Um paraplégico vianense prometeu ir de cadeira de rodas até Bruxelas, numa viagem de 2300 quilómetros, para protestar contra a decisão da Segurança Social de lhe retirar o complemento por dependência.
É um exemplo perfeito da lei que foi feita para tudo, menos para servir as pessoas. E quando assim é, esta lei é apenas letra morta e mata.
Alguém neste país pode achar justo obrigar um deficiente, com 80 por cento de incapacidade, a sobreviver com 180 euros por mês, por querer escrever e vender livros?
Este vianense ficou paraplégico em 1997, num acidente de trabalho e penou durante dez anos para receber uma pensão de 180 euros, mais tarde seria acrescida de um complemento por dependência, de 97 euros.
Como esta miserável pensão não permite pagar as despesas mensais, em 2006 começou a escrever e editar os seus livros numa gráfica que ele mesmo criou. Para cumprir a lei, inscreve-se nas Finanças como editor para poder passar recibos verdes.
Com toda a atenção e rapidez que se lhe conhece, excepto quando se atrasa a pagar o que deve invocando uma qualquer avaria no sistema informático, a Segurança Social, mal 'descobriu' que estava a trabalhar, tirou os 97 euros.
Como achou que ficava rico, agora a Segurança Social retira-lhe, a partir de Junho, o complemento por dependência.
Legalmente, nada a fazer — justifica-se o director da Segurança Social vianense.
Dirão que a culpa é da burocracia que gera leis cegas e impessoais. Mentira pura, a culpa é desta povo portugês que mantem um estado que olha para as pessoas como um simples número.
Konrad Adenauer, o pai da Alemanha moderna dizia algumas vezes que, na política, o importante não é ter razão, mas dar a razão a alguém.
Este vianense não quer ter razão, mas sim que o Estado entenda a sua situação concreta e lhe dê razão, quanto mais não seja por ser um cidadão de boa fé e cumpridor.
Palavras sobre bracarenses que fazem, porque há gente fantástica, não há? Há, a começar por ti.
Wednesday, May 20, 2009
Franceses em Braga há 200 anos (12)

Fugindo para Espanha, acompanhamos a marcha, entre a Póvoa de Lanhoso até Salamonde (Vieira do Minho), com Loison a comandar a vanguarda e Soult na rectaguarda, preparado para enfrentar Wellesley, que estava em Braga, vindo do Porto.
Desde o vale do rio Ave as populações, conduzidas pelos clérigos e elementos preponderantes das localidades, atacavam sem descanso a tropa francesa, a quem o mau tempo e os péssimos caminhos dificultavam a marcha tornando-a numa autêntica via-sacra para os gauleses.
A marcha prosseguia, em condições duríssimas, na noite de 14 de Maio foi atingido o vale do Cávado a norte de Póvoa de Lanhoso.
Como descreve o general Carlos Azeredo, na obra citada na crónica anterior, o ambiente nas hostes francesas, desde a ribeira do Lanhoso até abaixo de São João de Rei, "era a fome generalizada, os pés descalços e em ferida dos seus homens, os uniformes rotos e sujos, uma chuva inclemente e um inimigo a morder-lhe nos calcanhares". Aqui chegado, Soult tenta uma saída pelo Alto Minho, mas as tropas inglesas já estavam em Braga, a tapar-lhe o caminho, menos sinuoso que as montanhas do Barroso.
Só restava ao Duque da Dalmácia lançar-se na direcção de Salamonde através das íngremes vertentes da Serra da Cabreira sobre o rio Cavado.
Silveira parte para Ruivães no dia 15 de Maio, para cortar a passagem aos franceses para Chaves. Soult atinge ao fim do dia a região de São João de Rei, junto ao Cávado, sobre a estrada para Salamonde reforçando o seu avanço. Beresford teve a possibilidade de ter cortado em Salamonde a passagem se em vez de se ter limitado a enviar com uma pequena escolta dois Oficiais, desde Cavez (Cabeceiras de Basto) tivesse avançado uma companhia que fosse, capaz de guardar qualquer das difíceis passagens por onde Soult tinha de se aventurar, orientando a defesa das pontes do Saltadouro, de Rês e da Misarela, a fim de demorar ali os franceses até que o grosso das suas forças e as de Wellesley pudessem cair-lhe em cima.
Quem acabou por impor a Soult um novo itinerário e barrar a progressão do II Corpo para Chaves foi o General Silveira, posicionado em Ruivães sobre a estrada para Chaves. O diário de Soult — citado por Carlos Azeredo — explica a opção por Montalegre: «eu não podia, também, retomar a direcção de Chaves, o caminho pelo qual tínhamos vindo aquando da minha entrada em Portugal. Na sequência do abandono de Amarante, Silveira pôde marchar para o norte tão rapidamente como os ingleses. Ele tinha ultrapassado Chaves e cortado a ponte de Ruivães, sobre a qual passa a estrada de Braga.
