Saturday, September 20, 2008

D. Antonino Dias: a sorte de Portalegre e Castelo Branco


Na hora da despedida, o bispo auxiliar de Braga, D. Antonino Dias reconhece que “somos uma Igreja de muito culto e às vezes pouca cultura na Fé; o culto também é uma expressão da Fé mas penso que a grande aposta é a cultura da Fé”.
Na hora do adeus a Braga onde serviu desde 2001, este bispo deixa saudades, especialmente entre os padres da Arquidiocese que lhes prestaram uma singela mas singular homenagem. As saudades de muitos bracarenses são a sorte dos cristãos e padres de Castelo Branco e Portalegre que o vão ter a partir de Outubro.

Em jeito de balanço “muito positivo” a esta nova passagem por Braga D. Antonio Dias destaca “toda a riqueza que recebi no contacto com o sr. Arcebispo, os bispos auxiliares e sobretudo com o clero que foi sempre muito delicado, atencioso e pela forma como sensibilizavam o povo para as visitas pastorais e como o povo nos acolhiam”.

“É muito positivo aquilo que sinto” — assegura D. Antonino Dias na hora da despedida da Dioceses de Braga depois de ser nomeado bispo de Portalegre e Castelo Branco, a partir de 7 de Outubro.

“Eu corri a arquidiocese toda uma vez e já ia perto do fim da segunda ronda de visitas pastorais e causou incómodo esta mudança porque o arciprestado de Braga já tinha tudo programado e delineado a contar comigo” — recorda o novo Bispo de Portalegre e Castelo Branco, nascido em Longos Vales, Monção.

Há uma zona da arquidiocese que está em desertificação e há outra a faixa litoral que cresce (“a que me estava atribuída territorialmente”) — acrescenta o bispo auxiliar de Braga, em entrevista à rádio de Braga Antena Minho, que é emitida hoje, às 10 horas, no programa “Sinais — a religião é notícia”.

Fazendo um retrato religioso da diocese de Braga, o prelado refere que “somos uma zona de muito culto e às vezes pouca cultura na Fé; o culto também é uma expressão da Fé mas penso que a grande aposta é a cultura da Fé, como defende o senhor Arcebispo e está a ser feito”.

“Uma Fé um pouco tradicional, que às vezes parece que não é uma opção radical da pessoa mas por que vem pda tradição” — é assim que D. Antonino define grande parte do comportamento religioso mas admite que as coisas estão a mudar.
Uma das marcas do seu episcopado foi uma ligação estreita com os padres, sendo um bispo muito próximo dos seus padres.

Daí que ele conheça bem as maiores inquietações dos sacerdotes: “aquilo que mais admirei foi a unidade e comunhão do clero mas aquilo que mais me preocupa é quando algum padre se afasta de viver com os outros padres, deixa de participar nas actividades com outros , deixar de fazer formação permanente, se coloca um pouco à margem. Isso não é um bom sinal e muitas vezes é um sinal de que outras coisas estão acontecer na vida do padre. Queremos muitas vezes ir ao seu encontro mas há sempre uma resistência quando se chega a determinado de viver e de estar que é difícil de contrariar. Mais tarde vão se arrepender mas...”

Para D. Antonino Dias, a solidão dos padres não é o problema porque um”padre não tem o direito de dizer que vive na solidão. O padre só está só se quiser e só sente a solidão se quiser. Esse é o perigo, o padre isolar-se dos outros e de Deus. Quem crê nunca vive só e se isso é verdade para qualquer pessoa, muito mais para um sacerdote.”

Nas suas visitas, D. Antonino Dias reconheceu situações de grande fragilidade de alguns padres pois “admirava como é que alguns senhores padres, com paróquias pequeníssimas, com pouca gente, ali passaram uma vida inteira, com uma austeridade que me surpreendia. São heróis e exercem um autêntico sacerdócio na multiplicidade dos sentidos”.

