Saturday, April 12, 2008

Adaúfe: formação dos jovens é a prioridade


Com sete grupos corais, a paróquia de Adaúfe proporciona aos fieis celebrações litúrgicas de qualidade, com musica cujo ritmo se adapta aos participantes, desde os adolescentes aos seniores. Marcada pela emigração — com cerca de dois mil habitantes fora da freguesia e a ganhar o sustento no estrangeiro, Adaúfe é uma freguesia de transição entre a cidade e o meio rural interior minhoto.

Esta constitui uma das principais riquezas desta paróquia, embora os grupos das capelas sejam mais pequenos. Os grupos dos jovens e dos adolescentes e da missa das 7,30 horas tem cerca de dezena e meia de membros e o da missa das 11 horas possui mais alguns elementos que os outros.

Todos os grupos possuem um coordenador e ensaiador, excepto o da capela de S. João que é apoiado pelo ensaiador do grupo da missa das 11 horas na Igreja paroquial.

Com a Festa da Padroeira a 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição, com cerimônias religiosas apenas, Adaúfe celebra com grande empenho a Festa da Assunção de Nossa Senhora, a 15 de Agosto. Esta festa tem uma procissão com certo nível, desde há três anos para cá, com a representação de quadros bíblicos que tem sido espectacular”.

Depois, a festa tem um programa popular profano e com a participação do rancho folclórico.

Quanto a Festas, a da Capela de Santa Marinha, no primeiro Domingo de Agosto, deixou de se fazer há dois mil anos. Este ano também não deverá haver por falta de gente para a Comissão de Festas. A Capela da Senhora do Bom Sucesso continua a manter sua festa no segundo domingo de Setembro, devido ao bairrismo dos lugares de Moinhos, Vale e Pinheirinho que fazem uma festa com “grande nível”.

Em termos de confrarias, Adaúfe possui apenas a das Almas, uma vez que as restantes acabaram por agonizar e morrer, como a de S. António e de S. Sebastião, entre outras.
“As pessoas não estavam motivadas para trabalhar e por isso elas acabaram” — explica o pároco de Adaúfe.

ENCONTRAR
PESSOAS
PARA SERVIR
OS OUTROS

A maior dificuldade sentida pelo padre José Sepúlveda Costa consiste em encontrar “pessoas que se disponibilizem para assumir um compromisso continuado”. “É um pouco complicado” — acrescenta embora reconheça que, na Juventude, há dois sectores em que Adaúfe está bem servida. Um deles é o da catequese com um conjunto de catequistas de elevado nível, a maioria universitários e alguns já licenciados”. O outro é o grupo de jovens e a Companhia das Guias de Portugal, a viver um momento de grande pujança e crescimento.

Na catequese toda a acção é desenvolvida a partir da Igreja em que as reuniões incluem as catequistas da s capelas, onde não há catequistas suficientes para as várias cllasses. Ali tem as primeiras seis classes, excepto no Bom Sucesso.
A Catequese funciona toda nas salas do rés-do-chão da residência paroquial, do centro social e na sede da Confraria das Almas.

No que se refere aos jovens, o padre José Sepúlveda lembra o grupo de jovens e a Companhia de Guias. O padre Viana tentou criar um grupo de escuteiros que passado pouco tempo acabou por não vingar.As guias já existem desde o tempo do padre Correia e “hoje estão outra vez em força depois de há alguns anos terem passado por alguma crise”.

A Companhia de Guias de Adaúfe está motivada e talvez tenham hoje a melhor situação quer em quantidade quer em qualidade de trabalho e formação, sempre com a preocupação de estar ao serviço da paróquia que se nota bem no segundo domingo de cada mês”.

Mas há outras áreas como a Conferencia Vicentina que ajudam pessoas e famílias mais carenciadas, com um apoio de presença e distribuição de bens. São os membros da Conferencia Vicentina que fazem a ponte comigo, para passarem a receber a comunhão ao Domingo, o que é um trabalho importante mas há uma dificuldade em arranjar elementos para esse trabalho. As pessoas que pertencem à Conferência Vicentina são todas de meia idade e mais e há o perigo de acabar opor não haver “pessoas que queiram fazer isso”.



A dimensão social da actividade paroquial é assegurada também pelo Centro Social que presta apoio aos idosos, em regime de centro de Dia, apoio domiciliário e ATL para os mais pequenitos.

