Sunday, January 25, 2009

Franceses em Braga há 200 anos (2)



Já lembramos alguns dos passos históricos que estiveram na origem da segunda invasão francesa em Fevereiro de 1809 e constitui — após a entrada de leão por terras de Vieira e da Póvoa de Lanhoso em direcção ao Porto — uma das maiores derrotas militares do Marechal Soult.

Era um tempo — recordamos na primeira crónica — em que a França ameaçava todos os interesses marítimos dos ingleses e Portugal é colocado perante um dilema: ou aceita a paz com a França, em troca do abandono da aliança com Inglaterra (que escarnecia do seu aliado no Brasil e no Oriente) ou mantinha-se fiel a uma Inglaterra pouco leal e sujeitava-se a invasões francesas por interposta Espanha dominada por Godoy.

Perante este abandono a que Portugal era votado pelos aliados ingleses, restava ao nosso país as negociações para a paz, com os franceses, uma vez que a tese da neutralidade não era aceite pelo Directório gaulês como fora comunicado ao Conde da Barca. António de Araújo e Azevedo comunica ao Governo português as exigências francesas para um acordo de paz que incluíam "o abandono da aliança inglesa, com a consequente exclusão de navios britânicos dos portos portugueses, a livre admissão dos franceses, a indemnização de guerra e liberdade de navegação no Amazonas".

Estas propostas traduziam-se num corte de relações com Inglaterra. Portugal, numa primeira fase, mostrou-se disponível para romper com a aliança britânica mas esta potência opôs-se e o nosso António Araújo é detido em Paris, violando todos os direitos dos diplomatas.

Entalado entre os interesses ingleses e a vontade dos franceses em romper com Portugal que também ficava mal visto diante dos ingleses por negociar com Paris o fim do "casamento" com Londres.
Se Portugal aceitasse a doutrina de França — a paz em troco do abandono da aliança com Inglaterra — expunha o Brasil e o Oriente, as comunicações marítimas e o seu comércio geral.

Assim, face ao abandono dos ingleses, Portugal tenta negociar a paz com Paris. O Conde da Barca era o intermediário da vontade francesa em negociar com Portugal, desde que abríssemos os nossos portos aos franceses e lhes abríssemos as águas do Amazonas. Estas condições significavam a ruptura com Londres mas Portugal chega mesmo a redigir um tratado de Paz com França, os ingleses protestam e os franceses prendem o Conde da Barca, embaixador de Lisboa em Paris.

Entre avanços e recuos — com Londres e Paris — a diplomacia portuguesa, na esperança de que a França (ocupada com outras frentes de batalha) não atacasse Portugal.

O Governo de D. Maria I dedica-se a reorganizar a economia e o exército "sem disciplina nem subordinação alguma e, além disso, mal pago" — como descreve a "História da Guerra Civil e do estabelecimento do Govenro parlamentar em Portugal".
Nos fins de Novembro de 1800, Luciano, irmão de Bonaparte, era designado embaixador de França em Madrid traduzindo a importância que ligava os interesses de Paris e Espanha. Portugal expunha-se a iminente perigo mas confiava que os apertados laços de sangue... de Carlos IV com a corte portuguesa capazes de impedir a invasão. Puro engano quando o monarca de Castela afirmava a vontade de desafronta a muitos ultrajes lusitanos quando diz "venderia a minha coroa e a própria camisa que visto" se não o fizesse.

A Portugal não restava outra saída se não a guerra com França e a 20 de Maio de 1801, o Alentejo era invadido sem que os portugueses se tivessem preparado minimamente para resistir à invasão em qualquer um dos quatro pontos de entrada. Era o resultado de uma política ambígua portuguesa perante a complexidade de interesses e equilíbrios de poderes na Europa de então.

Começava assim uma década de permanentes conflitos militares que destroçaram o país.

Saturday, January 3, 2009

Franceses em Braga há 200 anos (1)



A segunda invasão francesa começou em Fevereiro de 1809 e constitui — após a entrada de leão por terras de Vieira e da Póvoa de Lanhoso em direcção ao Porto, com batalha em Braga — uma das maiores derrotas militares do Marechal Soult.

