Saturday, April 18, 2009

Pedralva: 30 anos a alimentar Braga com pão de qualidade




"Como na minha terra, Pedralva, não havia padaria nenhuma, e o pão ia de Braga, comprei um terreno e ali nasceram as padarias Pedralva, há 30 anos" — revela Belarmino Oliveira da Silva, um dos fundadores desta empresa de Panificação que celebra hoje o dia da sua fundação.

Belarmino Silva já era um grande empresário em Moçambique, mas, em Abril de 1978, com aquele país em convulsão social e política, pensa em retomar a vida em Braga, depois de abandonar uma primeira inclinação pelo Brasil.
Por este mês, os clientes das padarias Pedralva vão ter algumas prendas para assinalar os trinta anos da sua fundação.
Depois de andar por Portugal, este antigo armazenista de vendas por grosso e retalho de mercearias na Beira, pensa que esse ramo não era o melhor para Portugal porque ia empregar pouca gente.

"Construí tudo de raíz, com duas moradias e foi um sucesso. Começamos três trabalhadores, um meu irmão Albano, um meu cunhado António e um trabalhador" nos primeiros três anos, até ao regresso definitivo, em 1982, de Belarmino Silva das terras moçambicanas.

A primeira loja que abriu em Braga foi no Centro Comercial Galécia, em Junho de 1983, com pão que vinha da sede e mercearia que, era um bom negócio, pois não havia grandes superfícies.

"Vendíamos muita mercearia e foi um sucesso a abertura dessa loja. Depois abrimos no Centro Lafayette e seguiu-se a primeira loja de pão quente em Braga, na Rua de S. André. Daí continuamos sempre a abrir lojas." —recorda Belarmino Silva.

A Loja da rua de S. André "foi um marco muito importante na nossa empresa. Foi um grande sucesso por ter o pão quente com cafetaria. Foi uma estreia em Braga".

"Pode-se dizer que foi uma mina. Vendeu-se muito pão e ganhou-se muito dinheiro. Foi um dos maiores sucessos da minha vida. Nós chegamos a vender na rua S. André vinte e cinco mil pães por dia".
Seguiram-se lojas (a quarta) na Póvoa de Lanhoso — que ainda hoje é uma grande loja — num total de onze, nove na cidade de Braga, nas novas urbanizações, e a sede em Pedralva e duas na Póvoa de Lanhoso.

A empresa cresceu muito e "eu também já estava um bocado cansado. Chegamos a um acordo e dividimos as lojas pelos sócios, em 2001. Ficamos com quatro lojas e os outros sócios ficaram com elas".

"Tem havido sempre uma boa compreensão entre todos nós" e mesmo os problemas surgidos no final da década de 90 foram internamente ultrapassados" — reconhece Belarmino Silva, ao falar da relação empresarial com os seus antigos sócios. "Todos hoje têm as suas casas e vivem bem".
Dizer que o consumo de pão está a diminuir "não corresponde à verdade. Nós vendemos menos pão porque há mais concorrência e quando começamos havia pouca concorrência. Hoje há muitos sítios com pão quente. Há mais gente a vender pão mas o consumo mantém-se" — assegura Belarmino Silva.

Para este industrial de panificação, "há uma regra para a quantidade de sal no pão e não se pode colocar mais que essa regra. O pão é saudável e é o melhor alimento que nós temos", pelo que não é legítimo dizer que o "pão tem sal a mais em Portugal".

Em crise, desde há alguns anos, está o sector de fabrico de bolos: "este sector diminuiu muito" porque as pessoas "não querem ser gordas" e os custos subiram muito e, por exemplo, nos bolos de aniversário, vende-se muito menos que há uns anos atrás. "Aí a queda foi grande. Nós tínhamos pasteleiros, fazíamos muitos bolos e hoje não temos e preferimos comprar alguns bolos fora e fabricamos poucos".

A abertura de uma nova loja — a sexta das Padarias Pedralva — no centro histórico de Braga foi "um sonho que eu tinha há muitos anos e chegou a altura de concretizar esse sonho. É uma loja com muito boas condições, está muito bem centrada e eu gosto muito dela".

Naquela loja da rua D. Diogo de Sousa, junto à Igreja da Misericórida, "temos todas as qualidades de bolos, o pão quente a toda a hora e estamos muito contentes. Temos toda a variedade de cafetaria e temo um restaurante bom, pequenino mas muito agradável e estamos a trabalhar muito bem com satisfação para os nossos cientes".

