Monday, May 12, 2008

Duas vitaminas para a semana





Da minha aldeia vejo
quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia
é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...


Pego nestas palavras de um poema de Fernando Pessoa para me atrever a falar de duas boas notícias quais alavancas para uma semana positiva e cheia de esperança.

A primeira excelente notícia dá conta de Investigadores da Universidade de Galway, na Irlanda, que descobriram uma substância capaz de reduzir o tamanho dos tumores ao inibir uma enzima envolvida na síntese do ADN.

Sabe-se que uma característica do cancro é o facto das suas células se dividirem de forma descontrolada, através da replicação do ADN que se multiplica por dois e se distribui pelas duas novas células resultantes.

Nas primeiras etapas deste processo de replicação intervém uma enzima, que activa e põe em marcha este processo de cópia do material genético.

A equipa irlandesa descobriu uma pequena molécula capaz de impedir a acção desta enzima, evitando a multiplicação do ADN e a reprodução das células cancerígenas nas pessoas com tumores.

Esta substância actua contra a divisão celular descontrolada no princípio do processo e não nas últimas fases, como acontece com a quimioterapia.
Outra vantagem destacada pelos investigadores é que esta molécula é menos toxica que os actuais tratamentos de quimioterapia.

A outra grande notícia mostra-nos que o poeta português Fernando Pessoa foi eleito uma das 50 personalidades que mais influência teve na Cultura europeia.

Este foi o resultado de uma votação de âmbito universitário promovida pela organização da Capital da Cultura Catalã em vários países europeus, através do voto de mais de 137 mil pessoas da Europa durante nove meses.

Fernando Pessoa foi colocado ombro a ombro com outros vultos que se destacaram nas áreas das Humanidades, Artes e Ciências , como Leonardo da Vinci, Shakespeare, Mozart, Einstein, Sócrates, Goethe, Galileu Galilei, Carlemany, Erasme de Roterdão e Dostoievski.
É uma bela achega para a nossa auto-estima que pode ser maior se seguir-mos à letra um dos seus conselhos:

Para ser grande, sê inteiro:
Nada Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim, em cada lago, a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Braga: como é tão fácil ver o cisco...



Uma das ideias que mais me fascina na personalidade de Cristo é o seu profundo desprezo pelos fariseus, aqueles hipócritas que estão sempre prontos a ver um cisco no olho dos outros mas não conseguem ver a trave no seus próprios olhos.

Há algum tempo, uma grande superfície comercial foi coberta de ridículo por ter levado até ao tribunal uma idosa acusada de ter levado sem pagar uma bisnaga de creme no valor de três euros.

Alguns até sugeriram que os portugueses não fizessem mais compras naquela grande superfície comercial detida por uma multinacional.
Aquela grande superfície gastou umas centenas largas de euros, no processo e em advogados, para alem do tempo que fez perder nos tribunais, por causa de três euros.

Nessa altura, alguns dos vereadores da Câmara de Braga e o seu presidente também devem ter achado ridículo o gesto da grande superfície, a acreditar que sejam dotados de bom senso.


Ou não?

Certamente não, porque uma jovem agente da Polícia Municipal de Braga acaba de ser absolvida de ter recebido indevidamente trinta euros e a queixa foi formalizada pela Câmara Municipal de Braga.

Do seu julgamento provou-se que ela, de facto, não se apropriou de dinheiro ou de qualquer outra coisa móvel.
A Câmara Municipal de Braga, alem da acusação também exigia no Tribunal uma indemnização da jovem policia municipal Também neste pedido, a Câmara Municipal de Braga foi derrotada pela Justiça.

Tudo começou a 19 de Dezembro de 2006, quando um cidadão estacionou o veículo em zona de estacionamento pago.
Como não efectuou o respectivo pagamento, a agente preencheu um auto de contra-ordenação, apondo nele o carimbo “pago”.
A Câmara Municipal — sem provas como se viu — acusa a mulher polícia de ter ficado com os trinta euros e da prática do crime de peculato.