D. Antonino Dias recebe a nomeação para o alto Alentejo como surpresa pela altura em que foi nomeado, quando novo ano pastoral está em marcha e quanto ao local, porque esperava que fosse escolhida outra pessoa que conhecesse melhor Portalegre e Castelo Branco.

Na romaria de Porto d’Ave, D. Antonino Dias lançou a “ameaça da explosão de uma bomba social no distrito de Braga”: “preocupa-nos muito a situação económica das família, porque ela é geradora de instabilidade e aqui e no Alto Minho todos os dias vimos fábricas a fechar. Há pessoas que não gostem que se fale nisto mas há certas realidades que a dimensão profética da Igreja não pode ser ignorada. O que eu disse em Porto d’Ave, nem são dados meus, são da União de Sindicatos de Braga — que tem feito um grande trabalho nesse sentido — foi confirmado pelas Instituições de Solidariedade Social. Estamos prestes a que, em Braga, estoure esta bomba social. É uma situação difícil e não se prevê que esteja a desanuviar. Dá impressão que vão vir tempos mais escuros mas tem de haver esperança. Temos de reagir e agir contra a situação, para acém de agradecer àqueles que são capazes de investir para criar novos empregos e procurar a solidariedade de uns com os outros,
nas paróquias temos de ser cristãos e ajudar quem precisa”.

Aos “meus parceiros, os padres”, D. Antonino deixa uma palavra de gratidão — “por tudo quanto fizeram e pela sua gentileza e delicadeza que tiveram sempre comigo, e que não desanimem” — e um convite: “Portalegre e Castelo Branco não são sítios turísticos mas passem por lá para recordarmos os momentos bons que aqui vivemos”.

Tordo: um cicerone de Braga



Às vezes damos connosco a perguntar qual será a razão que explica tão pouca auto-estima dos bracarenses que valorizam tão pouco aquilo que tem dentro da sua cidade e no seu concelho.

Comparativamente com outras cidades de Portugal, os bracarenses não manifestam o orgulho e vaidade que Braga e as suas instituições deviam merecer, a começar pela brilhante noite de futebol europeu proporcionada ontem pela equipa de futebol do Sporting de Braga.

Entre as cinco equipas portuguesas participantes na Taça UEFA, a equipa arsenalista foi a que mostrou melhor perfomance numa competição de elevado nível de exigência.

E, no entanto, quantos espectadores estavam no Estádio Municipal de Braga para ver a sua equipa a defrontar um clube que há dois anos venceu o F. C Porto no Estádio das Antas para a Liga dos Campeões?

Numa noite em que o jogo nem tinha transmissão televisiva, tem de admitir-se que menos de dez mil espectadores, num concelho com 170 mil habitantes, constitui uma marca que não deixa ninguém satisfeito.

A insatisfação deve começar pela direcção do Clube — com cerca de 15 mil associados — que este ano está afazer um grande investimento para que o Sporting minhoto tenha uma equipa de topo nacional e de top europeu.

Uns dirão que a maioria dos bracarenses não se pode dar ao luxo de pagar trinta euros para ver um jogo e que a Direcção desconhece a frágil realidade económica das famílias. Outros dirão que Braga não é só futebol. É verdade mas também aí não falta quem dê o verdadeiro valor àquilo que Braga possui e as suas instituições públicas e privadas desenvolvem.

Por isso, sabe bem ouvir pessoas esclarecidas como o grande compositor e cantor Fernando Tordo que veio a Braga classificou o Teatro Circo como o “mais belo do pais”. Alguns bracarenses com responsabilidades, perante estas realidades, preferem o silêncio, deitar mão dos pormenores para ensombrar o essencial ou — se fosse eu a escreve-lo, diziam que eu era um escriva vendido a dar eco à voz do dono.

