Friday, March 7, 2008

Mulher dez! O que é isso?



Sabes coser a bainha de umas calças, ou fazer uma paelha de marisco e comprar o produto que te pode fazer esbelta? É a pergunta que é feita por uma organização espanhola. Da resposta sim parece depender a classificação de mulher perfeita.

Da resposta não, surge um convite a aprender estes ensinamentos através de um curso destinado às moças universitárias que queiram ser mulheres dez amanhã.

O curso em cinco sessões teóricas e praticas ensina técnicas culinárias, cuidados a ter com a roupa desde o lavar ao passar a ferro, truques de costura e limpeza de casa.

O facto deste curso ser ministrado por uma organização católica e ser apoiado pelo PP está a gerar alguma controvérsia no antigo reino de Granada, devido ao ser carácter sexista ou machista.

O curso foi o detonador de severas críticas político-partidárias — em plena campanha eleitoral para as eleições de Domingo — e de verrinosas criticas à Opus Dei, algumas delas intranscritíveis

Os mais serenos defendem a necessidade destas acções de formação para as jovens universitárias, mas sugerem que sejam abertas aos jovens rapazes universitários.

Outras mulheres lamentam que para ser a mulher tipo dez, ela tenha obrigatoriamente de saber cozinhar, passar a roupa ou pregar os botões, classificando este curso como um regresso aos anos 50 do século passado.

O curso seria elogiado se lhe retirassem algumas classificações e em vez de pretender formar a Mulher dez, fosse um curso para ajudar a formar pessoa dez – rapaz ou rapariga. É assim que manda a Igualdade que custou a vida a muitas mulheres e homens.

Nessa perspectiva, muitas mulheres recusam querer ser uma mulher dez, mas querem ser uma pessoa dez — numa escala de zero a dez — até porque ensinar a cozinhar ou a pregar um botão não significa promover o desenvolvimento humano.

O que está em causa é uma mensagem subliminar que devemos recusar no século XXI, na véspera do Dia Internacional, que remete a mulher para a cozinha e faz disso o tipo da mulher perfeita.

O charco das rãs

O grande filósofo grego Sócrates imaginava o mundo como uma reunião de rãs à volta de um charco de água.

As rãs eram os cidadãos, pequenas comunidades de homens livres, regidos pela lei e amuralhados nas cidades.

A polis, a cidade era a raíz da política, com códigos de virtude, no ritual do pensamento que crepitava na Praça.
Ao fim de muitos séculos, continuamos a sonhar com mais mente sã que manha mas o que nos é dado pela política é uma multidão de rãs a coachar junto dos charcos das câmaras de televisão e dos holofotes dos comícios.

Quando os cidadãos se tornam audiência e carne para canhão dos índices do share, vemos que a realidade é um simples cenário, completa e minuciosamente decorado. Quando é necessário trocar e contrariar argumentos, responder aos desafios, tudo soa a podre, como a água dos charcos.

Sociedade do espectáculo é a locomotiva dos novos tempos. A imprensa incendeia-se com presentes para os leitores à falta de melhor para lhes oferecer, A internet deita sumo, as radios sangram com as cada vez menos ondas nas águas paradas dos charcos e as televisões aproveitam-se afirmando-se como juízes do charco com arte, mas não deixa de ser um charco…

Ou seja, nas últimas semanas, Sócrates – o nosso primeiro — e Menezes preocupam-se apenas com os media e as rãs — que somos todos nós cidadãos — continuam à espera. Um enrolado na propaganda e o candidato a desfazer-se em contradições.

De ambos jorra uma torrente de verborreia que foram buscar ao feirante que tenta vender o jumento cego ao respeitável aldeão.

É a banalidade inconsistente, a venalidade culpavel, depois de nos terem oferecido direitos sem deveres, propseridade barata, felicidade à custa do Estado.
Agora, ambos nos exigem mais esforço, uma gestão escrupulosa, a conquista do futuro

Menezes — com “este não é o meu PSD” — tenta enterrar anos de trapalhadas e trevas num sepulcro pintado de branco, numa desfaçatez insuperável.
Sócrates – o nosso primeiro — surge a muitos de nós que votaram nele como mais um sapo que temos de digerir.

Agora se percebe por que Filipe Menezes afirmou que “o PS já não merece estar no Governo e o PSD ainda não merece estar".
Vale-nos que sempre é menos mortal que a cicuta do filósofo grego, desesperado por não ter conseguido convencer a sua própria mulher: afinal, o drama dos líderes dos dois maiores partidos portugueses.

Tiege: máquinas de Braga na Europa, África e América


Fundador e administrador da empresa Tiege — Os Pioneiros da Electricidade, José Castro constitui um belo exemplo da persistência e inovação que marca muitos empresários bracarenses. Os equipamentos fabricados nesta empresa nascida à sombra da Sé dão via a muitas fábricas europeias, africanas e americanas.

Nascida de um sonho de estudante nos cursos técnicos de electrotecnia e ajudante de comércio da Escola Comercial e Industrial de Braga, a Tiège nasce em 1973, com seis trabalhadores.
O nome que traduz a inovação pioneira em Portugal na área das lacagens e obedece à preocupação de um nome simples para uma marca.

A Tiege tem duas componentes industriais, os trabalhos de electricidade para obras públicas e o fabrico de equipamentos para tratamentode superfícies, equipamentos esses que servem para tratar os metais para indústria automóvel, a serralharia, metalurgia, mobiliário, etc.

São equipamentos que exigem grandes conhecimentos nos domínios da electrotecnia, química, hidráulica, pneumática e mecânica.

