Saturday, April 18, 2009

Cónego Eduardo Melo: eram tantos e são tão poucos!


Estou plenamente à vontade porque nunca lhe pedi nenhum favor, não lhe meti nenhuma cunha para familiares ou amigos meus se desenvencilharem deste problema ou daquela dificuldade e, no entanto, ele fez o favor de ser um dos meus amigos.

Está feita a minha declaração de interesses. Conhecia-o de perto, no seu dia-a-dia. nas suas actividades, nas suas lutas e nas suas causas.

Quem não tiver nenhum defeito ou não tiver errado, está desde já — face ao que vou escrever — desafiado a atirar a primeira pedra contra ele ou a apedrejar-me.

Faz amanhã um ano que deixou a cidade de Braga que amou em igual intensidade ao enlevo que dedicou à Igreja que serviu ao longo de mais de cinco décadas, desde a sua ordenação em 1951.

Fizeram-lhe homenagens em vivo mas, face ao silêncio eloquente que alimentam ao longo deste ano, sou levado a crer que, exceptuando os seus verdadeiros amigos (aqueles que não precisaram dele), a imensa maioria participou nessas homenagens porque precisava dele, estava lá por interesse financeiro, económico, social, cultural ou político.

Exceptuando esse punhado de pessoas que apenas precisava da sua amizade e agradável conversa, a imensa maioria dos bracarenses parece envergonhar-se de um dos seus mais ilustres conterrâneos que deu tudo à Igreja, promoveu tudo em prol do progresso da sua terra, apoiou na medida das suas forças e saber as associações, as escolas, os clubes, os movimentos e as forças vivas representativas da velha Bracara Augusta.

É uma atitude estranha de uma terra que — por força da sua hospitalidade e capacidade de bem receber — elege os que vêm de fora, reverencia os forasteiros, curva-se diante dos que aqui alcançam prestígio pela sua capacidade de trabalho e sabedoria, mas parece esquecer os que nasceram dentro dos seus muros, os que cresceram nas suas escolas, fortaleceram as suas agremiações culturais, desportivas, económicas, sociais e religiosas.

Exceptuando um ou outro governador civil, os bracarenses não têm conseguido ocupar os lugares de decisão política, religiosa, académica e cultural em Braga, mas isso não tolera que os seus 'ocupantes' se esqueçam dos enormes bracarenses de gema.

Apetece perguntar se andam tão distraídos os seus alunos da antiga Escola Comercial e Industrial de Braga, onde fundou várias obras de apoio dos estudantes: lares, conferências Vicentinas, salas de jogos e leitura para os tempos livres, jornal, etc.
Por onde andarão também os militantes da Acção Católica e da JOC-JOCF, Assistente da Obra do Soldado, dou os soldados que ele serviu como Capelão Militar em Braga e na Índia e que é feito da capacidade mobilizadora de tantas centenas que frequentaram os Cursos de Cristandade?

Que silêncio se explica de tantos párocos que, através do Centro Social João Paulo II, na Apúlia, puderam realizar serviços sociais e pastorais e actividades de lazer, para os jovens, crianças e adultos ou de tantos irmãos de Confrarias (Sameiro e S. Bento da Porta Aberta) que ele serviu durante tantos anos?



As Solenidades da Semana Santa, os Congresso Nacional Mariano, Eucarístico Nacional, dos 900 anos da Sé, as Semanas Pastorais e de Direito Canónico, que elevaram o nome de Braga enriquecida com as obras de restauro da Sé Catedral e a sua afectuosa ligação ao Sporting de Braga não são argumentos de sobra que justificassem que o seu nome fosse dado a uma rua de Braga?

Sabem de quem estou a falar? É de Monsenhor Eduardo Melo Peixoto, falecido em 19 de Abril do ano passado. Há um ano. Faz hoje e vai haver uma homenagem — com um busto — na... Póvoa de Lanhoso!

Se ninguém anda distraído — muito menos esquecido do que ele fez por muitos e por Braga — será que falta coragem para o fazer? Que estranho pudor é este de quem manda em Braga quando não teve vergonha de receber (ou pedir e ele soube dar) o seu apoio em momentos apertados?

Saturday, April 11, 2009

Franceses em Braga há 200 anos (9)




Coincidindo com a tomada do Porto e o desastre da ponte das Barcas (na foto acima, local do cais), em que morreram cerca de quatro mil pessoas, muitas delas fugidas de Braga, o Marechal Soult começa a tentar captar as boas graças dos portugueses. Com a coordenação do Clero, foi notável a resistência nas regiões do Minho e Trás-os-Montes, apesar da embaixada "traidora" de Braga que vai ao Porto solicitar a Soult um "príncipe" francês para governar a Lusitânia Setentrional.

