A Constituição da República Portuguesa consagra no seu art. 68.º que os pais e as mães têm direito à protecção da sociedade e do Estado na realização da sua insubstituível acção em relação aos filhos, nomeadamente quanto à sua educação, com garantia de realização profissional e de participação na vida cívica do país.
Ao estabelecer que a paternidade e a maternidade são “valores sociais eminentes”, o Estado Português concede aos pais e às mães, um direito à protecção da sociedade e do Estado na realização da sua acção em relação aos filhos, nomeadamente quanto à educação destes, garantindo-lhes a realização profissional e a participação na vida cívica do país.
O Estado Português reconhece, na Lei fundamental, que os pais e mães desempenham, no momento da geração e da educação dos filhos, uma tarefa do mais profundo interesse social pelo que são credores do Estado de uma particular protecção.
Da teoria à realidade, a distância é ainda muito grande, a tal ponto que a sociedade civil se teve de organizar para dinamizar cuidados que apoiem a família, uma vez que a Constituição Portuguesa está longe de ser concretizada no terreno.
Uma das instituições é o Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis, fundado há alguns anos para estimular as autarquias a darem pleno cumprimento à nossa Lei fundamental.
Mas os esforços — se não têm sido quase em vão — estão longe de sensibilizar todos os autarcas deste país.
É por isso que a Câmara Municipal de Famalicão é a única entre os 24 municípios do Minho premiada ontem pelo Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis.
Os critérios da eleição podem ser discutíveis, mas estas autarquias destacam-se por darem dois passos à frente das outras, não só por conseguirem mostrar o que fazem como a forma como avaliam as suas medidas de apoio à maternidade e paternidade, apoio às famílias com necessidades especiais, serviços básicos, educação e formação, habitação e urbanismo, transportes, cultura, desporto, lazer e tempo livre, cooperação, relações institucionais e participação social.
O organismo conta actualmente com a adesão de 78 autarquias disponíveis para desenvolverem um plano integrado de políticas de família.
Tendo em conta que em Portugal existem mais de 300 municípios, ainda temos muito tempo a percorrer para ter mais municípios familiarmente responsáveis, especialmente no Minho.
Palavras sobre bracarenses que fazem, porque há gente fantástica, não há? Há, a começar por ti.
Friday, July 10, 2009
É meio caminho andado para sermos úteis a alguém
Estava no chão, rejeitado por quem não se deu à maçada de ler o folheto, apesar de graficamente apelativo, para dar uma espreitada e conhecer o conteúdo, mas não falava do Cristiano Ronaldo ou do Michael Jackson ou de alguma diva das telenovelas.
Tantas vezes escrevemos ou dizemos mal dos CTT — Correios de Portugal, que quando recebemos um panfleto destes não perdemos tempo a ler e deitamos fora para fazer mais lixo mesmo que seja um panfleto a convidar-nos para uma darmos um pequenino contributo para uma sociedade mais limpa de miséria e pobreza.
Ora, e precisamente este o caso. Os Correios de Portugal, através das suas lojas em Braga — Maximinos, Avenida, S. Victor e Santa Tecla — estão a colaborar com a Fundação Bomfim, numa iniciativa da Igreja Evangélica Baptista em Braga de luta contra a pobreza e a exclusão social.
Trata-se de uma instituição com provas dadas à sociedade bracarense, merecedoras de atenção, quanto mais não seja para que sintamos alguma utilidade da nossa vida e dos nossos bens em favor de quem promove o desenvolvimento pessoal, social, espiritual e artístico de pessoas de todas as idades.
Com valências de apoio a 200 crianças, a mais de cem idosos carenciados, a Fundação Bomfim desenvolve o ensino de música e o projecto Cesta (de cooperação com Angola), e conta com este abraço dos Correios que disponibilizam as suas instalações em Braga para promover a recolha gratuita e fácil de donativos até ao dia 19 de Julho. A Campanha começa no dia 6 de Julho e entre os bens de primeira necessidade, a Fundação Bomfim dá relevo aos alimentos secos e conserva, aos produtos de higiene pessoal e material escolar e papelaria.