“Houve sempre o cuidado de acompanhar a inovação” — assegura José Castro, convidado do programa “A empresa e o empresário” que a rádio Antena Minho emite, ás terças-feiras, às 19 horas, em 106 Mhz. É uma área com a concorência das multinancionais a que a Tiege tem respondido com a eficácia dos seus mais de oitenta trabalhadores.

Construindo as suas próprias máquinas, nas instalações de Marvilha em Sequeira, e as primtivas em Nogueira, a Tiège espandiu há 15 anos o seu mercado para a Europa, América e África, vendendo as suas máquinas para países como Tunísia, Espanha, Brasil, Angola, a empresa de Braga “projecta, executa, instala e ensina o cliente a funcionar com o equipamento e a retirar o melhor das máquinas”. O mesmo método é seguido por José Castro nas outras áreas da sua actividade.

A internacionalização começou com um prémio entregue à Tiege na Alemanha. “Na grande sala estava uma multidão de empresários de todos os cantos do mundo, demo-nos a conhecer e fomos procurados para além das nossas fronteiras. Tivemos logo contactos de França e Espanha. Temos um mercado muito antigo em Espanha onde temos isntalado muitas fábricas” — lembra o nosso interlocutor.

Por força do crescimento, a Tiege dividiu-se em três empresas, — uma de equipamentos de electricidade mais a Tiege Indústria SA (especializada na fabricação de equipamentos). A Tiege mãe ficou com as instalações na área da construção civil, como hospitais, hotéis, centros de dia, escolas, etc.

SEM MEDO DE ERRAR

“A inovação é uma necessidade mas sem conhecimento não há inovação. Saber o que se passa no estrangEiro, visitar feiras e ouvir as necessidades dos clientes: eis o segredo do sucesso, no entender de José Castro.

Há necessidade de criar um produto, acessível em termos de custo ao consumidor e responder ao pedido dos clientes. Tudo começa nas matérias primas escolhidas para construir uma máquina fiável. É por isso que “anda tenho clientes que começaram connosco no início da emprensa”.

José Castro tenm uma solução para o desemprego, o maior problema do país: sem ir pedir dinheiro à UE. “Nós, se queremos combater o desmeprego vamos começar a consumir produtos fabricados em Portugal. Aos técnicos projectistas (engenheiros e arquitectos) exige-se só que, nos seus projectos, incorporem o mais possível produtos e matérias primas nacionais. Ao incorporar produtos nacionais, contribuem para que as nossas fábricas produzam, vendam, se criem outras e não desapareçam, dando o seu lugar a empresas esrangeiras que levam a riqueza para for a enquanto nós ficamos com menos impostos, menos postos de trabalho. Ao comprar o que é nosso e produzir com o que temos é possível combater o desemprego. São duas medidas simples” — argumenta, dando um exemplo, de seguida.

Vamos pegar num aparatamento, de 150 mil euros: o que é incorporado de fabrico nacional pouco mais é que dez por cento. Tudo o mais vamos comprar do estrangeiro. O nosso dinheiro vai para lá e não entra nas nossas empresas. Louças sanitárias, torneiras, madeiras, móveis de cozinha,. Mobiliário de salas e quarstos, tintas, etc. Há um conjunto de consumíveis que podem ser nacionais, têm qualidade e podiam ser incorporados. Não se faz porque não está na moda gostar e gastar do que é nacional. A marca funciona muito junto dos técnicos engenheiros e arquitectos. Não comprando o que é nosso, geramos desemprego e mal-estar social”.

A persistência “é a nossa característica e temos obrigação de acreditar em nós, sem medo de errar. Só se consegue fazer alguma coisa, experimentando e errando” — prossegue ao lamentar a fraca adesão das empresas aos jovens licenciados.
Foi uma pena acabarem so cursos de formação profissional. “O conhecimento provoca inovação quer na tecnologia, quer nos materiais, nas ferramentas, melhora o seu aproveitamento e eficácia, além da segurança do trabalho, mas as pessoas aprendem muito melhor fazendo e errando.

Testar os conhecimentos, sem medo de errar, é o desafio feito aos jovens licenciados para virem para as empresas” — acentua José Castro.

Uma empresa é um lugar onde “todos — gestores e trabalhadores — passamos grande parte da nossa vida e é nosso dever proporcionar bom ambiente de trabalho, sem esquecer o objectivo de criar riqueza que deve ser reinvestida e o ser humano é o melhor capital da empresa, desde que trabalhem em equipa”.

Marchar contra individualismo

Um dos males dos empresários é muito individualismo que impede a parceria entre quem produz e quem vende. “Sem decsurar a minha empresa, dei muitos anos à AIMinho e à Associação Comercial de Braga, onde defendia que os empresários devem permutar experiências, dialogar mais com os outros para conhecer os seus produtos, fazendo com que a indústria nacional escoe os seus produtos”.

Por isso,, muitas vezes os empresários “são vítimas da sua política de abstecimento, ao comprar for a, não comprando ao empresário da mesma região ou do mesmo país”.
José Castro, natural de S. vicente, 65 anos, e percorreu o país todo na sua vida profissinal, depois de completar a Escola Comercial e Industrial.

Na tropa tirou a epsecialidade de radar que valorizou muito a sua profissão, e depois entrou para uma empresa de metalomecânica Pachancho — onde foi responsável por toda a parte eléctrica, onde criou máquinas com apoio do laboratório.
Ainda hoje, José Castro recorda aquela casa que tinha grandes equipamentos na área de metalomecânica, fundição e outras máquinas, “e é uma pena, para Braga, que tenha fechado”.