Os franceses entraram em Portugal por Trás-os-Montes (após a heróica resistência em Caminha), conquistando as terras do Minho até ao rio Douro. As forças de Napoleão Bonaparte não aguentaram a resistência anglo-portuguesa e retiraram por onde vieram, em Maio do mesmo ano. À terceira tentativa evitaram o Minho.

O historiador Oliveira Marques afirma que estes "quatro ano de guerra haviam deixado o país em situação miserável. As invasões e a ocupação francesa devastaram uma boa parte de Portugal, sobretudo a Norte do Tejo. A Agricultura, o comércio e a indústria foram profundamente afectados, já sem falar das perdas de vidas, das crueldades habituais e destruições sem conto".

São boas razões para iniciarmos, uma série de artigos sobre a segunda invasão francesa que testemunhou a heroicidade e capacidade de resistências dos povos da Póvoa de Lanhoso e vizinhos, como Vieira do Minho e Braga.

"Tanto franceses como ingleses saquearam um bom número de mosteiros, igrejas, palácios e casas humildes, levando consigo toda a casta de objectos preciosos, incluindo quadros, esculturas, móveis, jóias, livros e manuscritos" — assegura o insigne historiador Oliveira Marques na obra "História de Portugal".

Estamos na antecâmara da revolução da Maria da Fonte que há-de fustigar o Minho, a partir de Font'Arcada três décadas depois. São razões bastantes para a escolha deste tempo e deste tema, devido ainda às profundas alterações sociais que se registam com o surto de emigração para o Brasil.

A AMBIÇÃO GAULESA

A segunda invasão francesa insere-se na chamada Guerra peninsular, no começo do século XIX, na sequência da queda dos velhos sistemas monárquicos absolutistas e dos desmandos da Revolução Francesa de 1789. A Inglaterra e a França (mais a Rússia, Prússia e Àustria) agigantaram-se na luta pela conquista de uma liderança política e económica.

A Espanha fez inicialmente o jogo francês até ao momento em que viu estar a sua independência em perigo. Portugal era um pequeno país de costas voltadas à Europa mas um secular e fiel aliado inglês que Napoleão queria controlar de forma a controlar uma grande parte dos portos portugueses e aniquilar o poderio naval bélico e comercial dos ingleses.

Napoleão não desistiu enquanto não conseguiu controlar este "porto de abrigo dos ingleses" que era Portugal e, ao mesmo tempo, cortar a tutela inglesa sobre a Lusitânia.

A invasão do território português em 1801, insere-se no primeiro período em que os Espanhóis se aliaram aos francesas. São aqueles quem protagoniza essa invasão que termina com a comédia de Baiona, quando os reis espanhóis são presos e os franceses conquistam o domínio de Espanha.

Em Portugal eram bem recebidas as ideias da Revolução Francesa, o que explica a inacção lusíada perante este insulto espanhol às nossas fronteiras à mercê da libertação por parte dos ingleses. A Inglaterra assumira-se como inimiga de França quando o rei Luís XVI é condenado à guilhotina, em Paris, em 1793. Neste mesmo ano, Portugal e Espanha assinavam um acordo de protecção mútua contra França.

Idêntico acordo era celebrado entre Portugal e Inglaterra no mesmo ano. Em França, instaura-se o Directório da República, dois anos depois, que vigora até 1799, altura em que Napoleão Bonaparte assume todo o poder e se auto-proclama Imperador em 1804.

A França ameaçava todos os interesses marítimos dos ingleses e Portugal é colocado perante um dilema: ou aceita a paz com a França, em troca do abandono da aliança com Inglaterra (que escarnecia do seu aliado no Brasil e no Oriente) ou mantinha-se fiel a uma Inglaterra pouco leal e sujeitava-se a invasões francesas por interposta Espanha dominada por Godoy.

