Thursday, February 28, 2008

Ferreiros: nova igreja pode avançar



“Se quiséssemos fazer só a Igreja, já podíamos começar as obras, mas aguardamos a aprovação do projecto habitacional envolvente” – revela o padre Marcelino Paulo Ferreira.

O padre Marcelino Ferreira falava ao Correio do Minho durante uma conversa na qual participou o padre Miguel Simões, que forma a dupla de jovens sacerdotes a quem foi confiada desde 2001 a paróquia de Ferreiros.

Chegados em Setembro daquele ano, os dois jovens sacerdotes, cuja primeira experiência paroquial tinha sido em Barcelos (Padre Miguel) e na Aveleda (padre Marcelino) encontraram uma paróquia com vários movimentos de apostolado juvenil, catequese organizada e quatro grupos corais, mas sem confrarias desactivadas há muito e sem festa da padroeira da Freguesia.

Os mais velhos dizem que esta festa da Padroeira (Santa Maria ou Senhora do Ó) apenas se realizou uma vez, no tempo do falecido padre Francisco Marques, a quem a paróquia ergueu um busto à face da rua com o seu nome. A única Confraria – a de S. Brás e da Senhora da Misericórdia – está limitada a uma equipa que se responsabiliza por recolher os donativos que são integrados nas contas da paróquia e zela pela Capela.

Entretanto, em 2002, surgiu outra comissão que recuperou a Festa da Misericórdia, em Setembro. Esta festa vai-se tornando a Festa da Paróquia, fazendo com que a Procissão saia da Igreja Paroquial e termine na Capela da Senhora da Misericórdia, de “forma a criar união e comunhão entre todos, percorrendo outros lugares importantes como Gandra e Ventosa.

GANDRA
NOVA CENTRALIDADE

O lugar da Gandra é o centro geográfico da paróquia e vai ser ainda mais quando aí se construir a nova Igreja, em terrenos finalmente libertados junto ao viaduto da variante Circular Norte e nó de acesso à auto-estrada para Esposende, bem perto da abandonada capela de S. Nicolau.

A ideia de construir a nova Igreja ganhou corpo em 2003, com o lançamento de um concurso de projectos cujo vencedor (equipa do arquitecto António Fontes) foi conhecido no ano seguinte. No ano 2002, os padres Marcelino e Miguel lançaram um inquérito aos paroquianos para saber se ampliavam a actual Igreja ou construíam uma nova e a maioria pronunciou-se pela construção de um novo templo.

Decorre agora o processo burocrático porque a construção da nova Igreja está integrada num projecto de urbanização já aprovado e cujo programa de habitações está em fase de aprovação.

TEMPLO EM FORMA
DE ANFITEATRO

A urbanização envolvente vai financiar a construção da Igreja e complexo paroquial, mas já existe disponibilidade financeira para lançar a construção do templo.
A futura Igreja de Ferreiros terá capacidade para 400 lugares e tem uma configuração de anfiteatro, com altar ao centro e as pessoas em sua volta.

Além da Igreja propriamente dita, este empreendimento possuirá salas para todas as actividades pastorais (catequese, jovens e outros movimentos), capela mortuária, uma capela para celebrações mais pequenas, espaço de convívio e parque de estacionamento subterrâneo.

O templo será construído num terreno doado pelo Padre Francisco Marques. Ele próprio deu os primeiros passos para a concretização deste sonho maior dos ferreirenses, mas esteve parado na década de oitenta devido ao espaço canal necessário para a passagem da Variante Circular à cidade de Braga.

Entretanto, como o processo da Igreja estava parado, o padre Manuel Graça foi avançando com o Centro Social, uma vez que o CAD (Centro de Apoio a Dependentes) se tornava insuficiente para as necessidades.

Agora, cabe aos novos párocos angariar mais de 2,5 milhões de euros e ultrapassar as dificuldades criadas com a passagem da Circular, porque o terreno “perdeu capacidade construtiva e tivemos de reduzir o número de habitações”, pelo que se torna agora mais difícil reunir o dinheiro que é necessário.