Foi também monitor de formação profissional, mas antes foi sindicalista dos electricistas e depois de criar a empresa, foi convidado por Vasco Cerqueira para a AIMInho, integrando uma equipa que lança o sonho da construção das novas instalações associativas e chega a concorrer à presidência da Direcção da instituição.

Foi o primeiro administrador da Escola Profisisonal de Braga: “é uma das minhas paixões, sou adepto da formação e sou um praticante dela na minha empresa”. Depois mete-se no Bairro da Misericórdia e de “um monte fiz um complexo desportivo, onde estive dez anos, com uma política de fomento da actividade para os adolescentes e jovens, apostando na compnente escolar e futebolística. Para mim o livro era tão importante ou mais que a bola”.

Dirigente da Associação Comercial de Braga, José Castro fez uma incursão pela militância partidária do CDS, na fase da sua instalação — vivendo a experiência do Palácio Cristal no Porto (cerco do CDS em congresso) e “vi que a minha vida não era aquilo”.

“Não me deito sem ler todos os dias qualquer coisa ligada à minha profissão” — diz ao definir-se como aluno diário.
Mais recentemente ligou-se à acção social através da presidência da Dirrecção da Associação de Solidariedade de Santa Maria de Braga (na Sé) que apoia duzia e meia idosos com um centro de dia. “Tenho prazer em servir os outros”.

Há muitos anos também — convidado pelo Mons. Eduardo Melo — pertence à Comissão das Solenidades da Semana Santa onde exerce as tarefa difíceis de angariar donativos para custear as despesas deste cartaz turístico de Braga… sem esquecer os anjinhos. “É um bocado difícil, mas agora as coisas têm vindo a animar” — diz em relação aos anjinhos.

As empresas – além dos impostos que pagam — criam emprego que gera receitas para a Segurança Social, criam riqueza para o país e para as instituições e têm de ser defendida por todos, a começar pelo Estado e pelos empresários” — conclui.

Saturday, March 1, 2008

Braga: construtores são admirados em todo o país


Os empresários da Construção Civil e Obras Públicas de Braga já são respeitados em todo o pais pela qualidade do seu trabalho — garantiu o eng. João Carvalho Duarte, desmentindo assim que a construção em Braga não tenha qualidade.
O director geral do grupo empresarial bracarense Duarte & Filhos, SGPS, falava no espaço de economia da rádio Antena Minho “A empresa e o empresário — os negócios sem segredos” que é emitido ás terças-feiras, a partir das 19 horas.

Como exemplo do que afirmou, o eng. João Duarte apresentou o da sua empresa que foi a primeira pequena e média empresa de construção e venda de apartamentos e espaços comerciais a obter a certificação da qualidade em Portugal, em 2000.
Esta empresa foi constituída em 1959, por Manuel Duarte que descende de uma família de mestres de obra, a começar no seu avô. Depois, os seus herdeiros seguiram essa arte e, em 1959, com o “desejo de crescer, tornou-se independente dos outros irmãos e seguiu o seu caminho”, a partir da freguesia de Esporões.

A empresa começou com poucos trabalhadores que faziam “vivendas por encomenda” principalmente na zona das Caldas das Taipas. Em 1980, a empresa começou a dedicar-se à construção própria para venda, começando na cidade de Braga, na quinta da Soutinha, junto a Direcção Geral de Viação.

“Construímos em muitos locais de Braga, até chegarmos à Domus Qualitas, junto à Variante Sul”, que assinala um “salto qualitativo da empresa que culmina um aperfeiçoamento da nossa arte de construção, quer em termos técnicos quer em termos de serviço ao cliente. Não oferecermos a casa em si mas tudo o que anda à volta da casa, que vai desde a ajuda na pré-compra até à assistência no pós venda” — explica o eng. João Duarte.

O nome vem do latim “Casas de qualidade” que descreve o nosso projecto— aposta sobretudo na qualidade dos materiais, dos projectos e dos serviços porque um cliente não se despede de nós quando compra a casa. Quanto ao Domus Veritas – novo empreendimento de moradias em Esporões … aponta para casas mais realistas, ou seja, a “qualidade ao alcance de todos”. “Queremos oferecer qualidade às pessoas e ter em conta a capacidade de compra das famílias, oferencendo um produto com conforto, espaços e sem coisas supérfluas”.

O Domus qualitas – o maior empreendimento da Duarte e Filhos — tem 270 fracções e foi lançado num momento de encruzilhada económica do país. “Esta estagnação tem servido para reflectirmos e melhorarmos a nossa prestação. Nós lançamos a ‘Domus Qualitas’ numa altura em que havia uma certa euforia do mercado, em 1999. Ao lançarmos um produto de elevada qualidade, em tudo o que é inerente à habitação, conseguimos ir ao encontro das necessidades das pessoas. Isso permitiu-nos continuar a vender, não ao ritmo desenfreado dos anos noventa, mas a um ritmo estável que nos possibilitou aprofundar os conhecimentos de modo a lançar outros produtos e a constituir o grupo com implantação nacional”.

Explicando esta resistência à crise, o Director Geral da Duerta & Filhos recorda que a “qualidade é perceptível pelas pessoas no primeiro contacto que têm com os nossos empreendimentos: desde a recepção à construção passando pela linpeza da obra e pela resposta àquilo que as pessoas esperam para melhorar a sua qualidade de vida. As nossas casas respondem a esses requisitos”..

Esta empresa contribui para contrariar um certo lugar comum que se abateu sobre Braga: “temos construtores de Braga que são bem vistos no país inteiro” — prossegue o eng. João Duarte, desmentindo a ideia feita de que a construção em Braga não tinha qualidade.