A roupa interior para crianças e adultos, material lúdico (CD's ou DVD's de música popular ou filmes infanto-juvenis ou didácticos também podem ser entregues na seda da Fundação, na Rua da Boavista. Os contactos podem ser feitos através de info@bomfim.org.
Se querem mais informações sobre esta instituição de solidariedade social, podem consultar o sítio da internet www.bomfim.org mas isto já chega para mostrar como uma ideia simples pode ter efeitos fantásticos na vida das pessoas, a começar naquelas pessoas que dão de si e dos seus bens — afinal, chegam ao fim do dia e sempre poderão afirmar para os seus botões: "sirvo para alguma coisa, sou útil a alguém".
Mas o que faz bem a quem dá, é muito mais valioso e enternecedor para quem recebe.
Os Correios de Portugal não servem apenas para nos trazer as cartas com as facturas que temos de pagar todos os meses, mas servem para fazer a ligação entre os cidadãos que querem ajudar e as instituições no terreno a lidar com as situações de pobreza, de carência e de miséria humana e espiritual existentes em Portugal.
Trata-se de um projecto da empresa iniciado em Dezembro e que prossegue até ao próximo mês de Agosto e como sabemos ninguém em Portugal tem capacidade para chegar a todas as localidades e a todos os habitantes do país. Mais, nas estações dos Correios existem sacos e embalagens onde basta colocar o bem a doar, fechar com autocolante e entregar no balcão.
Neste combate pela democratização da solidariedade, os Correios não nos levam a mal que plagiemos o seu slogan: os CTT são meio caminho andado para sermos solidários e úteis.
Vá lá. Não faça como a pessoa da primeiro parágrafo: não deite esta ideia para debaixo do tapete da sua vida.
Tantas vezes escrevemos ou dizemos mal dos CTT — Correios de Portugal, que quando recebemos um panfleto destes não perdemos tempo a ler e deitamos fora para fazer mais lixo mesmo que seja um panfleto a convidar-nos para uma darmos um pequenino contributo para uma sociedade mais limpa de miséria e pobreza.
Ora, e precisamente este o caso. Os Correios de Portugal, através das suas lojas em Braga — Maximinos, Avenida, S. Victor e Santa Tecla — estão a colaborar com a Fundação Bomfim, numa iniciativa da Igreja Evangélica Baptista em Braga de luta contra a pobreza e a exclusão social.
Trata-se de uma instituição com provas dadas à sociedade bracarense, merecedoras de atenção, quanto mais não seja para que sintamos alguma utilidade da nossa vida e dos nossos bens em favor de quem promove o desenvolvimento pessoal, social, espiritual e artístico de pessoas de todas as idades.
Com valências de apoio a 200 crianças, a mais de cem idosos carenciados, a Fundação Bomfim desenvolve o ensino de música e o projecto Cesta (de cooperação com Angola), e conta com este abraço dos Correios que disponibilizam as suas instalações em Braga para promover a recolha gratuita e fácil de donativos até ao dia 19 de Julho. A Campanha começa no dia 6 de Julho e entre os bens de primeira necessidade, a Fundação Bomfim dá relevo aos alimentos secos e conserva, aos produtos de higiene pessoal e material escolar e papelaria.
A roupa interior para crianças e adultos, material lúdico (CD's ou DVD's de música popular ou filmes infanto-juvenis ou didácticos também podem ser entregues na seda da Fundação, na Rua da Boavista. Os contactos podem ser feitos através de info@bomfim.org.
Se querem mais informações sobre esta instituição de solidariedade social, podem consultar o sítio da internet www.bomfim.org mas isto já chega para mostrar como uma ideia simples pode ter efeitos fantásticos na vida das pessoas, a começar naquelas pessoas que dão de si e dos seus bens — afinal, chegam ao fim do dia e sempre poderão afirmar para os seus botões: "sirvo para alguma coisa, sou útil a alguém".
Mas o que faz bem a quem dá, é muito mais valioso e enternecedor para quem recebe.
Os Correios de Portugal não servem apenas para nos trazer as cartas com as facturas que temos de pagar todos os meses, mas servem para fazer a ligação entre os cidadãos que querem ajudar e as instituições no terreno a lidar com as situações de pobreza, de carência e de miséria humana e espiritual existentes em Portugal.