A arguida usou do direito de não prestar declarações sobre a acusação contra si, e o julgamento acabou por mostrar antes bastante incompetência de quem dirige os alguns serviços municipais.

Mas se era isto que queriam disciplinar ou apurar, escusavam de gastar tanto dinheiro e tempo, utilizando a táctica mais velha do mundo que é a do bode expiatório para ficar tudo na mesma.

Desta vez, e desculpar-me-ão a expressão, a técnica do bode não resultou e nem precisou de abrir a boca em tribunal.
Os factos encarregaram-se de salvar o bode e responsabilizar os acusadores.

Agora, meus senhores quem vai pagar o vexame, a humilhação e os danos morais causados a esta jovem mãe, por causa de uns miseráveis trinta euros que um qualquer fariseu municipal vislumbrou como arma de arremesso para mostrar serviço ao chefe?

Se perguntássemos a qualquer um dos 170 mil bracarenses se colocavam o presidente da Câmara ou os vereadores ou os chefes de serviços municipais em tribunal por causa de 30 euros, sem provas evidentes, todos diriam não.

A isto chama-se bom senso. É o que está a faltar no topo do Município der Braga. Um amigo meu, diria, para não ir mais longe nos comentários, que se esbanja na farinha e poupa no farelo.

Friday, April 18, 2008

Braga: a encruzilhada dos novos centros comerciais



Só o mercado vai dizer se Braga tem ou não capacidade para suportar novos investimentos na área de centros comerciais — assegura António Afonso — director geral do Braga Parque.

Em entrevista à Rádio de Braga Antena Minho, no programa “Empresa e empresário”, o director geral do Braga Parque acrescenta, no entanto, que, “para todos os projectos que estão licenciados, acho que não”.

Explicando-se melhor, António Afonso recorda: “estamos a falar de um centro comercial com cerca de 70 mil quadrados de área para alugar e de outro com cerca de 40 mil metros quadrados. Para as pessoas terem uma ideia, o Braga Parque tinha uma área de doze mil e agora tem 19 mil metros quadrados. Estamos a falar de dois centros comerciais com uma área muito superior à do Braga Parque”.

Mas existem outros receitas, porque, adianta o responsável pela gestão da unidade bracarense, “gosto de olhar para outras realidades que já existem, há comportamentos de consumo que são parecidos.

A sensação com que fico é que o aparecimento de dois novos centros comerciais acabará por ser prejudicial para todos e o mercado será curto para toda essa oferta de espaços. Não podemos olhar para Braga só, mas para a sua envolvente. Há outros centros comerciais do Porto acabam por ter influência em todo o Minho e no Alto Minho, quando vamos ter mais um grande centro Comercial no porto e outro em Guimarães. Tudo isso se relaciona, o que agrava ainda mais a situação.”

NOVA CONCEPÇÃO

O Braga Parque estreou em Braga uma nova concepção de Centro Comercial porque, diz António Afonso, “hoje, ir a um centro comercial não tem que ser visto de forma negativa, numa perspectiva só comercial, porque os centros comerciais são locais de socialização onde as pessoas se encontram umas com as outras, onde vão por motivos de lazer e de cultura”.


Sob administração de António Afonso, inserido num mundo mais vasto que é a Mundicenter, o Braga Parque, pertence a uma das primeiras empresas a construir centros comerciais em Portugal, começando com as Amoreiras que há 20 anos foi um marco arquitectónico e comercial de Lisboa.

Aliás, isso mesmo acontece em Braga. Sempre que possível tenta-se que em termos arquitectónicos seja um edifício que possa marcar positivamente, agradável a quem circula na cidade”, para que depois seja um complexo comercial e instrumento de promoção da cultura e das iniciativas bracarenses.