Como começou este acento notório na qualidade? “Depois de me licenciar, entrei para a empresa, deparei-me com um dilema. A empresa ou crescia em quantidade ou em qualidade. O meu pai, Manuel Duarte, optou e bem pelo caminho da qualidade, dando início àquele que foi o primeiro processo de certificação de uma PME da construção e comercialização de apartamentos e espaços comercuiais em Portugal” — recorda o eng. João Duarte.

Esse processo permitiu uma melhor organização interna com reflexos na relação com os clientes, seguindo um caminho que nos lveou a ser reconhecidos e partir para a certificação na higiene e segurança no rabalho. Foi um passo muito importante para os nossos 48 trabalhadores”.

Na produção e comercialização temos apostado na sua qualificação que “nos trouxe muitas vantagens na rentabilidade e na qualidade do serviço: os nossos vendedores não se limitam a vender, eles são a voz dos clientes dentro da empresa”.
Ao nível da segurança do trabalho, é verdade que a construção “foi um parente pobre no que se refere à segurança mas tem havido uma grande melhoria nessas condições, motivada por legislação que introduziu a necessidade de um técnico de segurança, mas também pela motivação dos trabalhadores. Os trabalhadores têm alguma relutância mas já compreenderam que a prevenção dos acidentes de trabalho é boa para eles”.

O relacionamento com e entre os trabalhadores na Duarte & Filhos é fomentado pelo Dia da empresa, com várias actividades de recreio e desporto, motivação, jogos tradicionais e o repasto. A coomunicação com o exterior é feita através de um boletim, “Duarte news” enquanto o diálogo interno é reforçado pelo boletim “Chapa massa”. O primeiro mantém um contacto prolongado com os que adquiriram casas e apartamentos à empresa, ao passo que o segundo é mais divertido e destina-se a criar um espírito familiar entre todos os elementos da empresa. “A empresa é detida por uma família, os Duarte, mas somos uma empresa que todos os trabalhadores cultivam o espírito familiar”.

De Braga
para o Algarve

A empresa Duarte & Filhos está numa fase de transformação orgânica. Agora é um conjunto de empresas, integradas num grupo — Duarte SGPS — com três áreas de negócio distintas mas cooperantes entre si. Passa a ter uma empresa para a promoção imobiliária, outra para a construção e uma terceira de serviços.

A primeira promove os empreendimentos imobiliários, dentro de moldes novos, a segunda constrói para a promoção própria ou para terceiros e, nos serviços, “lançamos a “Smart building” que faz pequenas obras desde remodelações de casas, decoração de interiores, reconstrução lojas, etc.

Para agilizar as áreas de negócio e gestão temos de nos focalizar em cada negócio e colocar pessoas à rente de cada área com mais autnomia e flexibilidade para que elas cresçam mais por si e façam crescer o grupo e melhorem a sua prestação”.

Depois de ter nascido em Esporões e ter crescido em Braga, o novo passo da Duarte SGPS é concretizar a estratégia definida até ao ano 2010: “termos uma implantação nacional. Esta implantação permite-nos crescer porque o mercado em Braga não é suficiente para a nossa capacidade de produção. Estamos a seleccionar locais que tenham potencial mais elevado de compra que em Braga, especialmente no domínio no residencial turístico, estamos a falar do Algarve e em breve iremos lançar um empreendimento residencial turístico para um cliente de nível europeu”.

É um aldeamento turístico cujo lançamento está previsto para 15 de Março. Quanto a outros locais, temos outras propostas, especialmente Lisboa que é um mercado que nunca está esgotado, bem como outros com grande potencial, como a Costa Vicentina, onde o cliente potencial possa ser estrangeiro.

Gerida por um conjunto de valores como a tradição e a seriedade, conjugados com a inovação, competência e a melhoria continua, a Duarte SGPS procura incorporar os valores tradicionais com a modernidade.

“A nossa maneira de estar é inovar” — garante o eng. João Carvalho Duarte que dá exemplo do sistema de eficiência energética e ecológica instalado na última fase dos edifícios da Domus Qualitas : usar a enegria solar patra poupar a energia para o aqueicmento. “Aquece e arrefece e vem substituir o ar condicionado e aquece também as águas sanitárias” — conclui o director-geral da Duarte SGPS.

Outra das características é o processo de construção, desde o início até ao fim dos empreendimentos, que envolve a comunidade: Não é apenas publicitário. Nós temos uma lema que é “building life styles. Construímos estilos de vida. Uma casa não se pode ter independente da comunidade. Uma pessoa deve gostar de viver na casa, da vizinhança e dos espaços que tem para usufruir depois de a comprar. Daí que desenvolvemos actividades para juntar as pessoas a praticar desporto, participar em palestras, actividades de recreio, se envolverem uns com os outros em comunidade e aí gostarem de viver”.

Se a internacionalização pode esperar — “estamos só a ouvir” — a implantação nacional é a prioridade. Depois do Algarve, onde será constituída uma empresa regional, “temos na forja um projecto que está a ser desenvolvido que vai ser uma boa novidade para Braga”.

Braga: capital da... axxónia


Depois do fantástico mimetismo da comunicação social que começou a escerever Estádio Axxa em vez de Estádio Municipal de Braga, o seu verdadeiro nome e no qual são confirmados tantos prémios de arquitectura que fazem passar para segundo plano aquela maravilhosa obra de engenharia, Braga está a tornar-se na capital da parolice, "non-sense" e num sítio queirosiano e cada vez mais mal frequentado.

Em tudo quanto é rotunda, se vão colocando postes de informação a quem vem de fora e quer circular e chegar ao destino que procura, como se presumiam, a avaliar pelos concursos públicos municipais. Mas não. O destaque — que devia ser dado à informação — foi dado à seguradora: o seu nome aparece em caracteres e cores (maiores e mais vistosas) que aqueles que possuem o nome das ruas e das instituições.