Por isso, desde 2001, os paroquianos de Ferreiros vêm contribuindo, todos os segundos domingos de cada mês, com os donativos que são destinados ao novo Templo, reforçados com receitas oriundas de outras actividades como jantares, noites do fado, etc.

Entretanto, na actual Igreja, algumas obras de conservação não podiam esperar e os actuais párocos deitaram mão à obra para restaurar e manter, com melhorias nas paredes e telhado.

Na Capela da Misericórdia, foi feito um restauro exterior completo, foi criada uma sacristia que não tinha e um espaço para arrumos, enquanto os arranjos exteriores aguardam luz verde da Junta de Freguesia de Ferreiros.

Com a entrega de novas paróquias (Vilaça e Sequeira), os movimentos e equipas existentes foram enriquecidos com uma dimensão inter-paroquial e foi-lhes acrescentada – por força do Plano Pastoral diocesano – uma equipa de pastoral familiar.
“Este intercâmbio inter-paroquial favorece a acção entre as pessoas e tem sido muito útil, mantendo a autonomia e capacidade para o fazer em cada freguesia”, confessa o Padre Marcelino.

Em termos de movimentos pastorais, Ferreiros possui quatro grupos corais (embora dois sejam um só mas repartem-se em dois para animar as duas missas na Igreja Paroquial), um forte agrupamento do CNE, Grupo de Jovens Despertar e Pastoral Familiar.

FORTE COMPONENTE SOCIAL

Do padre Manuel Graça herdaram uma componente de acção social muito forte, com o CAD (Centro de Apoio a Dependentes) que foi a sementeira para o Centro Social da Paróquia de Ferreiros, na Quintela.

O CAD, com capacidade protocolada com a Segurança Social para treze pessoas, está a transformar-se em Lar de Idosos. Até agora, os idosos dependentes apenas podiam estar ali três meses – dado o seu regime temporário que deixou de ter o prometido apoio multidisciplinar nunca concretizado pelo Estado. O objectivo inicial era funcionar como uma Unidade de Cuidados Continuados, mas os serviços governamentais começaram a cortar os apoios ao médico, depois à enfermagem e a Paróquia foi obrigada a “transformar o CAD em Lar de Idosos” – refere o padre Miguel Simões.

De facto, aquela situação não era a melhor. Por um lado, o estado não comparticipava os serviços protocolados e depois o carácter temporário era difícil de cumprir porque “alguns idosos eram ali deixados pelas famílias que não os vinham buscar, criando situações de desigualdade para com os que estavam em lista de espera e nós não os podíamos pôr na rua ou abandoná-los”.

O CAD, além dos treze lugares para Lar, possui a valência de apoio domiciliário para 25 pessoas onde todo o serviço é prestado, excepto a companhia que só pode ser concretizado se, em breve, se realizar um “projecto de voluntariado de companhia e desempenho de pequenas tarefas domésticas, etc.”, admite o padre Miguel Simões. Para já, vai oferecendo também a valência de centro de dia para dez pessoas.

CENTRO SOCIAL
AMPLIA RESPOSTAS

No Centro Social da Paróquia de Ferreiros (que inclui o CAD), além do apoio à infância (creche, jardim de infância, ATL), possui também um lar de idosos com capacidade para 13 pessoas.

O terreno e o edifício são propriedade da Comissão da Fábrica da Igreja que “ainda hoje lá continua a investir” para dar melhores condições à centena e meia de crianças que frequentam o Centro Social e aos idosos.

Esta vertente social da paróquia começou numa sala de catequese mas depressa o espaço se revelou insuficiente e a paróquia vendeu a residência. Com essa verba comprou a casa junto à Igreja, onde morava o antigo caseiro da Quinta dos Apóstolos. Como na residência paroquial já havia serviços de apoio domiciliário, no imóvel junto à Igreja, criou-se o CAD e alojou-se o serviço de apoio domiciliário.

A acção social da paróquia de Ferreiros vai alargar-se porque, adianta o padre Miguel Simões, vai ser construído “um lar novo, no terreno ao lado, já reservado em 2002, para poder concentrar e ampliar a capacidade de resposta aos seniores. Faz falta”.
No que se refere ao acompanhamento das situações de pobreza, este apoio é ocasional e visa “responder a pedidos esporádicos de algumas famílias que não podem pagar a água, ou luz ou escola dos filhos”.