Para António Afonso, ver o Braga Parque como parceiro da Semana Santa de Braga, concretiza uma das suas marcas, a sua estreita ligação com a cidade.

Não é só publicidade porque pensamos que um centro Comercial pode e deve fazer parte da cidade. Na base está o objectivo de fidelizar clientes e nada melhor que as pessoas sentirem que nós nos preocupamos com a cidade. As pessoas sentem o centro comercial como deles e a melhor forma de o fazer é através da vertente cultural. As pessoas já se habituaram a ver exposições de arte sacra na Semana Santa, para além de acções pontuais, como a sua divulgação da em vários locais como forma de chamar turistas a Braga.

Há sempre formas de apoiar e não apenas de patrocínios, em dinheiro, mas com outras acções de divulgação das actividades e animação no centro comercial.

Consolidar e preparar o futuro

Face aos projectos que se adivinham para Braga, a administração da Mundicenter está numa fase de estudo dos números e a ver como se tudo se ajusta. “Os números deixam-nos satisfeitos mas dão-nos poucos indicadores ainda e precisamos de tempo. Estamos sempre a pensar em como fazer melhor e o Braga Parque já mostrou nestes nove anos que estamos atentos e preocupados em fazer melhor. Estamos atentos às possibilidades de melhorar este centro comercial”.

Inaugurado em 13 de Maio de 1999, o Braga Parque constitui um exemplo paradigmático de sucesso empresarial, em número de consumidores e sobretudo em volume de vendas, o que não o impede de ser um dos maiores parceiros da Semana Santa de Braga, entre outras iniciativas que envolvem a cidade.

Depois foi inaugurada em Novembro passado uma nova fase que permitiu abrir uma loja que é muito significativa e de outras lojas na área do vestuário que melhoraram a nossa oferta, para além de aumentarmos os cinemas e uma loja que há muito tempo era esperada em Braga, a FNAC.

“A vida passa por aqui” porque “nós tentamos que seja mais que um conjunto de lojas mas funcione como ponto de encontro, ponto de cultura e ser um ponto de referência da vida da cidade”.

Para além das propostas culturais, algumas delas inspiradas na cidade e outras que inspiram Braga, a estratégia do Braga Parque “tenta assim a fidelização de clientes porque a inovação tenm de ser feita pelas lojas e na zona nova com 15 lojas”.

O nosso objectivo — prossegue o nosso interlocutor — é ir dando atractivos e motivos às pessoas para que se sintam bem e não estejam sempre a vera s mesmas coisas. Umas acções tem carácter comercial e outras não. Todas as pessoas sempre que vão ao centro comercial devem ter coisas novas que possam ver, mesmo que vão todas as semanas ao Braga Parque”.

Com o aumento, nos últimos anos, das respostas que mais damos a lojistas é não. Tinha 90 lojas, “fomos afinando a qualidade e cada vez mais tinhamos poucoas lojas para oferecer a novas marcas que apareciam. Braga é a provavelmente a cidade mais interessante para as novas marcas, a seguir a Lisboa e Porto. Muitas marcas quando escolhem Braga pensam no Braga parque e tinhamos problemas em dar resposta”.

O tráfego de pessoas tem aumentado todos os anos, mas a subida tem sido mais forte em termos de facturação, apesar ads obras realizadas no ano passado, com a menor oferta de lojas e de cinema (a partir de Maio até Novembro).
Como se explicam estes números de vendas (24,7 milhões de euros em 2000 e em 2006, as vendas totalizaram 52 milhões de euros)?

Em nove anos, do conjunto de lojas que abriram inicialmente, quase metade continuam mas as outras foram susbtituídas e os números mostram que a substituição resultou em aumento de vendas.

É muito mais difícil acertar logo em todas, no começo, mas “foi-se acertando” de acordo com os gostos do público para dar sucesso às quase 110 lojas.