O General português, instalado à rectaguarda dessa ponte, ocupava uma posição impossível de forçar».
No dia 15 de madrugada, Soult e as suas tropas deixam S. João de Rei, depois de pilharem e incendiarem vários povoados chegando a Salamonde ao fim do dia.
Salamonde estava deserta, porque os habitantes preferiram o gelo da Serra da Cabreira às atrocidades dos soldados franceses.
Soult acantonou tropas na Igreja e nas casas que após o normal saque, foram incendiadas.
Naquele tempo, a estrada, a partir de Salamonde, bifurcava-se, seguindo a via da direita para Ruivães, Venda Nova e Boticas, até Chaves, bem conhecida mas tapada pelas tropas do General Silveira. A "estrada" da esquerda, era uma autêntica vereda áspera que descia de Salamonde, em zig-zagues, a íngreme vertente do Cavado e depois a do rio de Ruivães, até à Ponte do Saltadouro; seguia depois junto à margem esquerda do Cávado para passar a impressionante e tormentosa Ponte da Misarela, insubstituível na chegada a Paradela e Montalegre, já na fronteira.
Soult preparava os seus milhares de homens para uma fuga heróica, digna de um filme épico, com todos os ingredientes — temos de reconhecer, a avaliar pela descrição que o marechal francês faz, pormenorizadamente.
Os dias 16 e 17 de Maio foram vividos intensa e tragicamente por milhares de homens sob o comando de Soult. Veja-se a descrição de um combatente francês: «Tinha-se à rectaguarda um excelente regimento de infantaria ligeira (o 4.º de Infantaria Ligeira, um dos melhores do Exército Francês, segundo Oman), o qual, dada a natureza do terreno, poderia facilmente conter um exército inteiro: pois bem, à vista do inimigo debandou sem que o pudessem convencer a ficar.
A confusão que resultou deste pânico estarrecido foi espantosa. Infantes e cavaleiros precipitavam-se uns sobre os outros, atiravam fora as suas armas e lutavam para conseguir correr mais depressa.
A ponte estreita e sem parapeitos não podia satisfazer a impaciência dos fugitivos, que se empurravam de tal modo que um grande número de homens foram precipitados e afogados na torrente, ou esmagados sob as patas dos cavalos.
Se os Ingleses estivessem em estado de aproveitar este terror, não sei em verdade o que nos teria acontecido, de tal modo o medo é contagioso mesmo entre os mais bravos soldados»
Mas a sombra misericordiosa da noite veio pôr fim a este verdadeiro holocausto, e as restantes tropas do II Corpo puderam, mais acalmadas, continuar durante toda a noite a passar a fatídica Ponte da Misarela; Silveira e Wellesley suspenderam as operações de perseguição e ataque retaguarda de Soult.
Quando na manhã seguinte os perseguidores de Soult se aproximaram da Misarela, encontraram um espectáculo que lhes deu a dimensão do terror e da tragédia por que tinham passado os franceses:
"Homens e cavalos, animais decepados e bagagens, tinham sido despenhados no rio e juncavam literalmente o seu curso.
Aqui, nesta fatal companhia de morte e angústia, foi vomitado o resto do saque do Porto.
Toda a espécie de bens e de valores foram abandonados na estrada, enquanto mais de 300 cavalos boiavam na água e mulas ainda carregadas com bagagens foram içadas pelos granadeiros e pelas companhias ligeiras Guarda" (cf. AZEREDO, CARLOS, in “As populações a norte do Douro e os Franceses em 1808 e 1809”, Porto, 1984, ed. Museu Militar).
A última tropa de Soult a passar a Ponte da Misarela e a deixar aquele cenário de morte e horror, foi a brigada Reynaud da divisão Merle, entre as dez e a meia-noite de 16 para 17 de Maio; o Marechal Soult atingira Paradela, onde estabelecera o seu quartel-general e dois dias depois entrava na Galiza.
Os preparativos e a passagem da ponte de Misarela são uma história tão trágica quanto épica, só à altura de um grande militar — Soult — e de um grande povo — os portugueses. Fez ontem, 200 anos, já não havia franceses no Minho.
Franceses em Braga há 200 anos (11)

Por estes dias, há 200 anos, os ingleses organizavam a expulsão dos franceses do Norte de Portugal, sob o comando de Wellesley, a partir de 27 de Abril, com cerca de trinta mil homens, incluindo cerca de cinco mil cavaleiros e trinta bocas de fogo, numa altura em que o groso do exército estava perto de Tomar para impedir a entrada de Soult em Lisboa.