Por isso, espera o padre Miguel Simões que “o Banco de voluntariado do CAD, em lançamento, pode dar origem a uma equipa mais consistente para esses apoios bem como as visitas aos doentes.




CAPELA DE S. NICOLAU:
UMA TÉNUE ESPERANÇA

Uma situação dolorosa – sem que a paróquia tenha qualquer responsabilidade, como pode ver nas fotos – é a que se vive em torno do que resta da capela de S. Nicolau mas parece estar a ver-se alguma luz ao fundo do túnel.

Trata-se de uma situação de degradação recente, em que o recheio da Capela foi delapidado, tendo ficado apenas as paredes deste templo que servia de apoio aos proprietários de uma quinta outrora brasonada que ali existia e foi anulada pelo avanço das construções.

“O que havia ali de valor desapareceu tudo” – lamenta o padre Marcelino Ferreira, citando os paroquianos mais antigos que ainda se lembram de ir lá à Missa, há cerca de 70 anos, quando a Igreja paroquial estava em obras, após a implantação da República.

Há alguns anos, um pedido do Corpo Nacional de Escutas, através do Agrupamento de Ferreiros, à Irmandade de Santa Cruz, proprietária daquela ermida, mereceu resposta negativa. Entretanto, surgiu um pedido da Diocese para que se restaurasse o templo e desse algum uso, o que pode vir a acontecer no futuro se os Escuteiros ainda estiverem capazes de aceitar esta tarefa. Isso poderá ser despoletado quando a nova Igreja for construída do outro lado do viaduto.

DO LAUSPERENE AO CONVÍVIO PAROQUIAL

Para além das iniciativas normais, a paróquia de Ferreiros tem alguns dias especiais, como é o do Convívio da Paróquia, através de um passeio aglutinador de todos os paroquianos, ou o do Lausperene que se celebra hoje e amanhã.

Este ano, mantém-se a ideia embora o objectivo seja “menos passeio e mais convívio”, através de uma viagem a um local mais próximo que liberte tempo de viagem para que as pessoas se encontrem falem e para que possa envolver toda a comunidade, com os seus movimentos juvenis, a catequese e outras forças vivas.

Este ano, o convívio está marcado para o último Domingo de Junho, porque no mês seguinte já há muitos paroquianos em férias, assinalando também o encerramento da catequese.

Março é o mês da Póvoa de Lanhoso



Março é o mês da Póvoa de Lanhoso. Por mais que uma razão: ali passa o Rallye de Portugal, ali começa o espantoso ciclo de romarias do Minho — com as festas a S. José — e com a celebração da Páscoa festejada nos seus inúmeros Arcos festivos.

São razões insuficientes? Então, saboreie “esta ementa de ouro” dos fins-de-semana gastronómicos cujo príncipe é o cabrito a S. José, repouse nas suas unidades de hotelaria rural, descubra as oficinas artesanais de ouro onde a rainha é a filigrana e depois pode deliciar-se com a sombra do Carvalho de Calvos, rei do património natural que pede meças ao construído pelos antepassados e se vislumbra do alto do Castelo de Lanhoso, o maior penedo da Península Ibérica.

Se isto não chega para se deslocar à Povoa de Lanhoso, durante o mês de Março, que mais podemos fazer. Esperamos até que um dia se convença que, afinal, tínhamos razão.

Enquanto esperamos que isso aconteça, apresentamos--lhe aqui alguns dos momentos centrais da conversa que travamos com a vereadora do Turismo, Cultura e Acção Social da Póvoa de Lanhoso, Fátima Moreira.

Fátima Moreira nota que a festa de S. José se assume como a primeira romaria do Minho, por si só, atrai um público muito certo. Este ano as festas coincidem com um mês muito rico de actividades: rallye, festas e depois a Páscoa.
“É um mês com grande capacidade de atractividade para a Póvoa de Lanhoso” — assegura a autarca.

Aliado a isso, adianta, “temos a iniciativa da Associação de Turismo com os fins-de-semana gastronómicos subordinados ao lema “Esta ementa é de ouro” em que o destaque vai ser dado ao “Cabrito à S. José”.