Trata-se de um projecto da empresa iniciado em Dezembro e que prossegue até ao próximo mês de Agosto e como sabemos ninguém em Portugal tem capacidade para chegar a todas as localidades e a todos os habitantes do país. Mais, nas estações dos Correios existem sacos e embalagens onde basta colocar o bem a doar, fechar com autocolante e entregar no balcão.
Neste combate pela democratização da solidariedade, os Correios não nos levam a mal que plagiemos o seu slogan: os CTT são meio caminho andado para sermos solidários e úteis.
Vá lá. Não faça como a pessoa da primeiro parágrafo: não deite esta ideia para debaixo do tapete da sua vida.
TGV: calendário de bitola larga
Da Galiza chegam notícias que deixam mais sossegado o Governo português quanto aos prazos de construção do TGV — Comboio de alta velocidade — entre o Porto e Vigo, com passagem por Braga.
Inesperadas informações, por um lado, e desconhecidas dificuldades nas negociações entre a Junta de Galiza e o Governo de Madrid, constituem uma margem de manobra mais dilatada para o Governo de Lisboa.
O TGV na Galiza não deve estar construído nem em 2012 e muito menos em 2015, como acaba de garantir o ministro espanhol José Blanco.
O novo calendário para o comboio voador nos carris galegos aponta agora para o calendário inicial, inscrito ao tempo do governo de Jose Maria Aznar, ou seja, 2020.
A este novo calendário deve juntar-se as dificuldades notadas, após algum optimismo desmedido, nas negociações para o financiamento da Região da Galiza por parte do Governo de Madrid.
Mais uma vez os calendários eleitorais e os da engenharia não coincidiram, nem tinham que coincidir, apesar das piedosas promessas de que o TGV começava a circular nesta legislatura.
A nova data — 2017 ou mais tarde — foi calculada agora por um especialista em engenharia ferroviária, segundo o qual o comboio de fogo não entrará nos carris dentro de oito anos na Galiza, porque as obras não se podem fazer nem em função da clientela desrespeitando a paisagem.
Cai por terra a pretensão do novo ministro do Fomento — natural da Galiza — se tivermos em conta o rtimo de construção do TGV em outras regiões de Espanha, quando o país vivia tempos de bonança e a Europa financiava tudo.
Agora, com as arcas do tesouro espanhol vazias e os baús europeus direccionados para o combate à crise económica e social, o novo calendário do TGV na Galiza (2017 ou 2020) parece ser mais realista.
Ora, sabendo, como sabemos, que os prazos da política são como as datas do almanaque — para não levar a sério — a margem de manobra do Governo português, para acelerar ou atrasar os calendários do TGV entre Porto e Valença, tem agora uma bitola mais larga.
Para aqueles que não acreditam em bons ventos de Espanha, aqui está o bom casamento que o Governo português esperava, para adiar este investimento e não irritar a oposição.
Resta saber se mais uns anos de sossego para o Governo (de Lisboa e de Madrid) não desassossegam o Minho e a Galiza nem os colocam no último comboio europeu.
Inesperadas informações, por um lado, e desconhecidas dificuldades nas negociações entre a Junta de Galiza e o Governo de Madrid, constituem uma margem de manobra mais dilatada para o Governo de Lisboa.
O TGV na Galiza não deve estar construído nem em 2012 e muito menos em 2015, como acaba de garantir o ministro espanhol José Blanco.
O novo calendário para o comboio voador nos carris galegos aponta agora para o calendário inicial, inscrito ao tempo do governo de Jose Maria Aznar, ou seja, 2020.
A este novo calendário deve juntar-se as dificuldades notadas, após algum optimismo desmedido, nas negociações para o financiamento da Região da Galiza por parte do Governo de Madrid.
Mais uma vez os calendários eleitorais e os da engenharia não coincidiram, nem tinham que coincidir, apesar das piedosas promessas de que o TGV começava a circular nesta legislatura.