Perante este abandono a que Portugal era votado pelos aliados ingleses, restava ao nosso país as negociações para a paz, com os franceses, uma vez que a tese da neutralidade não era aceite pelo Directório gaulês como fora comunicado ao Conde da Barca.

António de Araújo e Azevedo comunica ao Governo português as exigências francesas para um acordo de paz que incluíam "o abandono da aliança inglesa, com a consequente exclusão de navios britânicos dos portos portugueses, a livre admissão dos franceses, a indemnização de guerra e liberdade de navegação no Amazonas".

Estas propostas traduziam-se num corte de relações com Inglaterra. Portugal, numa primeira fase, mostrou-se disponível para romper com a aliança britânica mas esta potência opôs-se e o nosso António Araújo é detido em Paris, violando todos os direitos dos diplomatas.

Entalado entre os interesses ingleses e a vontade dos franceses em romper com Portugal que também ficava mal visto diante dos ingleses por negociar com Paris o fim do "casamento" com Londres.

A Portugal não restava outra saída se não a guerra com França e a 20 de Maio de 1801, o Alentejo era invadido sem que os portugueses se tivessem preparado para resistir à invasão em qualquer um dos quatro pontos de entrada.
Começava assim uma década de permanentes conflitos militares que destroçaram o país, como veremos nas próximas crónicas.

Querem crime sem castigo?

Os dados do Espaço Informação Mulher da Câmara Municipal de Guimarães dizem-nos que a mulher, casada, com filhos, idade entre os 40 e os 50 anos constitui o retrato-tipo da vítima de violência doméstica de Guimarães.

Depois de apresentado o retrato da mulher alvo de violência, o mesmo organismo nota que os casos de violência doméstica têm aumentado no concelho de Guimarães.

A subida revela também uma maior predisposição das vítimas para a denúncia das agressões mas é espantoso que sejam elas, as vítimas das agressões, maus tratos e coacção psicilógica, quem não quer a punição dos seus autores.

Os crimes de violência doméstica constituem um crime público desde 2000. Se é verdade que as vítimas começam a ter cada vez mais noção da necessidade de denunciar os casos, também é verdade que mais de metade das mulheres continuem sem o fazer junto das forças policiais.

A maioria das vítimas de violência doméstica continua a preferir os centros de saúde e a Segurança Social para dar conta da situação humilhante em que vivem.

Estamos a falar de mulheres com uma média de idades que se situa nos 47 anos, grande parte delas exerce actividades sem especialização, mas há também reformadas e desempregadas (7%).

Maus-tratos psicológicos e físicos são os mais frequentes, totalizando mais de sessenta por cento dos casos, mas o que mais continua a ser difícil de acreditar é que grande parte destas mulheres sejam assim tratadas pelos seus maridos ou companheiros.

A crise económica pode gerar muitos conflitos no seio do lar porque casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, mas acima de uma crise de contornos económicos está sobretudo um défice de valores humanos essenciais a um relacionamento civilizado entre duas pessoas.

O respeito pelos outros começa em nós porque ninguém dá aquilo que não tem. Por isso, é inconcebível que uma boa parte das mulheres que são vítimas da violência doméstica não se respeitem a si próprias e continuem a encobrir um crime público mesmo que perpetrado dentro de sua casa.

É tempo das mulheres perderem o medo de denunciar os agressores que atentam contra a sua dignidade como pessoas humanas.
É verdade que muitas não podem, porque está em causa a sua sobrevivência. Por isso, cabe ao Estado criar condições económicas para que as vítimas de violência doméstica não tenham de pensar primeiro na sua sobrevivência e depois na sua dignidade humana.

Enquanto isso não acontecer, o combate à violência doméstica por parte do estado é uma ficção e mais um exercício de hipocrisia.

O Estado tem de dar alternativas válidas às vítimas de violência para sobreviverem após a denúncia deste crime público quando o autor está em casa, sob pena de estar a ser conivente com um crime que ele diz castigar, por um lado, mas alimenta, por outro.

Querem um crime sem castigo? O Governo tem a palavra. Não basta a lei se ela não pode cumprir-se.

