direcção do Lar D. Pedro V está a fazer um esforço gigantesco para restaurar o painel de azulejos da Igreja, depois de ter colocado um novo soalho. Trata-se do templo do extinto Convento de Clausura, fundado em 1720 por Dom Rodrigo de Moura Telles, depois de ter transformado o recolhimento das Beatas da Penha de França que o benemérito Pedro de Aguiar e sua mulher fundaram em 31 de Maio de 1652, destinado a 7 recolhidas, piedosas senhoras, às quais deu o nome de Beatas, que usariam o hábito de Santo António, doando-lhe rendas de pão e dinheiro para a sua mantença, e nomeando sua primeira regente Anna de Santa Maria, natural de Guimarães, “ recomendada pela sua gravidade, virtudes e bons costumes”.
Pedro de Aguiar e sua mulher Maria Vieira podem bem ser considerados beneméritos bracarenses, pelas suas acções em vários aspectos – no religioso e na sua acção civil. Foram os instituidores, entre outros actos beneméritos, do Hospital da Convalescença, mais tarde anexado ao de São Marcos, reformaram o coro da igreja de Nossa Senhora a Branca, etc.
Dom Rodrigo que ampliou o recolhimento, e posteriormente transformou-o em mosteiro professo, estabelecendo a Regra do Seráfico Patriarca São Francisco, dedicando o pequeno templo á Virgem Santíssima, sob a invocação de Nossa Senhora da Penha de França. Para isso contribuiu o donativo de cinco mil cruzados em dinheiro que o casal fundador tinha depositado no cofre da Misericórdia. No ano de 1720 fez construir a Capela, para serviço do recolhimento, ano em que benzeu e lançou a primeira pedra. Talvez, já pensando na transformação de regra, mandou abrir a porta de entrada barroca do lado da Alameda (porta lateral como era norma em todos as igrejas que serviam os Conventos de Clausura, para evitar contactos entre os que obedeciam a esta regra com os crentes, como por exemplo vemos no Convento da Conceição, nos Pelames ), além das suas armas de fé – sete castelos - , um nicho que alberga a imagem de Nossa Senhora da Penha de França, celebrando nela a sua primeira missa em 18 de Dezembro de 1721. Despendeu, então, com toda a obra a quantia de 22 contos de reis.
No seu interior, rico em todo o seu aspecto, destacam-se o retábulo da capela mor, em talha trabalhada toda recoberta a ouro, tendo ao centro no fecho, e ao alto numa cartela as armas de fé de Dom Rodrigo. De bom trabalho também são também os dois altares que entroncam no arco cruzeiro.
Mas a peça mais rica de todo este conjunto do interior da Capela da Penha é o púlpito, traça atribuída ao entalhador bracarense Marceliano de Araújo, e que possui elementos muito usados por este artista – anjos suportam o peso do púlpito – praticada noutros trabalhos.
Destacam-se ainda no interior, os azulejos do século XVIII, azuis e brancos, assinados por Policarpo de Oliveira Fernandes, representando cenas hagiográficas, sendo que a cena assinada pelo autor se encontra na capela mor ao lado esquerdo representando a Virgem com o Deus Menino ao colo.