A nova data — 2017 ou mais tarde — foi calculada agora por um especialista em engenharia ferroviária, segundo o qual o comboio de fogo não entrará nos carris dentro de oito anos na Galiza, porque as obras não se podem fazer nem em função da clientela desrespeitando a paisagem.
Cai por terra a pretensão do novo ministro do Fomento — natural da Galiza — se tivermos em conta o rtimo de construção do TGV em outras regiões de Espanha, quando o país vivia tempos de bonança e a Europa financiava tudo.
Agora, com as arcas do tesouro espanhol vazias e os baús europeus direccionados para o combate à crise económica e social, o novo calendário do TGV na Galiza (2017 ou 2020) parece ser mais realista.
Ora, sabendo, como sabemos, que os prazos da política são como as datas do almanaque — para não levar a sério — a margem de manobra do Governo português, para acelerar ou atrasar os calendários do TGV entre Porto e Valença, tem agora uma bitola mais larga.
Para aqueles que não acreditam em bons ventos de Espanha, aqui está o bom casamento que o Governo português esperava, para adiar este investimento e não irritar a oposição.
Resta saber se mais uns anos de sossego para o Governo (de Lisboa e de Madrid) não desassossegam o Minho e a Galiza nem os colocam no último comboio europeu.
Franceses em Braga há 200 anos (15)

O Grande exército que, em Pratzen, dobrou vencera dois Impérios e conquistou "a mais fulgurante e estimável vitória para as águias napoleónicas" — como descreve Carlos Azeredo, veio aqui ao Minho e Norte de Portugal saborear o travo amargo da derrota.
Foi uma humilhante derrota imposta pela tenacidade sem limites, pelo sacrifício sem reservas e pela coragem sem vacilações da humilde gente rural, incentivada pelos padres das aldeias e apoiada por alguns Militares, mostrando ao povo um grande General, Francisco Silveira.
O que restava dos homens e cavalos comandados por Soult estava a salvo, apesar de o General Silveira os ter perseguido pelo caminho de Montalegre até Padroso e passando junto ao Cabeço de Lamas a mais de 1200 metros de altitude, onde recebeu ordem de Wellesley para regressar, tendo entrado em Montalegre a 19 de Maio a caminho de Chaves onde entrou a 20 de Maio de 1809.
Deixando atrás de si um rasto de destruição, sangue e morte, assim acabou a «bela expedição» a Portugal, como se lhe referia o próprio Napoleão nas instruções para a sua execução.
O Marechal Soult perdeu mais de um quarto — 27% — dos efectivos com que violou a fronteira para pisar a Terra Lusitana, entrar na Póvoa de Lanhoso, invadir Braga e conquistar o Porto: mortos ou aprisionados foram cerca de 5700 homens, dos quais 2000 perdidos nesta terrível retirada entre por Lanhoso, Salamonde e Montalegre.
Vencido sem que se tivesse empenhado em qualquer grande e decisiva batalha, a não ser a da Serra do Carvalho, em Covelas e Carvalho d'Este, Soult viu-se obrigado a destruir a sua artilharia e a largar o produto das pilhagens, numa retirada humilhante e precipitada através de vielas com um exército, descalço e esfarrapado nos seus uniformes, faminto e atirado para um estado moral lastimável!
A figura militar do Tenente-General Francisco da Silveira que se afirmou nesta II invasão e em batalhas posteriores, continua praticamente afastada das galerias das nossas unidades e as praças das nossas cidades foram bem mais pródigas em estátuas e placas de Generais mais políticos que militares, mas com menos projecção nacional que Silveira, sem dúvida o Militar mais notável do Exército Portugues durante as campanhas da Guerra Peninsular. Recentemente, foi feita alguma justiça, com a inauguração de um belo monumento em Chaves, na presença do presidente da República.
É que a fantástica vida militar do General Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, não terminou em Chaves no dia 20 de Maio, de 1809, uma vez que prosseguiu no ano seguinte, em Agosto, quando reconquista a vila leonesa de Puebla de Sanábria, ocupada em finais de Julho por tomas francesas que bateram o General espanhol Taboada; após 10 dias de cerco e de combates, o inimigo rendeu-se entregando nas mãos de Silveira 400 prisioneiros, material de guerra e uma insígnia imperial de um Batalhão Suíço.