No centro de Dia presta apoio a dez idosos, no apoio domiciliário são servidos trinta idosos e no ATL também são servidas refeições para 25 crianças, mediante protocolo com a Junta de Freguesia.

À tarde, o ATL é frequentado por nove crianças face às alterações introduzidas pelo Ministério da Educação mas “vamos tentar resolver o problema sem despedir ninguém. Temos de ter presente que o nosso Centro tem uma dimensão pequena e o numero de funcionários — sete — não gera grandes preocupações”.

Em termos de apoio domiciliário, “vamos conseguindo dar resposta à procura mas o numero de utentes é flutuante”.
O Centro Social é uma IPSS e financeiramente vive com as comparticipações dos utentes e da Segurança Social.

CENTRO SOCIAL
SEM PAR(ES)
DO ESTADO

Nós não temos condições para mais. Só com um edifício de raiz. Temos um terreno aqui junto à Igreja, temos um projecto aprovado, estava em PIDDAC, agora candidatamos ao PARES e esse é o nosso sonho: um Centro social com mais valências e com melhores condições que este não tem Ao fazer uma obra de raiz, reuníamos todas as condições que a Segurança social exige”.

Nesse projecto, “não fomos nós que decidimos quais eram as valências. Foi a Segurança Social que fez um estudo e determinou as valências a constar como centro de Dia, apoio domiciliário e ATL. Contemplava creche e Lar de idosos com a capacidade para trinta pessoas. Retirou-se o ATL, devido às mudanças recentes”.

Que esperanças? “Não sabemos se pode haver alguma esperança. Não vamos desistir. Tivemos uma reunião com a Directora da Segurança Social de Braga. Se não íamos muito animados viemos pior. O PIDDAC está fechado, O PARES não está a dar dinheiro para obras desta envergadura. Agora abriu a terceira fase do PARES mas é só para o Porto e Lisboa. Não está fácil mas às vezes dá vontade de desanimar” — confessa o padre José Sepúlveda Costa.

“Dizem que temos um projecto espectacular mas não passa disso” — sublinhou.
Em termos de obras, há onze anos estavam a terminar as obras na Igreja que custaram cerca de 25 mil contos. Depois, começaram algumas obras nas residência paroquial e “estamos agora com o restauro que está quase concluída,onde gastamos à volta de onze mil contos”.

Também foi “restaurado o órgão de tubos, em que gastamos seis mil contos, mas metade foi financiada pela Junta de Freguesia”.
Para o Centro social, não foram feitas grandes obras e a “única coisa que fizemos foi aquele salão para o Centro de dia com mobiliário novo e ar condicionado”.

No que concerne às Capelas, junto à da Senhora do Bom Sucesso, estamos a fazer um pequeno salão num terreno que se comprou com o saldo das Comissões de festas para se transferir para lá a catequese e ensaios do grupo coral que agora são feitas na Capela.

“Temos aqui ao lado da Igreja uma casa devoluta e queríamos fazer um salão paroquial com espaço para festas e para a catequese. Esperamos pela vontade dos proprietários e enquanto isso não acontece vamos solicitando o salão da sede da Junta de Freguesia que tem tido uma colaboração muito boa, atenciosa e dedicada com a Paróquia” — prossegue o pároco de Adaúfe.

Se esse espaço ficar disponível é o nosso projecto a lançar.
Com boas relações com a autarquia e outras instituições da localidade, “tendo sempre a noção das nossas competências e o serviço da comunidade, unindo forças e colaborando muito bem” porque o facto de “ser de Adaúfe me trouxe mais vantagens que desvantagens na relação com as pessoas”.

Alem da relação institucional, “existe uma relação de amizade que simplifica muito as coisas” – acrescenta o padre José Sepúlveda é responsável por um jornal mensal que envia 500 exemplares para os emigrantes no estrangeiro. O jornal está a aberto a ser veículo de informação para todas as instituições.

Sobre o futuro, como pároco de Adaúfe, “tenho coisas que gostava de fazer e um dos desejos é “ver se conseguimos fazer qualquer coisa com a Juventude. Já tivemos um grupo de jovens mas as coisas descambaram e a imagem que ficou foi negativa. Estamos a ver se tentamos avançar com alguma coisa para trabalhar com a Juventude porque eles são os homens e s mulheres de amanhã”.