Mais, também devia aumentar a auto-estima dos bracarenses ouvir um grande senhor da musica portuguesa destacar o talento de dois grandes músicos bracarenses, como os Josés Sarmento e Talaia. Mais ainda, que este grande senhor da musica lusitana lhes dedique um concerto com orquestra no dia 4 de Outubro, no mais belo teatro do pais.

Mas ainda aproveitamos mais uma achega de Fernando Tordo para ajudar os bracarenses a gostarem mais da sua cidade. Ele disse — e citamos, do alto dos seus 43 anos de carreira — “Braga é uma cidade da linha da frente em termos culturais”.

Gostaram? Eu amei e fico a torcer para que os bracarenses amem mais a sua cidade, o que ela tem, os filhos que gerou e as instituições que lhe dão vida com uma qualidade que devia merecer mais reconhecimento íntimo dos bracarenses.

Em vez de se desgastarem em criticas mesquinhas, invistam o tempo a saborear o que Braga tem para oferecer e é muito. Basta abrir os olhos porque é uma pena que tenham de ser os forasteiros a desempenhar o papel de cicerones daquilo que teimamos em não querer saborear porque não queremos ver.

João dos Anjos: a alma da "Confiança"



João dos Anjos é quase um emblema da Confiança, fábrica de perfumaria e saboaria, mítica fábrica confiança, se calhar uma das mais lucrativas em Braga na primeira metade do século XX e continua a laborar embora “amputada de certos produtos”. A propósito de uma exposição que assinala os 114 anos desta fábrica emblemática de Braga, que decorre na Rua de S. João, por iniciativa da Imago, João dos Anjos partilha connosco algumas das recordações que marcaram os 60 anos que ali viveu.

Num tempo de competitividade feroz, a Confiança de hoje continua a fabricar “bons produtos, como há 50 anos, em que eram apreciados no mercado português e e lá fora” e a vida de João dos Anjos confunde-se com a história da empresa.
João dos Anjos destaca os perfumes TS ou Veleiro, com uma base de alfazema que é muito agradável quer para senhora quer para homem e nos sabonetes o Alfazema”.

Nasceu na rua Nova de Santa Cruz em 1894, e João dos Anjos testemunhou os momentos altos desta empresa que chegou a produzir oito mil caixas de perfume por mês e quatro mil caixas de sabonete por mês, em finais da década de 30. Pastas dentífricas e pó de arroz eram também fabricados nesta empresa cuja marca social é notável com assistência medica aos trabalhadores e seus familiares bem como salário integral mesmo que o trabalhador faltasse por doença.

João dos Anjos começou a sua vida de 60 anos ao serviço da Confiança aos 11 anos, a 7 de Outubro de 1932, quando completou a quarta classe (“era quase um doutro naquele tempo”). “Fui para atender o telefone mas ele nem sempre tocava naquela altura e ia vagueava pela fábrica nos sectores de actividade sabão, sabonete, pó-de-arroz, pasta de dentes e perfumes, e essa atenção resultou. Eu 1944 eu sabia tudo e comecei a estar ligado a todos os produtos que saíam da Confiança”.

“Comecei a fazer de tudo e de nada. Até fazia caixas para sabão. Naquele tempo o sabão não era feito a vapor, mas a fogo directo que punha as gorduras a ferver. Comecei a fazer sabão” — recorda João dos Anjos o homem que estreava todas as máquinas novas que chegavam à Confiança.

“Eu fazia tudo o que havia dentro da Confiança, compor uma água de colônia, fazer a base dos sabonetes, porque era o mais importante porque agora as bases vêm feitas, são importadas” – acrescenta.

Entre as muitas histórias, João dos Anjos como os períodos difíceis da empresa como foi a chegada a Portugal do sabão de Offenback, em cores rosa (de Coimbra para cima) e azul (de Coimbra para baixo) e o nascimento da CUF que fabricava um sabão que “era uma maravilha para as lavadeiras”. Não havia lixívias e o sabão era rei e a “única coisa que tirava nódoas era o sol, era corar”.