Crise: um gesto de lince

A Câmara de Braga introduziu um novo sistema de controlo de avenças de estacionamento para os residentes nas ruas do Centro urbano.

O novo sistema, denominado Cavest, implica a substituição dos actuais identificadores de avenças, em papel, por um pequeno suporte electrónico que será distribuído gratuitamente aos subscritores de avenças de estacionamento na cidade de Braga.

Esta notícia bem podia não o ser, caso não tivesse a particularidade de sabermos que o novo sistema de controlo de avenças de estacionamento foi desenvolvido poru uma empresa de Braga, que se dedica à consultoria, desenvolvimento e fornecimento de soluções inovadoras para a área das tecnologias de informação.

Ora a escolha da Lincis, cujo símbolo é um Lince, representa da parte do município a perspicácia para encontrar um exemplo que pode ser duplicado e repetido em outras contratações de serviços, ou seja, preferir as empresas de Braga ou do Minho.

Utilizando o seu know-how em soluções industriais a Lincis oferece soluções chave-na-mão, para mercados como ATE (Equipamentos de teste automático), controlo de acesso integrado para hospitais, sistemas de pagamento automático para transportes públicos, sistemas de controlo de qualidade utilizando processamento de imagens e soluções para telemetria remota de equipamentos móveis.

É uma forma concreta e eficaz de apoiar o tecido empresarial e a economia bracarenses que vale muito mais que dezenas de discursos e resmas de declarações de intenção de apoio. Se o exemplo for seguido por outras autarquias e até pelas empresas, na medida do possível, gera-se criar uma rede de fornecimento de serviços que absorva a produção das nossas empresas.

Muitas vezes se pergunta por que importam as empresas produtos do estrangeiro quando existem entre nós produtores com a mesma qualidade e avanço tecnológico. Não será porque muitos dos nossos empresários e projectistas vivem no seu cantinho, de costas voltadas para os empresários de outros ramos de actividade?

A compra da produção das nossas empresas segura postos de trabalho cujos salários dinamizam a actividade comercial e os serviços, fazendo rolar a economia.

Porque é que o fazem os outros países, quando adoptam medidas proteccionistas do seu tecido empresarial e económico? Porque sabem que é essa a única forma de se proteger em tempo de crise.

Porque é que os empresários de construção civil, por exemplo, importam torneiras, se em Portugal há quem as fabrique com qualidade? A diferença de preço justifica?

Se nunca fizeram, é tempo de fazerem as contas ao preço a pagar no futuro com a destruição do aparelho produtivo e industrial levando na enxurrada o comércio de retalho e por grosso enquanto lançam pela janela fora milhares de trabalhadores para o desemprego.

Também, entre nós, é possível atenuar a crise das nossas empresas de produção e comércio se empresários e autarquias tecerem uma rede de produção, aquisição, fornecimento e abastecimento que garanta escoamento, qualidade de serviço, dinamismo no comércio e manutenção dos postos de trabalho.

Podem ser pequenos, mas é com gestos perspicazes que se iniciam novos movimentos nas empresas e nas economias. O exemplo de Braga pode ser um bom ponto de partida para um excelente ponto de chegada no fim deste ano 2009.

Às vezes queremos mudar o mundo e esquecemos de começar por mudar o que está ao nosso alcance e bem próximo. Acabamos por nada mudar e naufragar na utopia.

Pode ser um lema fantástico, para este ano, não pode? Então, que seja, já hoje. Tenha gestos de lince.

Saturday, December 20, 2008

D. Diogo de Sousa: escola da solidariedade



Os alunos do Colégio D. Diogo de Sousa entregaram sexta-feira, durante a festa de Natal um computador e um cabaz de Natal, mais uma quantia em dinheiro a uma jovem de Vieira do Minho.

Esta jovem, Maria Odete Silva, de 18 anos, sofre de uma doença congénita degenerativa e reside na freguesia de Mosteiro.
Alem do computador que tinha pedido aos alunos dos 2.º e 3.º ciclos, quando estes fizeram uma visita a sua casa, os alunos recolheram donativos suficientes — quase três mil euros — para lhe oferecer um cabaz de natal e setecentos euros para consultas de terapia da fala.