Aproveitar aqueles que queiram, nos últimos anos da catequese, para trabalhar com eles e dar-lhes formação através de um grupo de jovens “seria o grande trabalho a fazer e mais necessário neste momento”.

Olhando para os onze anos de serviço aos seus conterrâneos, o padre José Sepúlveda Costa destaca as alterações na procissão da Festa de 15 de Agosto, porque havia algum receio das reacções das pessoas mas “o resultado final foi muito bom”.

No ano passado “fizemos uma encenação da Paixão ao vivo e as pessoas ficaram encantadas. Faz-nos bem porque as pessoas aderem e gostam”.

ATLETA E JORNALISTA

“Posso dizer que me custou um bocado quando deixei o futebol, aos 29 anos. Como dizia o meu treinador, naquela altura é que eu podia por a render tudo o que eu tinha mas entendi que o futebol me roubava muito tempo”.

A nostalgia dos campos de futebol ainda está presente no coração do padre José Sepúlveda, um excelente médio ala direito” que brilhou ao serviço da selecção do Seminário e na equipa da sua terra natal, o Adaúfe.

O padre José Sepúlveda Costa tinha talento para o futebol enquanto seminarista e mesmo já depois de ordenado padre, ao serviço da equipa da sua terra, o Grupo Desportivo de Adaúfe, durante oito anos. “Com 29 anos, ainda era o jogador mais rápido do Adaúfe, quando deixei o futebol. A velocidade era uma das minhas armas” — admite este sacerdote que entrou ao serviço dos seus conterrâneos no dia 16 de Fevereiro de 1997, para substituir o padre Hugo Viana, depois de ter estado treze anos ao serviço dos seminários deiocesanos como professor e prefeito.

Em 21 de Setembro do mesmo ano assume definitivamente a paroquialidade mantendo as estruturas existentes que encontrou e dinamizando outras. A conclusão das obras na Igreja e a recuperação da residência paroquial, colocada ao serviço do Centro Social e dos movimentos pastorais assinalam onze anos de serviço a Adaúfe.

Servindo-se do jornal “Mensagem nova”, fundado pelo padre Correia, o pároco de Adaúfe dialoga com a comunidade emigrante constituída por cerca de duas mil almas que abandonou a terra à procura de melhores ganhos para si e para as suas famílias.

Os jovens constituem agora a sua principal preocupação enquanto o projecto para o novo Centro Social está em “banho maria” à espera de financiamento por parte do Estado que idealizou aquele projecto de acordo com as necessidades daquela freguesia e das localidades vizinhas.

2 comments:

José Barros said...

Caro Sr Padre José Sepúlveda

O Sr Padre refere acima, e passo a citar: "O outro é o grupo de jovens e a Companhia das Guias de Portugal, a viver um momento de grande pujança e crescimento."

Em relação à Companhia das Guias nada posso referir porque não me encontro dentro do assunto. Relativamente ao Grupo de Jovens discordo totalmente da sua afirmação. O Grupo de Jovens está de fraca saude e com grande tendência para acabar.


Pergunto com todo o respeito, e como elemento activo do Grupo de Jovens durante cerca de dez anos, o que é que o Sr Padre fez na ultima meia duzia de anos pelo Grupo de Jovens desta freguesia?

Talvez um dia obtenha a resposta.

A juventude em Adaúfe ainda está em muito fraca forma... apesar de às vezes tentar a sua sorte mas em vão.


Ass: José Barros

Anonymous said...

EU CONCORDO PLENAMENTE COM O JOSÉ BARROS ESTANDO A PAR DE TUDO O K SE PASSA NO GRUPO DE JOVENS NAO SEI SINCERAMENTE O K FEZ PELO GRUPO...

EM RELAÇÃO A COMISSÃO DE FESTAS A DE SANTA MARINHA POR EXEMPLO ACABOU PORQUE NAO TEVE MOTICAÇÃO SUFECIENTE PARA CONTINUAR...

POR ISTO E POR OUTRAS COISAS ACHO COM O DEVIDO RESPEITO K SE DEVIA MELHORAR AINDA MAIS A FREGUESIA EM RELAÇÃO AO APOIO ENTRE GRUPOS E COMISSÕES...