Monday, March 31, 2008

Economia clandestina fragiliza sector têxtil



Adão Mendes não tem dúvida que “o trabalho infantil está a regressar ao Minho, porque a pobreza no nosso distrito está a aumentar para níveis preocupantes, devido ao desemprego de longa duração”.

Para o Coordenador da União dos Sindicatos de Braga, para além da progressiva perda do direito ao subsídio de desemprego, “as baixas reformas, agravadas com a alteração ao cálculo de reforma lançaram na miséria milhares de trabalhadores do nosso distrito que contavam com reformas de 410 euros e vieram para 360 euros. Os prazos de subsídio de desemprego esgotam-se as pessoas ficam sem nada”.

A prova do que afirma vai buscá-la aos inscritos no Rendimento Social de Inserção que “aumentou quase 20 por cento e há a pobreza envergonhada. Eu vejo aqui em Braga – já não falo do Vale do Ave profundo — algumas pessoas e fico assustado, porque quase não as conheço. São professores e outros que não tem qualquer apoio e estão a entrar numa exclusão social altamente preocupante.

Por isso, o abandono e o insucesso escolar aumentam porque se vêem crianças a fazer tarefas – com menos visibilidade – porque há muitas famílias em que os filhos saíram da escola para serem o único sustento das famílias porque os pais perderam os empregos”.

Estas são algumas das preocupações expressas por Adão Mendes numa entrevista à rádio Antena Minho que transcrevemos hoje, em parte, deixando para próxima edição as suas posições acerca do seu futuro na coordenação da União dos Sindicatos de Braga, ao fim de 19 anos à frente do sindicalismo no distrito de Braga.

PREPARAR
A SUCESSÃO
SEM SOBRESSALTOS

Adão Mendes quer preparar com tranquilidade a sua sucessão na liderança da União dos Sindicatos de Braga (USB), o que pode acontecer ou não no final do mandato, em Outubro.
Adão Mendes considera que deve ser encontrado um novo coordenador já no próximo congresso da USB, marcado para Outubro.

"É minha vontade criar condições para que a alteração seja feita o mais rápido possível, contribuir para isso e não deixar que o processo se arraste até ao limite, podendo depois chegar a um vazio. Por isso, estamos todos a trabalhar para que as coisas se façam com serenidade", adianta.

Eleito no 1.º Congresso da Confederação geral dos Trabalhadores Portugueses para a direcção da estrutura sindical de Braga, Adão Mendes, é natural de Ronfe, Guimarães, operário têxtil na Riopele, com actividade suspensa, é o rosto mais visível do sindicalismo distrital desde há 19 anos.

Numa semana marcada pela descida do IVA em um ponto percentual e a apresentação do Plano estratégico dos Têxteis, Adão Mendes começa por alertar “que boas medidas e bons anúncios nesta região fazem-se muitos”.
Embora sendo “importantes, é bom que depois a gente faça uma retrospectiva àquilo que foram as boas notícias dadas há muitos anos e que se traduziram em pouco mais que nada.

Estas boas notícias trazem-me surpresas negativas. Uma delas é que eu pensava que o dr. Daniel Bessa iria apresentar projectos actualizadíssimos. O que verificamos que quase todas eles assentam em pilares já apresentados em 2002”.

No entender de Adão Mendes, “foi o retomar de um estudo e lembrar caminhos que todos nós já identificamos como necessários. A questão que se coloca é como chegar lá. Que problemas temos de resolver e alguns deles são estruturais que não se querem resolver. São problemas que tem a ver com o sector em si e requerem uma atenção especial. Agora, dizer-se que a chave do sucesso está no design , na moda, na marca e na comercialização, mal de nós se não soubéssemos disso há dez ou quinze anos”.

O problema que se coloca é que o tecido produtivo tradicional, de mono-indústria nos vales do Cavado e do Ave resultou num desemprego elevado. “Se queremos resolver o problema do desemprego temos de começar por estancar os problemas que geram esse desemprego e a destruição do aparelho produtivo”.

E quais são esses problemas? “Se me perguntarem: acentua-se o problema do desemprego na região. Eu digo, acentua-se todos os dias. Quase todas as semanas assistimos a empresas a encerrar e algumas deixam-nos de boca aberta e a perguntar como é que foi possível. Temos trabalhadores que dois dias antes não acreditavam que isso fosse possível .

Outras continuam a emagrecer os seus quadros, de trabalhadores desqualificados mas também trabalhadores qualificados. Normalmente, depois, essas empresas não admitem outros trabalha-dores qualificados para outras actividades de ponta tendo em vista a sua modernização e re-estruturação. É emagrecer, emagrecer mas modernizar muito pouco. A destruição do aparelho produtivo acentua-se com a diminuição da produção.

Quanto ao que há a fazer, perante esta situação, o Coordenador da US aponta medidas.

“É preciso estancar isso, porque se não continuamos a ter desemprego. Depois, o sector vive exclusivamente de mão-de-obra barata e assim não é apetecível para ninguém. Já me convencia que nos próximos 5 ou 7 anos, ou o sector têxtil começa a pagar aos trabalhadores um salário muito acima do salário mínimo nacional, que já é pago noutros sectores, ou vão precisar de trabalha-dores mesmo qualificados e não os tem”.
Para Adão Mendes, “ninguém está disponível neste momento para ter futuro, estabilidade na família, com um salário como este”.
“O que se verifica hoje é que a generalidade dos jovens está a afastar-se dos têxteis” — conclui Adão Mendes para quem o desafio de futuro que se coloca às empresas é este: “as suas exportações estão efectivamente a traduzir mais valia para si, para a região e para o nosso tecido económico?”

A resposta é não, porque, diz, “vamos à vizinha Galiza, temos muitos portugueses a trabalhar nos têxteis e eles trabalham em máquinas iguais às nossas, produzem os mesmos produtos, e chegam ao fim do mês e levam 800 ou 900 euros de salários. Os trabalhadores são os mesmos, as máquinas as mesmas e os produtos os mesmos mas os salários são o dobro”.
Onde está o problema? No entender de Adão Mendes, “está, em primeiro lugar, nas mais valias e para onde elas vão. Se os nossos empresários estão ou não disponíveis para deixarem estas mais valias cá e poderem pagar salários semelhantes aos de Espanha?”

Provando o que disse, prossegue o coordenador da USB: “conheço dois casos de cor, estive com eles na mão. Duas confecções, de Guimarães, produzem diariamente camisas a quatro e cinco euros e já é preciso fazer um sacrifício muito grande nessas pequenas confecções para as venderem a esse preço. As camisas são colocadas no dia seguinte ou passado oito dias a 50 ou 70 euros mas nenhuma mais valia fica naquelas duas empresas. Elas limitam-se a fabricar e alguém fica com todas as mais valias da marca e da etiqueta”.

Por isso, o Adão Mendes não vê com bons olhos a criação daquilo a que chamaram um mega-cluster dos têxteis entre Norte de Portugal e a Galiza e pergunta: “isso reverte para quem? Eles podem fazer tudo o que entenderem mas reverter tudo para Espanha, não. Então façam um contrato de trabalho igual para os trabalhadores do Norte de Portugal àquele que fazem na Galiza”.

ECONOMIA CLANDESTINA
DESTRÓI BOAS EMPRESAS

Grande parte das nossas empresas já estão nas mãos dos espanhóis. Os nomes das nossas empresas familiares, fundadas há 50 anos são quase todas de capital espanhol ou outras e os rendimentos vão todos para lá.

Outro problema é a economia paralela ou clandestina que “funciona na nossa região, com sub-facturação, em alta dimensão. Estamos a falar de 30 a 50 por cento e funciona quase exclusivamente nos têxteis”.

“Eu conheço empresários, não são patrões... — esclarece — que se vêem em dificuldades todos os dias para conseguirem encomendas porque há quem ofereça preços mais baratos mas só querem facturações a meio ou a 30 por cento e por aí fora. Era bom que se chamasse também para esta economia clandestina que funciona no sector e que gera concorrência desleal. Há entidades patronais que tem, quase na clandestinidade, de fazer queixa aos sindicatos ou ao Adão Mendes por causa desta e daquela situação em que são vítimas. Nós temos de actuar porque muitas vezes eles próprios, tendo a sua Associação, tem receio de o fazer sob medo de represálias e por causa do mercado.

Tudo está na questão das mais valias — justifica. Por exemplo, “há uma empresa de Valença que fechou há 6 ou 7 anos, com 600 trabalhadores, e foram quase todos co-locados na Galiza. Muitos deles, dizem ainda bem porque descobrimos uma forma de ganhar o dobro fazendo o mesmo e porque é que a nossa empresa não fechou há mais tempo.

GALIZA EVITA E TRAZ NOVOS PROBLEMAS

A Galiza é desde há alguns anos é uma almofada para o desemprego no Minho, apesar de surgirem aqui e ali alguns problemas.

Primeiro, há uma virtude muito importante: nas parcerias de diálogo do lado da Galiza, com as empresas, o Governo regional e existe uma grande disponibilidade para o diálogo e convidam os minhotos a participar em acções de debate sobre os sectores de actividade.

“A mim surpreende-me o que se passa na Galiza — adverte Adão Mendes que explica: “há quatro anos havia quatro mil trabalhadores. Hoje estão quinze mil registados na Galiza. Dez mil e pouco são do distrito de Braga e se eles vêm por aí abaixo um dia, o que vai ser de nós? Ou se a Galiza não tivesse capacidade para absorver esta mão-de-obra do nosso distrito, o que seria de nós agora?”

MUITOS JOVENS QUALIFICADOS
NA GALIZA

O problema que temos é que a “imensa maioria desta gente que lá está são jovens e são jovens com qualificações superiores aos que ficaram cá. Eles estão lá e quem paga a factura somos nós porque não temos jovens qualificados para trabalhar na nossa região pois os salários não são apetecíveis”.

Na construção civil está sobre a mesa um problema que o preocupa pelas dimensões que pode ter. Um deles é o dumping social que se verifica na Galiza e os problemas que isso pode trazer, embora não seja para já. Mas há outro problema.

“Na Galiza, há um contrato de trabalho, com valores salariais mínimos, à volta dos 900 euros por mês, mas há quem se sujeite a trabalhar mais para ganhar mais do que cá mas ganham menos que os espanhóis que trabalham no mesmo sector. Está a criar um problema para os operários espanhóis e de concorrência desleal entre as empresas que apresentam orçamentos para projectos e depois recorrem a sub-contratação de empreiteiros portugueses que pagam menos. Há gente a ganhar dinheiro no meio deste mercado negro sem fazer nada”.

Daí, o anúncio de de greves na próxima semana pela não aplicação dos contratos.

A escola numa encruzilhada vital



Alunos e professores do ensino pré-escolar ao secundário regressam às aulas, para começar o terceiro período escolar que fica marcado pela contestação dos docentes, com protestos e manifestações todas as segundas-feiras contra a política educativa do Governo.