A adesão dos alunos foi, em muitos casos, fantástica, o que permitiu recolher quase três mil euros para realizar o sonho da Odete, ajudar a família comum cabaz de Natal e juntar algumdinheiro para as consultas de terapia da fala.

O dinheiro foi confiado ao pároco da freguesia, Padre Nuno Duarte Campos, revelou o padre Cândido Azevedo Sá, director da escola. A escolha desta jovem ficou a dever-se a uma indicação do Serviço Social do Hospital de S. Marcos a quem os alunos recorreram para encontrar objectivos para a campanha solidária, conforme explicou o director do Colégio D. Diogo de Sousa.



MÃE DE ODETE
SURPREENDIDA

Após a entrega do computador e do cabaz de Natal, num momento de grande emoção e ternura, o padre Nuno Duarte Campos não escondeu a sua alegria pelo gesto dos jovens alunos do Colégio D. Diogo de Sousa.

Por sua vez a mãe da Odete disse que não contava com tanto e que esta dádiva foi uma linda surpresa para ela: “estes jovens são maravilhosos e nunca pensamos em tanto” — afirmou Filomena Silva.

A próxima acção solidária concretiza-se na próxima semana com a ajuda a uma menina que sofre da doença de Creutzfeldt-Jakob, em Famalicão. É uma situação dramática: a mãe teve de deixar o emprego para cuidar dela e o pai sofreu há semanas um acidente de trabalho em Espanha.

PÁROCO TESTEMUNHA ALEGRIA

O pároco do Mosteiro, Padre Nuno Duarte Campos, deu conta à rádio Antena Minho da grande alegria vivida pela Maria Odete Silva “porque este era um dos seus sonhos”.

Os alunos do Colégio D. Diogo de Sousa souberam deste sonho da menina e “em boa hora quiseram torná-lo realidade. Para nós, para a família e para mim, como pároco, foi um gsto que me tocou e tocará a comunidade do Mosteiro. Reflecte um pouco o espírito da quadra que estamos a viver e que este sentimento de solidariedade ainda está vivo nos alunos e creio que é fundamental na sociedade de hoje”.

O Padre Nuno Duarte revelou também que vai continuar a dar apoio à família e espera que a comunidade de cristãos do Mosteiro assuma “este projecto como seu, dando todo o apoio possível e necessário à Odete”.

Há umas consultas que a Odete tem em Braga — mas para vir têm de alugar táxi — o que se torna difícil para a família e “nós vamos procurar ajudar na medida do possível esta família”.

O pároco de Mosteiro e arcipreste de Vieira do Minho sensibilizou já o presidente da Câmara de Vieira do Minho para esta situação de modo a encontrar uma forma de apoio a esta jovem e à sua família.

O presidente do Município, Albino Carneiro, já se mostrou receptivo a encontrar uma forma para poiar esta jovem que s exprime apenas por monossílabos para pode evoluir um pouco mais ao nível da comunicação com os outros com ajuda médica e terapêutica para a qual a mãe não tem meios.

O padre Nuno Duarte Campos foi alertado para esta situação — cuja gravidade desconhecia — quando foi contactado pelos alunos do Colégio Dom Diogo de Sousa.

O caso da Maria Odete Silva foi indicado pelos Serviços Sociais do Hospital de S. Marcos em Braga.

Os alunos visitaram a Odete Silva, em sua casa, em Vieira do Minho, conversaram com ela, recolheram imagens e sons para um pequeno documentário que foi apresentado sexta-feira no auditório do Colégio, antes da entrega do computador, do cabaz de Natal e do dinheiro sobrante para consultas. Foi um momento de rara beleza e emoção que encheu a sala.


SESSENTA ANOS
EM CELEBRAÇÃO

A semana do Colégio Dom Diogo de Sousa foi animada ao longo de todas as tardes com as festas de Natal protagonizadas pelo milhar e meio de alunos, desde o pré-primário até ao décimo segundo ano.
No entanto, a manhã de sexta-feira foi especial, com a entrega de um computador à jovem Odete Silva,18 anos mas com corpo de criança, pelos alunos do 11.º e 12,º anos.