Soult mostrava que não estava muito afoito em marchar sobre Lisboa e estava mais preocupado em reforçar a linha de comunicação com a Galiza, tarefa que lhe absorvia muitos efectivos e as forças de que dispunha não lhe garantiam com sucesso um movimento sobre Lisboa.

A Defesa de Portugal — apoiado no Litoral com a chegada dos ingleses — reorganizava-se no interior do território, especialmente em Trás-os-Montes e nas Beiras, ao passo que no Minho era a resistência popular quem dava cartas. Brilha nos anais da história a elevada resistência de Ponte de Lima, marcada por inigualável selvajaria dos militares franceses que punia severamente o patriotismo dos seus habitantes.

O Município de Ponte de Lima vai levar a cabo uma Conferência, a realizar na Biblioteca Municipal, no dia 17 de Abril, pelas 21.00h, subordinada ao tema “O Norte de Portugal na Restauração e guerra contra os franceses”, pelo Prof. Doutor Viriato Capela. Esta será uma boa oportunidade para podermos conhecer o papel importante desenvolvido pela população de Ponte de Lima na resistência à passagem dos franceses. Os combates deram-se durante vários dias, em 7 de Abril o mais sangrento.

Durante o período das invasões francesas e inglesas, que devastaram o nosso país (1807-1820), Frei Francisco de S. Luís, mais conhecido como Cardeal saraiva, notável já pelo seu valor intelectual e moral, assume uma posição política de envergadura no movimento libertador do país. De tal modo, que o frade limiano aparece praticamente desligado da ordem beneditina para se consagrar ao movimento de libertação do seu povo e se mostrar decisivamente a favor da causa liberal que levou à revolução de 1820.

A resistência minhota está a ser devidamente divulgada por uma equipa de historiadores da Universidade do Minho, liderada por José Viriato Capela e participada pelos investigadores: Henrique Matos e Rogério Borralheiro, sobre o impacto das invasões francesas, no norte do país.  O I dos volumes previstos acaba de ser publicado com o apoio do Governo Civil de Viana do Castelo e as Câmaras de Barcelos, Braga, Caminha, Carrazeda de Ansiães, Monção, Ponte de Lima, Viana, Vila Nova de Cerveira e Vila Nova de Famalicão.

Mais uma parceria da Casa Museu de Monção e Universidade do Minho deu origem ao livro «O Heróico Patriotismo das Províncias do Norte. Os concelhos na restauração de Portugal de 1808».

Nestes dois volumes são narrados factos e mencionadas personalidades que abonam o «heróico patriotismo das populações dispersas pelas vilas e cidades do Norte de Portugal», dando para ajuizar bem da coragem e estoicismo de aldeia, por aldeia, vila por vila, cidade por cidade, se uniram em torno de uma causa comum: correr à vassourada essa gente invasora que abandonou, sem honra nem glória, a Terra que era (e é) nossa, depois de pilhar, saquear solares e igrejas e matar centenas de pessoas.

Estas publicações podem ajudar-nos a ter uma ideia objectiva da ânsia de poder do exército franco-espanhol, contra um País mais pequeno e menos  equipado com material bélico que aguentou a sua independência com a capacidade de resistência do seu povo.

Militarmente Portugal não poderia resistir ao poderio invasor. Graças ao reforço das tropas aliadas, nomeadamente inglesas, os Portugueses formaram unidades de milícias, sob as ordens dos municípios que se cotizaram para assumir os encargos inerentes a pelotões, companhias,  batalhões, bem como ao armamento indispensável à eficácia dessa  gente que patrioticamente deu aos invasores lições de grande coragem, bravura e sangue frio. Muitos milhares de nomes de antepassados nossos  aparecem mencionados nestas deliberações municipais, ordens de serviço, convocatórias. Como se recorda pelo papel interventivo que tiveram, a importância das vilas e concelhos do Minho e de Trás-os-Montes, como Braga, Póvoa de Lanhoso, Viana do Castelo, Barcelos, Guimarães, Ponte de Lima, Cerveira, Monção, Caminha, Esposende, Vila do Conde. Mas qualquer vila minhota encontra nestes livros nomes de voluntários, de beneméritos, de  patriotas que levaram a sério uma  reacção estóica para expulsar quem se intrometeu em solo Português.

