Wednesday, May 20, 2009

Franceses em Braga há 200 anos (11)



Por estes dias, há 200 anos, os ingleses organizavam a expulsão dos franceses do Norte de Portugal, sob o comando de Wellesley, a partir de 27 de Abril, com cerca de trinta mil homens, incluindo cerca de cinco mil cavaleiros e trinta bocas de fogo, numa altura em que o groso do exército estava perto de Tomar para impedir a entrada de Soult em Lisboa.

A 5 de Maio, os comandantes ingleses tinham treze mil soldados concentrados em Coimbra, preparando-se para marchar em direcção ao Norte, mais três mil alemães ao serviço dos ingleses, bem como seis mil portugueses e umas trinta peças de fogo. Estava em marcha uma acção de torneamento, por Viseu, Lamego e Régua, de modo a evitar a retirada dos franceses por Trás-os.Montes, onde pontificava o Brigadeiro Silveira, que conhecia como poucos aquelas terras.

É nestes dias que chega a notícia da perda de Amarante e os franceses podiam atravessar do rio Douro, em Entre-os-Rios. Beresford parte de imediato para a Régua e Wellesley para o Porto e no dia 10 acontece o combate de Albergaria, em que os franceses são repelidos, seguindo-se o combate de Grijó, no dia 11, onde os franceses são novamente derrotados, tendo recuado no dia seguinte para a margem Norte do rio Douro. Os franceses atravessam a Ponte das Barcas, que destruíram em seguida com uma explosão que aterrorizou os portuenses. A profundidade do Douro era uma barreira à entrada dos ingleses no Porto, desde a foz até ao desaguar do Tâmega.

Wellesley observa o rio Douro entre a foz e Avintes e verifica que os pontos e vigilância dos franceses eram afastados e frágeis, escolhendo o melhor espaço para o desembarque, mas só havia um barco estacionado na margem sul... Uma operação arriscada de um oficial inglês com ajuda de nativos traduz-se na travessia do rio para levar mais quatro barcos estacionados na margem Norte. Quando os franceses se aperceberam que os ingleses tinham atravessado o rio já era tarde e a tomada da cidade do Porto consumou-se e Soult dá ordem para abandonar a cidade e seguir em direcção a Amarante.

Só depois de reparada a Ponte das Barcas, operação que fez os ingleses perder um dia precioso mas os franceses não estavam em melhores condições: para sul do Douro era impossível sair, para norte a cadeia montanhosa que separa as bacias do Douro e do Ave, sem caminhos acessíveis às viaturas, e a Leste estavam as tropas de Beresford (entradas pela Régua) e de Silveira (a controlar toda a região de Trás-os-Montes.

A Soult restavam duas hipóteses de fuga, a partir de Amarante: ou rompia por Vila Real e Chaves e tinha de enfrentar os homens de Silveira; ou seguia para Guimarães, Braga e Chaves. As outras duas saídas eram impossíveis, pois tinha Wellesley no Porto e não havia estradas para passar a artilharia e viaturas entre Douro e Ave.

Militar de eleição, Soult manda reunir as viaturas e artilharia e manda-as destruir junto à ponte do rio Sousa, com uma enorme explosão. Era um sacrifício doloroso para um militar mas era a única possibilidade de salvar o máximo dos seus homens que reuniu em Pombeiro, entre Guimarães e Felgueiras. Na noite de 13 para 14 de Maio, tudo o que restava do exército de Soult estava em Guimarães.

Beresford ignorava qual a opção de Soult mas decide barrar-lhe o caminho entre Montalegre e Chaves, através dos homens do General Silveira que conhecia melhor o terreno, enquanto Beresford ocupava Chaves. Soult calculava — e bem — que Wellesley ocupava as estradas Porto-Barcelos-Braga e chegaria a Braga primeiro que ele. Sem capacidade para nova batalha — depois da explosão provocada no rio Sousa — Soult abandona a hipótese de vir de Guimarães para Braga e segue directamente para a Póvoa de Lanhoso, preparando-se para sair no sentido inverso ao que seguira na entrada em Portugal.