O padre Cândido Azevedo de Sá, director do Colégio, descreveu os passos seguidos até ao momento da entrega do computador e cabaz de Natal à jovem de Vieira do Minho.

O colégio faz todos os anosuma campanha de solidariedade para “educar os nossos alunos para esse valor que é muito importante. Este ano quisemos fazer diferente, para uma causa concreta e pedimos ao Serviço Social do Hospital de S. Marcos que nos indicou esta menina de Vieira do Minho que sofre de distrofia miotónica congénita”.

Depois, prossegue o Director, “pusemos os alunos a trabalhar este caso para realizar o grande sonho da Odete que era ter um computador e tentar fazer com que o Natal da sua família seja melhor”.

A compra destes bens agora oferecidos resulta de uma campanha em que foi “explicado aos alunos o seu objectivo e as turmas do 5.º e 6.º anos e do 10.º ao 12.º anos quotizaram-se para arranjar as verbas para o computador, Além disso, a generosidade dos alunos foi grande, conseguiram dinheiro para consultas da terapia da fala e vamos colaborar com o serviço de Pediatria oferecendo umas cadeiras específicas que o Hospital precisa” — explicou o padre Cândido.

Mas há outras. “Todos os ciclos de ensino têm uma campanha. No caso do pré-escolar estão a fazer a campanha a favor de uma menina de 14 anos, de Famalicão, com a doença de Creutzfeldt-Jakob. É uma família com muitos problemas e muitas dificuldades que vai ser ajudada pelos meninos do pré-escolar” — adianta o nosso interlocutor.

Os alunos do primeiro ciclo e do 7.º a 9.º anos vão ajudar famílias com necessidades na fregusia de Godinhaços, em Vila Verde, além de famílias de Adaúfe, S. Vítor e S. Vicente.

Apesar do colégio estar a lançar as comemorações dos 60 anos da sua fundação, o padre Cândido Azevedo Sá sublinha que “fazemos todos os anos estas campanhas. É uma forma dos alunos consolidarem também esse valor que é essencial na sociedade de hoje: estar atentos às necessidades dos outros”.

Quanto às celebrações, o Director levanta um pouco o véu do programa que uma equipa do Conselho Pedagógico, Professores e Direcção está a preparar.

Vamos ter uma série de exposições sobre a história do Colégio, os vultos , os fundadores e um encontro de antigos alunos que é incontornável. Vamos procurar fazer palestras sobre temas relevantes da pedagogia e pessoas importantes ligadas à vida e história do Colégio, além de outras acções que temos em mente e que oportunamente serão anunciadas” — conclui o Padre Cândido Azevedo Sá.

Saturday, December 13, 2008

Oiçam o sapateiro de Braga!

Os empresários do Minho estão ansiosos por saber se o Governo, o Parlamento e o Presidente da República vão ser tão rápidos a ajudá-los nesta conjuntura como o foram para acudir ao sufoco que a ganância financeira causou no sistema bancário português.

Muito deles estão crucificados no calvário da ganância bancária que obscenamente se vangloria de lucrar seis milhões de euros por dia em Portugal no primeiro semestre deste ano.

À operação legislativa mais rápida que há memória em Portugal, por iniciativa do Governo com beneplácito do Parlamento e do Presidente que, mais uma vez, não teve dúvidas sucede o marcar passo de medidas eficazes para relançar as empresas portuguesas no limiar da extinção.

Daí que tenha toda a razão de ser — até porque é feito por quem está bem enfarinhado nos assuntos — o apelo do presidente da Associação Industrial do Minho ao acusar a banca de “continuar a levantar cada vez mais obstáculos às empresas”.

António Marques, pediu um puxão de orelhas do Governo aos bancos — a quem acaba de avaliar a sua viabilidade — porque continuam a recusar empréstimos e a negociar taxas de ‘spread’ muito altas.