“O TS é uma criação minha, um compunha os perfumes que levavam três ou quatro essências, entre elas a rosa da Bulgária que é caríssima. Cheira tão mal tão mal mas dá um aroma e fixação que é difícil de sair.
O contacto permanente com os perfumes era tal que “em minha casa ninguém comia nada daquilo onde eu punha a mão. A minha bata estava sempre suja”. Eu estava em toda a parte da fábrica.

A Confiança tinha três sectores principais: o do sabão, dos sabonetes e dos perfumes. Dentro deste, tinha as pastas de dentes, o creme de barbear (“fui eu que criei o Belopele e depois TS e depois Veleiro”).

A década de trinta foi a altura de maior modernização da Confiança, seguindo-se anos de grande esplendor. “Nós tivemos nessa altura uma creche e um medico para os trabalhadores e suas famílias. O medico dava baixa e a empresa pagava os dias de baixa como se os trabalhadores viessem trabalhar”.

Entre os visitantes ilustres, João dos Anjos lembra-se de várias visitas do presidente da Câmara e até do Marcelo Caetano.
“Eu estava em toda a parte a acompanhar a visita do presidente do Conselho, recorda João dos Anjos. Explicando ao governante como funcionava e o que produziam as máquinas, ao ponto de Marcelo ter desabafado para os donos da fábrica: “este rapaz está em toda a parte”.

Aposentado há 17 anos “sofre com a possibilidade do desaparecimento da Fábrica Confiança. Eu saí em 1992, com 60 anos de trabalho” e recorda ainda o último trabalho que fez: “inaugurar a linha mais moderna de tiragem de sabonetes, que tinha ido comprar a Espanha, que ainda hoje funciona com qualidade e é do melhor que há na Península Ibérica.”

A nossa conversa na rádio de Braga Antena Minho (106 Mhz) não termina sem homenagem aos seus companheiros de trabalho.
“Sempre foram gente muito honesta, gente muito séria e grandes trabalhadores" — conclui.

Wednesday, July 9, 2008

Publicidade bendita

Nasceu para ser discreto.
Mas já que assim, alguns querem,
o blog Braga-agora
agradece
penhoradamente
a publicidade
que lhe está
a ser feita.

Constitui
uma oprtunidade
para quem nos quiser visitar
ficar a saber que Braga
não é apenas
uma cidade
de maledicentes
e de cobardes
que se escondem
atrás da mouta
do anonimato.

Cada
um
dá o que tem
e faz.
Este blog nasceu
para mostrar
o que se faz
para que alguns
possam
ter assunto
para falar.

Saturday, June 28, 2008

Uma figura incontornável em Portugal

O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, defensor de um novo papel da Igreja na sociedade portuguesa voltado para a missão e serviço e não de poder, constitui uma das raras figuras incontornáveis da nação lusitana

D. José Policarpo comemora domingo os trinta anos da sua ordenação episcopal como bispo auxiliar de Lisboa, sustenta que a Igreja não pode estar numa perspectiva de quem joga num equilíbrio de poderes, essa não é a nossa óptica. A Igreja deve ser autêntica no serviço que presta e deve exigir, esperar (…) da sociedade como um todo e do poder político que respeite a liberdade de consciência, que significa também a liberdade de missão.

Ao longo da sua missão episcopal, o Cardeal Patriarca de Lisboa tem respondido à necessidade de consciencializar os cristãos que a Igreja é uma obra de todos.

Ora essa tarefa exige uma mudança de mentalidade por parte da hierarquia tendente formar um laicado cristão ou seja, não olhar os leigos com desconfiança ou indiferença diante das suas capacidades e dos seus dons.

Aliás, D. José Policarpo sabe que uma das coisas mais perigosas que há na Igreja reside nas pessoas que querem estar na Igreja mas não percebem o que é Igreja

Em trinta anos de ordenação, D. José Policarpo assistiu a muitas mudanças na sociedade portuguesa, em Igreja sofreu as próprias convulsões e as próprias tensões da sociedade mas nunca perdeu a serenidade.