Neste dia 14 de Maio, as tropas portuguesas e inglesas estavam em Cavês — entre o rio Ave e o Tâmega. É quando Soult protagoniza um golpe de teatro para incutir moral nas suas tropas, entre as Taipas e a Póvoa de Lanhoso, Soult reúne todos os seus vinte mil homens numa zona de terreno em outeiro, dando-lhes a todos a impressão que estavam ainda vivos os 35 mil soldados e cinco mil cavalos que tinham entrado em Portugal.

Soult entrega a dianteira do exército ao espanhol Loison e ele seguia na rectaguarda para enfrentar eventual ataque de Wellesley, entre Lanhoso e Salamonde. É que no dia 15 de Maio, todo o exército anglo-português estava em Braga mas apenas um pequeno destacamento foi no encalço de Soult.

Os franceses não esperavam o que lhes ia acontecer nesta passagem entre a Póvoa de Lanhoso e Ruivães (Vieira do Minho), como descreveremos na próxima crónica.

Saturday, May 2, 2009

Franceses em Braga há 200 anos (10)



Por estes dias, há 200 anos, os ingleses organizavam a expulsão dos franceses do Norte de Portugal, sob o comando de Wellesley, a partir de 27 de Abril, com cerca de trinta mil homens, incluindo cerca de cinco mil cavaleiros e trinta bocas de fogo, numa altura em que o groso do exército estava perto de Tomar para impedir a entrada de Soult em Lisboa.

A 5 de Maio, os comandantes ingleses tinham treze mil soldados concentrados em Coimbra, preparando-se para marchar em direcção ao Norte, mais três mil alemães ao serviço dos ingleses, bem como seis mil portugueses e umas trinta peças de fogo. Estava em marcha uma acção de torneamento, por Viseu, Lamego e Régua, de modo a evitar a retirada dos franceses por Trás-os.Montes, onde pontificava o Brigadeiro Silveira, que conhecia como poucos aquelas terras.

É nestes dias que chega a notícia da perda de Amarante e os franceses podiam atravessar do rio Douro, em Entre-os-Rios. Beresford parte de imediato para a Régua e Wellesley para o Porto e no dia 10 acontece o combate de Albergaria, em que os franceses são repelidos, seguindo-se o combate de Grijó, no dia 11, onde os franceses são novamente derrotados, tendo recuado no dia seguinte para a margem Norte do rio Douro. Os franceses atravessam a Ponte das Barcas, que destruíram em seguida com uma explosão que aterrorizou os portuenses. A profundidade do Douro era uma barreira à entrada dos ingleses no Porto, desde a foz até ao desaguar do Tâmega.

(Foto extraída de "Nova História Militar Portuguesa"), ed. Círculo de Leitores, Lisboa.

Wellesley observa o rio Douro entre a foz e Avintes e verifica que os pontos e vigilância dos franceses eram afastados e frágeis, escolhendo o melhor espaço para o desembarque, mas só havia um barco estacionado na margem sul... Uma operação arriscada de um oficial inglês com ajuda de nativos traduz-se na travessia do rio para levar mais quatro barcos estacionados na margem Norte.

Quando os franceses se aperceberam que os ingleses tinham atravessado o rio já era tarde e a tomada da cidade do Porto consumou-se e Soult dá ordem para abandonar a cidade e seguir em direcção a Amarante.

Só depois de reparada a Ponte das Barcas, operação que fez os ingleses perder um dia precioso mas os franceses não estavam em melhores condições: para sul do Douro era impossível sair, para norte a cadeia montanhosa que separa as bacias do Douro e do Ave, sem caminhos acessíveis às viaturas, e a Leste estavam as tropas de Beresford (entradas pela Régua) e de Silveira (a controlar toda a região de Trás-os-Montes.

A Soult restavam duas hipóteses de fuga, a partir de Amarante: ou rompia por Vila Real e Chaves e tinha de enfrentar os homens de Silveira; ou seguia para Guimarães, Braga e Chaves. As outras duas saídas eram impossíveis, pois tinha Wellesley no Porto e não havia estradas para passar a artilharia e viaturas entre Douro e Ave.