A 5 de Maio, os comandantes ingleses tinham treze mil soldados concentrados em Coimbra, preparando-se para marchar em direcção ao Norte, mais três mil alemães ao serviço dos ingleses, bem como seis mil portugueses e umas trinta peças de fogo. Estava em marcha uma acção de torneamento, por Viseu, Lamego e Régua, de modo a evitar a retirada dos franceses por Trás-os.Montes, onde pontificava o Brigadeiro Silveira, que conhecia como poucos aquelas terras.
É nestes dias que chega a notícia da perda de Amarante e os franceses podiam atravessar do rio Douro, em Entre-os-Rios. Beresford parte de imediato para a Régua e Wellesley para o Porto e no dia 10 acontece o combate de Albergaria, em que os franceses são repelidos, seguindo-se o combate de Grijó, no dia 11, onde os franceses são novamente derrotados, tendo recuado no dia seguinte para a margem Norte do rio Douro. Os franceses atravessam a Ponte das Barcas, que destruíram em seguida com uma explosão que aterrorizou os portuenses. A profundidade do Douro era uma barreira à entrada dos ingleses no Porto, desde a foz até ao desaguar do Tâmega.
Wellesley observa o rio Douro entre a foz e Avintes e verifica que os pontos e vigilância dos franceses eram afastados e frágeis, escolhendo o melhor espaço para o desembarque, mas só havia um barco estacionado na margem sul... Uma operação arriscada de um oficial inglês com ajuda de nativos traduz-se na travessia do rio para levar mais quatro barcos estacionados na margem Norte. Quando os franceses se aperceberam que os ingleses tinham atravessado o rio já era tarde e a tomada da cidade do Porto consumou-se e Soult dá ordem para abandonar a cidade e seguir em direcção a Amarante.
Só depois de reparada a Ponte das Barcas, operação que fez os ingleses perder um dia precioso mas os franceses não estavam em melhores condições: para sul do Douro era impossível sair, para norte a cadeia montanhosa que separa as bacias do Douro e do Ave, sem caminhos acessíveis às viaturas, e a Leste estavam as tropas de Beresford (entradas pela Régua) e de Silveira (a controlar toda a região de Trás-os-Montes.
A Soult restavam duas hipóteses de fuga, a partir de Amarante: ou rompia por Vila Real e Chaves e tinha de enfrentar os homens de Silveira; ou seguia para Guimarães, Braga e Chaves. As outras duas saídas eram impossíveis, pois tinha Wellesley no Porto e não havia estradas para passar a artilharia e viaturas entre Douro e Ave.
Militar de eleição, Soult manda reunir as viaturas e artilharia e manda-as destruir junto à ponte do rio Sousa, com uma enorme explosão. Era um sacrifício doloroso para um militar mas era a única possibilidade de salvar o máximo dos seus homens que reuniu em Pombeiro, entre Guimarães e Felgueiras. Na noite de 13 para 14 de Maio, tudo o que restava do exército de Soult estava em Guimarães.
Beresford ignorava qual a opção de Soult mas decide barrar-lhe o caminho entre Montalegre e Chaves, através dos homens do General Silveira que conhecia melhor o terreno, enquanto Beresford ocupava Chaves. Soult calculava — e bem — que Wellesley ocupava as estradas Porto-Barcelos-Braga e chegaria a Braga primeiro que ele. Sem capacidade para nova batalha — depois da explosão provocada no rio Sousa — Soult abandona a hipótese de vir de Guimarães para Braga e segue directamente para a Póvoa de Lanhoso, preparando-se para sair no sentido inverso ao que seguira na entrada em Portugal.
Neste dia 14 de Maio, as tropas portuguesas e inglesas estavam em Cavês — entre o rio Ave e o Tâmega. É quando Soult protagoniza um golpe de teatro para incutir moral nas suas tropas, entre as Taipas e a Póvoa de Lanhoso, Soult reúne todos os seus vinte mil homens numa zona de terreno em outeiro, dando-lhes a todos a impressão que estavam ainda vivos os 35 mil soldados e cinco mil cavalos que tinham entrado em Portugal.
Soult entrega a dianteira do exército ao espanhol Loison e ele seguia na rectaguarda para enfrentar eventual ataque de Wellesley, entre Lanhoso e Salamonde. É que no dia 15 de Maio, todo o exército anglo-português estava em Braga mas apenas um pequeno destacamento foi no encalço de Soult.