Para ele, continuam a ser fundamentais ou divinas a liberdade de consciência, a liberdade de expressão, direitos que integram a sua cartilha fundamental de cidadania eclesial.

Infelizmente, nem todos os altos responsáveis da Igreja Católica assimilaram ainda estes direitos fundamentais. D. José Policarpo constitui um farol da Igreja portuguesa na medida em que se preocupa mais com o que a Igreja tem de fazer por si e dentro de si próprio do que em arremessar pedras ao papão do secularismo que parece devorar a sociedade portuguesa.

Se é verdade que mais de oitenta por cento dos portugueses se declaram católicos, também é certo que a esmagadora maioria deles tem uma relação com a Igreja que não ultrapassa as festas do baptismo e do casamento, o que acentua o divórcio entre os portugueses e o cristianismo.
É esse trabalho de casa que falta fazer à Igreja Católica para ser bem recebida em casa alheia.

Sarau de aromas no Colégio Teresiano




Uma fantástica palestra sobre as plantas aromáticas pelo prof. Jorge Paiva, o folclore puro exibido pelos Romeiros do vale do Cávado e actividades diversas protagonizadas pelos assinalaram o encerramento do ano lectivo no Colégio Teresiano, em Braga, no passado fim-de-semana.

“O mundo envolvente das plantas” foi o tema de mais uma Noite Scienciacional em que, à volta de um tema, se procura fazer divulgação científica e educação ambiental, junto de toda a comunidade escolar deste Colégio, comparecendo habitualmente algumas centenas de pessoas.

Os temas até agora tratados, “Os micro-organismos” e “O Chocolate”, foram abordados sobre uma multiplicidade de perspectivas, numa abordagem integradora e multidisciplinar, com relevo da componente científica.

Na apresentação daquele professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, Isabel Roque, Directora Pedagógica do Colégio justificou a iniciativa afirmando que “as culturas que não respeitam o ambiente, dificilmente respeitam as pessoas”.

Com mais de 500 artigos sobre botânica em enciclopédias e revistas, o prof. Jorge Paiva deliciou os assistentes com uma palestra sobre plantas como “seres vivos muito importantes para os seres humanos”, centrando-se nas aromáticas.
Para nos apercebermos da importância das plantas para os seres humanos, “70% dos medicamentos humanos são extraídos de plantas”.
A importância da água nos organismos vivos (num homem de 70 Kg, 42 Kg são água) — daí que ninguém faz greve de sede, o prof. Jorge Paiva sustentou que a água é fundamental à vida.

No entanto, nos locais mais secos, as plantas libertam aromas para se protegerem da falta de água. No entanto, o aromático é tóxico mas pode-se comer desde que não se exagerem as quantidades.



Daí que não se deva abusar do chá ou da salsa. O facto de as plantas aromáticas serem tóxicas permite que elas matem bactérias. Veja-se o louro, exemplificou o orador. Pode provocar cancro e por isso não se deve exagerar na comida. Ou então, a pimenta. Há quem não a suporte. Como também não se deve abusar do chá de camomila, por exemplo. Alguns chás têm mais cafeína que o café.

O orador “viajou” também pelas plantas que alimentam a cosmética, como o Sândalo (que os indonésios extinguiram em Timor Leste) ou o Aloé Vero já citado na Bíblia e em Aristóteles ou o incenso ou as folhas de tomate que matam os piolhos...
Em Portugal, Viriato usava o pó de teixo para colocar nas setas contra os romanos, mas o prof. Jorge Paiva alertou os presentes para um embuste: a maior parte do chá hipiricão que é vendido como sendo do Gerês é uma fraude, não é verdadeiro chá geresiano.