Militar de eleição, Soult manda reunir as viaturas e artilharia e manda-as destruir junto à ponte do rio Sousa, com uma enorme explosão. Era um sacrifício doloroso para um militar mas era a única possibilidade de salvar o máximo dos seus homens que reuniu em Pombeiro, entre Guimarães e Felgueiras. Na noite de 13 para 14 de Maio, tudo o que restava do exército de Soult estava em Guimarães.

Beresford ignorava qual a opção de Soult mas decide barrar-lhe o caminho entre Montalegre e Chaves, através dos homens do General Silveira que conhecia melhor o terreno, enquanto Beresford ocupava Chaves. Soult calculava — e bem — que Wellesley ocupava as estradas Porto-Barcelos-Braga e chegaria a Braga primeiro que ele.

Sem capacidade para nova batalha — depois da explosão provocada no rio Sousa — Soult abandona a hipótese de vir de Guimarães para Braga e segue directamente para a Póvoa de Lanhoso, preparando-se para sair no sentido inverso ao que seguira na entrada em Portugal.

Neste dia 14 de Maio, as tropas portuguesas e inglesas estavam em Cavês — entre o rio Ave e o Tâmega. É quando Soult protagoniza um golpe de teatro para incutir moral nas suas tropas, entre as Taipas e a Póvoa de Lanhoso, Soult reúne todos os seus vinte mil homens numa zona de terreno em outeiro, dando-lhes a todos a impressão que estavam ainda vivos os 35 mil soldados e cinco mil cavalos que tinham entrado em Portugal.

Soult entrega a dianteira do exército ao espanhol Loison e ele seguia na rectaguarda para enfrentar eventual ataque de Wellesley, entre Lanhoso e Salamonde. É que no dia 15 de Maio, todo o exército anglo-português estava em Braga mas apenas um pequeno destacamento foi no encalço de Soult.

Os franceses não esperavam o que lhes ia acontecer nesta passagem entre a Póvoa de Lanhoso e Ruivães (Vieira do Minho), como descreveremos futuramente.

Braga: aproveitou-se um dos que elegemos




Na véspera de mais um Dia do Trabalhador, num país com menos trabalho, os partidos políticos portugueses acabam de dar mais uma prova de total falta de decoro e desrespeito perante a situação de aperto em que vive a maioria dos portugueses. É uma lei rápida, unânime e votada à porta fechada na especialidade e só um deputado sentiu vergonha em participar nesta aventura porque, quando se trata de dinheiro, é tudo igual, da direita à esquerda. A excepção — com um voto contra — é um deputado eleito pelos bracarenses. António José Seguro, ao qual se junto, com uma abstenção, Matilde Sousa Franco.

Que vão dizer da nova lei de financiamento dos partidos os cerca de dois milhões de portugueses que vivem no limiar da pobreza ou como olharão para os partidos políticos os cerca de meio milhão de portugueses desempregados.
Não quero imaginar os seus comentários, porque muitos deles devem ser intranscritíveis.

É que a nova lei do financiamento partidário, agora aprovada na especialidade, alargou para o dobro os valores que os partidos políticos podem receber em iniciativas de angariação de fundos, contrariando o apelo do Presidente da República no dia 25 de Abril para gastos discretos nas campanhas eleitorais que não insultem a inteligência dos portugueses nos tempos de crise financeira e económica que se abateu sobre a imensa maioria.

Esperavam os portugueses que os partidos ouvissem o apelo do mais alto magistrado da Nação, mas como somos um bando de tontos por ainda acreditar que isso é possível quando os partidos discutem o dinheiro que entra nos seus cofres, para além daquele que sai do orçamento do estado.

A nova lei não apenas alarga como duplica os valores que os partidos podem receber em angariações de fundos. Feitas as contas, a valores de 2008, o limite legal passou de 639 mil euros por ano para o dobro - 1.280.000 euros. O PCP não ficou contente porque queria 1,8 milhões de euros.