Os escuteiros indignaram-se com o anúncio da parvónia e muito bem, porque a criatividade publicitária tem os limites do respeito pela dignidade dos outros.

Mas os bracarenses não. Passam indiferentes diante desta miríada de atentados perpetrados à paisagem visual da cidade. Limitam-se a dizem umas palavras impublicáveis e seguem viagem...

O que se passa por exemplo, na rotunda frente à Igreja de Maximinos é de uma parvoíce confrangedora.
Um aprendiz de marketing devia saber — e também — perceber que a saturação da mensagem e da imagem provoca náusea no destinatário.

O astuto criativo desta sinalização — aprovada pelo Município que também não tem perdão pois o dnheiro não pode ser o primeiro critério a nortear as políticas — não terá noção do mau gosto? O mau gosto mesmo que aprovado por uma maioria não deixa de ser mau gosto.

Segundo os responsáveis municipais, a ideia era uniformizar a sinalética com mobiliário urbano apelativo.

Alguém pode dizer-nos que aqueles 'chapéus' de publicidade são apelativos ou estão a enfiar-nos um barrete com o qual a cidade tem de aguentar durante 15 anos?

M’Espanto às vezes, outras m’avergonho — como diria o grandes escritor Sá de Miranda se um dia destes se levantasse do sepulcro em Amares e viesse vistar Braga por estes dias.

Espantava-se que existisse uma Câmara a aprovar esta campanha de mau gosto e avergonhava-se por terem transformado a capital do Conventus Bracaraugustanus na capital da... axxónia.

Religiões: a candeia para a aliança



O comité conjunto da Conferência das Igrejas Europeias e o Conselho das Conferências Episcopais Europeias estiveram reunidas em Londres para avaliaram a caminhada conjunta nos últimos meses, e aprovaranm um programa de trabalho sobre o relacionamento com os muçulmanos na Europa.

Este comité anunciou para Outubro, em Bruxelas, uma conferência europeia entre cristãos e muçulmanos, subordinada ao tema “Ser cidadãos europeus e católicos. Cristãos e muçulmanos como parceiros activos nas sociedades europeias”.

Trata-se de uma iniciativa nascida num contexto cristão cujo objectivo é envolver os muçulmanos na preparação do encontro, porque todos devem falar de igual para igual e confrontar as vozes de todos.

Foi programado também um encontro de preparação, em Abril, na cidade húngara de Budapeste, com a presença de alguns muçulmanos representantes das diversas áreas e tradições muçulmanas da Europa.

A intenção das Igrejas é encorajar a consolidação de um “Islão europeu” para colher os sinais que nos são enviados pelo mundo muçulmano.

Este encontro de Londres vem na sequência da III Assembleia Ecuménica Europeia realizada em Sibiu (Roménia), na qual ficou demonstrado que os cristãos da Europa estão comprometidos num testemunho comum a vários níveis e podem contribuir com originalidade para a construção da casa comum europeia nulti-cultural e multi-religiosa.

Num tempo em que se pede — a nível mundial — um maior diálogo entre civilizações, é bom verificar que as estruturas religiosas estáo na dianteira da construção dessa aliança.

É verdade que — em muitos casos — as guerras que devastaram a Europa e o médio Oriente tiveram as religiões como estandartes da frente, por isso, alguns dirão que as várias religiões não fazem mais do que reconstruir aquilo que destruíram.

Mas também é justo afirmar que, nesta tarefa de reconstruir uma aliança de cooperação das civilizações, das culturas e das religiões, são a candeia que vai à frente, com acções e não apenas com discursos.

O passado não deixava antever uma luz tão forte destas candeias humanas. Espera-se que outros intervenientes não se limitem apenas a ficar à sua sombra ou a tapar a luz que irradiam.

Thursday, February 28, 2008

Alberto Vieira: a simplicidade não é simples de fazer



É ceramista desde há 21 anos e todos os anos executa, pelo menos, um presépio, mas Alberto Vieira é um artista com imensa actividade espalhada através de uma dezena de exposições individuais e cerca de quarenta mostras colectivas.

A simplicidade deste vilaverdense, nascido em Pico de Regalados mas radicado em Braga desde a Juventude, não contradiz a qualidade atestada por inúmeras distinções, das quais destacamos o primeiro prémio em várias edições do Concursos de Design Cerâmico nas Caldas da Rainha, ou o primeiro lugar no concurso para a escolha da mascote do Europarque, na Vila da feira, há 12 anos.

Da Coreia guarda gratas recordações devidas à menção honrosa no World Ceramic Biennale 2003, enquanto a Valência foi buscar o Prémio Deputació na VI Bienal Internacional de Cerâmica Manises. No ano passado arrebatou o prémio especial do júri da VI Bienal de Artes plásticas da Marinha Grande.

Mas os prémios que mais o engrandecem são aqueles que enriquecem os espaços públicos de Braga ou de vila Nova de Cerveira, para além das esculturas presentes nos Museus de Olaria de Barcelos, de Cerâmica das Caldas da Rainha ou ainda do Museu Alberto Sampaio (onde esteve presente durante o último Verão) e no Mosteiro de Tibães.

Todavia, a sua arte está intimamente associada aos presépios que faz desde há vinte e um anos, reunidos em livro, numa iniciativa recente da Fundação Bracara Augusta.

Tudo isso é justificação suficiente para a entrevista:

Correio do Minho — Como nasceu a ideia de publicar este livro dos 27 presépios?