ESPECTÁCULO
TERCEIRO MUNDISTA
ACABOU

Assim, Março oferece este ano um produto turístico já formatado que passa pela gastronomia e vinhos, tradições das festas de S. José, actividades desportivas com impacto nacional e internacional e pela essência da festa da Páscoa que atrai muita gente a Braga, no âmbito da Semana Santa.

“Esperamos que muitos espanhóis possam apreciar também as nossas riquezas antes de chegar a Braga para a Semana Santa” — deseja Fátima Moreira, destacando que “os arcos de festa começam a ser uma marca da Páscoa que, sendo iniciativas das Juntas de Freguesia e Associações, que a Câmara Municipal tem apoiado dada a sua atractividade”.

O programa das festas de S. José estrutura-se num contexto ao do ano anterior, abrindo com a Verbena e mantendo uma exposição, se bem que, em termos de novidades, “há uma alteração que pretendemos fazer com os feirantes, as pessoas que vêm com as suas tendas. Temos tido nos anos anterio-res algumas queixas do co-mércio local devido à desor-ganização e ocupação desor- denada dos espaços.

Acabam por montar as suas tendas de forma pouco organizada. Este ano, a Câmara Municipal vai alugar stands, vamos fechar a rua da Maria da Fonte e todo o Parque do Pontido onde eles vão ser montados e alugados pelos feirantes”.

Os stands por módulos podem trazer menos receitas – porque a Câmara vai pagar o aluguer de stands e os interessados vão pagar ao metro quadrado — mas “temos consciência de um organização melhor dos produtos e da feira em si e espero que isso se traduza num benefício para o comércio local que ficava prejudicado, sobretudo aquele comércio que está instalado na rua Maria da Fonte”.

Tendeiros aderiram
a esta melhoria
do cenário

A adesão dos tendeiros tem sido boa a esta alteração porque foram informados desta alte-ração e dos preços que tem de pagar. “Nós não queremos ga-nhar mas também não que- remos ter prejuízo. Basicamente, pagam o preço que nos custa a nós.

As tendas mais relacionadas com o artesanato e bugigangas são as que vão ter um novo visual porque as diversões e farturas etc., mantêm-se como estavam” — explica Fátima Moreira.

Quanto à verbena — pelas 22 horas no Theatro Clube — que abre o primeiro dia do programa das festas, sexta-feira, dia 14 de Março, relançada no ano passado pela primeira vez e “espe-ramos manter o glamour e alegria com que as pessoas se divertiram. No ano passado, valeu a pena porque as pessoas ficaram satisfeitas e recuperámos uma tradição que tinha sido perdida.

Há um grupo dos funcionários da Câmara Municipal que tem danças de salão e propuseram ao Centro de Criatividade que fossem trajados. Estão a preparar uma nuance mas a Verbena continua a ser um espaço aberto a todos e em que as pessoas se possam divertir, mediante inscrição prévia”.

O primeiro dia é assinalado pelo a inauguração do Monumento ao Ourives, na rotunda do Pinheiro, na estrada Braga Vieira do Minho: “será uma salva com umas contas de filigrana que recebem todas as pessoas que entram no con- celho, afirmando a Póvoa de Lanhoso como terra do Ouro”.

No mesmo dia, é inaugurada uma exposição que “mostra o espólio imenso da Casa Pitães, com fotografias das festas de S. José ao longo de várias décadas na óptica do fotógrafo Manuel Pitães. Vai ser uma exposição fantástica e é tempo de reco-nhecermos todo o trabalho que tem feito pelo concelho”.

MIL BTT’s e corrida
a galope

O segundo dia das festas abre com actividades desportivas com uma proposta nova da Associação de Protecção de Animais, com uma acção de adopção de animais. Os trilhos da Maria da Fonte querem ultrapassar os 900 BTT’s da edição do ano passado. A corrida a galope a prova de todo-o-terreno animam desportivamente este dia em que abre a Mostra de artesanato e produtos regionais.