As obras abalaram o tráfego de pessoas que foi recuperado no final do ano, mas em etrmos de vendas as obras não penalizaram os lojistas, uma vez que o Natal e as novas lojas permitiram recuperar os valores de vendas.
Os dados de 2008, dos primeiros meses confirmam esse crescimento.



Por anúncio do jornal

António Afonso nasceu no Porto mas conhece a cidade de Braga há muitos anos porque tem uma parte muito minhota uma vez que tem família em Guimarães.

Não foi preocupante vir trabalhar para Braga, depois de fazer os estudos de economia na faculdade de Economia do Porto.
Foi recrutado pela Mundicenter em 1999, em Junho, e começou a exercer funções no Braga Parque, de director geral, desde Novembro. Até então foi director comercial.

No dia a dia, o mais difícil para António Afonso, é gerir relacionamentos de pessoas porque estes têm de ser obrigatoriamente a base da gestão. As decisões de carácter operacional, “depois de serem todos ouvidos, são da nossa responsabilidade, tendo em consideração o que é melhor para o centro deve ser o melhor para cada um dos lojistas.

Se há coisa que prezamos é ter um relacionamento próximo com todos os lojistas. Quanto à área comercial — está na moda — as relações de venda não devem ficar aí mas ser relações de parceria, dentro de um centro comercial. O centro só está bem quando as suas lojas funcionam bem.

Essa noção de parcerias existe e é mesmo assim que o Braga Parque tem de funcionar”.
O décimo aniversário “vai ser celebrado com qualquer coisa em grande”. No fim deste mês há o desfile de moda, com muitas caras conhecidas, “é para nós um grande evento e estamos concentrados nesse evento. Não vamos esquecer o concurso de bandas de música jovem” — conclui António Afonso.

Bento XVI: um gesto corajoso



O Papa Bento XVI proporcionou-nos uma grandiosa lição de coragem ao reunir-se em Washington com um grupo de pessoas que foram abusadas sexualmente por membros do clero.

O nosso Alexandre Herculano dizia que não nos devemos envergonhar de corrigir os nossos erros e mudar as opiniões, porque isso significa que não temos vergonha de raciocinar e aprender.

O grupo, acompanhado pelo arcebispo de Boston, orou com o Papa que escutou depois os seus relatos pessoais e lhes ofereceu palavras de encorajamento e de esperança.

Bento XVI "garantiu-lhes que rezaria por eles, pelas suas famílias e por todas as vítimas de abusos sexuais".
O encontro durou 20 a 25 minutos, e o arcebispo de Boston entregou ao Papa um livro contendo a lista de mil vítimas da sua diocese.

A Igreja católica norte-americana foi abalada por este escândalo depois da confissão em 2002 do arcebispo de Boston na época, que admitiu ter protegido um padre que agredira sexualmente jovens católicos, o que desencadeou uma série de revelações embaraçosas e um afluxo de queixas.

Falando aos bispos norte-americanos no terceiro dia da sua viagem aos Estados Unidos, Bento XVI reconheceu que o caso foi, "por vezes, muito mal gerido" mas defendeu "a compaixão e a atenção às vítimas".

Embora tenha denunciado também os "costumes sexuais" da sociedade americana que constituem o "contexto" deste escândalo, Bento XVI afirmou-se acima da mediocridade de grandes lideres mundiais.

Pode parecer desabido, citá-lo a este propósito, mas Mao Tse Tung defendia que os líderes devem evitar a arrogância. “É uma questão de princípio para os dirigentes, mas é também uma importante condição para manter a unidade. Nem mesmo aqueles que não cometeram erros graves e conseguiram grandes êxitos no trabalho devem ser arrogantes”.

Assumindo os erros de alguns membros da Igreja Católica, além de um acto de enorme coragem e lucidez do papa, ao fazê-lo, Bento XVI reconquistou provavelmente o coração dos americanos e abriu de par em par a porta da reconciliação e lançou as sementes da Esperança.