Os franceses não esperavam o que lhes ia acontecer nesta passagem entre a Póvoa de Lanhoso e Ruivães (Vieira do Minho), como descreveremos na próxima crónica.
Saturday, May 2, 2009
Franceses em Braga há 200 anos (10)

Por estes dias, há 200 anos, os ingleses organizavam a expulsão dos franceses do Norte de Portugal, sob o comando de Wellesley, a partir de 27 de Abril, com cerca de trinta mil homens, incluindo cerca de cinco mil cavaleiros e trinta bocas de fogo, numa altura em que o groso do exército estava perto de Tomar para impedir a entrada de Soult em Lisboa.
A 5 de Maio, os comandantes ingleses tinham treze mil soldados concentrados em Coimbra, preparando-se para marchar em direcção ao Norte, mais três mil alemães ao serviço dos ingleses, bem como seis mil portugueses e umas trinta peças de fogo. Estava em marcha uma acção de torneamento, por Viseu, Lamego e Régua, de modo a evitar a retirada dos franceses por Trás-os.Montes, onde pontificava o Brigadeiro Silveira, que conhecia como poucos aquelas terras.
É nestes dias que chega a notícia da perda de Amarante e os franceses podiam atravessar do rio Douro, em Entre-os-Rios. Beresford parte de imediato para a Régua e Wellesley para o Porto e no dia 10 acontece o combate de Albergaria, em que os franceses são repelidos, seguindo-se o combate de Grijó, no dia 11, onde os franceses são novamente derrotados, tendo recuado no dia seguinte para a margem Norte do rio Douro. Os franceses atravessam a Ponte das Barcas, que destruíram em seguida com uma explosão que aterrorizou os portuenses. A profundidade do Douro era uma barreira à entrada dos ingleses no Porto, desde a foz até ao desaguar do Tâmega.
(Foto extraída de "Nova História Militar Portuguesa"), ed. Círculo de Leitores, Lisboa.
Wellesley observa o rio Douro entre a foz e Avintes e verifica que os pontos e vigilância dos franceses eram afastados e frágeis, escolhendo o melhor espaço para o desembarque, mas só havia um barco estacionado na margem sul... Uma operação arriscada de um oficial inglês com ajuda de nativos traduz-se na travessia do rio para levar mais quatro barcos estacionados na margem Norte.
Quando os franceses se aperceberam que os ingleses tinham atravessado o rio já era tarde e a tomada da cidade do Porto consumou-se e Soult dá ordem para abandonar a cidade e seguir em direcção a Amarante.
Só depois de reparada a Ponte das Barcas, operação que fez os ingleses perder um dia precioso mas os franceses não estavam em melhores condições: para sul do Douro era impossível sair, para norte a cadeia montanhosa que separa as bacias do Douro e do Ave, sem caminhos acessíveis às viaturas, e a Leste estavam as tropas de Beresford (entradas pela Régua) e de Silveira (a controlar toda a região de Trás-os-Montes.
A Soult restavam duas hipóteses de fuga, a partir de Amarante: ou rompia por Vila Real e Chaves e tinha de enfrentar os homens de Silveira; ou seguia para Guimarães, Braga e Chaves. As outras duas saídas eram impossíveis, pois tinha Wellesley no Porto e não havia estradas para passar a artilharia e viaturas entre Douro e Ave.
Militar de eleição, Soult manda reunir as viaturas e artilharia e manda-as destruir junto à ponte do rio Sousa, com uma enorme explosão. Era um sacrifício doloroso para um militar mas era a única possibilidade de salvar o máximo dos seus homens que reuniu em Pombeiro, entre Guimarães e Felgueiras. Na noite de 13 para 14 de Maio, tudo o que restava do exército de Soult estava em Guimarães.
Beresford ignorava qual a opção de Soult mas decide barrar-lhe o caminho entre Montalegre e Chaves, através dos homens do General Silveira que conhecia melhor o terreno, enquanto Beresford ocupava Chaves. Soult calculava — e bem — que Wellesley ocupava as estradas Porto-Barcelos-Braga e chegaria a Braga primeiro que ele.
Sem capacidade para nova batalha — depois da explosão provocada no rio Sousa — Soult abandona a hipótese de vir de Guimarães para Braga e segue directamente para a Póvoa de Lanhoso, preparando-se para sair no sentido inverso ao que seguira na entrada em Portugal.
Neste dia 14 de Maio, as tropas portuguesas e inglesas estavam em Cavês — entre o rio Ave e o Tâmega. É quando Soult protagoniza um golpe de teatro para incutir moral nas suas tropas, entre as Taipas e a Póvoa de Lanhoso, Soult reúne todos os seus vinte mil homens numa zona de terreno em outeiro, dando-lhes a todos a impressão que estavam ainda vivos os 35 mil soldados e cinco mil cavalos que tinham entrado em Portugal.