Nesse ano, de 1810, desde o inicio de Setembro até meados de Novembro, bloqueia a praça de Almeida, e mais tarde, a 24 de Novembro, em Valverde, ataca a Divisão Gardanne que obriga a retirar, deixando no terreno mais de 300 mortos.
A 31 de Dezembro Silveira é batido com as suas pequenas forças transmontanas, pelos 8000 homens de uma divisão do 9.º Corpo, de Drouet, na Ponte do Abade, onde perde 200 homens, mas, a norte do Douro consegue opor-se com sucesso, durante todo o rude inverno de 1810-1811 às tentativa, de Claparéde para passar o Douro afim de recolher provisões no rico Entre-Douro-e-Minho para o faminto exército de Massena.
Em 1813, durante a Campanha do Sul da França, Silveira assume o comando da divisão do General Hamilton, a qual tem uma acção importante no ataque a Tormes a 25 de Maio.
A 21 de Junho, na batalha de Vitória (60 000 franceses contra 80000 aliados) a Divisão Silveira (única Divisão portuguesa na batalha), envolvendo a esquerda do inimigo caiu-lhe sobre a retaguarda pondo-o em fuga desordenada e capturando parte da sua Artilharia, bagagens e o célebre tesouro do Rei José Bonaparte.
O General Francisco Silveira foi condecorado pelo Governo Inglês com a Medalha de Ouro de Comando em Vitória, de que apenas foram cunhados três exemplares, cabendo um deles ao próprio Wellington, e pelo Rei de Espanha foi-lhe concedido o título de Grande de Espanha e a comenda da Grão Cruz da Ordem de São Fernando.
— D. João VI atribui-lhe a Grão-Cruz das Ordens de Cristo e da Torre e Espada e ainda o título de Grande de Portugal. antes de falecer a 28 de Maio de 1821 na sua casa em Vila Real de Trás-os-Montes. Os seus restos mortais descansam em sepultura própria, na Capela do Espírito Santo da povoação de Canelas do Douro.
Aliás, foi em memória e homenagem a este General e a todos anónimos Portugueses que, numa Pátria invadida, moribunda e arruinada, não desistiram e souberam lutar, que o general Carlos Azeredo dedicou o seu livro “As populações a norte do Douro e os Franceses em 1808 e 1809”, editado em 1984 pelo Museu Militar do Porto e constituiu importante apoio na elaboração de algumas das partes desta série de trabalhos.
Monday, June 29, 2009
PE — uma goleada do PI

O velho continente viveu uma das goleadas das antigas.
Foi a única prevista e aumentada pelas previsões dos comentadores na antevisão desta jornada: o ganhador das eleições para o Parlamento que arrebatou mais poderes foi o Partido da Indiferença (PI), em toda a Europa mas com especial gravidade em Portugal, onde atingiu quase 63 por cento.
O seu triunfo foi de tal calibre que quase duplicou os votos obtidos por todas as forças políticas que Domingo pediam o voto aos portugueses.
Não deixa de ser injusta esta indiferença pelas instituições da Europa, especialmente nos países menos ricos, como é o caso de Portugal, que deviam sentir ao menos algum sentido de gratidão: se não fossem os milionários cheques que desde 1986 os países mais ricos assinaram para países como a Grécia e Portugal e agora para o Leste Europeu, tinha sido impossível a construção de auto-estradas, aeroportos, linhas ferroviárias e fundos sociais que aumentaram o rendimento per capita dos lusitanos.
Provavelmente, a apatia tradicional dos europeus nas eleições para o Parlamento Europeu estará na falta de um estímulo concreto: saber qual das equipas vencerá e vai governar.
Nas eleições europeias, semelhantes a uma jogo amigável, como se disse, não está em causa nenhum título e isso faz com que as equipas se limitem a pôr em campo os reservistas.
Mais, estamos perante umas eleições contraditórias em si mesmas; elas não escolhem um governo. Que escolhem os eleitores? Nada e se é nada deixam de ser eleitores.
Se deixam de ser eleitores, não põem os pés nas bancadas do jogo a feijões... entre equipas de candidatos promovidos pelas televisões para que o espectáculo continue, diante da indiferença dos eleitores.