Alem da palestra, o Colégio Teresiano realizou uma exposição de plantas e enriqueceu a noite com espectáculos alusivos ao tema, com música, ballet e teatro.




Trata-se de uma iniciativa integrada no Projecto educativo delineado para este ano naquela escola privada bracarense, no âmbito de uma parceria com a Universidade do Minho.

Estas actividades “Scienciacionais” envolvem todos os alunos e famílias (“que aderem em massa”), para além de não passarem em claro datas históricas, dias especiais e celebrações da cidade de Braga, a que se associam sempre, como o Ballet na Semana Santa, a Braga Romana (esta semana), o Festival de Mimos, etc.

Com cerca de 600 alunos – dos três anos de idade ao nono ano de escolaridade – o Colégio Teresiano está a celebrar 75 anos de exercício da prioridade à pessoa no seu processo relacional com os outros, com o mundo e a natureza e com o transcendente (Deus).

Dotado de 55 professores e 18 colaboradores não docentes, (apoiados pela dedicação de doze irmãs teresianas), o Colégio acolhe 120 crianças do pré-escolar, mais 225 no primeiro ciclo, a que se juntam 106 do segundo e 147 do terceiro ciclo.
Para além das áreas curriculares oferece diversas actividades de complemento: piano, guitarra, ballet, informática, natação, ginástica, ginástica acrobática, hip-hop, karaté, oficina de teatro, atelier de arte, atelier de arraiolos.




Para além das áreas curriculares oferece diversas actividades de complemento: piano, guitarra, ballet, informática, natação, ginástica, ginástica acrobática, hip-hop, karaté, oficina de teatro, atelier de arte, atelier de arraiolos. Algumas destas actividades são dinamizadas com a Associação de Pais (APECOTE), que trabalha em colaboração com a Direcção do Colégio desde 1977. O MTA (Movimento Teresiano de Apostolado) é mais uma proposta de crescimento espiritual individual e em grupo e de atenção e envolvimento no meio.

O MTA (Movimento Teresiano de Apostolado), tem três ramos: Amigos de Jesus, os mais pequenos, MTAJ, de jovens e MTA Comunidades, de adultos. Normalmente os alunos gostam de pertencer ao Movimento, não só pela dinâmica de crescimento humano e espiritual que oferece, mas também pela oportunidade de participarem em actividades de verão, como os campos de férias, que muito apreciam.

Thursday, June 26, 2008

Braga: Dança do Rei David é ímpar



O carro da Dança do Rei David e dos Pastores constituem dois momentos indescritíveis das festas de S. João, em Braga.

O carro do Rei da David, com tocadores e Rei, continua a ser uma responsabilidade herdada por uma família da freguesia de Palmeira, de geração em geração, desde o século XIX.

Ainda hoje, essa família faz questão de manter a tradição. Trata-se de um grupo de pessoas que apenas actua no dia 24 de Junho, em Braga, e uma ou outra vez em programas televisivos. O grupo é constituído por treze pessoas, sendo um Rei, mais dois guias e dez músicos.

É o carro mais conhecido das Festas de S. João, embora o mais enternecedor seja o dos pastores, uma vez que as personagens, quatro anjos cantores, e restantes acompanhantes da dança são crianças.

Todos o conhecem como Rei David, mas poucos sabem que se chama José Alberto Nogueira.
Um comerciante de Braga que pela sétima vez consecutiva dá vida a um tradição familiar, ao encarnar uma personagem bíblica, o Rei David. Trasncrevemos, em seguida, uma entrevista que José Alberto Nogueirra deu ao jornal Correio do Minho, dois dias antes do S. João

Como é que surgiu a ideia de "vestir a pele" do Rei David?

Como disse, e bem, isto é uma tradição que já vem de família, de há muitos anos para cá. Não sei se realmente começou na minha família e quando. Isso não consigo confirmar. Agora, de facto, isso já vem de há muitos anos para cá. Que eu me lembre, vem do meu avô. Estamos a falar de pessoas do grupo que já lá andam há 50 anos, e a minha família já nessa altura fazia parte dos festejos do Rei David.