Alberto Vieira —
A ideia apareceu na Fundação Bracara Augusta, através da dra. Maria do Céu Sousa Fernandes que tem acompanhado o meu trabalho. Fazia este ano vinte anos de presépios. É sobretudo um registo destes vinte anos de trabalho nesta área específica dos presépios. Pode-se perguntar porque apareceram vinte e sete presépios, sendo uma compilação de vinte anos de trabalho, acontece porque houve anos em que foram feitos mais que um presépio. O livro é sobretudo uma compilação desse trabalho desses vinte anos e isso significa que cada ano tenho vindo a fazer um presépio diferente, tenho vindo a fidelizar sobretudo coleccionadores e também é uma das razões porque continuo a fazer presépios. As pessoas criam expectativas e esperam sempre todos os anos por um novo modelo. A Fundação Bracara Augusta, sabendo deste meu trabalho, propôs-me fazer este livro e eu aceitei e estou muito satisfeito. Tenho que agradecer sobretudo à doutora Maria do Céu Sousa Fernandes que teve a iniciativa e à Fundação que patrocinou o livro, juntamente com outras empresas que tornaram possível esta edição de mil exemplares. Marca um período de trabalho e é importante ter esse registo em livro, para a pessoa e em termos de futuro para se saber o que fiz.

CM — Que tipo de presépios podemos encontrar neste livro?
AR —
Como disse Eduardo Madureira na apresentação do livro, o meu trabalho na área dos presépios é um bocado eclético. É difícil descrever por palavras aquilo que lá está. São resultados de influência de muitos países, de muitos estados de alma, de muitos contextos e cada um é um bocado diferente, nos materiais, na abordagem estética, nas cores, na textura, que resulta de diferentes contextos em que foram feitos. É uma minha forma de trabalhar, tentar reinventar e redescobrir algumas coisas.

CM – Existe alguma justificação ou explicação para esta inclinação de fazer presépios, a uma média de um por ano e em alguns anos mais que um?
AR —
Não encontrei. Tenho uma formação católica como quase toda a gente, tenho referências muitos fortes em relação a esta época do ano e ao presépio, mas eu não encontrei uma resposta que satisfizesse em termos de ter consciência de saber porque é que faço presépios.

CM — Mas há uma mensagem nos seus presépios?
AR –
Eu acho que há uma mensagem em tudo o que a gente faz. Não pretendo dar uma mensagem especial com os presépios, até porque os presépios são eles próprios uma mensagem, Toda a gente sabe o que é um presépio, desde a antiguidade, portanto, não vale a pena estar a colar-lhe grandes mensagens. Essa ideia já existe na cabeça das pessoas, é um triângulo amoroso, pode ser muitas outras coisas ou o que ele representa.

Por exemplo, aquele modelo de família que está ali, para uma sociedade ocidental, é um modelo que acaba por ser um paradoxo. É um modelo que nós adoptamos e nem sequer é muito igual àquilo que nós temos de família. Aquele pai que está ali não é o pai daquela criança. A sociedade ocidental adoptou como modelo aquela família e esse paradoxo tem piada porque o nosso modelo de família não é assim, em termos gerais. Tem esses lados mais ou menos singulares. O presépio, em si, não tem grande piada, não é mais que isso, mas as pessoas podem ver ali outras coisas, com mensagens subliminares que as pessoas podem descobrir e tem essa liberdade.




CM — O professor vem do Pico de Regalados. Qual foi o seu percurso até ao tempo presente?
AR -
Fui uma criança normal, com a minha infância na aldeia. Depois, a família aumentou, somos seis filhos, e quando houve necessidade de começarmos a estudar, tivemos de vir para Braga. Instalamo-nos em Braga. Eu com 16 anos, fiz a primeira exposição de pintura mas quando era criança o meu desejo era ser arquitecto, fazer muitas coisas.

As coisas foram surgindo naturalmente, fiz o meu curso, na Escola Industrial Carlos Amarante concorri para dar aulas de trabalhos manuais e foi o que fiz aos 18 anos, depois fiz um curso de complemento de formação específica na área da pedagogia, e a cerâmica surge assim quase sem eu fazer nada por isso. Descobri que era um material plástico, com muitas potencialidades, com uma facilidade muito grande em ser transformada para podermos concretizar as ideias e os projectos. Aderi à cerâmica e fui fazendo umas coisas.

Entretanto, surgiram outros materiais e tenho alguns trabalhos que fui fazendo com madeiras, com ferro, aços, pedra, conforme o cliente, muitas vezes. Trabalhos de grande dimensão e mais pequenos,

CM — Disse-nos que em pequeno queria ser arquitecto mas sempre teve um certo fascínio pelas artes plásticas. É uma inclinação familiar ou existe outra razão para explicar esse gosto.
AR —
Esta opção não tem explicação. Não sei porque é que acontece e o meu caso é um bocado o paradigma disso porque na minha família não tenho tradições artísticas. O meu pai foi muitos anos empregado de mercearia, a minha mãe era modista. Soube já quando era adolescente que tinha um avô que era ourives. Não sei se tem alguma relação ou não tem.

Mesmo a minha formação não é também na área das artes plásticas ou coisa que o valha, digamos que esta minha necessidade — não sei se posso dizer assim — por me expressar neste trabalho, não está na minha formação académica, está naquilo a que alguns chamam auto-didactismo. Acho que ninguém é autodidacta, estamos envolvidos num mundo, numa série de coisas que vão acontecendo e nós estamos sempre a aprender com os outros. Estamos abertos a todo o tipo de influências e isso é que nos vai formando.