O que é ainda mais estranho é que este tenha sido o valor afastado do que o PCP tinha proposto. mais do dobro, face ao que estava estabelecido na lei de 2003, contra o qual se bateu o Partido Socialista ao considerar que o PCP ultrapassava o razoável. A proposta do PCP não tinha em conta os interesses do país mas a defesa da sua Festa do Avante e das suas quotas em dinheiro.

Outra das alterações aprovada é a possibilidade de considerar receita de campanha "donativos de pessoas singulares apoiantes das candidaturas", o que até agora só era permitido para as eleições presidenciais e de movimentos de cidadãos às autarquias locais.

Esta lei abre a porta a um maior financiamento privado e que reduz a uma montanha de hipocrisia todas as campanhas dos partidos políticos, sem excepção, infelizmente, de combate à corrupção que está umbilicalmente ligada ao financiamento dos partidos.

Se até agora as receitas de quotas ou de angariação de fundos só residualmente poderiam ser recebidas em dinheiro "vivo", esta situação vai mudar: o valor máximo de 22 500 euros permitido pela actual lei dá lugar a um número com foros de escândalo — nada menos que 1,257 milhões de euros.

Quando uma lei destas é votada à porta fechada, estamos esclarecidos sobre a transparência com que os dirigentes dos partidos enchem os discursos. Que sentido fazem todos os discursos contra o enriquecimento ilícito, contra a corrupção e contra o tráfico de influências? Nenhum para ninguém.

É de estranhar tanta rapidez e consenso... e os portugueses sempre se inquietam sobre o que fica das campanhas tradicionais. Pouco mais fica, além da contaminação com plásticos, papel, ruído, emissões, e acima de tudo contaminação de verborreia e bla-bla-blá que pouco esclarece e mais confunde.

Nos tempos que os portugueses vivem, quase todos os outros gastos são supérfluos, despropositados e um esbanjar inútil, estúpido e ofensivo de dinheiro que é preciso na saúde, na protecção do emprego e dos idosos, na educação ou, porque não, na limpeza do lixo das estradas para o qual as campamhas eleitorais muito contribuem.

Estranho unanimismo numa lei, quando alguns partidos gritam contra as maiorias absolutas mas comem e calam quando se trata de receberem mais dinheiro.

Agora, resta esperar que amanhã venham por aí abaixo — como já vieram — estes iluminados do Terreiro do Paço insultar os autóctones porque votam em autarcas de dignidade suspeita e de suspeita transparência. Cá estaremos para lhes abrir o crânio e avivar a memória de virgens prostituídas.

Futebol de sete: Meninos de Braga "grandes" na Galiza



“O Boladas” e a selecção de Braga, na classe de pré-benjamins (para meninos nascidos em 2001), em futebol de sete, dignificaram o Minho no Torneio de Santa Mariña, em Vigo, num torneio que envolveu treze equipas da Galiza, na sua maioria campeãs concelhias.

Esteve ao seu melhor nível a participação de Braga (com duas equipas) no V Torneio Galaico-Português de pré-Benjamins, (oito anos) em futebol de sete, realizado sexta-feira em Santa Mariña, Vigo, com a participação de 15 equipas. A Selecção de Braga foi vítima do seu erro — ao chegar atrasada — e ser penalizada com uma derrota 3-0 por falta de comparência no jogo com a equipa B do clube organizador.

O Boladas teve um excelente comportamento e só foi derrotado na final enquanto a selecção de Braga, com apenas dois treinos, chegou ao quinto lugar, ex-aequo com Moañeza, Nigrán e Ponte Ourense.

A pesar de serem apenas duas, as equipas de Braga, concentravam as atenções dos vários milhares de galegos que, ao longo do dia foram passando pelas bancadas do recinto de jogos da Union Desportiva Santa Mariña, cuja capacidade de organização esteve numa fasquia elevada. Nada falhou nem mesmo a aplicação de uma derrota na secretaria à Selecção de Braga por chegar atrasada ao primeiro jogo.

