
"Está na hora dos bracarenses acordarem para um gesto de gratidão para com um dos filhos mais ilustres de Braga" — apelou José Pinto Cardoso, concordando com quem diz que "Braga é Mãe para os que vêm até ela e é madrasta para com os seus. Eu começo a acreditar que é verdade".
Este empresário bracarense falava no final dos actos que lembraram o terceiro aniversário do falecimento do antigo Deão do Cabido da Sé de Braga, no passado dia 19 de Abril.
O Cónego Eduardo Melo viveu e testemunhou a Palavra de Deus e a sua vida e obra devem continuar a ser um ponto de referência para cada um de nós — sustentou D. Jorge Ortiga, na Basílica dos Congregados, repleta de fiéis.
O Arcebispo de Braga falava na Eucaristia concelebrada por uma dezena de sacerdotes no terceiro ano do falecimento do antigo Deão da Sé de Braga e Vigário Geral da Arquidiocese.
Após a Eucaristia, com uma guarda de honra proporcionada por uma secção dos Bombeiros Voluntários de Braga, um grupo de amigos dirigiu-se ao Cemitério de Monte d'Arcos para colocar uma coroa de flores no jazigo de Mons. Eduardo Melo Peixoto, num "gesto de coragem daqueles que não sentem vergonha em afirmar-se como amigos do Cónego Melo".
Entre os padres concelebrantes estavam alguns arciprestes de vários concelhos do distrito de Braga.
O terceiro aniversário do seu falecimento foi oportunidade para serem relembrados os contributos do Cónego Eduardo Melo para o progresso de Braga seja no desporto, como presidente do Conselho Geral do Sp. Braga, seja na religião, pelo contributo para a recuperação da Sé e seu Tesouro Museu, seja nos Cursos de Cristandade ou ao serviço dos Escuteiros.
D. Eurico Nogueira, arcebispo Emérito de Braga, presidiu ao almoço de homenagem que decorreu no Centro Apostólico do Sameiro, recordando que sentiu "muito a sua morte. Era mais novo que eu e cheio de vida. Quando ele faleceu, foi um choque muito grande para mim".
"Éramos, fomos e somos amigos dele e quem deixou de ser amigo é porque nunca o foi. A cada ano que passa nós sentimos a saudade e o pesar deles nos ter faltado tão cedo.
Associo-me inteiramente à homenagem ao cónego Melo. Ele merece a nossa amizade" — rematou D. Eurico Nogueira.
António Machado, presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários de Braga, recordou os tempos em que era "um jovem que morava na rua de S. Geraldo quando conheceu o padre Eduardo Melo, acabado de chegar da Índia e foi colocado no Seminário de S. Tiago onde ele deixava os rapazes andar de patins nos claustros do Seminário".
"Guardo com muito carinho o entusiasmo e a paciência que ele tinha connosco que éramos rapazotes. Foi sempre um homem da Juventude e sempre foi meu amigo.

Foi um grande amigo dos bombeiros e sempre nos ajudou" — concluiu António Machado, na breve alocução durante o almoço de amigos de Mons. Eduardo Melo.
Este grupo de amigos reunia-se uma vez por mês, recordou José Pinto Cardoso, lembrando a todos que "cada um é que sabe quanto deve ao Cónego Melo. Para Mim foi o segundo pai, um conselheiro" desde o momento em que "o encontrei numa altura difícil da minha vida".
Lembrando as palavras de D, Jorge Ortiga, na Eucaristia, José Pinto Cardoso, este empresário assegurou: "quando falo sobre o Cónego Melo, não me ardem os lábios, arde-me o coração" uma vez que "nos ensinou e viveu os bons propósitos e era um homem sério".
Quanto ao resto, "os grandes homens da História sempre tiveram inimigos" — prosseguiu José Pinto Cardoso agradecendo a presença de D. Eurico Nogueira, um dos homens da Igreja que nunca tiveram vergonha de ser amigo do cónego Melo".
José Pinto Cardoso agradeceu a presença de D. Eurico, recordando o momento em que ele se ofereceu para vestir de novo a toga de advogado para defender o Cónego Eduardo Melo, ao contrário de outros bracarenses — na política e na Igreja — que se acobardam quando se fala do Cónego Eduardo Melo".
"Na Igreja, na política, no desporto, ao serviço de Braga ele nunca deixou de ser padre nem de ser homem" — continuou José Pinto Cardoso, concluindo que "ele fez muita falta a todos nós, deixando-nos tão cedo" e "é com grande prazer que me associa a todos aqueles que merecem a sua amizade".
"Aqui, recordou, todos fomos, somos amigos e não temos vergonha de falar do cónego Melo e lembrar o muito que fez pela sua terra, pois ele é um bracarense nascido e criado em Braga, ficando ligado às suas principais instituições"
"Está na hora dos bracarenses acordarem para um gesto de gratidão para com um dos filhos mais ilustres de Braga" — apelou José Pinto Cardoso, concordando com quem diz
que "Braga é Mãe para os que vêm até ela e é madrasta para com os seus. Eu começo a acreditar que é verdade".
José Pinto Cardoso, falava no final aos jornalistas, abordando o tema incontornável da estátua ao Mons. Eduardo Melo, afirmando a sua colocação numa praça de Braga como um "dever dos bracarenses que beneficiaram da sua amizade" sejam eles da política, sejam da sociedade ou da Igreja de Braga.