O arranque do último período escolar fica marcado pela discussão em torno da violência escolar, depois do episódio vivido na escola Carolina Michaelis, no Porto, que envolveu uma aluna de 15 anos e uma professora, no último dia de aulas antes das férias da Páscoa.

Este triste facto deve levar-nos a pensar em escolas com um projecto educativo construído por todos e, mais do que castigar, têm de mudar, para que os alunos se sintam lá bem e aprendam.

Enquanto não construirmos uma escola que seja um lugar de educação, onde todos estão empenhados numa boa gestão, capaz de influenciar a vida dentro do estabelecimento, de prevenir situações de indisciplina ou violência, não podemos dormir sossegados.

Os casos de indisciplina e violência voltam a tornar clara a necessidade da escola escolas ser dotada de psicólogos, mediadores de conflitos, assistentes sociais, animadores, técnicos de educação que possam colaborar com os professores na prevenção e resolução destes problemas.

O ambiente anunciado para este terceiro período não deixa antever que os verdadeiros problemas da escola sejam estudados com a serenidade que merecem.

Afinal, está em causa o futuro do país e do melhor que ele possui: os seus adolescentes e jovens.

Era bom que as segundas-feiras de protesto, anunciadas pelos professores fossem substituídas por terça, quartas, quintas e sextas-feiras de diálogo sobre a melhor forma de construir a escola do futuro.

É hora de pais, professores, alunos e governo colocarem os interesses do pais acima do caminho para o abismo que a escola portuguesa está a palmilhar, com culpa e responsabilidade de todos. Ninguém pode estender o dedo acusador.

Saturday, March 29, 2008

Braga:sair da cidade para as aldeias




Mais Braga... na rota das freguesias’ é o programa que a Câmara Municipal propõe para todos. aos sábados, já a partir de hoje e até 5 de Julho. O objectivo é mostrar toda a realidade do concelho de Braga aos bracarenses.

O programa ‘Na rota das freguesias’ pretende mostrar as áreas rurais ao público que vive no perímetro urbano; e ‘Jogos sem Limites’ visa proporcionar momentos de convívio e “Saudável competição” entre as diversas freguesias.

Os ‘Jogos sem Limites’ começam hoje, na Avenida Central, com a primeira eliminatória a envolver as freguesias da Sé, Cividade, S.Victor, S. Lázaro, S. João do Souto, S. Vicente e Maximinos.
Em cada sábado, disputam-se as restantes eliminatórias.

Depois da Feira das Freguesias, em 2007, em que estas mostraram algum do seu vasto património, este ano, o município propõe um movimento inverso: levar os residentes na área urbana a conhecer os aglomerados populacionais nas freguesias rurais.

Pela minha experiência profissional, posso garantir àqueles que aderirem a estas visitas que vão ficar e ser surpreendidos com algumas coisas que vão encontrar nas freguesias rurais.

Qualquer pessoa pode participar nas visitas, bastando fazer a inscrição no Posto de Turismo ou na sede da Junta.

Aos bracarenses da cidade é dada assim oportunidade de constatar que Braga é um concelho homogéneo e que há boa qualidade de vida nas freguesias e uma enorme riqueza patrimonial, cultural, histórica e económica.



As freguesias de Braga oferecem a cada visitante algo de surpreendente que desconhecemos e quem não conhece não ama.

Há muito boa gente que não conhece essa realidade concreta das 55 freguesias e, para alem de não a apreciar, inspira muito disparate.

É por isso que esta iniciativa pode contribuir muito para a criação de uma alma bracarense, não assente num bairrismo bacoco, mas numa sadia vaidade de ser bracarense.

Braga é assim tão forreta?

Leio uma vez no site da Internet e não acredito. Deve ser erro e procuro ler a notícia no jornal e é igual.
Não posso acreditar que seja verdade o que aconteceu em Braga, com os seus mais de 170 mil habitants, durante quarto dias de Fevereiro.

A Cáritas de Braga recolheu 770 euros no peditório de rua realizado nos dias 21 a 24 de Fevereiro passado, no âmbito da Semana Nacional da Cáritas.

Este ano, o lema era: “Acolhe a diversidade – abre portas à igualdade” mas os bracarenses fecharam as portas e as bolsas ao desenvolvimento da acção social levada a cabo por esta estrutura ligada à Igreja.

A Cáritas presta diariamente tendimento social; dispõe de um refeitório social; balneários sociais para cuidados de higiene; roupeiros; coordena voluntários; possui um banco de equipamento médico-hospitalar; acompanha vítimas de violência doméstica; forma agentes sócio-caritativos e de grupos desfavorecidos.

A realização deste peditório público, apenas mostra que a Cáritas não pode contar com a colaboração e generosidade das pessoas, que, através da partilha dos seus bens, constituem o sustento de toda a acção sócio-caritativa da instituição.

Muito menos, os 770 euros recolhidos, numa cidade com mais de uma centena de milhar de habitantes, constituem o incentivo para aqueles que voluntariamente tornam possível a ajuda das pessoas mais desfavorecidas da nossa sociedade.

Os bracarenses não podem dizer que ignoram que a Cáritas assegura roupas, cobertores, calçado… a centenas de carenciados oriundos dos principais “bairros” e zonas pobres de Braga

A maioria dos bracarenses não pode dizer que desconhece o fornecimento de uma refeição por dia gratuitamente, a cerca de 45 pessoas, totalizando quase sete mil refeições no ano passado.

A esmagadora maioria dos bracarenses não pode ignorar a dedicação de dezenas de voluntários e generosidade de imensas escolas, juntas de freguesia, empresas e parceiros sociais.

Sem as empresas e outros parceiros sociais era impossível manter o serviço diário de tantos voluntários e os 770 euros e oitenta centavos recolhidos em quatro dias apenas semeiam desânimo junto de quem teima em dar de si, do seu tempo em favor dos outros.

Recuso-me a acreditar que Braga seja uma cidade tão ingrata e tão forreta ou sumítica.

Jornalistas amam mas não conseguem auto-regular-se



O presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) disse que “é impossível os jornalistas portugueses chegarem um dia à auto-regulação”. O prof. José Alberto Azeredo Lopes falava durante o colóquio integrado nos 32 anos do Gabinete de Imprensa de Guimarães, realizado quarta-feira à tarde no renovado Cinema S. Mamede, que contou com a participação de Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas.

No entender deste “herdeiro espiritual” do grande benemérito da Póvoa de Lanhoso, António Lopes, “não há classe que mais declare o seu amor à auto-regulação e mais incapaz se mostre de chegar a esse objectivo”.
Paulo Machado, jornalista do Correio do Minho e presidente da Direcção do Gabinete de Imprensa de Guimarães, justificou a iniciativa integrada numa série de colóquios sobre problemas que interessam à classe dos jornalistas, como é o caso do próximo sobre a precariedade do emprego.

Ao jornalista Costa Guimarães coube a tarefa de apresentar os dois oradores e moderar o debate em que participaram várias dezenas de jornalistas que integram os quadros de 19 meios de comunicação social.

Num debate sobre o balanço de dois anos da actividade da ERC, o Prof. José Azeredo Lopes lembrou as primeiras semanas de actividade em que teve de enfrentar uma “santa aliança” entre jornalistas e empresas de comunicação Social”, na sequência de um fim doloroso da Alta Autoridade para a Comunicação Social e diante de um prazo curto para renovar as licenças de operadores televisivos.

Batalha dolorosa

“Foi uma batalha dolorosa. A ERC ou se afirmava ou morria” — acrescentou Azeredo Lopes ao recordar algumas posições claras, debates violentos ter de lidar com o debate público.

Em síntese, “até agora foi bom. Já podemos falar com os directores dos jornais sem ser à estalada” ou os “jornalistas se comportarem como se eu tivesse alguma doença”…

Justificando as competências da ERC, Azeredo Lopes disse que a entidade a que preside “não é um tribunal para os jornalistas” e existe “por uma questão de cidadania, para além de proteger os jornalistas, salvaguardar os direitos do cidadão anónimo”.

Nessa perspectiva, o presidente da ERC considera ganha a batalha pela dignificação do Direito de Resposta (DR), “um instituto quase moribundo e profundamente desprezado”, uma vez que não tem uma visão liberal do espaço público da comunicação.
Este professor Catedrático de Direito Interncional sustenta que o Direito de Resposta “não deslustra nem desqualifica o jornalista” e um jornalista “competente não tem que se sentir desautorizado pelo DR”.

Sabendo que o trabalho da ERC é um dos mais escrutinados, desde logo pelos jornalistas, pelas empresas de comunicação, pela Assembleia da República, Azeredo Lopes mostrou a sua satisfação por ter conseguido impor “uma cultura de exigência institucional” apesar das competências serem muitos vastas e terem sido acrescidas com a nova lei de TV e ainda com a nova lei do Pluralismo e concentração dos media.

Com um orçamento de cinco milhões de euros, um quadro jovem de 55 a 60 pessoas, o presidente não se mostra preocupado com os grupos que recusam pagar a taxa reguladora e acredta que a “acção repressora tenderá a ser residual”.
Apesar de não acreditar na auto-regulação da imprensa, Azeredo Lopes não desiste de “promover mecanismos para a auto-regulação”, começando pela co-regulação que “não consegui até agora”. “A ERC não tem competência nem é sua função impôr a auto-regulação. A ERC pode, no entanto, mediar esse processo”.

Ao fim de fois anos, Azeredo Lopes acredita que as “questões essenciais estão estabilizadas, o DR está pacificado e os comportamentos alteraram-se profundamente”.

Os sonhos do presidente

Quanto aos seus sonhos, a concretizar até ao fim do mandanto de cinco anos (não renovável), Azeredo Lopes quer deixar a ERC com a “auto-regulação da imprensa que coexista com a hetero-regulação”, além de uma regulamentação alta que diminui a decisão concreta e torne a ERC cada vez menos presente e necessária.

Azeredo Lopes sempre defendeu que as “queixas sobre violações de regras do pluralismo não se resolvem em deliberações concretas porque, no limite, restringem a liberdade jornalística”, preferindo a “avaliação por período alargado e não casuística”.

Nesta visão se encaixa o primeiro relatório da avaliação do pluralismo partidário na RTP que é conhecido na próxima segunda-feira. Este relatório avalia mais de 300 mil peças de informação do serviço público de televisão e Azeredo Lopes espera que “esse estudo nos liberte do ‘achismo’, eu acho que A e eu acho que B”.

SINDICATO DESEJA
LONGA VIDA À ERC

Na sua primeira intervenção, Alfredo Leite, presidente do Sindicato dos Jornalistas, traça um “balanço positivo da ERC ao longo de dois primeiros anos de actividade e deseja-lhe longa vida”.

Apesar de ter contestado o processo de criação e eleição dos membros da ERC, o dirigente sindical sustenta que o ataque mortal à AACS foi “feito pelo poder político quando dois secretários de Estado suspenderam uma lei da República” por causa do pagamento exigido às rádios para transmitir os jogos do Euro 2004.

Apesar de continuar a lamentar a “exclusão dos regulados” na cúpula da ERC, Alfredo Leite concorda com a existência da regulação porque “ela é necessária”.