A selecção de Braga, orientada por Fernando Pires, não se intimidou e venceu os jogos todos da fase preliminar, classificando-se em primeiro lugar do grupo A.

Com jogos de 25 minutos, a Selecção de Braga, venceu a equipa de Ponte Ourense, depois derrotou a representação de Rapid de Aldán e apurou-se com um jogo muito difícil e emotivo com os meninos de Val Minor.



Por sua vez, a equipa de O Boladas, após perder primeiro jogo com S. Mariña A, entrou a “matar” com uma vitória folgada sobre o Lalin, mas sucumbiu diante do Crucero de Hio, reabilitando-se diante do Vigo 2015.

Realizados os jogos preliminares, a Selecção de Braga afirmava-se no primeiro lugar do grupo A, com o Ponte Ourense, ao passo que o Grupo B era dominado pelos campeões (Crucero de Hio, S. Mariña A e O Boladas). No grupo C, Moañeza, Nigrán e O Condado eram apurados para a fase final.

Nos quartos de final, a Selecção de Braga não conseguiu ultrapassar o estigma de estar a perder pela primeira vez no torneio. Os miúdos — que tinham falhado três oportunidades claras de golo na primeira parte — enervaram-se com o golo sofrido e não conseguiram anular a desvantagem, perdendo por 1-0 com a equipa da casa que já havia batido na fase preliminar O Boladas.

Por sua vez, O Boladas ultrapassou o Moañeza num exclente jogo e vingou, nas meias-finais, a derrota da fase preliminar afastando a equipa da casa por 2-0.

Os miúdos pagaram caro este esforço (seis jogos) na final diante da poderosa equipa do Crucero de Hio que fez três golos em cinco minutos.



RESULTADOS

Fase de Grupos

S. Mariña-Val Minor, 1-6
O Condado-Moañeza, 2-1
Crucero de Hio-Lalin, 7-0
S. Marina B-Braga, 3-0*
O Condade-O Grove, 1-1
Ponte Ourense-Braga, 0-1
Vigo 2015-Crucero Hio, 0-7
Ribeiro- O Grove, 2-3
S. Marina A-Crucero, 1-1
S. Marina A-Vigo 2015, 3-0
Rap. Aldan-P. Ourense, 1-3
Nigrán-Ribeiro, 6-0
S. Marina A- O Boladas, 2-1
Val Minor-Rap. Aldan, 2-2
Lalin-O Boladas, 0-6
Moañeza-Nigrán, 4-2
S. Marina B- R. Aldán, 0-8
O Condado-Nigrán, 0-2
Vale Minor.P. Ourense, 1-3
Moañeza-Ribeiro, 5-0
Crucero Hio-O Boladas, 1-0
S. Marina B-P. Ourense, 0-8
Condado-Ribeiro, 5-0
Vigo 2015-O Boladas, 0-7
Vigo 2015-Lalin, 0-4
Rap. Aldán-Braga, 1-2
Nigrán-O Grove, 2-0
Val Minor-Braga, 2-3
S. Marina A-Lalin, 7-0
Moañeza- O Grove, 5-0

QUARTOS DE FINAL

Braga-S. Marina A, 0-1
Moañeza-O Boladas, 3-4
P. Ourense-Condado, 1-3
Crucero Hio-Nigrán, 4-1

MEIAS FINAIS

Condado-Crucero Hio, 1-2
O Boladas- S. Marina A, 2-0

FINAL

Crucero de Hio, 4
O Boladas, 1

Saturday, April 18, 2009

Pedralva: 30 anos a alimentar Braga com pão de qualidade




"Como na minha terra, Pedralva, não havia padaria nenhuma, e o pão ia de Braga, comprei um terreno e ali nasceram as padarias Pedralva, há 30 anos" — revela Belarmino Oliveira da Silva, um dos fundadores desta empresa de Panificação que celebra hoje o dia da sua fundação.