“Pela avaliação que fizemos nos últimos anos, junto dos artesãos e produtores locais, foi-nos sugerido que a Feira teria outro impacto se fosse incluída nas festas concelhias, não só para os artesãos — porque é uma altura em que não há muitas feiras – e porque será um ponto de encontro em que as pessoas já vêm para participar noutras coisas” — justifica Fátima Mo-reira.
Trata-se de iniciativas que até agora eram financiadas pelo LEADER e os atrasos nos financiamentos obrigaram artesãos e autarcas a encontrar novas so-luções.

ANJOS FECHAM
NOITE DE SÁBADO

Neste segundo dia das festas destaca-se o Festival de Folclore em que participam todos os ranchos do concelho e a noite encerra com os Anjos, cabeça de cartaz das festas.

O domingo de manhã é preenchido com provas de pesca e caça, enquanto a tarde é dinamizada por uma iniciativa estreada no ano passado mas alargada: Encontro de concertinas, durante tarde e noite que fecha com a actuação de um grupo local — ‘Cantares da nossa aldeia’. As participações podem ser maiores que dois minutos.

Na segunda feira, é tempo de retemperar forças para o grande dia, pelo que o programa inclui apenas um espectáculo com os Vaticanos. O dia seguinte é animado pelo Canário e Natividade e sobe de tom com a Claudisabel.

Procurou-se um “programa para vários tipos diferentes, de modo a a agradar ao maior numero de povoenses”.
O dia e S. José — feriado municipal — é marcado pelas celebrações religiosas.

Depois da Missa solene há a actuação do Rancho Infantil (que faz anos neste dia), a procissão solene que procura envolver todas as freguesias, com os andores dos seus padroeiros. As freguesias vão fazer-se representar de “forma mais organizada com andores e as catequese das freguesias. Ano a ano vamos tentando reforçar este procissão”. O trajecto vai ser alongado este ano de modo a que o início não colida com o fim do cortejo.

POR UM FIO DE OURO:
TURISMO ENTRELAÇADO

Mais uma celebração de teatro assinala as festas com o “Ir e vir e ir” que envolve mais de cem pessoas e com uma expressão muito significativa da dança, numa produção do Centro de Criatividade.

Temos um projecto que é “por um fio de ouro”, que vai encerrar em Maio, numa acção que traduz o nosso entendimento do que deve ser a promoção da Povoa de Lanhoso através da filigrana: “só faz sentido promover os artesãos, faz sentido envolver as ourivesarias mas faz sentido envolver todos os gentes relacionados com o turismo. Eu digo muitas vezes que o turista que vem à Póvoa de Lanhoso tem de levar uma imagem positiva global. Se ele vem, fica bem instalado, dorme bem mas depois vai a um restaurante e é mal servido ou vai a uma ourivesaria e não tem filigrana para comprar, fica com uma imagem menos positiva”.

O produto turístico tem de ser assumido por todos, na globalidade. Por isso, afirmar a Póvoa de Lanhoso como terra do ouro mas se as pessoas não conseguem comprar filigrana, não resulta. “Temos de trabalhar em cooperação, para ter um produto que tem de ser global. Quero revitalizar as oficinas que devem tentar melhorar o seu trabalho em termos de design e mantendo a sua tradição mas também quero ter a possibilidade que as ourive-sarias da Póvoa de Lanhoso funcionem como montra deste ouro. Depois, o alojamento e a restauração deve funcionar para aqueles que nos visitam com produtos de quallidade” — explana a nossa interlocutora.

MODA LANHOSO
EM MAIO

O Fórum Por um fio de ouro surgiu com “este sentido da cooperação porque, de outra forma, não vamos a lado ne-nhum.
No dia 17 de Maio vamos ter o Moda Lanhoso, no anfiteatro ao ar livre do Parque do Pontido em construção e que vai ser inaugurado no dia 25 de Abril”.

Em termos culturais, o destaque vai também para uma peça para estrear neste anfiteatro que é “D. Quixote, o sonho ainda vive” que se espera seja uma marca no concelho.

O Castelo das Paixões vai-se manter com uma filosofia idêntica, com mudança de alguns actores.
“O Dom Quixote ainda vive, é um projecto que já está vendido para Guimarães, Vouzela e estará no Teatro da Trindade no final do ano, em Lisboa.