Apesar de mal compreendida a monitorização do pluralismo na RTP, Afredo Leite garante que é “uma acção positiva”.
Alfredo Leite destaca que a actividade da ERC — com 208 deliberações em 2007 — que se figura ainda mais produtiva este ano, uma vez que até agora já foram deitas 71 deliberações.


DIREITO DE RESPOSTA
É DEVER DEONTOLÓGICO

O presidente do Sindicato dos Jornalistas concorda que o Direito de Resposta “é um instituto basilar da democracia e da liberdade” e não entende porquê “tanta resistência ao seu reconhecimento” especialmente pela dita imprensa nacional que é responsável por mais de metade das delibreações da ERC sobre o DR.

Porquê? — Interrogou-se Alfredo Maia. “Talvez porque os jornais nacionais são mais sobranceiros. Esta resistência tem que ser explicada pelos jornais, pelos Conselhos de Redacção e pelos directores”.

É verdade que “os jornalistas tendem a reagir mal quando lhes é apresentado um DR, porque o entendem como um desmentido que mancha o curriculum e só o publicam quando a ERC manda”.

O DR “repõe a igualdade de armas do jornalista com o cidadão e só um jornalista pouco consciente dos seus deveres tem medo deste Instituto” — acrescentou Alfredo Maia, servindo-se do código deontológico.

Braga: Albano Belino dissipa dúvidas em S. Gregório?


Pertence a um grande historiador bracarense, Albano Belino, foi publicado em 1895, pela Typographia Occidental, Porto. As páginas 164 a 166 de “Inscrições e Letreiros” lançam alguma luz sobre a polémica que recentemente tem envolvido o logradouro da Capela de S. Gregório, onde hoje se realiza a festa em honra do patrono do coração.

Sem comentários, limitamo-nos apenas a transcrever o que ali se pode ler. adaptando apenas as palavras na grafia de hoje.
“Dentro da área paroquial de Maximinos, e no arrabalde da cidade, levanta-se um pequeno monte coroado por alvejante capelinha com a denominação de S. Gregório Magno. Agradeço a quem me fez chegar tão importante documento que pode ajudar a pacificar a comunidade maximinense quanto à polémica da propriedade do logradouro envolvente da Capela de S. Gregório.

Do planalto em que nela assenta, goza-se uma excelente vista em todas as direcções.
Ali se faz anualmente uma romaria muito concorrida.
É de supor que a primitiva capela datasse de tempos muito remotos. Não nos foi, porém, possível encontrar documentos anteriores ao ano de 1669.

Em 1755 reconstruiu-se; e a madeira velha foi vendida (dois carros) por 960 reis, a Manuel Correia, da Cruz de Pedra (extremo da cidade).

Oito anos depois, concluiu-se a pintura e douramento.

A capela tem na frente algumas oliveiras e já em 1764 as havia; pois nesse ano produziram quatro alqueires de azeitonas (n.r.; entre 50 a 60 quilos), que se venderam por 380 reis.
Na primeira página dos Estatutos, aprovados pelo Arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles, em 1723, diz-se entre outras coisas:
“Tendo pois este bem-aventurado Santo tantos templos, quantos são os corações de seus devotos, de quem ele desterra as agonias, como o Zafiro do céu as núvens, para respirar a vida sem estorvos, só uma única capela tem ao presente neste Reino, que fora dos muros desta cidade se ergue num monte, etc.”

Neste ano era juiz da Confraria o cónego Estêvão Falcão Cotta, signatário do seguinte documento, que vimos, com data de 3 de Janeiro:

Visto o pedido da ilustre mesa do milagroso Dr. da Igreja S. Gregório Magno, hei por bem ceder o terreno em circunferência da capela servindo de marcação a cruz da confraria onde principiam os clamores e além desta marcação mais uma vara (n.r. 1,1 metro linear) em volta por fora da cruz em terreno que pertence ao montado da quinta do falcão, com a condição de todo o mato do terreno que dou para veneração do mesmo milagroso santo; o mato será roçado pelos meus caseiros e de futuro para precisões (necessidades) da quinta; com toda a devoção mandamos passar este documento que para glória do mesmo milagroso Santo vamos assinar mandado por mim”.

Ao lado norte da Capela, ergue-se um singelo cruzeiro (entre outros que da cidade levaram para ali), tendo na base o seguinte: FOI FEITO A CUSTA DA CONFRA(ria) DE S. GR(egori)o NO ANNO DE 1752.

A Mesa de 1738 pôs termo ao antigo costume de se alugar o sino da capela por 240 reis para os louvores de Deus em solenidades estranhas, e fora dela.

Monday, March 24, 2008

Páscoa na Cónega: o regresso da vida à Boavista



É uma tradição muito especial, a celebração da Páscoa na Cónega ou Boavista, amanhã, com dois pólos que marcam o passado e o presente da comunidade: a Sé e a capela do Senhor das Ânsias.

O Padre Manuel Joaquim, Pároco da Sé, vive esta festa pelo segundo ano consecutivo, desde que serve esta paróquia, assemelha a Páscoa à vida humana. A Páscoa, destaca, como a palavra o diz é uma passagem. A nossa vida humana está caracterizada por isso mesmo é também uma “passagem, mais depressa ou mais devagar, o que é certo é que passa”.

A chuva ainda tentou ameaçar o Compasso Pascal na Rua da Boavista, mas conteve-se para deixar cumprir uma tradição que tem resistido a muitas tempestades.

Nos últimos anos, os moradores da Cónega- como é vulgarmente conhecida a Rua da Boavista- tem lutado para manter viva esta tradição singular que tem atravessado gerações.

Ontem, uma vez mais, as quatro cruzes desceram da Sé até à Cónega onde eram esperadas por centenas de pessoas.
Este ano, os mordomos da festa Pascal foram os elementos da família Paulino Araújo, herdeiros da mais que centenária Ourivesaria e Relojoaria Queirós.

Moradores, familiares, amigos e muitos turistas, que nesta altura ainda permanecem na cidade dos Arcebispos, concentram-se à entrada da rua para lhes dar as boas-vindas. A acompanhar o compasso, e como já vem sendo habitual, estava a a celebrada banda camiliana de Calvos — Póvoa de Lanhoso — que todos o anos integra e anima estas festas.

As varandas estavam engalanadas com colchas de vários tons, um costume muito antigo demonstrativo de acolhimento.Os passeios, cobertos de flores indicavam as habitações que querem receber ‘Cristo Ressuscitado’. Os seus interiores, repletos de gente, denotam também a alegria que todos os anos se vive nesta segunda-feira de Páscoa.


Outro momento marcante nestas festas, é a recolha das quatro cruzes, baptizada como ‘Queremos Deus’, no qual se juntam centenas de pessoas em procissão até à Sé de Braga.

A festa popular começou sábado, com a tradicional sessão de fogo de artifício e a Queima do Judas. Segui-ram-se as actuações de vá-rios grupos de cultura popular. Como é já habitual, a comissão de festas procurou colocar em cartaz grupos e associações culturais da localidade, como é o caso do Grupo de Cordas da Associação ‘Ida e Volta’ e o grupo de Gaitas da Equipa Espiral e a Grupo de Música Popular ‘Cantares da Terra’.

Em entrevista ao programa “Sinais” — a religião é notícia" da rádio Antena Minho, o Padre Manuel Joaquim sustentou que a “Páscoa é uma marca, para nós cristãos, e esta passagem significa aquela evolução, crescimento e progresso que somos chamados a fazer, do mal ao bem, da morte à vida."

A grande mensagem que deixa aos seus paroquianos, é a de que “acreditemos mais uns nos outros, nós somos os proclamadores, na paz e no bem, desta fé na Ressurreição.



“Gostava que uma equipa
de jovens liderasse a comissão”


Manuel Gonçalves preside à Comissão de Festas há mais de 30 anos. Apesar das dificuldades, conseguiu manter viva esta tradição pascal. Mas teme pela sua continuidade.

“Tem sido bastante difícil para arranjar os meios para que possamos fazer a festa. Tem sido um quebra-cabeças muito grande”.
Para além do subsídio atribuído pela Câmara Municipal de Braga, o orçamento desta festa é sustentado pelos apoios dados pela Junta de Freguesia da Sé, pelos próprios moradores da Rua da Boavista e os mordomos.

Para além dos incentivos materiais, Manuel Gonçalves refere que era necessário “uma equipa de jovens que pegasse nisto e que desse continuidade a esta tradição”. O responsável diz que as camadas mais jovens “habituaram-se um pouco a que as coisas apareçam feitas. Esta comissão já tem muitos anos e convencem-se de que as coisas aprecem sempre feitas”.

Manuel Gonçalves, o grande responsável, todos os anos por esta festa, traça-nos as linhas gerais do programa que domingo conheceu uma vertente popular, com a subida ao pau do bacalhau, às 21 horas, seguindo-se a actuação de quatro grupos de música popular tradicional e uma sessão de fogo de artifício, pelas 24 horas.

Hoje, o dia principal, as cruzes sairam às 9 horas da Sé, em direcção à Capela do Senhor das Ânsias, onde foi celebrada a Eucaristia e no fim da qual se inicia o compasso. A recolha das cruzes, pelas 20,30 horas foi outro momento sublime do dia, num percurso festivo até à Sé de Braga.

Manuel Gonçalves encontra na desertificação da rua da Boavista as dificuldades crescentes para “compor a rua como era há 30 anos atrás” e dar à festa o colorido que ela então possuía.

Têxtil só confecciona salários baixos?


As gentes do Minho esperam que a presença do primeiro-ministro, em Famalicão, signifique o primeiro passo de um futuro de sucesso para a industrial têxtil dos vales do Ave e Cavado.

Os trabalhadores do Minho esperam que os empresários saibam e queiram estar à altura dos objectivos inscritos no plano estratégico do têxtil até 2013.

Uma das principais ideias do Plano estratégico dos têxteis consiste na criação de um esforço comum entre Portugal e a Galiza, aproveitando as sinergias e complementaridade da moda e da tradição do têxtil das duas regiões".

Trata-se de responder á necessidade de adaptar a indústria têxtil aos novos desafios da globalização e à crescente concorrência dos países como a China e a Índia.

O sucesso deste programa reside na capacidade de cada empresa adaptar este plano às suas necessidades e à sua realidade em concreto, seguindo uma estratégia individualizada.

Ao fim de vários anos de redução acentuada de mão-de-obra, o sector têxtil dá sinais de alguma recuperação, traduzidos no crescimento de quatro por cento nas exportações, ganhando quotas de mercado em países como Espanha, Alemanha, Brasil e China.

Estes resultados de 2007 provam que houve no sector um aumento da produtividade e um maior valor acrescentado na produção assente nos mais baixos salários entre as indústrias transformadoras em Portugal.

Ora, este não é o caminho de amanhã, porque salários baixos tem outras economias que nos estão a fazer frente.
O caminho de amanhã deve assentar na inovação, no aumento da mais valia dos produtos, na internacionalização e na valorização dos recursos humanos.