Belarmino Silva já era um grande empresário em Moçambique, mas, em Abril de 1978, com aquele país em convulsão social e política, pensa em retomar a vida em Braga, depois de abandonar uma primeira inclinação pelo Brasil.
Por este mês, os clientes das padarias Pedralva vão ter algumas prendas para assinalar os trinta anos da sua fundação.
Depois de andar por Portugal, este antigo armazenista de vendas por grosso e retalho de mercearias na Beira, pensa que esse ramo não era o melhor para Portugal porque ia empregar pouca gente.

"Construí tudo de raíz, com duas moradias e foi um sucesso. Começamos três trabalhadores, um meu irmão Albano, um meu cunhado António e um trabalhador" nos primeiros três anos, até ao regresso definitivo, em 1982, de Belarmino Silva das terras moçambicanas.

A primeira loja que abriu em Braga foi no Centro Comercial Galécia, em Junho de 1983, com pão que vinha da sede e mercearia que, era um bom negócio, pois não havia grandes superfícies.

"Vendíamos muita mercearia e foi um sucesso a abertura dessa loja. Depois abrimos no Centro Lafayette e seguiu-se a primeira loja de pão quente em Braga, na Rua de S. André. Daí continuamos sempre a abrir lojas." —recorda Belarmino Silva.

A Loja da rua de S. André "foi um marco muito importante na nossa empresa. Foi um grande sucesso por ter o pão quente com cafetaria. Foi uma estreia em Braga".

"Pode-se dizer que foi uma mina. Vendeu-se muito pão e ganhou-se muito dinheiro. Foi um dos maiores sucessos da minha vida. Nós chegamos a vender na rua S. André vinte e cinco mil pães por dia".
Seguiram-se lojas (a quarta) na Póvoa de Lanhoso — que ainda hoje é uma grande loja — num total de onze, nove na cidade de Braga, nas novas urbanizações, e a sede em Pedralva e duas na Póvoa de Lanhoso.

A empresa cresceu muito e "eu também já estava um bocado cansado. Chegamos a um acordo e dividimos as lojas pelos sócios, em 2001. Ficamos com quatro lojas e os outros sócios ficaram com elas".

"Tem havido sempre uma boa compreensão entre todos nós" e mesmo os problemas surgidos no final da década de 90 foram internamente ultrapassados" — reconhece Belarmino Silva, ao falar da relação empresarial com os seus antigos sócios. "Todos hoje têm as suas casas e vivem bem".
Dizer que o consumo de pão está a diminuir "não corresponde à verdade. Nós vendemos menos pão porque há mais concorrência e quando começamos havia pouca concorrência. Hoje há muitos sítios com pão quente. Há mais gente a vender pão mas o consumo mantém-se" — assegura Belarmino Silva.

Para este industrial de panificação, "há uma regra para a quantidade de sal no pão e não se pode colocar mais que essa regra. O pão é saudável e é o melhor alimento que nós temos", pelo que não é legítimo dizer que o "pão tem sal a mais em Portugal".

Em crise, desde há alguns anos, está o sector de fabrico de bolos: "este sector diminuiu muito" porque as pessoas "não querem ser gordas" e os custos subiram muito e, por exemplo, nos bolos de aniversário, vende-se muito menos que há uns anos atrás. "Aí a queda foi grande. Nós tínhamos pasteleiros, fazíamos muitos bolos e hoje não temos e preferimos comprar alguns bolos fora e fabricamos poucos".

A abertura de uma nova loja — a sexta das Padarias Pedralva — no centro histórico de Braga foi "um sonho que eu tinha há muitos anos e chegou a altura de concretizar esse sonho. É uma loja com muito boas condições, está muito bem centrada e eu gosto muito dela".

Naquela loja da rua D. Diogo de Sousa, junto à Igreja da Misericórida, "temos todas as qualidades de bolos, o pão quente a toda a hora e estamos muito contentes. Temos toda a variedade de cafetaria e temo um restaurante bom, pequenino mas muito agradável e estamos a trabalhar muito bem com satisfação para os nossos cientes".

Actualmente, com trinta trabalhadores, as padarias Pedralva produzem uma média de 15 mil pães por dia, um "número razoável", sendo a maior parte para as "nossas lojas porque queremos manter uma boa qualidade de pão. Estamos a vender a onze cêntimos e numa dúzia oferecemos dois pães e em meia dúzia oferecemos um pão".