Nós temos uma parceria com Guimarães, através de um projecto novo, para o Verão: a residança. Vamos apostar este ano nas residências artísticas (através de protocolo com residência universitária) para trazermos para a Póvoa de Lanhoso actores e companhias das mais diversas áreas que possam vir para cá trabalhar numa articulação muito pró-xima com o Centro de Criatividade que possam fazer novos produtos teatrais, de dança, etc.

Em Março arranca já com uma pequena companhia do Porto, o Teatro do Frio, que vai estar cá para preparar um programa que depois vai surgir numa perspectiva de desencentralização nas freguesias do concelho.

“Em Junho e Julho vamos ter uma residência artística na área da dança: vai propôr-se a várias companhias nacionais que se possam inscrever e possam participar na semana da Dança, em Julho.

“Vamos ter quatro palcos na vila durante o dia e à noite. Durante o dia vai haver ensaios em que as pessoas podem participar e assistir e à noite há espectáculos com essas companhias” — enuncia Fátima Moreira.

A feira do comer e do saber não se realiza este ano porque nós temos como estratégia planear realizar e avaliar. A avaliação não foi favorável em termos de público e em espaço — muito agradável— mas as pessoas não entenderam muito bem.
Mantém-se o projecto de sinalização turística que está concluído nas freguesias e falta apenas agora na vila. Vamos rea- daptar as placas e completá-las com maior informação. Falta depois a sinalização da restauração. O orçamento está pronto e em breve será concretizado.

Thursday, January 24, 2008

António Lopes: "brasileiro" pouco camiliano



Quatro anos antes de morrer foi contemplado com uma oferta singular — um mosntruoso e admirável exemplar de couve-flor. Oitenta anos após a sua morte, António Ferreira Lopes é o povoense mais ilustre do século XX, pelo que fez em vida e após a morte pela terra da Maria da Fonte, de quem é conterrâneo. Os amigos e admiradores do padre José António Dias podem não gostar, mas António Lopes teve a generosidade de colocar a sua fortuna ao servio da sua terra enquanto o antigo presidente da Câmara Municipal fazia obras com o dinheiro dos munícipes. É uma diferença substancial.

De facto, rezam as crónicas que Delfim José Rodrigues colheu na sua Quinta da Infesta, em Geraz do Minho, um espectacular exemplar de couve flore, por altura das festas de S. José. A singularidade deste pé de couve-flor deu origem a uma exposição no Hotel Central, onde alguns visitantes chegaram a oferecer cem escudos. Recorde-se que estávamos em 1924. A gigantesca couve-flor acabou por ser oferecida a António Ferreira Lopes.

António Lopes é um dos quase milhão e meio de portugueses que emigrou para o Brasil entre 1855 e 1945. A sua vida não se encaixa no perfil "criado" por Camilo Castelo Branco e outros escritores portugueses, mas constitui uma das figuras marcantes da história do concelho de Póvoa de Lanhoso.

CAUSAS
DA EMIGRAÇÃO
PARA O BRASIL

Os camponeses do século passado, quando obtiveram a propriedade plena dos seus campos, viram-se constrangidos por um forte endividamento imposto pela exigência de investimentos domésticos para aquele efeito.
Endividamento que se desenvolveu já no contexto de importantes alterações nas práticas de crédito, com a substituição das tradicionais confrarias que emprestavam pequenas quantias a juros módicos e sem prazo (com dívidas que se arrastavam ao longo de gerações).

Mas as crises agrícolas sucediam-se: primeiro as pragas da vinha, depois a concorrência ultramarina nos cereais e na carne de bovinos, à medida que se revolucionam os transportes e as condições de conservação (situação que eliminou a importante exportação nortenha de gado para os países do Norte, em especial a Inglaterra).

Nestas conjunturas, só com uma sábia gestão se superava o limiar da sobrevivência nas casas a-grícolas, roçando-se a indigência nas unidades mais pobres, com a ameaça hipotecária sempre a pairar. Dessa gestão emergia a necessidade de distribuir os diversos filhos para profissões exteriores à empresa agrícola e nesses destinos o mais provável era o da emigração para o Brasil, pois uma economia em crescimento, como era a brasileira, onde se radicavam familiares e conhecidos, sempre apresentava maiores expectativas de inserção positiva.