Por isso, os comícios destas ditas eleições tinham os mesmos de sempre, aqueles que não perdem um treino da equipa e comparecem mesmo nos jogos sem interesse, para o espectáculo da televisão que depois promove até à exaustão o pitoresco e o anedótico.
Assim, pouco importa que as franjas incondicionais de cada partido, dos conservadores aos progressistas tenham gritado vitória na noite fria de Domingo. O resultado tem o valor que se dá a um desafio amigável de pré-temporada ou de uma sondagem, uma vez que as empresas de sondagens também estavam a treinar, a avaliar pelos resultados.
Não há nada de estranho na vitórias de uns ou na derrota de outros se tivermos em conta que elas suscitam o mesmo desinteresse entre os cidadãos que não votaram que entre os seus deputados.
Basta as cadeiras frequentemente vazias do Parlamento de Estrasburgo para chegar à dedução fácil de quem nem sequer aos luxuosamente pagos parlamentares do Continente lhes interessa grande coisa o que ali se decide.
A mesma indiferença atravessa os partidos e os eleitores porque, longe de considerarem o grande areópago um organismo influente e digno de respeito, é habitual que todos os utilizem como nos senados para colocar políticos fracassados nos combates domésticos e onde não são exigidos grandes atributos de competência, salvo honrosas excepções.
Mas aí está o grande engano: são estes senhores deputados que vão decidir o preço do leite e os abates aos barcos da pesca, ou os cheques para os investimentos necessários à modernização do nosso país, a começar pela requalificação dos portugueses.
Como explicar tudo isto. Só indo aos livros. Está tudo inventado mas continua sem servir de lição para ninguém, nem para quem está no poder nem para os que anseiam sofregamente por ele. Ora leiam. se fazem favor, sim?
Um dos piores sintomas de desorganização social, que num povo livre se pode manifestar, é a indiferença da parte dos governados para o que diz respeito aos homens e às cousas do governo, porque, num povo livre, esses homens e essas cousas são os símbolos da actividade, das energias, da vida social, são os depositários da vontade e da soberania nacional.
Que um povo de escravos folgue indiferente ou durma o sono solto enquanto em cima se forjam as algemas servis, enquanto sobre o seu mesmo peito, como em bigorna insensível se bate a espada que lho há-de trespassar, é triste, mas compreende-se porque esse sono é o da abjecção e da ignomínia.
Mas quando é livre esse povo, quando a paz lhe é ainda convalescença para as feridas ganhadas em defesa dessa liberdade, quando começa a ter consciência de si e da sua soberania... que então, como tomado de vertigem, desvie os olhos do norte que tanto lhe custara a avistar e deixe correr indiferente a sabor do vento e da onda o navio que tanto risco lhe dera a lançar do porto; para esse povo é como de morte este sintoma, porque é o olvido da ideia que há pouco ainda lhe custara tanto suor tinto com tanto sangue, porque é renegar da bandeira da sua fé, porque é uma nação apóstata da religião das nações – a liberdade!
Antero de Quental, in 'Prosas da Época de Coimbra'
Que andamos aqui a fazer?

A Cruz Vermelha Portuguesa convidou todos os portugueses para que esta Quinta-feira, às 17h00, fazerem "um minuto de silêncio evocando todas as vítimas de conflitos e catástrofes dos últimos 150 anos".
Em Braga, foram poucos os que aderiram a esta forma simbólica e simples de celebrar o 150.º aniversário da Batalha de Solferino.
Talvez tenhamos todos ignorado que estava em marcha a da campanha mundial "O nosso mundo. A sua acção", lançada em Maio para responder aos actuais desafios humanitários — desde conflitos a efeitos das alterações climáticas, como a pobreza, migrações, violência, insegurança alimentar, falta de água para beber, entre tantos outros.
Há 150 anos, no dia 24 de Junho, deu-se a Batalha de Solferino e alguém não ficou indiferente ao sofrimento humano.