Os empresários do sector têm vindo nos últimos tempos a defender um aumento do preço do pão devido aos custos de produção, posição que é contrariada por Belarmino Silva. "Nós assumimos que não aumentávamos o pão nos nossos seis pontos de venda durante este ano todo".

DE PEDRALVA
PARA MOÇAMBIQUE

Nascido em Pedralva, em 1937, Belarmino Silva teve uma infância difícil e aos "quatro anos já ia com as ovelhas para o monte". Depois da escola, onde "era um bom aluno" a ponto do professor e pai quererem que seguisse os estudos. "Eu gostava de estudar mas também gostava de ganhar dinheiro. O primeiro trabalho foi com o meu pai, aos 10 anos, a trabalhar de carpinteiro e a ganhar cinco escudos por dia, mas fiquei muito triste com o primeiro salário, porque contava ganhar mais".

Continuou algum tempo até arranjar outro emprego, na Venda Nova, a trabalhar na estrada para Paradela do Rio, onde ganhava "muito mais dinheiro. Quando recebi a primeira quinzena, deram-me 25 escudos por dia. Fiquei muito contente porque ganhava tanto como um adulto, embora fosse um rapazito. Andei ali uns poucos de anos".

Como não quis ir para Trás-os Montes, foi para Lisboa que "foi a minha terra de sorte, foi a cidade que eu mais gostei. Ganhei muito dinheiro lá, numa mercearia para levar as mercadorias ás casas das senhoras, mas em pouco tempo já tomava conta da mercearia".

Depois arranjou um emprego nos jardins do parque Eduardo VII, como funcionário municipal, mas nas horas vagas trabalhava como empregado de mesa na feira popular e nos campos de futebol. "No inverno vendia chocolates e rebuçados e no Verão gelados, à porta dos estádios da Luz e de Alvalade" até que chegou a idade do serviço militar e ficou apurado, tendo ficado em Braga na especialidade de transmissões e "foi das coisas mais bonitas que eu tive na minha vida e pedi para continuar" até ir para Moçambique.

A ida para Moçambique, em 1958, fica a dever-se a uma ideia antiga de emigrar "porque Portugal sempre foi um país pobre". na altura namorava para uma rapariga que tinha uns tios em Moçambique. Uma altura esses tios vieram cá, eu pedia a ela para falar com eles e eles"levaram-me para Moçambique", para a cidade da Beira, onde tinha "duas pessoas à minha espera. Ambas queiram que eu fosse com elas, mas eu acabei por ficar na cidade da Beira, com o compadre Correia, ainda vivo que está cá em Braga, que ainda hoje é uma pessoa muito minha amiga".

Depois do primeiro emprego — porque a ideia era trabalhar de carpinteiro na construção civil— no comércio, a partir de 24 de Maio de 1960, numa mercearia. Depois foi para uma pastelaria com restaurante, mas durante oito meses mudou três vezes de emprego, "sempre para melhor, a ganhar mais". Ao fim de oito meses "comecei a trabalhar por minha conta. Comprei uma carrinha e comecei a vender frutas tropicais, bananas, laranjas, tangerinas. O meu sucesso foi muito rápido, casei por procuração e a minha mulher ela foi lá passado algum tempo. Comprei uma casa que era uma peixaria e ela foi trabalhar para essa casa e eu continuava na fruta. depois comprei um terreno, fiz um armazém e em 1968 já era um grande armazenista que importava e exportava e estava cheio de dinheiro".

Até 1979 "foi um sucesso enorme, tinha um grande armazém tinha prédios e depois foi tudo nacionalizado, excepto o armazém e uma casa para viver".

Começou a "não haver nada e os meus filhos tiveram de vir para Portugal. Continuei lá, fui sempre bem tratado. Não tenho que dizer mal excepto a nacionalização de quase tudo o que tinha."

Cónego Eduardo Melo: eram tantos e são tão poucos!