Não há valorização dos recursos humanos sem maior investimento neles, sem valorizar melhor o seu trabalho.

É um desafio que se apresenta aos empresários: a par da renovação de quadros, há que continuar a investir mais em marketing, na investigação para o desenvolvimento de novos produtos.

Os empresários têxteis não devem ter medo da Universidade e esta não se deve fechar numa redoma de marfim que a conduz ao fracasso de uma nação.

Esse desafio não se pode exigir ao Estado. As empresas têxteis não podem continuar associadas aos salários mais baixos e as universidades não podem continuar a ser fábricas de calhamaços de teorias sem investigação aplicada.

D. António Ribeiro, 10 anos depois



Há precisamente dez anos, a morte desta minhoto “veio roubar à Igreja em Portugal uma das suas figuras mais carismáticas nestas três últimas décadas do século XX” .
Após prolongado sofrimento, no dia 24 de Março de 1998, faleceu, em Lisboa, D. António Ribeiro, este homem nascido em S. Clemente de Basto, na diocese de Braga.

Depois de frequentar os seminários de Braga foi ordenado em Julho de 1953. O arcebispo de Braga, D. António Bento Martins Júnior, manda-o estudar para Roma onde se doutorou sob inspiração de S. Tomás de Aquino.

Depois de uma séria formação humanística, filosófica e teológica, cedo foi lançado para a ribalta da Comunicação Social. De 1959 a 1964 apresenta, aos sábados, na RTP, o programa «Encruzilhadas da Vida», em que debate temas de actualidade, sugeridos pelos próprios telespectadores.

Nos três anos seguintes é o rosto do programa televisivo, «Dia do Senhor» onde demonstra todas as qualidades de comunicador, aliadas a apurado sentido crítico e rara capacidade de leitura cristã dos acontecimentos.

Quantos rituais são celebrados pelos cristãos sem saberem porquê. Se soubessem um pouco mais, saboreavam-nos melhor.

Para além de trabalhar na área da Comunicação Social, o futuro patriarca foi assistente nacional da Liga Universitária Católica e das associações de médicos, farmacêuticos, juristas, engenheiros e professores.

Aos 39 anos, a Igreja escolhe-o para suceder, na diocese moçambicana da Beira, ao carismático D. Sebastião Soares de Resende. Era uma tarefa difícil, mas Deus voltou a escrever direito por linhas tortas.

O regime fascista impediu que o novo bispo fosse para Moçambique, sendo nomeado auxiliar de Braga, em Setembro de 1967.

Oriundo da montanha, via o mundo a partir de cima e usava uma técnica jornalística requintada: o que podia dizer numa frase não gastava um discurso, e se fosse suficiente o gesto, não usava palavras.

Era um homem solene como uma catedral e simples como uma capela de aldeia.

«EX FIDE IN FIDEM» — Da fé na Fé — era a sua divisa de uma flagrante actualidade e necessidade: exprime a vontade de ajudar o Povo de Deus a crescer na fé, em ordem a um cristianismo cada vez mais consciente e adulto.

A festa da Paz(coa)



Os povos de Cristelo Côvo, em Valença, e de Sobrado, na Galiza, atravessam hoje o rio Minho, de barco, para dar a beijar a cruz na outra margem do rio.

A meio da tarde, o pároco de Cristelo Covo embarca até à outra margem, levando a cruz a beijar à população de Sobrado; depois a viagem é retribuída pelo pároco da aldeia galega, que cumpre idêntico ritual em solo português.

Os povos das duas margens acabam por se reunir em Cristelo Côvo, transformando o compasso pascal num arraial improvisado.

O rio enche-se de pequenas embarcações e na margem portuguesa os bombos misturam-se com as gaitas de foles e os viras com as "muinheiras", numa pura romaria luso-galaica.

Enquanto dura o "intercâmbio" de cruzes, os pescadores lançam as redes benzidas ao rio, e todo o peixe recolhido é entregue ao pároco português.

O "Lanço da Cruz" é o ponto alto dos tradicionais festejos em honra da Senhora da Cabeça, que decorrem em Cristelo Côvo amanhã.

Do programa da festa, destaca-se a missa para os galegos, celebrada em galego pelo pároco de Sobrado, na Capela da Senhora da Cabeça, a que se segue outra missa, mas desta vez em português.

Os peregrinos comem, depois, as suas merendas nas sombras do parque de Nossa Senhora da Cabeça, mandando a tradição que o farnel seja constituído sobretudo pelo que sobrou do carneiro da Páscoa.

Encontramos nesta festa um conjunto de sinais que nos despertam para uma forma de vida diferente: o dialogo entre os povos, com as suas melodias da sua alma espiritual através de línguas diferentes que anulam as barreiras das fronteiras que dividem e constroem a união.

A partilha do resultado do nosso trabalho abençoado, seja a pesca seja a festa, entre povos de aldeias diferentes com almas diversas é outra das lições destas duas terras de países diferentes.

Tudo isto para concluir mais uma vez que a festa da páscoa é a celebração da paz.

Cristo ressuscitado, quando aparece pela primeira vez aos seus apóstolos, ainda atônitos e desconsolados com a morte na Cruz, não se apresenta como o que está Vivo, mas saúda-os: a Paz esteja convosco.

A vida sem paz, dentro e fora de nós, não é Páscoa. Ao ressuscitar, Cristo torna-se assim a fonte de onde brota a verdadeira paz.

Wednesday, March 19, 2008

Braga: o alfaiate que lanchou com Oliveira Salazar




É um dos fundadores da sociedade constituída por dezenas de bracarenses que criou o antigo Nosso Café – como protesto contra o seu aumento - mas bem pode ser definido como o “alfaiate que lanchou com Oliveira Salazar”.

Dessa sociedade apenas resta ele e o “Paulo das Louças” e no seu atelier, à sombra da Capela da Lapa, na Arcada, guarda ainda uma velha fotografia encaixilhada, com todos os que se revoltaram contra o aumento do preço do café e fundaram aquela sociedade que há-de gerir aquela casa, na Avenida da Liberdade, até ao fim do século XX.

A sua arte de alfaiataria – masculina e feminina - foi conhecida por António Oliveira Salazar, uma vez que teve o privilégio de lanchar com ele, na casa do Comendador Nogueira da Silva, quando foi levar um dos seus trabalhos a casa deste cliente ilustre da Alfaiataria Oliveira, constituída pelos irmãos Alfredo e Geraldo, após a morte do pai.

Estamos a falar do Geraldo (Pereira de Oliveira) do alto dos seus 85 anos, “feitos em Setembro”, que herdou a arte do corte e costura de seu avô, Baltazar, que tinha uma alfaiataria onde hoje é a Loja Singer, frente à Brasileira, e do pai, Manuel Maria, cuja alfaiataria era no sítio onde depois foi construído o actual Posto de Turismo de Braga, há cerca de 75 anos.

Comecei a trabalhar aos sete anos, quando andava na escola, nos tempos livres e depois tirei o curso de tecelão debuxador, na Escola Industrial de Braga” – diz o nosso interlocutor.

Aprendia nuns teares, os primeiros que foram adquiridos por Jorge Segismundo para a Escola Industrial que funcionava na Cangosta da Palha.

Depois, ainda tirou um curso de corte por correspondência cujo exame final foi em Lisboa.

São esses tempos da juventude que recorda com nostalgia em que frequentava os salões de baile para dançar o tango, aos domingos de tarde, com as “cinco coroas” que o pai lhe dava e onde conheceu a sua “cara-metade” e mãe dos seus quatro filhos.

“Sempre a trabalhar enquanto estudava, porque nunca fiz outra coisa”, estabelece-se com o irmão e funda a Alfaiataria Oliveira. Quando casou foi morar para Nogueiró, até conhecer Mons. Manuel Vaz Coutinho, capelão da Lapa e administrador do Diário do Minho, “que era meu cliente e me trouxe para aqui”.



Para trás ficava a sociedade com “meu irmão, na Rua de S. Marcos, onde hoje é o Café da Olguinha” e depois de 1971, na Avenida da Liberdade, por cima do Fernando Simão.

Quando estalou a Revolução do 25 de Abril, a Alfaiataria Oliveira tinha 15 trabalhadores, com loja de fazendas e clientes que vinham de todo o Minho. Ali funcionou até 1988, quando a sociedade acabou por causa da diminuição de clientes.

Geraldo Oliveira tem quatro filhos, dois engenheiros (Francisco e a Ernestina) e dois professores Adelino e a Maria da Conceição), que lhe deram, para já, nove netos, uma já licenciada em Engenharia e outro a seguir a carreira musical com sucesso.

Das suas memórias guarda um lanche com António Oliveira Salazar: “uma vez fui a casa do Nogueira da Silva, que era meu cliente, estava lá o Salazar e lanchei com ele”. Outro dos meus cientes era o “prof. Machado Vilela, de Barbudo, Vila Verde, outro era o Teotónio Santos, e muitos outros ilustres de Montalegre, Vieira do Minho e Braga”.

Cliente do senhor Gerado era o Almitrante Cayres Braga, de Tebosa. A esposa era sobrinha do Sidónio Pais e "um dia fui a casa dele e estava lá o Rosa Coutinho a lanchar”.

Apesar destes conhecimentos, com políticos nacionais e locais, diz-nos com segurança: “não ligo ao futebol nem à política. Não prendo a cabeça com isso”.

Enquanto folheia os livros onde se podem encontrar todos os conselhos, boas práticas, medidas e cálculos para qualquer que seja a encomenda de vestuário masculino e feminino, o nosso artista reconhece que “ainda tenho clientes fiéis mas não dá para viver”.

No entanto, não tem dúvidas em afirmar que “hoje se veste pior embora ainda haja alguns bons alfaiates em Braga como o Gaspar, o Cunha e o Carneiro da Rua Nova, mas o trabalho é muito pouco”.

Numa sala, rodeado de estantes com fazendas, Geraldo Oliveira dá-nos algumas razões que ajudam a explicar o declínio da arte de alfaiate: “olhe, há uns anos, havia três armazéns de fazendas em Braga. Eram o Oliveira, o Sousa & Maia e o Lopes dos Reis, e agora não há nenhum. Eles vendiam muito, eram muito fortes, tão fortes que chegavam às tecelagens e exigiam desenhos exclusivos e tudo isso acabou”.

Depois levanta-se e mostra-nos algumas das excelentes fazendas do catálogo da Scabal e dos armazéns ingleses da Harris Tweed. São fazendas de “grande categoria mas um fato custa aí uns 55 contos, em nota antiga. Quem é que está para mandar fazer um fato se compra dois ou três no pronto-a-vestir pelo mesmo dinheiro”?

Há por aí “fatos a dez contos, é tudo colado, é feito em série e sem inter-telas” mas é o que as pessoas compram.
É pena que estas artes acabem, mas o que se passa connosco está a acontecer com as costureiras. As casas estão a fechar”.
Enquanto as artes se perdem, os artistas vão se alimentando de memórias, das fardas que faziam para a Segurança Social, para os contínuos dos bancos ou para os motoristas dos grandes senhores da cidade.