É o caso do Francisco Joaquim de Abreu Maia, como oficial de milícias, fez parte integrante das forças militares que, em Vila Nova de Cerveira, impediram às tropas francesas, comandadas pelo general Soult, a passagem do rio Minho, em meados de Fevereiro de 1809.

São todos eles que cortam a ligação das tropas de Soult com a rectaguarda em Espanha, impedindo o abastecimento dos 35 mil homens e mais de 4500 cavalos franceses, enquanto o Brigadeiro Silveira mandava reforçar a ponte de Marco de Canaveses, guarda a ponte de Mondim de Basto e reforça a defesa de Amarante que ataca os franceses na primeira investida sobre aquela cidade.

Silveira toma posição na margem esquerda do rio Tâmega, para não ser atacado pelo Lado de Felgueiras, com tropas idas de Guimarães, travando um duro comabte entre 18 e 22 de Abril. Os franceses tentaram atravessar a ponte de Amarante três vezes, até que, numa atitude de desespero, decidiram lançar fogo às casas da vila. As tropas de Silveira defenderam durante 14 dias aquela passagem de forma heróica.

Era um tempo precioso para os franceses que tentavam a todo o custo reactivar os abastecimentos que vinham de Espanha. As povoações de Amarante estavam desertas e os recursos faltavam aos soldados. Só no dia 2 de Maio conseguiram destruir um arco da ponte e fazer a travessia.

Cinco dias depois começava o contra-ataque de Wellesley, a partir de Lisboa, com apoio de vinte mil militares ingleses e portugueses e na noite de 11 para 12 de Maio, as tropas atravessavam o Douro em barcas e os franceses ficavam numa situação crítica. Restava uma saída ao que ainda sobrava dos 35 mil homens e cinco mil cavalos da armada de Soult, sair para Espanha, por Guimarães ou Braga em direcção a Montalegre. Os franceses esperavam ter livre a estrada por Amarante, como veremos na próxima crónica.

Braga rentabiliza muito bem recursos financeiros




Braga é o segundo concelho de Portugal na rentabilidade das receitas, em média, por cada um dos seus habitantes, ao passo que Ponte de Lima é o concelho em que os habitantes menos devem per capita.

Braga é o segundo município do país com melhores resultados económicos de Portugal, ou seja, o que traduz a melhor rentabilidade das receitas por habitante. Braga é apenas ultrapassado por Loulé num cálculo semelhante ao rendimento de uma acção numa empresa — lê-se na página 120 do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses referente a 2007 e divulgado anteontem em Lisboa.

João Baptista da Costa Carvalho, Presidente do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave e Professor Associado na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho é o coordenador do estudo que envolveu Maria José da Silva Fernandes, Pedro Jorge Camões e Susana Margarida Jorge, investigadores da Universidade do Minho.

No distrito de Braga, o segundo concelho com me-lhores resultados económicos é outro concelho com gestão socialista, Guima-rães, e aparece em 30.º lugar do ranking nacional.
No distrito de Viana do Castelo, o melhor lugar pertence a Melgaço que está em 13.º lugar a nível nacional, seguindo-se Monção (17.º), Ponte de Lima (23.º) e Viana do Castelo (24.º)

Braga e Seixal são os únicos municípios de brandes dimensões que não recorreram a empréstimos entre 2005 e 2007 — revela o mesmo documento.

No mesmo item, Vila Ver-de aparece em 13.º lugar como o município com piores resultados económicos, numa tabela em que o pior concelho é Lisboa.

No que se refere à eficiência financeira, o concelho de Braga surge em nono lugar nacional mas é o terceiro entre municípios de gran-des dimensões atrás de Almada e Amadora. O segundo melhor município mi- nhoto é Ponte de Lima, em 30.º lugar, e até ao 45.º lugar não aparece mais ne-nhum município do Minho.

Paredes de Coura é o município do Minho melhor pontuado quanto a despesas com pessoal face às despesas totais, em quinto lugar nacional, com uma taxa de despesa de 15,1 por cento. Em relação a 2006, melhorou a sua posição de forma notória pois ocupava o 14.º lugar.

Arcos de Valdevez aparece em décimo lugar nacional, com 16,2%, e Melgaço em 17.º lugar com uma taxa de 17,7%.
Fafe, entre os municípios de média dimensão, é o me-lhor posicionado entre os concelhos do Minho, com uma taxa de despesas com pessoal da ordem dos 19%.