Soult entrega a dianteira do exército ao espanhol Loison e ele seguia na rectaguarda para enfrentar eventual ataque de Wellesley, entre Lanhoso e Salamonde. É que no dia 15 de Maio, todo o exército anglo-português estava em Braga mas apenas um pequeno destacamento foi no encalço de Soult.
Os franceses não esperavam o que lhes ia acontecer nesta passagem entre a Póvoa de Lanhoso e Ruivães (Vieira do Minho), como descreveremos futuramente.
Braga: aproveitou-se um dos que elegemos

Na véspera de mais um Dia do Trabalhador, num país com menos trabalho, os partidos políticos portugueses acabam de dar mais uma prova de total falta de decoro e desrespeito perante a situação de aperto em que vive a maioria dos portugueses. É uma lei rápida, unânime e votada à porta fechada na especialidade e só um deputado sentiu vergonha em participar nesta aventura porque, quando se trata de dinheiro, é tudo igual, da direita à esquerda. A excepção — com um voto contra — é um deputado eleito pelos bracarenses. António José Seguro, ao qual se junto, com uma abstenção, Matilde Sousa Franco.
Que vão dizer da nova lei de financiamento dos partidos os cerca de dois milhões de portugueses que vivem no limiar da pobreza ou como olharão para os partidos políticos os cerca de meio milhão de portugueses desempregados.
Não quero imaginar os seus comentários, porque muitos deles devem ser intranscritíveis.
É que a nova lei do financiamento partidário, agora aprovada na especialidade, alargou para o dobro os valores que os partidos políticos podem receber em iniciativas de angariação de fundos, contrariando o apelo do Presidente da República no dia 25 de Abril para gastos discretos nas campanhas eleitorais que não insultem a inteligência dos portugueses nos tempos de crise financeira e económica que se abateu sobre a imensa maioria.
Esperavam os portugueses que os partidos ouvissem o apelo do mais alto magistrado da Nação, mas como somos um bando de tontos por ainda acreditar que isso é possível quando os partidos discutem o dinheiro que entra nos seus cofres, para além daquele que sai do orçamento do estado.
A nova lei não apenas alarga como duplica os valores que os partidos podem receber em angariações de fundos. Feitas as contas, a valores de 2008, o limite legal passou de 639 mil euros por ano para o dobro - 1.280.000 euros. O PCP não ficou contente porque queria 1,8 milhões de euros.
O que é ainda mais estranho é que este tenha sido o valor afastado do que o PCP tinha proposto. mais do dobro, face ao que estava estabelecido na lei de 2003, contra o qual se bateu o Partido Socialista ao considerar que o PCP ultrapassava o razoável. A proposta do PCP não tinha em conta os interesses do país mas a defesa da sua Festa do Avante e das suas quotas em dinheiro.
Outra das alterações aprovada é a possibilidade de considerar receita de campanha "donativos de pessoas singulares apoiantes das candidaturas", o que até agora só era permitido para as eleições presidenciais e de movimentos de cidadãos às autarquias locais.
Esta lei abre a porta a um maior financiamento privado e que reduz a uma montanha de hipocrisia todas as campanhas dos partidos políticos, sem excepção, infelizmente, de combate à corrupção que está umbilicalmente ligada ao financiamento dos partidos.
Se até agora as receitas de quotas ou de angariação de fundos só residualmente poderiam ser recebidas em dinheiro "vivo", esta situação vai mudar: o valor máximo de 22 500 euros permitido pela actual lei dá lugar a um número com foros de escândalo — nada menos que 1,257 milhões de euros.
Quando uma lei destas é votada à porta fechada, estamos esclarecidos sobre a transparência com que os dirigentes dos partidos enchem os discursos. Que sentido fazem todos os discursos contra o enriquecimento ilícito, contra a corrupção e contra o tráfico de influências? Nenhum para ninguém.
É de estranhar tanta rapidez e consenso... e os portugueses sempre se inquietam sobre o que fica das campanhas tradicionais. Pouco mais fica, além da contaminação com plásticos, papel, ruído, emissões, e acima de tudo contaminação de verborreia e bla-bla-blá que pouco esclarece e mais confunde.
Nos tempos que os portugueses vivem, quase todos os outros gastos são supérfluos, despropositados e um esbanjar inútil, estúpido e ofensivo de dinheiro que é preciso na saúde, na protecção do emprego e dos idosos, na educação ou, porque não, na limpeza do lixo das estradas para o qual as campamhas eleitorais muito contribuem.