O nosso interlocutor executa todos os trabalhos para senhora, desde os casacos, saias e calças a outras peças, com sucesso.

Ainda há alguns tempos, recorda com orgulho, “fiz um casaco para uma senhora de Viana do Castelo, de acordo com o figurino que ela escolheu. Levou-o ao Brasil e quando veio, o seu marido telefonou-me a dar os parabéns e a dizer: “olhe, você é um doutor. No Brasil, toda a gente perguntava onde comprámos o casaco”.

Brincalhão, Geraldo Oliveira conta que um dia fez um fato de cerimónia – um fraque – para um bracarense nomeado deputado na Assembleia Nacional. No regresso da sessão plenária, o deputado veio dar um abraço ao “nosso” alfaiate e dizer-lhe: “olhe que o Salazar não tirava os olhos do meu fraque”.

Na sua humildade, como são os grandes criadores, minimizou o elogio do seu ciente – “O Salazar lá ia estar a olhar para o fraque dele...”





A revolta
da Velha
Brasileira


Não podíamos deixar escapar a oportunidade de recordar as origens de “O Nosso café”, construído num edifício que ainda hoje é um belo exemplar da arquitectura civil na Avenida da Liberdade.

Alguns anos após a segunda Grande Guerra, os clientes de “A Brasileira Velha”, do sr. Queirós, foram confrontados com um aumento do preço do café. Os clientes, liderados por Gil Macedo decidiram alugar a “Auto-Palace”, do grande piloto de Fórmula Um, Vasco Sameiro, fizeram obras e abriram um café com um espaço destinado a jogos de bilhar e de snooker.

Os fundadores “tinham acções de cem escudos cada um; eu tinha dez e o meu pai tinha outras dez. Éramos uns vinte e tal até que o solicitador Armandino Oliveira foi comprando as acções a um, depois a outro e por aí fora até concentrar as acções todas em si e vendeu o Nosso Café aos seus novos proprietários”.

Geraldo Oliveira recorda os tempos em que a Avenida da Liberdade começava a ser rasgada na antiga rua da Água onde existiam as Pensões Comercial e do Lage (pai do António Lage presidente da unta de S. Lázaro após o 25 de Abril que morreu há algumas semanas e afamada por ser um dos poucos sítios onde se comiam umas belas enguias).

Do pós-25 de Abril não esquece a nacionalização da Viação Auto-Motora, do Marinho. “Ia a passar na Avenida da Liberdade e vi muitos militares dentro da garagem. Um Capitão subiu para um palanque e anunciou aos trabalhadores que a empresa passava a ser do Estado”. Era o fim de uma das grandes empresas de Braga.

Casa Cabeça Negra: loja com sala, cozinha e WC em Braga





É inovadora na distribuição dos espaços, é moderna nos produtos que oferece e é multifacetada nos eventos que organiza: eis a Casa Cabeça Negra. Foi buscar a um nome antigo a autenticidade e a tradição. O projecto é fruto do desejo de empreendedorismo de uma jovem licenciada em Psicologia, especializada em Direcção Comercial e Vendas.

“Queremos e estamos a conseguir ultrapassar o conceito meramente comercial, criando um espaço onde as pessoas se sintam bem” — diz-nos Nádia Dória Ribeiro, referindo os primeiros quatro meses de actividade “assentes na qualidade e na diferença”.

Sabendo que “é difícil contrariar a tendência para as grandes superfícies comerciais”, esta jovem empresária aposta em iniciativas inovadoras, paredes meias com a saída do Bragashopping, pela rua de Santo André. O cliente “pode deliciar-se provando novos sabores da selecção gourmet da cozinha, experimentar a roupa e acessórios de moda de criadores nacionais e estrangeiros e deliciar-se com os cheiros e texturas suaves dos sabonetes e produtos de banho”.

“Sempre tive um gosto pessoal pelo mundo das artes e da moda” — lembra Nádia ao justificar este investimento nascido após dois anos em que andou “a adiar o inadiável, até que encontrei este espaço e me apaixonei por ele”.

Atendendo à conjuntura económica, estamos perante uma atitude corajosa, em que Nádia tem contado com a preciosa ajuda da irmã — Raquel Dória, finalista do curso de Design em Aveiro.

Nádia Dória lançou-se de alma e coração num conceito novo de loja que “tem uma vertente cultural e artística associada ao comércio” e confessa agora que “tem valido a pena, é sempre bom quando trabalhamos num projecto nosso”.

A designação da loja, enriquecida com jardim interior — situada na Rua de Santo André, 93, bem junto à Praça dominada pela estátua a D. Pedro V — remonta ao avô que se dedicava ao comércio de ferragens, num estabelecimento de renome na cidade de Braga, fundado em 1898, no Campo da Vinha.

Do antigo livro de facturas foi recuperado o logótipo, concebido pela irmã, Raquel Dória, responsável pela concepção gráfica e fotográfica deste projecto “onde pontifica o atendimento personalizado próprio do comércio tradicional, mas com carácter de modernidade”



Hoje, a Casa Cabeça Negra é, simbolicamente, “uma casa privada de portas abertas ao público” — prossegue Nádia Dória Ribeiro, que se lançou neste empreendimento em Novembro passado e não parece arrependida. A aposta mais significativa é na moda e acessórios de autor, vocacionados para uma “mulher jovem, elegante e feminina”, que procura exclusividade a preços acessíveis.

A resposta a este desafio foi a escolha de marcas de designers londrinos, cujo estilo inconfundível se harmoniza com o “ambiente cosy e trendy da loja, onde cada peça é exposta como um objecto de arte”. Esta é a estratégia da Casa Cabeça Negra que dispõe, no mesmo espaço, de um leque variado de acessórios de moda e bijutaria de autor, sempre “aberto a novas propostas” de criadores que ali queiram expor os seus trabalhos.

Foi o que aconteceu com a exposição do projecto “Walk the dog”, em Fevereiro. Sobre esse evento, a Nádia afirma que “é gratificante para nós saber que há pessoas que expõem aqui, pela primeira vez, os seus trabalhos”. O sucesso foi de tal ordem que este trio de criadoras se sente agora incentivado “a divulgar o seu trabalho noutros espaços” — destaca a nossa interlocutora.

Na loja, o cliente pode encontrar produtos “diversificados, originais e de qualidade, enquadrados num espaço inspirador, elegante e acolhedor”.

A casa de banho, como em qualquer casa, é o espaço menor, dedicado aos produtos de beleza de marcas portuguesas e inglesas destinadas a quem procura cuidar de si ou oferecer uma prenda requintada. “Possui uma pequena amostra para homem (cerca de 20% dos produtos) e o resto para mulher, do qual destaco a linha de coco da Asquith & Sommerset, muito procurada pelo seu agradável aroma” — refere Nádia Dória. Existe também uma linha unissexo SPA, “com uma fragrância mais suave”.



Na Cozinha, a Casa Cabeça Negra disponibiliza produtos nacionais e internacionais. Nos primeiros, a referência vai para os licores, compotas, azeites e vinagres Afarrobinha, bem como para os patés “La Gondola”. As massas são italianas, as batatas fritas inglesas, os chocolates franceses e belgas e a selecção de chás é variada, destacando-se os ingleses e a conhecida marca Gorreana, dos Açores.

Estamos em Março, o mês da Primavera, e por isso a Casa Cabeça Negra foi decorada com arranjos florais.

Na semana passada, este espaço recebeu uma iniciativa diferente: uma tarde para saborear novos produtos da "cozinha". Experimentar compotas, licores, biscoitos artesanais e outras surpresas… confeccionados por Arminda Costa (www.quelha-branca.blogspot.com).


Para Abril, Nádia Dória prepara já uma exposição de pintura com obras de Júlia Neto, enquanto que o mês de Maio é preenchido com uma exposição mais eclética com trabalhos do Atelier Manga Rosa.

A loja é divulgada através do blog www.casacabecanegra.blogspot.com, que também faculta o conhecimento dos seus criadores, através dos links propostos.

No mesmo blog, manifesta-se a vontade de receber propostas de novos autores nas áreas de joalharia, moda e design. Os seleccionados? “Aqueles cujas peças nos apaixonem e cuja relação qualidade/preço seja exequível”.

Pode visitar a loja de Segunda a Sexta das 10h às 13h e das 14h às 19h 30m. Ao Sábado está aberta desde as 10h até às 19h 30m.

Braga: restam sete Calvários mas um destaca-se




Eram 14 pequenas capelas incrustadas nas paredes, todas parecidas, onde se evocava o percurso sofredor de Cristo a caminho da execução na cruz. São os Calvários ou estações, locais onde a procissão do Senhor dos Passos se detém para os fiéis poderem rezar e reflectir sobre os derradeiros passos do filho de Deus.

Eram 14 capelinhas que, na chamada Roma portuguesa, mas hoje são apenas sete embora continuem a merecer forte veneração durante as solenidades da Semana Santa. Passada esta, as portadas fecham e escondem os quadros dos “passos” de Cristo.

No sábado, antes do Domingo de Ramos, a imagem do Senhor dos Passos sai da Igreja de Santa Cruz para o templo do Seminário no Largo de S. Paulo. Depois, a via sacra segue o itinerário dos calvá-rios pela zona histórica, acompanhada pelo coro da paróquia da Sé.

Só que na urbe dos arcebispos apenas sobreviveram sete calvários disseminados pela casco histórico, pretendendo a Igreja que a câmara municipal colabore na reconstrução dos oito restantes, vítimas da erosão do tempo, condenados à voragem do progresso.

RECUPERAÇÃO
ADIADA

Várias vezes foi assinalada a importância "da recuperação deste património", porquanto os calvários de Braga remontam aos séculos XVI e XVII. Os que faltam foram "arrasados" no século XIX, com a expansão da cidade.


Os "Calvários",terão sido construidos no séc XVll e XVlll, no barroco e com desenho de Carlos Amarante.
Dos que restam, um destaca-se dos restantes. É o da Casa de Santa Cruz do Igo, sofreu modificações interiores ao longo do tempo.

Os donos da casa, a Família de João Sousa Machado, foram sempre os conservadores, recuperadores, responsaveis e seus donos. “Donos?...Não!Nem El-Rei, nem o Arcebispo! Fieis depositários de uma ideia...Trata-se de um espaço, de um altar, para chamar à oração os fieis e os cidadãos. Trata-se de homens, de utopia e fé!” — lê-se no blogue da casa em que este Calvário está incrustado.

A imagem do Senhor dos Passos foi mandada fazer pela família, a um marceneiro, no SÉc XlX, que depois a ofereceu como penitência. A última intervenção e recuperação foi feita em 2004, respeitando integralmente o que existia.

“Além da imagem do Senhor e das pinturas tão populares, humildes até, e do altar com dourados (para "ganhar" aos outros Calvários o título de mais bonito),o "Senhor do Igo" olha de frente a Sé de Braga e a sua imponência, mas competindo com ela no dever, humildade e respeito para com as pessoas que o vêm e visitam. Também é lugar de Deus e está na rua!”