Ensinar as primeiras letras aos rapazes, mandá-los tirocinar no comércio do Porto e outras cidades e vilas (Guimarães, Braga, Vila do Conde, Póvoa de Varzim) ou, em alternativa, ensinar-lhes um ofício tradicional vulgarmente ligado à construção — pedreiro, carpinteiro, estucador, marceneiro, etc.), eis preocupações genéricas nas famílias do Minho interior, numa acção pre-paratória e selectiva da emigração. Preocupações desenvolvidas na esperança de uma melhor inserção do emigrante na sociedade brasileira e nos eventuais refluxos monetários que viessem, de algum modo, ajudar a família remanescente em Portugal.

CONTEXTO
HISTÓRICO

O retorno do emigrante com algum pecúlio que pudesse ser investido na exploração agrícola era a situação mais desejada, ainda que o acto de emigrar se configurasse frequentemente como um acto de conflitualidade intra-familiar, acto paternal decidido em tenra idade do emigrante (a moda etária fixava-se nos 13/14 anos no Porto oitocentista) que implicava uma selecção dos mais fortes e activos dos filhos para os "impor" para fora de casa.

Camilo Castelo Branco, conciceu com estas situações. Sempre perspicaz na sua ironia, traduzia melhor que ninguém o sentido desses destinos familiares: "Em geral à grande fecundidade dos casais minhotos presidia a ideia de gerar rapazes para a rua da Quitanda como outrora no tálamo dos lavradores abastados se pensava muito em fazer frades beneditinos."

UMA CARICATURA

A fuga ao serviço militar desempenhava um papel crucial nestas práticas emigratórias: dadas as condições de grande desigualdade na obrigação de prestar recruta (que durava cerca de seis anos), e que, até aos anos 80, podia ser contornada por apresentação de substituto ou pagamento para remissão da obrigação, legitimava socialmente as famílias mais pobres a enviarem cedo os filhos para o Brasil, antes da prestação das primeiras garantias do seu cumprimento (a fiança).

Para nós, a figura do "brasileiro", enquanto emigrante de retorno, também não pode reduzir-se à caricatura literária que nos
ficou dos textos de Camilo Castelo Branco, um labrego do Minho caldeado em adereços tropicais e montes de libras.
Os que cá ficavam, esperam que o filho regresse rico do Brasil. Se ele não tem sucesso não retorna, fazendo-se constar que está muito rico. Se tem o sucesso esperado, regressa à terra para confirmar as expectativas depositadas.
Se se instala na cidade, participa na vereação, é mesário das confrarias, benemérito das instituições, viajante, letrado, capitalista, o que justifica a sua falta de ocupação. Vai ao clube, lê os jornais em lugar público, veste-se de branco, traz um óculo que utiliza em todas as ocasiões, é procurado para dar conselhos, papel em que se insinua e cultiva. É conhecedor dos segredos do sucesso, padrinho dos filhos que tem secretamente.

Faz doações para a igreja, mas diz-se não religioso. Aparece reconhecido na toponímia da cidade e após a morte, faz-se perpetuar em retratos a óleo, na galeria dos doadores e beneméritos da Confraria ou da Misericórdia local.


Em relação à imagem do “brasileiro”, é comum culpar Camilo Castelo Branco pela criação do cliché, o que consiste em produzir um outro injustiçado. Ora, se é verdade que Camilo apregoou aos sete ventos o estereótipo dos brasileiros de torna-viagens, não é menos verdade que ele não os inventou, o que comprova que já havia uma imagem socialmente compartilhada desses personagens. Interessante mencionar que Castelo Branco descreve, no romance A neta do Arcediago, uma mulata brasileira sensual e depravada que, em Portugal, deu à luz o vilão da história. Escrito em 1856, esse romance espelha uma visão já então corrente sobre o Brasil e as brasileiras. Mas Camilo não pára por aí e passa, no romance ‘A corja’, a usar a palavra Brasil como adjectivo negativo em si. A maneira de falar é “abrasileirada”,12 os homens são cheios de brasilei-rismos, e qualquer coisa, quando abrasileirado, significa conduta desonesta e pérfida.