No extremo oposto, nos primeiros 35 lugares não aparece nenhum município minhoto entre os que gastam mais com pessoal, face à despesa total.

No que se refere ao passivo, Braga aparece em sétimo lugar (com quase 90 milhões de euros, menos seis milhões que em 2005), numa lista liderada por Lisboa com 965 milhões de euros. Gaia, Aveiro, Porto, Gondomar e Maia têm um passivo maior que Braga, em 2007.

Política nebulosa: inocente condenado




Leio e não posso crer que o líder de um partido que é alternativa ao poder em Braga tenha dito que Domingos Névoa "não deixa de ser alguém que foi condenado pelo crime de corrupção" e parta daqui para uma série de considerações de carácter político-partidário.

Depois da primeira surpresa, não me custa a ler que o PCP de Braga — através da sua comissão política concelhia — venha lamentar a nomeação de Domingos Névoa "condenado recentemente por corrupção" e denunciar a promiscuidade existente no Bloco Central (PS e PSD).

Já não me espanta a ligeireza — mais condenável porque é parte no processo em curso — com que o Bloco de Esquerda lança uma petição enganando os subscritores quando pede aos líderes do PS, PSD e CDs que destituam Domingos Névoa e se pronunciem sobre a atitude dos seus autarcas que "votaram num condenado por corrupção".

Por sua vez, o Bloco de Esquerda de Braga afirma que é a " primeira vez que um condenado por corrupção activa afronta a justiça e a democracia" classificando a sua eleição para a presidência da Braval como "uma total falta de vergonha" (cf. Diário do Minho, 02.04.2009, pp. 6-7).

O PSD e o PCP como partidos responsáveis e estruturantes da democracia portuguesa não podem invocar ignorância sobre a lei Fundamental do nosso país, a Constituição, a qual determina que "todo o cidadão se presume inocente enquanto não houver trânsito em julgado da respectiva sentença de condenação".

O BE, por maioria de razão, por ser parte no processo em que foi primeiro a apresentar recurso da sentença em primeira instância, o que desde logo, inviabiliza — à sombra da nossa Constituição — que ele possa ser condenado a ser condenado.

E se assim é, então, das duas uma,
1. ou esse princípio constitucional é aceite e reconhecido como valor fundamental dum Estado que se pretende, verdadeiramente, de Direito, sempre e não apenas quando nos agrada, ou,
2. ao invés, é um mero exercício de retórica, sem valor, em que o Estado deixa de proteger os direitos mais elementares dos cidadãos, ficar sujeitos ao capricho de quem detém o poder de aparecer nos jornais ou das «emoções populares».

Ora, enquanto simples cidadão, quanto mais como jornalista, repugna-me aceitar que este princípio seja violado por quem já não tem os mínimos escrúpulos no exercício da actividade política, em que vale tudo para atingir os seus objectivos.

Porquê, então, ainda na dúvida (dado não haver condenação, muito menos com trânsito em julgado), condenar alguém, exigindo-lhe a demissão das funções por si exercidas, num retrocesso civilizacional?

Decididamente, em Braga, torna-se cada vez mais difícil, preocupantemente, a desejável e democrática discussão de ideias, projectos e valores porque gente muito responsável prefere abandonar a sala, serena e isenta dos Tribunais para o «Pelourinho» da praça pública emocionada.

Todas as justificações deste mundo e do outro nunca podem justificar — não justificam — nunca que se lance aos cães a honra de um homem e, por fim, a sua vida à custa de uma dupla violação criminosa dos seus acusadores em relação às leis fundamentais da nossa República, as que protegem a dignidade e a liberdade de cada um de nós.

Tal como o jornalista cúmplice, um político, seja ele qual for, não está acima da sociedade, mas faz parte dela. A necessidade de apanhar votos — mesmo à custa da ignorância dos simples — ou de vender jornais não pode nem deve ofender a honra, violar a imagem e ofender a dignidade de ninguém. Isso também é crime.

Os políticos de Braga têm de aprender de uma vez por todas que não podem recorrer à Justiça para fazer número ou "show off" e depois agir como se Portugal não fosse um Estado de Direito, com uma Constituição que preserva direitos fundamentais, entre eles, o do bom nome e o da presunção da inocência.

Chegámos ao grau zero (underground) da actividade política: à falta de temas, ideais e projectos, descamba-se para a fulanização da política, desrespeitando totalmente os direitos das pessoas.