CM — porque escolheu a cerâmica?
AR —
Há coisas de infância que ainda hoje recordo que eventualmente me fizeram despertar para a cerâmica. Lembro-me do fascínio que tinha pelos bonequinhos até do presépio, que se montava nas casas. Havia também um prato que ofereceram aos meus pais, em baixo relevo e eu achava aquilo fascinante quase transcendente. Lembro-me de desfazer um tijolo para tentar fazer uma massa, pensava eu que era possível, uma pasta; porque também me lembro muitas vezes de estar à mesa à espera da sopa e com o miolo do pão fazer uns bonequinhos, O meu pai não gostava nada mas eu fazia umas carinhas e uns bichinhos. Era muito pequenino.

Eu não acredito muito nessa coisa do destino, mas acaba por ser natural em mim no que eu faço. Eu nunca procurei, foi surgindo, não sei porque estou a fazer isto e não outra coisa. Há muitas coisas que surgem na vida das pessoas por acaso e as pessoas vão conhecendo.

O meu percurso artístico é um bocado isso, nunca foi planeado, nunca me sentei a pensar... agora vou fazer isto ou aquilo. Se surge uma bienal, eu participo, se surge um concurso eu participo, se surge uma proposta ou projecto de trabalho, se puder faço, ou se surge uma encomenda também faço, é assim. As coisas têm me corrido bem.

CM — Dá para viver das encomendas?
AR —
Acho que podia viver deste trabalho. Já tenho os filhos formados, o período das dificuldades já passou mas eu também gosto muito de dar aulas.

CM - … E tenta conciliar as duas coisas…
AR —
Consigo, tenho que roubar muitos fins-de-semana ao meu descanso, trabalhar aos sábados e domingos, sobretudo nesta altura do natal. Acontece-me sempre e tenho uma relação com o trabalho muito forte.
Não estou quieto.




CM – Mas não pode ser definido apenas como um ceramista?
AR —
Custa-me um bocado a aceitar esses rótulos, mas, pronto, as pessoas têm de ser identificadas por alguma coisa. Não temos de pôr isso à frente da pessoa. Acho que em Portugal se faz demais. O dr. é muito importante e o eng. Também é. Acho que isso é muito bacoco e provinciano, as pessoas terem de se apresentar com mais alguma coisa à frente do nome.

CM — Estamos a tentar definir o seu trabalho principal.
AR —
Não, eu faço trabalhos em vidro, escultura, muita coisa, aquilo que eu acho que posso fazer no interesse da minha evolução, através de cursos, de reciclagens, para diversificar a actividade para além da cerâmica. A gente não saber quase nada.

CM — Costuma fazer exposições regularmente?
AR —
Ainda este ano houve uma exposição com alguma dimensão no Museu Alberto Sampaio, em Guimarães, que esteve aberta ao público nos meses de Julho e Agosto. Foi no âmbito do projecto Museu à Noite, eu tive uma exposição que esteve lá nesse período e foi muito visitada.

CM — Está prevista mais alguma?
AR —
Por agora não. Estou a trabalhar para o Natal, a acabar o presépio deste ano. Há muita gente a coleccionar presépios. Há grandes coleccionadores. Eu tenho um cliente que é possuidor da maior colecção de presépios da Península Ibérica.

CM — Quantos exemplares faz de cada presépio?
AR —
Costumo fazer trinta mas este ano vou fazer uma tiragem de 45. Os presépios são numerados, com assinatura do artista e as pessoas já sabem que estão a comprar um presépio de uma série que tem mais X presépios. Há mais gente a querer presépios e por isso fiz uma tiragem maior.

CM — Qual é o traço diferenciador ou identificativo do presépio deste ano?
AR …—
Não sei explicar. Só mostrando. É muito simples e eu acho que cada vez mais temos de fazer as coisas mais simples. É isso que temos de fazer na vida. Simplificar a todos os níveis para melhorar a nossa qualidade de vida, a nossa relação com a Terra, com o mundo e com as pessoas. Essa ideia da relação com a natureza não é nova, só que a gente esquece-se muito. Outros transformam-na num negócio, comos e vê agora com a reciclagem.

CM — Como artista plástico, como está a arte em Portugal?
AR –
Acho que está bem e recomenda-se. A arte sempre esteve bem mas em termos comerciais, estamos numa encruzilhada muito grande. Está tudo inventado. A questão é essa. Há artistas que ainda consegue fazer qualquer coisa que nos crie admiração ou espanto. Se calhar o talento é isso. Há tanta gente a trabalhar que é muito difícil ser-se original e as linguagens já foram quase todas experimentadas.

Neste momento, o que prevalece é um certo caos organizado, uma certa mistura de tudo, que funciona muito bem. É isso que eu estou a assistir. A minha filha, acabou Belas Artes há dois anos, e o aquilo que ela faz é um bocado o que eu sinto: a pintura no sentido mais tradicional do termo não existe. Pintar com o pincel, é uma coisa que para os jovens artistas não faz muito sentido. Está–se a criar muito a ideia de que é preciso reaproveitar aquilo que é considerado lixo, a ideia da reciclagem está muito presente na arte. Ainda bem que assim é.

Hoje faz-se a arte de quase tudo, de quase todo o tipo de materiais, e há coisas com resultados fabulosos, ideias fantásticas.
Em termos comerciais, parece-me que se está a fazer uma selecção natural. Houve um período em que toda a gente vendia, o mercado era forte e havia uma tendência muito grande para comprar arte. Acho que agora só se está a vender aquilo que é de pessoas com algum estatuto, que têm uma certa protecção do mercado.

O mercado da arte é muito complicado. É assim uma espécie de economia paralela, nãos e percebe muito bem como funciona. Em termos da cidade de Braga, é o que sempre foi.