É a autoridade do Governo que está a ser posta em causa pelos magnatas das finanças que fazem “gato sapato” de um Estado que disponibilizou garantias financeiras para apoiar a economia do país.

Porque é que umas empresas — os bancos — são discriminados positivamente pelo Estado que somos todos nós, empresários que pagam os seus impostos, incluídos, enquanto as outras empresas são esquecidas ou não existe a mesma rapidez do Governo ou uma palavra do Presidente da República?

É legítimo também que os empresários se questionem sobre alguma utilidade que possam ter organismos como o IAPMEI ou a Agência para o Comércio externo de Portugal.

Porque é que, por exemplo, não se uniformiza o pagamento do IVA, como foi efectuado para as transportadoras: o imposto só é pago quando a factura é liquidada. Onde radica esta desigualdade de tratamento fiscal entre as emopresas do mesmo país?

Como pode explicar o Governo que trata todos por igual se aprova umas medidas de apoio ao sector automóvel e esquece os outros ramos da actividade industrial portuguesa?

Como o sapateiro de Braga, os empresários do Minho não percebem esta moralidade onde não comem todos e só alguns engordam, como acontece com o sistema bancário, enquanto os governantes (presidente da República incluído) andam a ver navios.

Oxalá, os empresários do Minho não baixem os braços e o Governo oiça os seus apelos de justiça e equidade para que não seja recebido com trabalhadores a empunhar as bandeiras negras da fome. É disso que se trata.

S. Adrião: 25 anos de dedicação com qualidade




A cereja no topo do bolo dos 25 anos de vida do Centro Social, Recreativo e Cultural de Santo Adrião é o complexo desportivo a construir em terrenos cedidos pela Câmara Municipal de Braga, para servir todas as pessoas de todas as idades. O bolo de aniversário foi a recepção do certificado de qualidade nos serviços sociais prestados à infância, juventude e idosos.

A dimensão social constitui a marca distintiva do Centro Social de Santo Adrião, visível na exposição que mostrou o nascimento e crescimento até à sua consolidação e certificação.

Os coros e os gruopos de teatro iniciais, um torneio de futebol de salão e a estreia do Hino do Centro, constituíram outros momentos marcantes do programa que culmina sexta-feira com uma sessão solene.

A grande família do Centro Social e Cultural agrega quase quatro mil sócios que dão força a uma instituição que apoia a infância, dinamiza a Juventude e melhora a qualidade de vida dos idosos.

Fomentar o desporto e apoiar a juventude sempre numa óptica de promoção social, federado sim, mas sem nunca esquecer os objectivos sociais são os resultados mais esperados pelos responsáveis do Centro de S. Adrião.

Diariamente por ali passam e vivem 300 crianças e140 idosos (ou seja quase 500 utentes diários).

Mas à quantidade, responde o Centro Social e Cultural de Santo Adrião com outro desafio gigantesco: ser a primeira IPSS de Braga certificada em todas as áreas e valências, cujo certificado foi entregue na passada sexta-feira, dia 12 de Dezembro.

De facto, o Centro Social de Santo Adrião envolve mais de duas mil crianças e jovens em actividades desportivas, em modalidades que começam na ginástica de manutenção e prosseguem com o futsal, kickboxing, ténis, danças de salão, actividades radicais e passam pelos campos de férias, sem esquecer as actividades do grupo Synergia que desenvolve a música hip pop, skate e DJ’s, dinamizando tempos livres de jovens nas escolas.

A natação para a terceira idade é uma das modalidades a reforçar com a construção do complexo desportivo que, na primeira fase inclui a construção de um pavilhão gimnodesportivo (no valor de 500 mil euros), seguindo-se uma piscina de ar livre e outras áreas de serviço aberto à comunidade.

João Sousa — que praticamente abandonou a escola onde exercia a profissão — e seus companheiros nesta aventura solidária merecem o apoio do estado para concretizarem os seus sonhos.
Eles só pedem ao Estado que não atrapalhe.
Vontade de fazer bem aos outros têm de sobra.