Estranho unanimismo numa lei, quando alguns partidos gritam contra as maiorias absolutas mas comem e calam quando se trata de receberem mais dinheiro.
Agora, resta esperar que amanhã venham por aí abaixo — como já vieram — estes iluminados do Terreiro do Paço insultar os autóctones porque votam em autarcas de dignidade suspeita e de suspeita transparência. Cá estaremos para lhes abrir o crânio e avivar a memória de virgens prostituídas.
Futebol de sete: Meninos de Braga "grandes" na Galiza

“O Boladas” e a selecção de Braga, na classe de pré-benjamins (para meninos nascidos em 2001), em futebol de sete, dignificaram o Minho no Torneio de Santa Mariña, em Vigo, num torneio que envolveu treze equipas da Galiza, na sua maioria campeãs concelhias.
Esteve ao seu melhor nível a participação de Braga (com duas equipas) no V Torneio Galaico-Português de pré-Benjamins, (oito anos) em futebol de sete, realizado sexta-feira em Santa Mariña, Vigo, com a participação de 15 equipas. A Selecção de Braga foi vítima do seu erro — ao chegar atrasada — e ser penalizada com uma derrota 3-0 por falta de comparência no jogo com a equipa B do clube organizador.
O Boladas teve um excelente comportamento e só foi derrotado na final enquanto a selecção de Braga, com apenas dois treinos, chegou ao quinto lugar, ex-aequo com Moañeza, Nigrán e Ponte Ourense.
A pesar de serem apenas duas, as equipas de Braga, concentravam as atenções dos vários milhares de galegos que, ao longo do dia foram passando pelas bancadas do recinto de jogos da Union Desportiva Santa Mariña, cuja capacidade de organização esteve numa fasquia elevada. Nada falhou nem mesmo a aplicação de uma derrota na secretaria à Selecção de Braga por chegar atrasada ao primeiro jogo.
A selecção de Braga, orientada por Fernando Pires, não se intimidou e venceu os jogos todos da fase preliminar, classificando-se em primeiro lugar do grupo A.
Com jogos de 25 minutos, a Selecção de Braga, venceu a equipa de Ponte Ourense, depois derrotou a representação de Rapid de Aldán e apurou-se com um jogo muito difícil e emotivo com os meninos de Val Minor.

Por sua vez, a equipa de O Boladas, após perder primeiro jogo com S. Mariña A, entrou a “matar” com uma vitória folgada sobre o Lalin, mas sucumbiu diante do Crucero de Hio, reabilitando-se diante do Vigo 2015.
Realizados os jogos preliminares, a Selecção de Braga afirmava-se no primeiro lugar do grupo A, com o Ponte Ourense, ao passo que o Grupo B era dominado pelos campeões (Crucero de Hio, S. Mariña A e O Boladas). No grupo C, Moañeza, Nigrán e O Condado eram apurados para a fase final.
Nos quartos de final, a Selecção de Braga não conseguiu ultrapassar o estigma de estar a perder pela primeira vez no torneio. Os miúdos — que tinham falhado três oportunidades claras de golo na primeira parte — enervaram-se com o golo sofrido e não conseguiram anular a desvantagem, perdendo por 1-0 com a equipa da casa que já havia batido na fase preliminar O Boladas.
Por sua vez, O Boladas ultrapassou o Moañeza num exclente jogo e vingou, nas meias-finais, a derrota da fase preliminar afastando a equipa da casa por 2-0.
Os miúdos pagaram caro este esforço (seis jogos) na final diante da poderosa equipa do Crucero de Hio que fez três golos em cinco minutos.