Já fazem isto há várias gerações, então?

Isto passa de pais para os filhos, neste caso para os filhos mais velhos. Houve uma altura em que entrou um tio meu, depois faleceu esse meu tio e entrou o meu pai.
Tirando aqueles filhos que, por algum motivo não querem participar, isto vai se mantendo.
Depois disso, entrou o meu pai e entrou um irmão meu. Tenho no grupo um irmão meu e um primo meu, e quando o meu pai faleceu, foi quando eu entrei. Tenho um irmão mais velho, mas ele não quis participar, e entrei eu.
O meu irmão que fazia parte do grupo teve, há cerca de 5 ou 6 anos, um problema de saúde, e ficou sem condições para continuar a fazer de Rei David. Aquilo requer algum esforço e algum equilíbrio e ele não teve condições de continuar.
Nessa altura, havia um primo mais velho do que eu, mas que não vinha da família Nogueira. Neste caso era a família Nogueira que trazia a tradição. Portanto, não entrou ele, e passei eu a liderar desde essa altura, e daí para cá tenho feito o papel de Rei David.
Já tenho lá no grupo um outro irmão meu, mais novo do que eu, que quando eu andava de guia ele tocava ferrinhos e passou para o meu lugar, de guia. Digamos que, à partida, se nada de anormal acontecer, penso que as coisas irão continuar.
É evidente que neste papel, a Câmara tem um papel a dizer. Se a Câmara disse que as danças vão parar, as coisas podem mudar, mas penso que não é essa a ideia, já que a Comissão de Festas tem todo o interesse em manter essas tradições, que são uma imagem das festas de São João. Se assim fôr, o legado continua por muitos mais anos.

O Rei David, como sabe, é uma personagem biblica. Conhece o Rei David?

Tenho-me andado a informar há muito tempo.
Aquilo que eu sei, em relação à dança, é que é uma dança mourisca. Inclusivé, depois foi afastada das festas, precisamente por ser uma dança de origem mourisca, e a dada altura foi introduzida novamente. Já não me lembro qual foi a altura.
Tem piada que nós agora voltamos a fazer parte das festas religiosas e participamos, também, nas procissões do dia de São João.

Há uma vertente histórica na personagem do Rei David, ou há uma interpretação pessoal da sua parte?

Eu penso que é mais uma interpretação pessoal. Até porque quando a gente entra para esta personagem, não entra com muito conhecimento da personagem biblica. A gente entra um bocadinho pela tradição de família. Portanto, é natural que seja mais uma questão pessoal, do que uma tradição bíblica. A gente, depois, tenta-se informar como é que foi, como é que não foi, e é só isso.



Como é que vê, actualmente, estes festejos? A Dança do Rei David acontece depois de uma noitada, em que toda sai à rua até tarde... Como é que se sente com isso?

Eu, sinceramente, acho que essa situação não se põe, porque o que realmente acontece, é que a gente de manhã, quando sai (estamos a falar das nove horas da manhã) tem logo muita gente a ver o cortejo. Se calhar são pessoas que se deitam mais cedo, outras nem se chegam a deitar e vão ver aquilo. Sinceramente, eu até acho que tem muita gente. Se calhar até tem mais gente da parte da manhã do que da parte da tarde.
Ali junto ao Turismo tem sempre muita gente.
O único senão que eu ponho, e que poderia até melhorar (já falamos nisto junto da Comissão de Festas), é que a música, de facto, tem dificuldade em ser ouvida longe do carro e perde-se. Podiam por ali qualquer coisa... algum aparelho de som.
Por acaso é uma das coisas que as pessoas já tinham falado e poderia melhorar nesse aspecto. Uma pessoa que esteja um bocadinho longe do carro, seja do nosso, seja do Carro dos Pastores tem dificuldade em ouvir.
Mas há muita gente a acompanhar pela avenida abaixo.