Os católicos dos Estados Unidos humilhados pelos acontecimentos tristes de 2002, podem agora sentir-se orgulhosos de pertencerem a uma família de crentes que sabe pedir perdão e merece o perdão da sociedade norte-americana.

Tuesday, April 15, 2008

Trova do Vento que passa

Partimos. Vamos. Somos.


Somos — os dois? — a Trova do Vento que passa
Do "nosso" Manuel Alegre.
Ele é que é o maior, sem dúvida.
Acho eu, minha Trova da liberdade de informação.
Agora, abra o ficheiro do Youtube

http://www.youtube.com/watch?v=lnX9NwhoUws


e oiça... Seja também
"alguém que resiste,
alguém que diz não".
Mesmo na noite
Mesmo no dia
Mesmo na semana
Mesmo no ano
Mais triste.


Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
o vento nada me diz.

La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la, [Refrão]
La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la. [Bis]

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

[Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.]

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Quando Shakespeare falava da Madeira


O Funchal está a celebrar 500 anos da sua fundação, quando os primeiros colonos ali se instalaram, idos do Continente, e a transformaram num celeiro.

Nos séculos seguintes assiste-se à nova realidade, a do Vinho da Madeira, que se torna um produto de exportação importante para a Inglaterra", até citada em algumas obras de Shakespeare.

No século XX, o Funchal passa a ser uma cidade moderna e depois de 1974 que se assiste a um projecto autonómico interessantíssimo que transforma totalmente a ilha e o Funchal de cidade romântica do séc. XIX, numa capital que tenta ser competitiva, atractiva e moderna.

Foi através do comércio do açúcar e do vinho que o Funchal se tornou um importante porto de escalas das rotas atlânticas para onde vieram numerosos mercadores estrangeiros desde os genoveses aos ingleses, com o comércio do vinho.

Por isso, nesta data solene custa a entender que Cavaco Silva, ao visita a Madeira aceite não ser recebido pela Assembleia Regional numa cedência inesperada a Alberto João Jardim.

A Assembleia Regional Legislativa é o primeiro órgão de governo próprio da região autônoma e constitui o mais sublime representante da vontade do povo da Madeira

O silêncio e a cedência de Cavaco Silva assumem maior gravidade face às afirmações do presidente do Governo Regional que ofendem a Assembleia Legislativa, o Presidente da República e o Estado de direito democrático.

Recorde-se que o presidente do PSD/Madeira e do Governo Regional da Madeira justificou esta decisão para evitar que o Presidente da República tivesse uma péssima imagem da Madeira mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa.

Alberto João Jardim citou os deputados da oposição como "o fascista do PND, o padre Egdar (do PCP)" e "aqueles tipos do PS".

O presidente da República ouviu, não se demarcou e assobiou para o Oceano Atlântico, colocando-se ao mesmo nível de Alberto João Jardim, aninhado, de cócoras. Mesmo depois de ser tratado como "sr. Silva"

Ser ou não ser... democrata, eis a questão que Cavaco Silva não teve coragem de colocar durante esta visita.

Saturday, April 12, 2008

Braga: da cidade para Aveleda



Depois de Adaúfe — onde há pessoas fantásticas, não há? — prosseguimos o nosso passeio por mais uma freguesia situada fora do casco urbano. Hoje vamos até Aveleda.
É a Capela da Senhora de Mazagã ou do Parto ou do Ó. Seja qual for a invocação que o povo lhe faz, estamos perante o ex-libris da freguesia de Aveleda.

A Capela foi edificada em 1756 sob orientação do entalhador bracarense Marceliano Araújo, sendo lhe atribuída também a execução de alguns elementos decorativos tipicamente beneditinos, como as imagens da frontaria, em dois grupos, sobre peanhas, que representam o Encontro de Nossa Senhora com sua Mãe. Trata-se de um motivo escultórico que se repete no retábulo da capela Mor.