RESULTADOS
Fase de Grupos
S. Mariña-Val Minor, 1-6
O Condado-Moañeza, 2-1
Crucero de Hio-Lalin, 7-0
S. Marina B-Braga, 3-0*
O Condade-O Grove, 1-1
Ponte Ourense-Braga, 0-1
Vigo 2015-Crucero Hio, 0-7
Ribeiro- O Grove, 2-3
S. Marina A-Crucero, 1-1
S. Marina A-Vigo 2015, 3-0
Rap. Aldan-P. Ourense, 1-3
Nigrán-Ribeiro, 6-0
S. Marina A- O Boladas, 2-1
Val Minor-Rap. Aldan, 2-2
Lalin-O Boladas, 0-6
Moañeza-Nigrán, 4-2
S. Marina B- R. Aldán, 0-8
O Condado-Nigrán, 0-2
Vale Minor.P. Ourense, 1-3
Moañeza-Ribeiro, 5-0
Crucero Hio-O Boladas, 1-0
S. Marina B-P. Ourense, 0-8
Condado-Ribeiro, 5-0
Vigo 2015-O Boladas, 0-7
Vigo 2015-Lalin, 0-4
Rap. Aldán-Braga, 1-2
Nigrán-O Grove, 2-0
Val Minor-Braga, 2-3
S. Marina A-Lalin, 7-0
Moañeza- O Grove, 5-0
QUARTOS DE FINAL
Braga-S. Marina A, 0-1
Moañeza-O Boladas, 3-4
P. Ourense-Condado, 1-3
Crucero Hio-Nigrán, 4-1
MEIAS FINAIS
Condado-Crucero Hio, 1-2
O Boladas- S. Marina A, 2-0
FINAL
Crucero de Hio, 4
O Boladas, 1
Saturday, April 18, 2009
Pedralva: 30 anos a alimentar Braga com pão de qualidade

"Como na minha terra, Pedralva, não havia padaria nenhuma, e o pão ia de Braga, comprei um terreno e ali nasceram as padarias Pedralva, há 30 anos" — revela Belarmino Oliveira da Silva, um dos fundadores desta empresa de Panificação que celebra hoje o dia da sua fundação.
Belarmino Silva já era um grande empresário em Moçambique, mas, em Abril de 1978, com aquele país em convulsão social e política, pensa em retomar a vida em Braga, depois de abandonar uma primeira inclinação pelo Brasil.
Por este mês, os clientes das padarias Pedralva vão ter algumas prendas para assinalar os trinta anos da sua fundação.
Depois de andar por Portugal, este antigo armazenista de vendas por grosso e retalho de mercearias na Beira, pensa que esse ramo não era o melhor para Portugal porque ia empregar pouca gente.
"Construí tudo de raíz, com duas moradias e foi um sucesso. Começamos três trabalhadores, um meu irmão Albano, um meu cunhado António e um trabalhador" nos primeiros três anos, até ao regresso definitivo, em 1982, de Belarmino Silva das terras moçambicanas.
A primeira loja que abriu em Braga foi no Centro Comercial Galécia, em Junho de 1983, com pão que vinha da sede e mercearia que, era um bom negócio, pois não havia grandes superfícies.
"Vendíamos muita mercearia e foi um sucesso a abertura dessa loja. Depois abrimos no Centro Lafayette e seguiu-se a primeira loja de pão quente em Braga, na Rua de S. André. Daí continuamos sempre a abrir lojas." —recorda Belarmino Silva.
A Loja da rua de S. André "foi um marco muito importante na nossa empresa. Foi um grande sucesso por ter o pão quente com cafetaria. Foi uma estreia em Braga".
"Pode-se dizer que foi uma mina. Vendeu-se muito pão e ganhou-se muito dinheiro. Foi um dos maiores sucessos da minha vida. Nós chegamos a vender na rua S. André vinte e cinco mil pães por dia".
Seguiram-se lojas (a quarta) na Póvoa de Lanhoso — que ainda hoje é uma grande loja — num total de onze, nove na cidade de Braga, nas novas urbanizações, e a sede em Pedralva e duas na Póvoa de Lanhoso.
A empresa cresceu muito e "eu também já estava um bocado cansado. Chegamos a um acordo e dividimos as lojas pelos sócios, em 2001. Ficamos com quatro lojas e os outros sócios ficaram com elas".
"Tem havido sempre uma boa compreensão entre todos nós" e mesmo os problemas surgidos no final da década de 90 foram internamente ultrapassados" — reconhece Belarmino Silva, ao falar da relação empresarial com os seus antigos sócios. "Todos hoje têm as suas casas e vivem bem".
Dizer que o consumo de pão está a diminuir "não corresponde à verdade. Nós vendemos menos pão porque há mais concorrência e quando começamos havia pouca concorrência. Hoje há muitos sítios com pão quente. Há mais gente a vender pão mas o consumo mantém-se" — assegura Belarmino Silva.
Para este industrial de panificação, "há uma regra para a quantidade de sal no pão e não se pode colocar mais que essa regra. O pão é saudável e é o melhor alimento que nós temos", pelo que não é legítimo dizer que o "pão tem sal a mais em Portugal".
Em crise, desde há alguns anos, está o sector de fabrico de bolos: "este sector diminuiu muito" porque as pessoas "não querem ser gordas" e os custos subiram muito e, por exemplo, nos bolos de aniversário, vende-se muito menos que há uns anos atrás. "Aí a queda foi grande. Nós tínhamos pasteleiros, fazíamos muitos bolos e hoje não temos e preferimos comprar alguns bolos fora e fabricamos poucos".