A Família Sousa Machado a quem se deve o trabalho notável de recuperação da Casa Santa Cruz do Igo — abre o Calvário todos os dias da Semana Santa, em datas importantes para a família, assim como para cumpri- mento de qualquer pro-messa de alguém que o deseje. E existe muita fé à volta deste "Senhor"...

Nós pudemos constatar a total disponibilidade desta família para aceder a este Calvário do Senhor do Igo...

António Lima: pintor de arte sacra desde menino



A crise económica dos últimos anos fez aparecer no seio da arte sacra — pintura e restauro de igrejas, altares e imagens — pessoas da construção civil, sem as qualificações necessárias para um trabalho que exige maiores qualificações.

Mais que uma denúncia é uma constatação de António da Silva Lima, um pintor de arte sacra, com loja instalada há ooito anos na rua de santa Margarida que trabalha nesta arte desde pequenino.

“Nasci entre imagens de santos e altares ou peças de talha de igrejas” — lembra António Lima que nos recebe na sua oficina, situada por debaixo da loja.

“O meu pai — Fernando Lima — já estava nesta arte, pois tinha uma fábrica muito grande de marcenaria e talha que trabalhava para os Fonsecas. Eu preferi enveredar pela pintura. Desde pequenito comecei a ver os pintores a cuidar das imagens em casa e hoje faço tudo na pintura, bem como restauro de imagens antigas que exigem uma técnica diferente” — esclarece António Lima apontando para uma imagem vinda d eum museu para restauro.

Nessa oficina, que mantém há 18 anos, desde que se instalou inicialmente em Santa Tecla, onde nasceu, continua a dar trabalho a quatro colaboradores, embora já tenha tido mais, porque “saíram dois no ano passado”.

Na oficina da Casa Arte Sacra, António Lima e seus colaboradores fazem trabalhos de pintura e restauros em imagens, altares e “tudo o que s erelacione com a arte sacra, como estandartes, bandeiras, ambões, tectos, sanefas, etc.”



A sua experiência na pintura de artigos religiosos começou aos 15 anos, na Casa de Arte Cristã, onde esteve durante 19 anos, até que se estabeleceu por conta própria com uma oficina em Santa tecla, há 18 anos. Dez anos depois abriu a loja de comercalização de artigos religiosos.

Para trás fica aquele belo dia em que conseguiu fazer um restauro difícil de uma imagem de pasta de papel. O seu encarregado não conseguia dar conta do recado e desistiu.

“Eu ofereci-me para fazer o trabalho. O patrão perguntou-me: és capaz? Em desespero de causa, enchi-me de coragem, demorei bastante tempo, mas acabei por conseguir fazer aquele restauro bem complicado, com uma técnica imaginada naquela altura”.

“O nosso forte são as imagens, desde o restauro à pintura mas temos trabalhos de restauro de talha, que encomendamos a outras empresas” – revela António Lima, dando exemplos de trabalhos como a Igreja de S. Torcato, outro templo em Alvaiázere (Tomar).

PINTAR
RENDA
DE S. TORCATO
DEMORA
UMA SEMANA

“Andamos por todo o lado. Recentemente estivemos a restaurar a Igreja de Carapeços, antes em Chorense (Terras de Bouro) e em Montalegre”. De momento, a Casa de Arte Sacra tem uma encomenda de dez sanefas para a Igreja de Riba d’Ave.

O sector de actividade ligado à arte sacra também sente os efeitos da recessão económica até porque “há muito artista vindo de outras artes que escolheram a arte sacra a pensar que estava a dar mais dinheiro”.

Esta “invasão” não é positiva para o nosso património porque a falta de preparação de alguns deles conduz a que se estejam “a restaurar altares e imagens com muita asneira e isso está a prejudicar-nos um pouco pois misturam tudo sem perceber de arte sacra”.

António da Silva Lima também desenha as peças e depois encomenda a sua execução em talha a outras casas. De lá vêm para a oficina da Casa Arte Sacra para “aparelhar, depois é montada no local e fazemos os acabamentos”.

Com outro trabalho entre mãos para a Igreja de S. Miguel de Vizela, António Lima confessa a sua paixão: “gosto de pintar uma imagem que dê muito trabalho”.

É o caso da imagem que “mais nome dá a esta casa, a de S. Torcato, porque só a renda dá para uma semana de trabalho de pintura”.



O seu gosto pela pintura deves-se também “à variedade de cada imagem e isso não cansa” mas também lhe dão gozo os “estofados”, estilo de pintura usado no século XVIII, porque é uma pintura diferente, pois a peça é doirada primeiro e depois ppinta-se sobre o ouro”.

Quanto à formação de novos artistas, um pouco descuidada por algumas empresas, para perpetuar esta arte tão forte em Braga, António Lima reconhece a dificuldade desta aposta por parte das empresas: “tenho investido muito tempo a ensinar porque para fazer um artista tem de se gastar muito tempo e muitas vzes refazer o que ele fez. Os mais novos querem um emprego, não querem ter muito trabalho nem se sujeitam a ser corrigidos. A juventude, hoje, não está para isso e prefere empregos mais banais que este da arte sacra”.

Ricardo Campos: pintor de Monção mostra-se em Braga




“Como a arte não é essencial para a nossa vida, acho que é isso que dá alguma importância à arte é ela não ser essencial” – disse o pintor monçanense Ricardo Campos. Este trabalhador da hotelaria que já expôs em Roma enriquece a Semana Santa de Braga com um exposição de Cristos no Museu Pio XII que ali está patente até ao dia de Pentecostes.

Ricardo Campos explica que “esta exposição já estava prevista para ser feita na Páscoa do ano passado mas surgiu esta oportunidade de fazer esta mostra em Roma e eu pedi ao dr. José Paulo Abreu para ver se atrasávamos um ano a exposição em Braga para eu poder mostrá-la em Roma, na Igreja de S. António dos Portugueses”.

Em relação a essa exposição na Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, a que está agora patente no Museu Pio XII até ao Pentecostes “tem algumas alterações: metade da exposição esteve em Roma e outra metade foi feita para esta exposição”.

Quando lhe perguntamos que podem apreciar os bracarenses e forasteiros qre se dirigem ao Museu Pio XII, no Largo de Santiago, Ricardo Campos explica que “podem ver Cristos que são homens, que se podem identificar com qualquer um de nós, porque me centro especificamente no momento “Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste”.

São momentos de grande solidão, de grande sofrimento e é isso que eu tento mostrar nestes trabalhos que estão aqui expostos”.

Sobre as origens estes gosto ou paixão pelas artes, Ricardo Campos, encostado a uma pequena escultura com um Cristo pregado na Cruz responde: “é o meu vício, se calhar, e não sei como é que nasceu”.
No entanto, todas as paixões e artes têm um começo: “foi surgindo aos vinte anos e faz este ano dez anos que fiz a minha exposição primeira e tentei melhorar a minha arte e a partir daí quis tentar ser melhor e porque não chegar a este ou àquele espaço.

Eu comecei a pintar como autodidacta, depois com alguns artistas, depois comecei a estudar na Cooperativa Arvora, depois em Guimarães, na Escola Superior Galaecia, em Cerveira, e fiz agora um ano na Faculdade de Belas Artes no Porto.
“Tenho a preocupação de me cultivar e vindo a aperfeiçoar as minhas técnicas.



Esta exposição e temática religiosa mas tenho participado noutras exposições, concursos, prémios e bienais, com quadros sobre a religião e a vida rural”.

Explicando a temática dominante, o jovem pintor de 31 anos não duvida: “é uma arte que tem a ver com a minha infância vivida com as minhas avós, na freguesia de Valadares e isso deixa-nos algumas marcas e tento transmitir essas marcas das tradições rurais, rituais, mitos, etc”.

Ricardo Campos, após quase uma centena e exposições colectivas e individuais, ainda se recorda da primeira mostra: “foi uma exposição colectiva na escola primária de Valadares, uma freguesia de Monção. Em1998. Foi interessante porque, na altura, cheguei a casa muito contente porque esteve lá o presidente da Câmara. Eu vinha eufórico coma sua presença. Já lá vão mais de cem exposições.

Quando a prémios, Ricardo Campos lembra que, no ano passado, tive um segundo prémio em Penedono, e um primeiro prémio em Viana o Castelo, no concurso “Descobrir Viana”, e depois fui tendo algumas menções honrosas aqui e acolá.

Em Santo António dos Portugueses, recorda-nos, “não me dei conta do sucesso nem da euforia que se deu em vota da exposição. Depois daquele sucesso disse para mim mesmo que não queria ficar como o artista que foi a Roma, acabou aí a carreira e não se preocupou com mais nada”.

Por isso, assegura, “comecei a querer ir mais longe e a programar esta exposição. Tentei, a partir de Roma, fazer novas coisas e fiz uma exposição em Fátima no ano passado na nova Basílica. Roma é ponto de partida e não um ponto de chegada”.
Quanto ao futuro, Ricardo Campos espera continuar a “equilibrar os espaços entre o trabalho na hotelaria e a pintura” mas promete que, a partir de 24 de Março vai estar presente com uma exposição numa galeria em Lisboa.

Os quadros patentes no Museu Pio XII têm preços que oscilam entre os 300 e os 750 euros, embora metade dos 33 quadros já tenham sido assegurados para o espólio do Museu Pio XII.

Friday, March 7, 2008

Mulher dez! O que é isso?



Sabes coser a bainha de umas calças, ou fazer uma paelha de marisco e comprar o produto que te pode fazer esbelta? É a pergunta que é feita por uma organização espanhola. Da resposta sim parece depender a classificação de mulher perfeita.

Da resposta não, surge um convite a aprender estes ensinamentos através de um curso destinado às moças universitárias que queiram ser mulheres dez amanhã.

O curso em cinco sessões teóricas e praticas ensina técnicas culinárias, cuidados a ter com a roupa desde o lavar ao passar a ferro, truques de costura e limpeza de casa.

O facto deste curso ser ministrado por uma organização católica e ser apoiado pelo PP está a gerar alguma controvérsia no antigo reino de Granada, devido ao ser carácter sexista ou machista.

O curso foi o detonador de severas críticas político-partidárias — em plena campanha eleitoral para as eleições de Domingo — e de verrinosas criticas à Opus Dei, algumas delas intranscritíveis

Os mais serenos defendem a necessidade destas acções de formação para as jovens universitárias, mas sugerem que sejam abertas aos jovens rapazes universitários.

Outras mulheres lamentam que para ser a mulher tipo dez, ela tenha obrigatoriamente de saber cozinhar, passar a roupa ou pregar os botões, classificando este curso como um regresso aos anos 50 do século passado.

O curso seria elogiado se lhe retirassem algumas classificações e em vez de pretender formar a Mulher dez, fosse um curso para ajudar a formar pessoa dez – rapaz ou rapariga. É assim que manda a Igualdade que custou a vida a muitas mulheres e homens.

Nessa perspectiva, muitas mulheres recusam querer ser uma mulher dez, mas querem ser uma pessoa dez — numa escala de zero a dez — até porque ensinar a cozinhar ou a pregar um botão não significa promover o desenvolvimento humano.