É um grupo de compradores e são quase sempre os mesmos mais alguns amigos e família. São quase sempre as mesmas pessoas e eu acabo por concluir que é melhor trabalhar para um grupo de pessoas que aprecia e nos vai dando valor do que querer uma atitude mais abrangente e universal.

É preferível nós termos o nosso publicozinho - uma expressão que já ouvi aí — e estarmos bem com essas pessoas.
Se a gente puder dar alguns saltos lá por fora, é óptimo, até porque são desafios que por vezes nós pensamos que estamos preparados e não estamos.

Já me tem acontecido concorrer a bienais - por exemplo na Itália — e não ser aceite. Esta coisa de que a gente chega a um certo ponto e pensa que já é artista não é assim.

CM — existe algum momento mais feliz na sua carreira?
AR —
Não sei. É um bocado difícil. Não tenho trabalhos preferidos porque eu acabo de fazer uma coisa e já estou a pensar noutra, se for capaz. Há uma coisa que eu não posso negar: eu gosto de me surpreender com o meu trabalho. Se eu for capaz de fazer isso, eu acredito naquilo que estou a fazer. Ao surpreender-me a mim também vou surpreender as outras pessoas. É um bocado essa atitude que eu tenho em relação aquilo que faço.

Não posso negar que há um trabalho ou outro que eu posso achar que fui mais feliz ou resultou melhor. Isso acontece. A atitude que eu tenho é acabar uma coisa e fazer de conta que já não existe. Não gosto de remoer sobre o que está feito, pois não ando para a frente; há sempre a hipótese de encontrar defeitos. Isso vai inibir-nos.

CM — Em termos europeus, como está?
AR —
Eu não posso esquecer que vivo num mundo fechado para a arte. Eu vivo em Braga porque quero e não me posso queixar de nada. Podia ir para outro sítio qualquer mas o problema é a quantidade de gente, quando se quer ir para fora expor. Estou-me a lembrar de uma bienal que participei na Coreia.

A primeira vez que participei, concorreram quatro mil pessoas para seleccionar 150 - está a ver como isto é. Depois são todos bons e de todo o mundo, porque os prémios são fabulosos. O prestígio daquelas bienais é muito grande…

CM – Não intenção de realizar uma exposição em Braga?
AR –
É uma questão de me propor e eu aceito. Fiz uma boa exposição aquando do bi-milénio em Braga, fui artista permanente da Galeria Mário Sequeira, continuo a trabalhar para a BeloBelo.

Não estou descontextualizado da cidade, mas gostava de fazer uma coisa de grande dimensão, com várias figuras. É uma ideia que anda a ser trabalhada, com uma exposição muito próxima das pessoas, na rua, à mão das pessoas, sem elas terem aquela inibição que é dar um primeiro passo para entrar numa galeria, que muita vezes é difícil.

Percebo que haja muita gente que não entra nas galerias porque não se identifica com aquele mundo, ou que é uma coisa que está fora do seu alcance. Criou-se um bocado essa ideia que o artista está for a da nossa vida normal e do quotidiano.

É preciso desmontar isso tudo, quando as pessoas perceberem que os artistas são iguais a elas, são pessoas de carne e osso, que comem e vivem como elas, com problemas e alegrias, vai ser mais fácil.
Para já é tudo um embuste porque se cria muitas vezes uma certa imagem de que o artista é especial, de outro mundo que tem direito de dizer disparates e andar distraído. Eu não aceito isso.

CM — de bater com a cabeça nos postes…
AR –
é. Eu nunca aceitei isso. Temos que pensar, viver, sacrificar-se como as outras pessoas. Depois também há aquela ideia de que para o artista é tudo fácil, de fazer, de ganhar dinheiro. São chavões, são coisas terríveis, que não correspondem aquilo que se passa. Por exemplo, a inspiração, muitas vezes é trabalho, trabalho, trabalho. Se deixarmos de trabalhar, deixamos de evoluir.

É como um pianista. Para ser cada vez melhor pianista, tem de trabalhar todos os dias. Nós muitas vezes trabalhamos, só por trabalhar, por fazer coisas, a tentar evoluir e fazer mais e melhor. Temos que andar um bocadinho mais atentos às coisas e aos pormenores e transformar aquilo que vemos em objectos conceitos e coisas.

CM — Como define os seus trabalhos?
AR —
Eu sei reconhecer e tenho noção daquilo que fiz e sei que tenho muita estrada para andar.

CM — A simplicidade é uma das suas características?
AR —
A simplicidade não é o que é mais simples de fazer. A ideia de simplicidade é sintetizar muitas coisas pelas quais já andamos. Para fazer essa síntese é preciso andar por vários, sítios, fazer várias tentativas. Não é uma obsessão para mim, a simplicidade, mas procuro que faça parte do meu trabalho.

CM — Gosta muito do branco…
AR —
depende das épocas. Se vier cá para o ano, estou a fazer tudo preto. Não tem explicação óbvia, imediata. Há imensas variantes e factores que influenciam as nossas escolhas e por isso não sou capaz de definir o meu trabalho.

Não gosto de fazer sempre a mesma coisa, sou eclético. Não estou muito preocupado em catalogar-me. O meu trabalho é identificável. As pessoas sabem que é meu e isso já não é meu. Significa que há as pessoas chamam estilo. Já pode sastifazer-me mas há muita coisa que eu quero aprender.

Faço o melhor que posso e o melhor que sei neste momento. Não estou agarrado a modelos, a ícones, a estilos, porque surge muito do que eu sou.

O pintor pinta-se e eu sou um bocado assim, eu não escondo nada do que eu sou. Não tentei criar uma fórmula, se calhar é um erro, mas é uma opção.