Estou plenamente à vontade porque nunca lhe pedi nenhum favor, não lhe meti nenhuma cunha para familiares ou amigos meus se desenvencilharem deste problema ou daquela dificuldade e, no entanto, ele fez o favor de ser um dos meus amigos.

Está feita a minha declaração de interesses. Conhecia-o de perto, no seu dia-a-dia. nas suas actividades, nas suas lutas e nas suas causas.

Quem não tiver nenhum defeito ou não tiver errado, está desde já — face ao que vou escrever — desafiado a atirar a primeira pedra contra ele ou a apedrejar-me.

Faz amanhã um ano que deixou a cidade de Braga que amou em igual intensidade ao enlevo que dedicou à Igreja que serviu ao longo de mais de cinco décadas, desde a sua ordenação em 1951.

Fizeram-lhe homenagens em vivo mas, face ao silêncio eloquente que alimentam ao longo deste ano, sou levado a crer que, exceptuando os seus verdadeiros amigos (aqueles que não precisaram dele), a imensa maioria participou nessas homenagens porque precisava dele, estava lá por interesse financeiro, económico, social, cultural ou político.

Exceptuando esse punhado de pessoas que apenas precisava da sua amizade e agradável conversa, a imensa maioria dos bracarenses parece envergonhar-se de um dos seus mais ilustres conterrâneos que deu tudo à Igreja, promoveu tudo em prol do progresso da sua terra, apoiou na medida das suas forças e saber as associações, as escolas, os clubes, os movimentos e as forças vivas representativas da velha Bracara Augusta.

É uma atitude estranha de uma terra que — por força da sua hospitalidade e capacidade de bem receber — elege os que vêm de fora, reverencia os forasteiros, curva-se diante dos que aqui alcançam prestígio pela sua capacidade de trabalho e sabedoria, mas parece esquecer os que nasceram dentro dos seus muros, os que cresceram nas suas escolas, fortaleceram as suas agremiações culturais, desportivas, económicas, sociais e religiosas.

Exceptuando um ou outro governador civil, os bracarenses não têm conseguido ocupar os lugares de decisão política, religiosa, académica e cultural em Braga, mas isso não tolera que os seus 'ocupantes' se esqueçam dos enormes bracarenses de gema.

Apetece perguntar se andam tão distraídos os seus alunos da antiga Escola Comercial e Industrial de Braga, onde fundou várias obras de apoio dos estudantes: lares, conferências Vicentinas, salas de jogos e leitura para os tempos livres, jornal, etc.
Por onde andarão também os militantes da Acção Católica e da JOC-JOCF, Assistente da Obra do Soldado, dou os soldados que ele serviu como Capelão Militar em Braga e na Índia e que é feito da capacidade mobilizadora de tantas centenas que frequentaram os Cursos de Cristandade?

Que silêncio se explica de tantos párocos que, através do Centro Social João Paulo II, na Apúlia, puderam realizar serviços sociais e pastorais e actividades de lazer, para os jovens, crianças e adultos ou de tantos irmãos de Confrarias (Sameiro e S. Bento da Porta Aberta) que ele serviu durante tantos anos?



As Solenidades da Semana Santa, os Congresso Nacional Mariano, Eucarístico Nacional, dos 900 anos da Sé, as Semanas Pastorais e de Direito Canónico, que elevaram o nome de Braga enriquecida com as obras de restauro da Sé Catedral e a sua afectuosa ligação ao Sporting de Braga não são argumentos de sobra que justificassem que o seu nome fosse dado a uma rua de Braga?

Sabem de quem estou a falar? É de Monsenhor Eduardo Melo Peixoto, falecido em 19 de Abril do ano passado. Há um ano. Faz hoje e vai haver uma homenagem — com um busto — na... Póvoa de Lanhoso!

Se ninguém anda distraído — muito menos esquecido do que ele fez por muitos e por Braga — será que falta coragem para o fazer? Que estranho pudor é este de quem manda em Braga quando não teve vergonha de receber (ou pedir e ele soube dar) o seu apoio em momentos apertados?