O que está em causa é uma mensagem subliminar que devemos recusar no século XXI, na véspera do Dia Internacional, que remete a mulher para a cozinha e faz disso o tipo da mulher perfeita.

O charco das rãs

O grande filósofo grego Sócrates imaginava o mundo como uma reunião de rãs à volta de um charco de água.

As rãs eram os cidadãos, pequenas comunidades de homens livres, regidos pela lei e amuralhados nas cidades.

A polis, a cidade era a raíz da política, com códigos de virtude, no ritual do pensamento que crepitava na Praça.
Ao fim de muitos séculos, continuamos a sonhar com mais mente sã que manha mas o que nos é dado pela política é uma multidão de rãs a coachar junto dos charcos das câmaras de televisão e dos holofotes dos comícios.

Quando os cidadãos se tornam audiência e carne para canhão dos índices do share, vemos que a realidade é um simples cenário, completa e minuciosamente decorado. Quando é necessário trocar e contrariar argumentos, responder aos desafios, tudo soa a podre, como a água dos charcos.

Sociedade do espectáculo é a locomotiva dos novos tempos. A imprensa incendeia-se com presentes para os leitores à falta de melhor para lhes oferecer, A internet deita sumo, as radios sangram com as cada vez menos ondas nas águas paradas dos charcos e as televisões aproveitam-se afirmando-se como juízes do charco com arte, mas não deixa de ser um charco…

Ou seja, nas últimas semanas, Sócrates – o nosso primeiro — e Menezes preocupam-se apenas com os media e as rãs — que somos todos nós cidadãos — continuam à espera. Um enrolado na propaganda e o candidato a desfazer-se em contradições.

De ambos jorra uma torrente de verborreia que foram buscar ao feirante que tenta vender o jumento cego ao respeitável aldeão.

É a banalidade inconsistente, a venalidade culpavel, depois de nos terem oferecido direitos sem deveres, propseridade barata, felicidade à custa do Estado.
Agora, ambos nos exigem mais esforço, uma gestão escrupulosa, a conquista do futuro

Menezes — com “este não é o meu PSD” — tenta enterrar anos de trapalhadas e trevas num sepulcro pintado de branco, numa desfaçatez insuperável.
Sócrates – o nosso primeiro — surge a muitos de nós que votaram nele como mais um sapo que temos de digerir.

Agora se percebe por que Filipe Menezes afirmou que “o PS já não merece estar no Governo e o PSD ainda não merece estar".
Vale-nos que sempre é menos mortal que a cicuta do filósofo grego, desesperado por não ter conseguido convencer a sua própria mulher: afinal, o drama dos líderes dos dois maiores partidos portugueses.

Tiege: máquinas de Braga na Europa, África e América


Fundador e administrador da empresa Tiege — Os Pioneiros da Electricidade, José Castro constitui um belo exemplo da persistência e inovação que marca muitos empresários bracarenses. Os equipamentos fabricados nesta empresa nascida à sombra da Sé dão via a muitas fábricas europeias, africanas e americanas.

Nascida de um sonho de estudante nos cursos técnicos de electrotecnia e ajudante de comércio da Escola Comercial e Industrial de Braga, a Tiège nasce em 1973, com seis trabalhadores.
O nome que traduz a inovação pioneira em Portugal na área das lacagens e obedece à preocupação de um nome simples para uma marca.

A Tiege tem duas componentes industriais, os trabalhos de electricidade para obras públicas e o fabrico de equipamentos para tratamentode superfícies, equipamentos esses que servem para tratar os metais para indústria automóvel, a serralharia, metalurgia, mobiliário, etc.

São equipamentos que exigem grandes conhecimentos nos domínios da electrotecnia, química, hidráulica, pneumática e mecânica.

“Houve sempre o cuidado de acompanhar a inovação” — assegura José Castro, convidado do programa “A empresa e o empresário” que a rádio Antena Minho emite, ás terças-feiras, às 19 horas, em 106 Mhz. É uma área com a concorência das multinancionais a que a Tiege tem respondido com a eficácia dos seus mais de oitenta trabalhadores.

Construindo as suas próprias máquinas, nas instalações de Marvilha em Sequeira, e as primtivas em Nogueira, a Tiège espandiu há 15 anos o seu mercado para a Europa, América e África, vendendo as suas máquinas para países como Tunísia, Espanha, Brasil, Angola, a empresa de Braga “projecta, executa, instala e ensina o cliente a funcionar com o equipamento e a retirar o melhor das máquinas”. O mesmo método é seguido por José Castro nas outras áreas da sua actividade.

A internacionalização começou com um prémio entregue à Tiege na Alemanha. “Na grande sala estava uma multidão de empresários de todos os cantos do mundo, demo-nos a conhecer e fomos procurados para além das nossas fronteiras. Tivemos logo contactos de França e Espanha. Temos um mercado muito antigo em Espanha onde temos isntalado muitas fábricas” — lembra o nosso interlocutor.

Por força do crescimento, a Tiege dividiu-se em três empresas, — uma de equipamentos de electricidade mais a Tiege Indústria SA (especializada na fabricação de equipamentos). A Tiege mãe ficou com as instalações na área da construção civil, como hospitais, hotéis, centros de dia, escolas, etc.

SEM MEDO DE ERRAR

“A inovação é uma necessidade mas sem conhecimento não há inovação. Saber o que se passa no estrangEiro, visitar feiras e ouvir as necessidades dos clientes: eis o segredo do sucesso, no entender de José Castro.

Há necessidade de criar um produto, acessível em termos de custo ao consumidor e responder ao pedido dos clientes. Tudo começa nas matérias primas escolhidas para construir uma máquina fiável. É por isso que “anda tenho clientes que começaram connosco no início da emprensa”.

José Castro tenm uma solução para o desemprego, o maior problema do país: sem ir pedir dinheiro à UE. “Nós, se queremos combater o desmeprego vamos começar a consumir produtos fabricados em Portugal. Aos técnicos projectistas (engenheiros e arquitectos) exige-se só que, nos seus projectos, incorporem o mais possível produtos e matérias primas nacionais. Ao incorporar produtos nacionais, contribuem para que as nossas fábricas produzam, vendam, se criem outras e não desapareçam, dando o seu lugar a empresas esrangeiras que levam a riqueza para for a enquanto nós ficamos com menos impostos, menos postos de trabalho. Ao comprar o que é nosso e produzir com o que temos é possível combater o desemprego. São duas medidas simples” — argumenta, dando um exemplo, de seguida.

Vamos pegar num aparatamento, de 150 mil euros: o que é incorporado de fabrico nacional pouco mais é que dez por cento. Tudo o mais vamos comprar do estrangeiro. O nosso dinheiro vai para lá e não entra nas nossas empresas. Louças sanitárias, torneiras, madeiras, móveis de cozinha,. Mobiliário de salas e quarstos, tintas, etc. Há um conjunto de consumíveis que podem ser nacionais, têm qualidade e podiam ser incorporados. Não se faz porque não está na moda gostar e gastar do que é nacional. A marca funciona muito junto dos técnicos engenheiros e arquitectos. Não comprando o que é nosso, geramos desemprego e mal-estar social”.

A persistência “é a nossa característica e temos obrigação de acreditar em nós, sem medo de errar. Só se consegue fazer alguma coisa, experimentando e errando” — prossegue ao lamentar a fraca adesão das empresas aos jovens licenciados.
Foi uma pena acabarem so cursos de formação profissional. “O conhecimento provoca inovação quer na tecnologia, quer nos materiais, nas ferramentas, melhora o seu aproveitamento e eficácia, além da segurança do trabalho, mas as pessoas aprendem muito melhor fazendo e errando.

Testar os conhecimentos, sem medo de errar, é o desafio feito aos jovens licenciados para virem para as empresas” — acentua José Castro.

Uma empresa é um lugar onde “todos — gestores e trabalhadores — passamos grande parte da nossa vida e é nosso dever proporcionar bom ambiente de trabalho, sem esquecer o objectivo de criar riqueza que deve ser reinvestida e o ser humano é o melhor capital da empresa, desde que trabalhem em equipa”.

Marchar contra individualismo

Um dos males dos empresários é muito individualismo que impede a parceria entre quem produz e quem vende. “Sem decsurar a minha empresa, dei muitos anos à AIMinho e à Associação Comercial de Braga, onde defendia que os empresários devem permutar experiências, dialogar mais com os outros para conhecer os seus produtos, fazendo com que a indústria nacional escoe os seus produtos”.

Por isso,, muitas vezes os empresários “são vítimas da sua política de abstecimento, ao comprar for a, não comprando ao empresário da mesma região ou do mesmo país”.
José Castro, natural de S. vicente, 65 anos, e percorreu o país todo na sua vida profissinal, depois de completar a Escola Comercial e Industrial.

Na tropa tirou a epsecialidade de radar que valorizou muito a sua profissão, e depois entrou para uma empresa de metalomecânica Pachancho — onde foi responsável por toda a parte eléctrica, onde criou máquinas com apoio do laboratório.
Ainda hoje, José Castro recorda aquela casa que tinha grandes equipamentos na área de metalomecânica, fundição e outras máquinas, “e é uma pena, para Braga, que tenha fechado”.

Foi também monitor de formação profissional, mas antes foi sindicalista dos electricistas e depois de criar a empresa, foi convidado por Vasco Cerqueira para a AIMInho, integrando uma equipa que lança o sonho da construção das novas instalações associativas e chega a concorrer à presidência da Direcção da instituição.

Foi o primeiro administrador da Escola Profisisonal de Braga: “é uma das minhas paixões, sou adepto da formação e sou um praticante dela na minha empresa”. Depois mete-se no Bairro da Misericórdia e de “um monte fiz um complexo desportivo, onde estive dez anos, com uma política de fomento da actividade para os adolescentes e jovens, apostando na compnente escolar e futebolística. Para mim o livro era tão importante ou mais que a bola”.

Dirigente da Associação Comercial de Braga, José Castro fez uma incursão pela militância partidária do CDS, na fase da sua instalação — vivendo a experiência do Palácio Cristal no Porto (cerco do CDS em congresso) e “vi que a minha vida não era aquilo”.

“Não me deito sem ler todos os dias qualquer coisa ligada à minha profissão” — diz ao definir-se como aluno diário.
Mais recentemente ligou-se à acção social através da presidência da Dirrecção da Associação de Solidariedade de Santa Maria de Braga (na Sé) que apoia duzia e meia idosos com um centro de dia. “Tenho prazer em servir os outros”.

Há muitos anos também — convidado pelo Mons. Eduardo Melo — pertence à Comissão das Solenidades da Semana Santa onde exerce as tarefa difíceis de angariar donativos para custear as despesas deste cartaz turístico de Braga… sem esquecer os anjinhos. “É um bocado difícil, mas agora as coisas têm vindo a animar” — diz em relação aos anjinhos.

As empresas – além dos impostos que pagam — criam emprego que gera receitas para a Segurança Social, criam riqueza para o país e para as instituições e têm de ser defendida por todos, a começar pelo Estado e pelos empresários” — conclui.