Por um minuto, ponham-se no lugar dos enxovalhados. Que faziam? Toleravam? Não. Apresentavam queixa crime, como já o fizeram... todos. E fizeram por menos.

Wednesday, March 25, 2009

Victor Aguiar e Silva: "gaudeamus igitur"



A Universidade do Minho exulta de alegria com a atribuição de mais um prémio a um dos seus maiores mestres na literatura e humanismo portugueses: Victor Aguiar e Silva.

O investigador de Literatura Vítor Aguiar e Silva foi distinguido ontem com o Prémio D. Dinis 2009, pela obra “A Lira Dourada e a Tuba Canora: Novos Ensaios Camonianos”.

Instituído pela Fundação Casa de Mateus em 1980, o prémio, no valor de 7.500 euros, foi-lhe atribuído por unanimidade de um júri constituído por Vasco Graça Moura, Nuno Júdice e Fernando Pinto do Amaral.

Patrocinado pela Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas e pela Caixa Geral de Depósitos, o galardão premeia uma obra de poesia, ficção ou ensaio, de preferência publicada no ano anterior ao da sua atribuição.

Vítor Aguiar e Silva, nascido em 1939, tem-se dedicado sobretudo ao estudo da Teoria da Literatura — área em que o seu trabalho como professor e investigador tem sido nacional e internacionalmente reconhecido — bem como da Literatura Portuguesa do Maneirismo, do Barroco e do Modernismo.

A sua obra “Camões: Labirintos e Fascínios” fora já distinguida com o Prémio de Ensaio da Associação Portuguesa de Críticos Literários e da Associação Portuguesa de Escritores. Depois do Prémio Vergílio Ferreira, em 2007, foi-lhe entregue o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores.
Com esse prémio, o professor da Universidade do Minho foi colocado no patamar elevado de Miguel Torga José Saramago, Sophia de Mello Breyner Andressen , Óscar Lopes , José Cardoso Pires , Eugénio de Andrade , Urbano Tavares Rodrigues e Mário Cesariny.

Em 1989 este professor catedrático da Universidade de Coimbra, enriquece a Universidade do Minho, onde foi vice-reitor durante 12 anos.

No seu vasto currículo inclui Vítor Aguiar e Silva na liderança da criação do Instituto Camões. Em 1980, fundou o Centro de Estudos Portugueses, actual Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, e a revista "Diacrítica", que dirigiu até à sua jubilação, em Julho de 2002.

Vítor Aguiar e Silva é inquestionavelmente um dos mais brilhantes académicos da Universidade Portuguesa na área das Letras e das Humanidades (Teoria da Literatura, Poética, Estética e Crítica Literárias, Estilística, Metodologia Literária, Investigação e Ensino da Literatura Portuguesa Clássica, Maneirista e Barroca, Moderna e Contemporânea, Estudos Camonianos...), com verdadeira dimensão nacional, europeia e planetária.

Por isso, hoje é um dia em que a Universidade do Minho pode cantar, com todo o brio, “Gaudeamus igitur” (Alegremo-nos por isso).

Franceses em Braga há 200 anos (8)




Depois da fantástica resistência de povoenses e bracarenses na Batalha de Braga, a 20 de Março de 1809, onde morreram cerca de cinco mil pessoas — dois mil na batalha do Carvalho d'Este mais três mil na Falperra — as tropas de Soult dirigiram-se para o Porto, onde chegaram há 200 anos, a 27 de Março.

Atrás dos combatentes que integravam as três divisões de Laborde, Heudelet e Mermet, seguia a reserva de dez mil homens que semeavam o saque, destruição, incêndios e todo o género de atrocidades por Ponte de Lima, Barcelos, Famalicão e outras localidades, como pode ler nas páginas 16 e 17 deste edição. Com a saída de Soult em Direcção ao Porto, começava a grande façanha do Brigadeiro Francisco da Silveira, que, ao recuar de Chaves para Vila Pouca de Aguiar, contribui decisivamente para a derrota dos franceses no Porto e o desastre desta incursão francesa por terras do Norte de Portugal.

Apressados em chegar ao porto, os franceses deixaram Chaves desguarnecida, abrindo caminho à reconquista desta cidade estratégica pelos soldados de Silveira. Num ataque em força, antes de Soult ter chegado ao Porto já a cidade de Chaves voltava a estar nas mãos dos portugueses (25 de Março de 1809). Os franceses renderam-se e 1400 foram feitos prisioneiros.