As imagens do Interior da Igreja eram emprestadas para o Calvário de S. João do Souto, junto à Capela dos Coimbras, durante a semana Santa, na cidade de Braga. Este elemento decorativo devia justificar o seu nome: Capela da Senhora do Encontro e evitar outras designações que indevidamente lhe foram dadas ao longo dos tempos.

Quando à designação de Senhora do Parto deriva da festa que ali se realiza anualmente. Sabe-se que antigamente havia uma romaria das parturientes e agora tem lá uma imagem.

É curioso verificar que Santa Maria é o patrono de Aveleda, mas a imagem que pontifica na Igreja paroquial é a da Senhora do Ó ou do Parto. Devia ser lá que se devia fazer esta festa ou romaria das parturientes.

A capela possui um belíssimo retábulo, com um sacrário em estilo Rocaille, com pinturas de rosas em redor da porta. Os dois caixilhos em cada lado do retábulo, atribuídos a André Soares, representam S. Miguel e as Almas. Daí que esta capela também seja designada por Capela das Almas pois em tempos teve ali sede a Confraria dos mesmo nome.

A festa da Senhora do Parto – cuja imagem está na Igreja Paroquial de Aveleda – realiza-se no último Domingo de Setembro.




O árabe Marzagão

O Nome Mazagão deriva da palavra árabe Marzagão, nome de uma praça forte no norte de África, e existe noutras localidades – esclarece Adelino Ribeiro, um homem que se tem dedicado à investigação e recolha de dados históricos da sua freguesia.

O seu nome fica a dever-se a alguém muito rico que veio do Norte de África e se instalou ali. Esse indivíduo teria tanto poder que, em 1875, quando o ramal ferroviário de Braga estava a ser construído, obrigou a CP a fazer lá um apeadeiro para possibilitar aos muitos trabalhadores da sua Quinta (onde está situada agora a APECDA e que nos anos quarenta era um grande celeiro) um acesso mais fácil para eles. E

sse indivíduo é o avô da proprietária que vendeu a Quinta à APECDA e foi director do extinto Banco do Minho, além de ser sócio do grande banqueiro famalicense Cupertino Miranda. Não era um indívíduo de sangue real porque a casa não tem armas nem brasão real

Quem construiu a linha foi uma empresa inglesa e os engenheiros tinham dificuldade em pronunciar ‘Marzagão’, escreveram na placa do apeadeiro ‘Mazagão’ e assim continuou este nome.

Situada à saída do perímetro urbano de Braga, tem como padroeira Santa Maria, mas a origem dos seu nome divide os historiadores. Se uns se inclinam para uma origem celta germânica, da palavra “Vellêdas”, outros preferem a palavra latina “avellanas”.

No primeiro caso, a origem do nome do tempo da ocupação dos ‘gallos’ celtas que trouxeram para cá o seu culto, os seus druidas ou sacerdote e as suas “Vellêdas” ou sacerdotisas e estas eram escolhidas entre as donzelas mais famosas, quase sempre filhas de druidas, e faziam voto de castidade por um certo número de anos. No segundo caso, a origem latina do nome deve-se ao facto de Aveleda ter sido um aterra onde abundavam as árvores de avelãs.

Os autarcas e os estudiosos da heráldica parecem ter preferido esta segunda versão, a julgar pela escolha do brasão para a freguesia que inclui um escudo vermelho, com cinco ramos de aveleira, folhados do mesmo e frutados de ouro.

Quer uma origem quer outra para este nome e sobretudo a sua situação entre dois montes, um deles desde há muito tempo chamado de S. Mamede fazem pensar que a povoação desta terra é muito antiga, apesar de o primeiro documento que se refere a Aveleda datar do século XIII.

Aí se referia que Aveleda pertencia ao couto de Braga e mais tarde terá pertencido a Vimieiro. Entre 1320 1 371 aparece integrada no couto de Bastuço, até passar depois para o termo de Braga, mantendo-se assim até aos nossos dias.