A abertura de uma nova loja — a sexta das Padarias Pedralva — no centro histórico de Braga foi "um sonho que eu tinha há muitos anos e chegou a altura de concretizar esse sonho. É uma loja com muito boas condições, está muito bem centrada e eu gosto muito dela".
Naquela loja da rua D. Diogo de Sousa, junto à Igreja da Misericórida, "temos todas as qualidades de bolos, o pão quente a toda a hora e estamos muito contentes. Temos toda a variedade de cafetaria e temo um restaurante bom, pequenino mas muito agradável e estamos a trabalhar muito bem com satisfação para os nossos cientes".
Actualmente, com trinta trabalhadores, as padarias Pedralva produzem uma média de 15 mil pães por dia, um "número razoável", sendo a maior parte para as "nossas lojas porque queremos manter uma boa qualidade de pão. Estamos a vender a onze cêntimos e numa dúzia oferecemos dois pães e em meia dúzia oferecemos um pão".
Os empresários do sector têm vindo nos últimos tempos a defender um aumento do preço do pão devido aos custos de produção, posição que é contrariada por Belarmino Silva. "Nós assumimos que não aumentávamos o pão nos nossos seis pontos de venda durante este ano todo".
DE PEDRALVA
PARA MOÇAMBIQUE
Nascido em Pedralva, em 1937, Belarmino Silva teve uma infância difícil e aos "quatro anos já ia com as ovelhas para o monte". Depois da escola, onde "era um bom aluno" a ponto do professor e pai quererem que seguisse os estudos. "Eu gostava de estudar mas também gostava de ganhar dinheiro. O primeiro trabalho foi com o meu pai, aos 10 anos, a trabalhar de carpinteiro e a ganhar cinco escudos por dia, mas fiquei muito triste com o primeiro salário, porque contava ganhar mais".
Continuou algum tempo até arranjar outro emprego, na Venda Nova, a trabalhar na estrada para Paradela do Rio, onde ganhava "muito mais dinheiro. Quando recebi a primeira quinzena, deram-me 25 escudos por dia. Fiquei muito contente porque ganhava tanto como um adulto, embora fosse um rapazito. Andei ali uns poucos de anos".
Como não quis ir para Trás-os Montes, foi para Lisboa que "foi a minha terra de sorte, foi a cidade que eu mais gostei. Ganhei muito dinheiro lá, numa mercearia para levar as mercadorias ás casas das senhoras, mas em pouco tempo já tomava conta da mercearia".
Depois arranjou um emprego nos jardins do parque Eduardo VII, como funcionário municipal, mas nas horas vagas trabalhava como empregado de mesa na feira popular e nos campos de futebol. "No inverno vendia chocolates e rebuçados e no Verão gelados, à porta dos estádios da Luz e de Alvalade" até que chegou a idade do serviço militar e ficou apurado, tendo ficado em Braga na especialidade de transmissões e "foi das coisas mais bonitas que eu tive na minha vida e pedi para continuar" até ir para Moçambique.
A ida para Moçambique, em 1958, fica a dever-se a uma ideia antiga de emigrar "porque Portugal sempre foi um país pobre". na altura namorava para uma rapariga que tinha uns tios em Moçambique. Uma altura esses tios vieram cá, eu pedia a ela para falar com eles e eles"levaram-me para Moçambique", para a cidade da Beira, onde tinha "duas pessoas à minha espera. Ambas queiram que eu fosse com elas, mas eu acabei por ficar na cidade da Beira, com o compadre Correia, ainda vivo que está cá em Braga, que ainda hoje é uma pessoa muito minha amiga".
Depois do primeiro emprego — porque a ideia era trabalhar de carpinteiro na construção civil— no comércio, a partir de 24 de Maio de 1960, numa mercearia. Depois foi para uma pastelaria com restaurante, mas durante oito meses mudou três vezes de emprego, "sempre para melhor, a ganhar mais". Ao fim de oito meses "comecei a trabalhar por minha conta. Comprei uma carrinha e comecei a vender frutas tropicais, bananas, laranjas, tangerinas. O meu sucesso foi muito rápido, casei por procuração e a minha mulher ela foi lá passado algum tempo. Comprei uma casa que era uma peixaria e ela foi trabalhar para essa casa e eu continuava na fruta. depois comprei um terreno, fiz um armazém e em 1968 já era um grande armazenista que importava e exportava e estava cheio de dinheiro".
Até 1979 "foi um sucesso enorme, tinha um grande armazém tinha prédios e depois foi tudo nacionalizado, excepto o armazém e uma casa para viver".
Começou a "não haver nada e os meus filhos tiveram de vir para Portugal. Continuei lá, fui sempre bem tratado. Não tenho que dizer mal excepto a nacionalização de quase tudo o que tinha."
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