Em Braga permaneciam entre dois mil a três mil militares franceses e tornava-se presa fácil para os militares de Silveira que marcham em sua direcção até ao Barroso, onde chegam no dia 26 de Março. Os regimentos de milícias e os caçadores de Montalegre colocam-se entre Salamonde e Ruivães.

A rectaguarda dos franceses estava controlada e cortada a comunicação de Soult com Espanha. O Brigadeiro Silveira coloca mais dois regimentos de milícias em Cavês, Cabeceiras de Basto, protegendo o rio Tâmega. A reconquista de Braga estava programada para o dia 2 de Abril mas o Porto cai nas mãos dos franceses no dia 30 de Março e os planos de Silveira são revistos e, obedecendo ao comandante inglês Beresford recua para Vila real, com as suas tropas.

Beresford começava a reorganizar as tropas portuguesas cujos frutos se hão-de ver na batalha do Buçaco, no ano seguinte, trazendo milhares de soldados e oficiais de Inglaterra.

Quando o general Bernardim Freire de Andrade deixou o Porto e partiu para o Minho, para coordenar a defesa do rio Minho, a defesa do Porto ficou entregue ao Bispo que era o presidente da Junta Governativa.

Os cerca de vinte mil homens que defendiam o Porto traduziam a fragilidade da defesa da cidade. Soult reconheceu-a e enviou uma embaixada de paz ao Bispo do Porto intimando-o a render-se mas, como acontecera em Braga, os emissários foram assassinados pelos portuenses e a reconciliação foi impossível.

Na Ponte das barcas, milhares atropelavam-se para fugir em direcção a Lisboa — entre eles centenas de bracarenses — ou para uma última defesa do lado de Gaia, porque os alçapões da improvisada ponte cederam. Foi uma carnificina horrorosa e a cidade caiu nas mãos dos franceses sendo saqueada e alvo de toda a espécie de violências sobre os seus residentes, desde roubos a assassinatos.

O Marechal Soult, com escassez de abastecimentos, repensa a estratégia de marchar sobre Lisboa, depois de passado o rio Douro. Cortada a comunicação com Espanha, os seus mais de 30 mil soldados ficaram sem abastecimento na rectaguarda, e prepara-se para ficar no Porto e instituir o reino da Lusitânia Setentrional.

No dia 25 de Abril, Soult recebe uma embaixada de Braga a pedir que faça chegar a Napoleão a nomeação de um príncipe francês uma vez que os da Casa de Bragança os tinham abandonado, fugindo para o Brasil. Soult começa a pensar em ser nomeado Príncipe ou Rei.

Esta embaixada de Braga é a prova de que o Entre Douro e Minho estava completamente subjugado até ao rio Tâmega. Todavia, o desejo das elites encontrou forte oposição no povo. Com a coordenação do Clero, foi notável a resistência nas regiões do Minho e Trás-os-Montes, apesar de Soult ter tentado captar as simpatias populares.

Silveira manda reforçar a ponte de Marco de Canaveses, guarda a ponte de Mondim de Basto e reforça a defesa de Amarante que ataca os franceses na primeira investida sobre aquela cidade.

Silveira toma posição na margem esquerda do rio Tâmega, para não ser atacado pelo Lado de Felgueiras, com tropas idas de Guimarães, travando um duro comabte entre 18 e 22 de Abril. Os franceses tentaram atravessar a ponte de Amarante três vezes, até que, numa atitude de desespero, decidiram lançar fogo às casas da vila. As tropas de Silveira defenderam durante 14 dias aquela passagem de forma heróica.

Era um tempo precioso para os franceses que tentavam a todo o custo reactivar os abastecimentos que vinham de Espanha. As povoações de Amarante estavam desertas e os recursos faltavam aos soldados. Só no dia 2 de Maio conseguiram destruir um arco da ponte e fazer a travessia.

Cinco dias depois começava o contra-ataque de Wellesley, a partir de Lisboa, com apoio de vinte mil militares ingleses e portugueses e na noite de 11 para 12 de Maio, as tropas atravessavam o Douro em barcas e os franceses ficavam numa situação crítica. Restava uma saída ao que ainda sobrava dos 35 mil homens e cinco mil cavalos da armada de Soult, sair para Espanha, por Guimarães ou Braga em direcção a Montalegre. Os franceses esperavam ter livre a estrada por Amarante, como veremos na próxima crónica.