Actualmente, com trinta trabalhadores, as padarias Pedralva produzem uma média de 15 mil pães por dia, um "número razoável", sendo a maior parte para as "nossas lojas porque queremos manter uma boa qualidade de pão. Estamos a vender a onze cêntimos e numa dúzia oferecemos dois pães e em meia dúzia oferecemos um pão".

Os empresários do sector têm vindo nos últimos tempos a defender um aumento do preço do pão devido aos custos de produção, posição que é contrariada por Belarmino Silva. "Nós assumimos que não aumentávamos o pão nos nossos seis pontos de venda durante este ano todo".

DE PEDRALVA
PARA MOÇAMBIQUE

Nascido em Pedralva, em 1937, Belarmino Silva teve uma infância difícil e aos "quatro anos já ia com as ovelhas para o monte". Depois da escola, onde "era um bom aluno" a ponto do professor e pai quererem que seguisse os estudos. "Eu gostava de estudar mas também gostava de ganhar dinheiro. O primeiro trabalho foi com o meu pai, aos 10 anos, a trabalhar de carpinteiro e a ganhar cinco escudos por dia, mas fiquei muito triste com o primeiro salário, porque contava ganhar mais".

Continuou algum tempo até arranjar outro emprego, na Venda Nova, a trabalhar na estrada para Paradela do Rio, onde ganhava "muito mais dinheiro. Quando recebi a primeira quinzena, deram-me 25 escudos por dia. Fiquei muito contente porque ganhava tanto como um adulto, embora fosse um rapazito. Andei ali uns poucos de anos".

Como não quis ir para Trás-os Montes, foi para Lisboa que "foi a minha terra de sorte, foi a cidade que eu mais gostei. Ganhei muito dinheiro lá, numa mercearia para levar as mercadorias ás casas das senhoras, mas em pouco tempo já tomava conta da mercearia".

Depois arranjou um emprego nos jardins do parque Eduardo VII, como funcionário municipal, mas nas horas vagas trabalhava como empregado de mesa na feira popular e nos campos de futebol. "No inverno vendia chocolates e rebuçados e no Verão gelados, à porta dos estádios da Luz e de Alvalade" até que chegou a idade do serviço militar e ficou apurado, tendo ficado em Braga na especialidade de transmissões e "foi das coisas mais bonitas que eu tive na minha vida e pedi para continuar" até ir para Moçambique.

A ida para Moçambique, em 1958, fica a dever-se a uma ideia antiga de emigrar "porque Portugal sempre foi um país pobre". na altura namorava para uma rapariga que tinha uns tios em Moçambique. Uma altura esses tios vieram cá, eu pedia a ela para falar com eles e eles"levaram-me para Moçambique", para a cidade da Beira, onde tinha "duas pessoas à minha espera. Ambas queiram que eu fosse com elas, mas eu acabei por ficar na cidade da Beira, com o compadre Correia, ainda vivo que está cá em Braga, que ainda hoje é uma pessoa muito minha amiga".

Depois do primeiro emprego — porque a ideia era trabalhar de carpinteiro na construção civil— no comércio, a partir de 24 de Maio de 1960, numa mercearia. Depois foi para uma pastelaria com restaurante, mas durante oito meses mudou três vezes de emprego, "sempre para melhor, a ganhar mais". Ao fim de oito meses "comecei a trabalhar por minha conta. Comprei uma carrinha e comecei a vender frutas tropicais, bananas, laranjas, tangerinas. O meu sucesso foi muito rápido, casei por procuração e a minha mulher ela foi lá passado algum tempo. Comprei uma casa que era uma peixaria e ela foi trabalhar para essa casa e eu continuava na fruta. depois comprei um terreno, fiz um armazém e em 1968 já era um grande armazenista que importava e exportava e estava cheio de dinheiro".

Até 1979 "foi um sucesso enorme, tinha um grande armazém tinha prédios e depois foi tudo nacionalizado, excepto o armazém e uma casa para viver".

Começou a "não haver nada e os meus filhos tiveram de vir para Portugal. Continuei lá, fui sempre bem tratado. Não tenho que dizer mal excepto a nacionalização de quase tudo o que tinha."

1 comment:

evandro said...

A ACR Bravos da Boa Luz, mantêm a tradição.
No próximo dia 1 de Maio, a A C R Bravos da Boa Luz leva a cabo a 7ª edição dos Jogos tradicionais.
O evento terá lugar no Campo das Hortas de manhã.
Durante a tarde haverá o já famoso Piquenicão das famílias dos Bravos e a subida ao Pau do Bacalhau!!"
Aparece, traz a família e, "traz outro amigo também".