Saturday, March 1, 2008

Braga: construtores são admirados em todo o país


Os empresários da Construção Civil e Obras Públicas de Braga já são respeitados em todo o pais pela qualidade do seu trabalho — garantiu o eng. João Carvalho Duarte, desmentindo assim que a construção em Braga não tenha qualidade.
O director geral do grupo empresarial bracarense Duarte & Filhos, SGPS, falava no espaço de economia da rádio Antena Minho “A empresa e o empresário — os negócios sem segredos” que é emitido ás terças-feiras, a partir das 19 horas.

Como exemplo do que afirmou, o eng. João Duarte apresentou o da sua empresa que foi a primeira pequena e média empresa de construção e venda de apartamentos e espaços comerciais a obter a certificação da qualidade em Portugal, em 2000.
Esta empresa foi constituída em 1959, por Manuel Duarte que descende de uma família de mestres de obra, a começar no seu avô. Depois, os seus herdeiros seguiram essa arte e, em 1959, com o “desejo de crescer, tornou-se independente dos outros irmãos e seguiu o seu caminho”, a partir da freguesia de Esporões.

A empresa começou com poucos trabalhadores que faziam “vivendas por encomenda” principalmente na zona das Caldas das Taipas. Em 1980, a empresa começou a dedicar-se à construção própria para venda, começando na cidade de Braga, na quinta da Soutinha, junto a Direcção Geral de Viação.

“Construímos em muitos locais de Braga, até chegarmos à Domus Qualitas, junto à Variante Sul”, que assinala um “salto qualitativo da empresa que culmina um aperfeiçoamento da nossa arte de construção, quer em termos técnicos quer em termos de serviço ao cliente. Não oferecermos a casa em si mas tudo o que anda à volta da casa, que vai desde a ajuda na pré-compra até à assistência no pós venda” — explica o eng. João Duarte.

O nome vem do latim “Casas de qualidade” que descreve o nosso projecto— aposta sobretudo na qualidade dos materiais, dos projectos e dos serviços porque um cliente não se despede de nós quando compra a casa. Quanto ao Domus Veritas – novo empreendimento de moradias em Esporões … aponta para casas mais realistas, ou seja, a “qualidade ao alcance de todos”. “Queremos oferecer qualidade às pessoas e ter em conta a capacidade de compra das famílias, oferencendo um produto com conforto, espaços e sem coisas supérfluas”.

O Domus qualitas – o maior empreendimento da Duarte e Filhos — tem 270 fracções e foi lançado num momento de encruzilhada económica do país. “Esta estagnação tem servido para reflectirmos e melhorarmos a nossa prestação. Nós lançamos a ‘Domus Qualitas’ numa altura em que havia uma certa euforia do mercado, em 1999. Ao lançarmos um produto de elevada qualidade, em tudo o que é inerente à habitação, conseguimos ir ao encontro das necessidades das pessoas. Isso permitiu-nos continuar a vender, não ao ritmo desenfreado dos anos noventa, mas a um ritmo estável que nos possibilitou aprofundar os conhecimentos de modo a lançar outros produtos e a constituir o grupo com implantação nacional”.

Explicando esta resistência à crise, o Director Geral da Duerta & Filhos recorda que a “qualidade é perceptível pelas pessoas no primeiro contacto que têm com os nossos empreendimentos: desde a recepção à construção passando pela linpeza da obra e pela resposta àquilo que as pessoas esperam para melhorar a sua qualidade de vida. As nossas casas respondem a esses requisitos”..

Esta empresa contribui para contrariar um certo lugar comum que se abateu sobre Braga: “temos construtores de Braga que são bem vistos no país inteiro” — prossegue o eng. João Duarte, desmentindo a ideia feita de que a construção em Braga não tinha qualidade.

Como começou este acento notório na qualidade? “Depois de me licenciar, entrei para a empresa, deparei-me com um dilema. A empresa ou crescia em quantidade ou em qualidade. O meu pai, Manuel Duarte, optou e bem pelo caminho da qualidade, dando início àquele que foi o primeiro processo de certificação de uma PME da construção e comercialização de apartamentos e espaços comercuiais em Portugal” — recorda o eng. João Duarte.

Esse processo permitiu uma melhor organização interna com reflexos na relação com os clientes, seguindo um caminho que nos lveou a ser reconhecidos e partir para a certificação na higiene e segurança no rabalho. Foi um passo muito importante para os nossos 48 trabalhadores”.

Na produção e comercialização temos apostado na sua qualificação que “nos trouxe muitas vantagens na rentabilidade e na qualidade do serviço: os nossos vendedores não se limitam a vender, eles são a voz dos clientes dentro da empresa”.
Ao nível da segurança do trabalho, é verdade que a construção “foi um parente pobre no que se refere à segurança mas tem havido uma grande melhoria nessas condições, motivada por legislação que introduziu a necessidade de um técnico de segurança, mas também pela motivação dos trabalhadores. Os trabalhadores têm alguma relutância mas já compreenderam que a prevenção dos acidentes de trabalho é boa para eles”.

O relacionamento com e entre os trabalhadores na Duarte & Filhos é fomentado pelo Dia da empresa, com várias actividades de recreio e desporto, motivação, jogos tradicionais e o repasto. A coomunicação com o exterior é feita através de um boletim, “Duarte news” enquanto o diálogo interno é reforçado pelo boletim “Chapa massa”. O primeiro mantém um contacto prolongado com os que adquiriram casas e apartamentos à empresa, ao passo que o segundo é mais divertido e destina-se a criar um espírito familiar entre todos os elementos da empresa. “A empresa é detida por uma família, os Duarte, mas somos uma empresa que todos os trabalhadores cultivam o espírito familiar”.

De Braga
para o Algarve

A empresa Duarte & Filhos está numa fase de transformação orgânica. Agora é um conjunto de empresas, integradas num grupo — Duarte SGPS — com três áreas de negócio distintas mas cooperantes entre si. Passa a ter uma empresa para a promoção imobiliária, outra para a construção e uma terceira de serviços.

A primeira promove os empreendimentos imobiliários, dentro de moldes novos, a segunda constrói para a promoção própria ou para terceiros e, nos serviços, “lançamos a “Smart building” que faz pequenas obras desde remodelações de casas, decoração de interiores, reconstrução lojas, etc.

Para agilizar as áreas de negócio e gestão temos de nos focalizar em cada negócio e colocar pessoas à rente de cada área com mais autnomia e flexibilidade para que elas cresçam mais por si e façam crescer o grupo e melhorem a sua prestação”.

Depois de ter nascido em Esporões e ter crescido em Braga, o novo passo da Duarte SGPS é concretizar a estratégia definida até ao ano 2010: “termos uma implantação nacional. Esta implantação permite-nos crescer porque o mercado em Braga não é suficiente para a nossa capacidade de produção. Estamos a seleccionar locais que tenham potencial mais elevado de compra que em Braga, especialmente no domínio no residencial turístico, estamos a falar do Algarve e em breve iremos lançar um empreendimento residencial turístico para um cliente de nível europeu”.

É um aldeamento turístico cujo lançamento está previsto para 15 de Março. Quanto a outros locais, temos outras propostas, especialmente Lisboa que é um mercado que nunca está esgotado, bem como outros com grande potencial, como a Costa Vicentina, onde o cliente potencial possa ser estrangeiro.

Gerida por um conjunto de valores como a tradição e a seriedade, conjugados com a inovação, competência e a melhoria continua, a Duarte SGPS procura incorporar os valores tradicionais com a modernidade.

“A nossa maneira de estar é inovar” — garante o eng. João Carvalho Duarte que dá exemplo do sistema de eficiência energética e ecológica instalado na última fase dos edifícios da Domus Qualitas : usar a enegria solar patra poupar a energia para o aqueicmento. “Aquece e arrefece e vem substituir o ar condicionado e aquece também as águas sanitárias” — conclui o director-geral da Duarte SGPS.

Outra das características é o processo de construção, desde o início até ao fim dos empreendimentos, que envolve a comunidade: Não é apenas publicitário. Nós temos uma lema que é “building life styles. Construímos estilos de vida. Uma casa não se pode ter independente da comunidade. Uma pessoa deve gostar de viver na casa, da vizinhança e dos espaços que tem para usufruir depois de a comprar. Daí que desenvolvemos actividades para juntar as pessoas a praticar desporto, participar em palestras, actividades de recreio, se envolverem uns com os outros em comunidade e aí gostarem de viver”.

Se a internacionalização pode esperar — “estamos só a ouvir” — a implantação nacional é a prioridade. Depois do Algarve, onde será constituída uma empresa regional, “temos na forja um projecto que está a ser desenvolvido que vai ser uma boa novidade para Braga”.

Braga: capital da... axxónia


Depois do fantástico mimetismo da comunicação social que começou a escerever Estádio Axxa em vez de Estádio Municipal de Braga, o seu verdadeiro nome e no qual são confirmados tantos prémios de arquitectura que fazem passar para segundo plano aquela maravilhosa obra de engenharia, Braga está a tornar-se na capital da parolice, "non-sense" e num sítio queirosiano e cada vez mais mal frequentado.

Em tudo quanto é rotunda, se vão colocando postes de informação a quem vem de fora e quer circular e chegar ao destino que procura, como se presumiam, a avaliar pelos concursos públicos municipais. Mas não. O destaque — que devia ser dado à informação — foi dado à seguradora: o seu nome aparece em caracteres e cores (maiores e mais vistosas) que aqueles que possuem o nome das ruas e das instituições.

Os escuteiros indignaram-se com o anúncio da parvónia e muito bem, porque a criatividade publicitária tem os limites do respeito pela dignidade dos outros.

Mas os bracarenses não. Passam indiferentes diante desta miríada de atentados perpetrados à paisagem visual da cidade. Limitam-se a dizem umas palavras impublicáveis e seguem viagem...

O que se passa por exemplo, na rotunda frente à Igreja de Maximinos é de uma parvoíce confrangedora.
Um aprendiz de marketing devia saber — e também — perceber que a saturação da mensagem e da imagem provoca náusea no destinatário.

O astuto criativo desta sinalização — aprovada pelo Município que também não tem perdão pois o dnheiro não pode ser o primeiro critério a nortear as políticas — não terá noção do mau gosto? O mau gosto mesmo que aprovado por uma maioria não deixa de ser mau gosto.

Segundo os responsáveis municipais, a ideia era uniformizar a sinalética com mobiliário urbano apelativo.

Alguém pode dizer-nos que aqueles 'chapéus' de publicidade são apelativos ou estão a enfiar-nos um barrete com o qual a cidade tem de aguentar durante 15 anos?

M’Espanto às vezes, outras m’avergonho — como diria o grandes escritor Sá de Miranda se um dia destes se levantasse do sepulcro em Amares e viesse vistar Braga por estes dias.

Espantava-se que existisse uma Câmara a aprovar esta campanha de mau gosto e avergonhava-se por terem transformado a capital do Conventus Bracaraugustanus na capital da... axxónia.