As músicas que tocam enquadram-se numa determinada época histórica. É fácil ensaiar essas músicas, e ao tipo de instrumentos que se usavam há cerca de dois mil anos atrás?

A gente vai tentando manter os instrumentos. Antigamente havia um violoncelo, e neste momento não existe, existem apenas violinos e uns ferrinhos.
Acredito que nesse aspecto o grupo deveria procurar introduzir mais alguns instrumentos. Ja tivemos a flauta, mas a há dificuldade em arranjar alguém que toque flauta. Já tivemos pessoas que tentamos, mas depois não conseguiram.
A dificuldade de arranjar alguns instrumentos, levam-nos a manter os que temos no grupo. Esses vão passando de ano para ano. Pontualmente, mesmo muito pontualmente substituímos um ou outro.
Em relação aos ensaios, também não há grandes problemas porque as pessoas já se conhecem bem umas às outras. O grupo funciona muito facilmente. A partir do momento que marcamos os ensaios, em três ou quatro ensaios a gente põe as coisas direitas.

Em relação aos instrumentos que faltam, o que é que deveria ser feito.

A gente aqui fica um pouco à nossa responsabilidade. Este é um grupo que só funciona no São João, não funciona noutras ocasiões.
Já tentamos arranjar uma flauta, chegamos a falar com algumas pessoas, mas têm de ser pessoas que toquem com algum à vontade. Ou porque tocam em bandas ou porque essas pessoas querem ganhar dinheiro, não é fácil conseguir que venham tocar conosco. As pessoas já andam nisto há muitos anos, e isto acaba por ser um pouco de carolice. Introduzir uma pessoa nova, porque na parte dos músicos existe um bocadinho a tradição de família. O pai já deixou para o filho, para o tio, para o irmão... Estas coisas vão funcionando assim.

Considera que faltando estes instrumentos, considerados essenciais, poderá ser posta em causa a continuidade desta tradição?

Não, porque estamos a falar de um instrumento só (a flauta) que a gente conseguiu arranjar. Eu tenho a flauta. A gente comprou, também, mais um violino, e dentro desses que a gente tem, neste momento, eu penso que, com maior ou menor dificuldade a gente vai conseguindo sempre arranjar.
Até porque de um momento para o outro pode surgir a hipótese de voltar a meter a flauta. Estas coisas podem surgir a qualquer momento. Neste momento não temos hipóteses de meter a flauta e tirar alguém que toca outro instrumento há muitos anos.

Em relação à indumentária, às vestimentas, usam uns fatos específicos, também têm facilidade em manter e conservar esse material?

A indumentária é tratada pela Câmara. Sempre que é preciso fazer alguma alteração, eles nesse aspecto têm melhorado bastante. As roupas têm sido bastante bem cuidadas. Têm pessoas que as cuidam e que as tratam.

Disse-me que era preciso algum equilibrio. Em termos físicos é preciso alguma preparação para esta dança?

A gente, em termos físicos, não faz grande preparação. Também só são três as pessoas que dançam, os outros só tocam os instrumentos. É evidente que quanto melhor estiver fisicamente, melhor me sinto a executar a dança, mas não há uma preocupação especial nesse sentido.

Que mensagem gostaria de transmitir a quem vai ver a dança do Rei David?

A mensagem é que se desloquem para ver, porque, de facto, é uma tradição da cidade. Eu sei que as pessoas que estão envolvidas na Comissão de Festas fazem um esforço para manter algumas das tradições... Hoje é cada vez mais difícil arranjar patrocínios, arranjar apoios... e se fazem esse sacrifício é precisamente para as pessoas poderem participar.
De facto, o apelo que eu faço é que as pessoas se desloquem ao centro para ver o Rei David e os outros eventos, porque é para as pessoas de Braga, e não só, que isto é criado. Para nós isso já é importante.