Henry Dunant reuniu as mulheres das aldeias vizinhas para socorrer os soldados feridos que jaziam por terra, sem qualquer ajuda. Eram os primeiros passos na criação da Cruz Vermelha, a maior organização humanitária do mundo, com 100 milhões de voluntários.
Com a nossa indiferença vivemos sossegadamente num mundo onde 40% da população que vive com menos de 2 euros por dia.
Com a nossa indiferença estamos a construir um planeta onde 18 milhões de pessoas — 50 mil por dia — morrem devido à pobreza.
Estamos a construir um mundo onde mil milhões de pessoas vivem em bairros pobres urbanos.
Com a nossa apatia vivemos num mundo onde quase mil milhões de pessoas no mundo têm fome. Todos os dias quase 16 mil crianças morrem devido a causas relacionadas com a fome, uma criança a cada 5 segundos.
Todos os dias tapamos os ouvidos para não ouvir os gritos de mais de mil milhões de pessoas que nos países em desenvolvimento têm um acesso inadequado à água.
Também não queremos saber se, na última década, o número de crianças que a diarreia matou é superior ao de mortos causado pelos conflitos armados desde a II Guerra Mundial.
E será que nos inquieta saber que todos os anos, a malária afecta 500 milhões de pessoas e ceifa um milhão de vidas – três mil crianças por dia?
Também não, pois não? Então, que andamos a fazer por cá?
Não nos pedem para imitar Hernry Dunant. As vinte crianças que morreram enquanto lia este texto apenas lhe pediam que fosse uma das mulheres das aldeias vizinhas que há 150 anos curaram as feridas dos soldados de Solferino. Que andamos aqui a fazer? Será que temos alguma utilidade para o planeta humano?
Poveiro, jovem e tremendo

O jovem poveiro Raul Costa que venceu em Fevereiro, ao fazer16 anos, o primeiro prémio no Concurso Internacional de Piano ‘Alexander Scriabin', realizado no conservatório russo de Paris, volta a ser notícia.
Entre candidatos de todo o mundo, Raul Peixoto da Costa foi o único dos premiados não russo, tendo interpretado peças dos compositores Johann Sebastian Bach, Frédéric Chopin, Beethoven e Sergei Prokofiev.
Raul tem ganho vários prémios, não só em Portugal, mas também no estrangeiro e contabiliza várias participações em espaços como a Casa da Música, no Porto, e o CCB, em Lisboa, entre outras.
No ano passado, conquistou o primeiro prémio no Concurso Internacional de Jovens Pianistas, em San Sebastian, Espanha.
Agora, Raúl Peixoto da Costa, é um dos quatro finalistas, de um total de 24 países, de um concurso que está a decorrer na cidade de Praga, República Checa, à hora que esccrevo esta crónica.
É uma organização da Associação Europeia de Professores de Piano e envolve um júri composto por professores oriundos da Áustria, Irlanda e República Checa.
Além de Raúl Peixoto da Costa, só foram seleccionados mais três pianistas de Espanha, França e Suécia, e o jovem poveiro é o mais novo esta final, porque os outros finalistas têm idades entre aos 20 e 30 anos.
Ontem é dia de ensaios e a final realiza-se ontem à noite, em que interpretaram, com uma orquestra, o concerto para piano, número 1, de Frédéric Chopin.
Não interessa agora saber quem venceu porque este jovem nortenho já foi aplaudido de pé neste concurso e é já um caso raro de enorme talento que Portugal tem que o apoiar, tendo em conta o que ele pode fazer pela nossa cultura.
Nem interessa se ele ganhou ontem à noite, em Praga, pois só o facto de ter chegado a esta fase é um sucesso tremendo e grandioso, porque estamos a falar do concurso mais importante do mundo.
O jovem poveiro frequenta o 10.º ano e estuda ainda na Escola de Música S. Pio X, em Vila do Conde, sob orientação do professor Álvaro Teixeira Lopes.
Raúl Peixoto Costa também toca clarinete e descobriu aquilo que costuma denominar de maravilhoso mundo da música quando tinha apenas 7 anos e ouviu a mãe tocar.
Começou aí a ensaiar as primeiras notas e nunca mais largou o piano ou não continuasse a ser verdade que é de menino que se torce o pepino.
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