Camilo Castelo Branco tinha uma rivalidade pessoal com um “brasileiro”, Manuel Pinheiro Alves, marido de Ana Plácido, uma paixão que foi literalmente fatal. Devido a essa paixão, Camilo foi levado à prisão por Pinheiro Alves.


PERCURSO DE ANTÓNIO LOPES


António Ferreira Lopes nasceu a 14 de Abril de 1845 no Lugar de Oliveira (outros dizem Várzea), freguesia de Fontarcada, concelho da Póvoa de Lanhoso.

Em 1857, parte para o Brasil, após a morte da mãe. Em terras brasileiras, António Lopes emprega-se numa casa de cereais. «As suas qualidades de trabalho e honestidade são tão apreciáveis que, três anos depois, entra para sócio [da firma Câmara & Gomes] e contrai casamento com a Ex.ma Sr.ª D. Elvira Câmara», filha do patrão, referia no jornal “Maria da Fonte” na sua edição de 29 de Janeiro de 1928. Em 1888, António Lopes voltou à Póvoa de Lanhoso e nessa altura comprou o prédio co-nhecido por Casas Novas, mandando reconstruí-lo «com todos os preceitos da arte e elegância», dividindo o seu tempo entre Vichi e Póvoa de Lanhoso.

ARQUITECTO
DO TEATRO CIRCO

Para dirigir as obras solicitou os serviços de um «reputado arquitecto de Braga, Moura Coutinho que, em Braga projectou, por exemplo, o imponente e fantástico Teatro Circo.

Este constrói a capela à qual encosta um único corpo de edifício, o da direita. Quanto ao da esquerda, a norte, perfeitamente simétrico, esse será edificado alguns anos mais tarde por um mestre-de-obras local. É então destinado a ser habitado por uma sobrinha recém-casada a quem António Lopes dedicava grande afeição. A Norte, abre-se um grande portão para os jardins e para as traseiras da casa.» (...) «A disposição da Capela com as suas duas torres e, de ambos os Lados, os seus e-difícios simétricos, evoca os conventos barrocos e rococó da Alemanha do Sul e da Áustria. E no entanto trata-se de uma casa de Brasileiros, construido na última década do séulo XIX.» (...)

A partir desta altura, António Lopes começa a adquirir os prédios que formavam o antigo Largo da Fonte, hoje chamado Largo António Lopes.

«Ali edificou o teatro, ali se organizou a corporação dos Bombeiros Voluntários, cujo material e fardas foram adquiridas unicamente a expensas suas; ali criou um formoso jardim, com um esplêndido coreto, e mais além essa obra inigualável de caridade — O Hospital», como testemunha o jornal “Maria da Fonte” de então. A sua vida e obra, foram soberbamente descritas por Paulo Freitas no numero sete do boletim “Santa Causa Povoense”, há quase oito anos.

O Director da Casa da Botica, sustenta nesse texto que, para compreender a personalidade e alma de António Lopes, basta ver o seu testamento. No documento, «é possível aferir não apenas a indelével marca que deixa na Póvoa de Lanhoso e nas suas instituições (presentes e futuras), como as sensibilidades da sua personali- dade como homem, como Amigo e sobretudo como Povoense».


Ao falar da Póvoa de Lanhoso, António Ferreira Lopes aparece como o po-voense mais homenageado, dado que foi ogrande benemérito das instituições de maior relevância no concelho, designadamente do Hospital que tem o seu nome, dos Bom-beiros Voluntários locais, do Theatro Club, entre muitas outras.

Ele viveu “O Sonho Brasileiro” mas não foi avarento, deixando marcas profundas no seu concelho mostrando-se sensível aos problemas sociais do seu tempo. Fundou o hospital, que tem o seu nome, organizou a corporação de Bombeiros Voluntários e edificou o Theatro Club.

Além de incentivar a criação da Misericórdia para administrar o hospital, o testamento de António Lopes garante a continui-dade e o funcionamento das estruturas criadas e deixou legados nomeadamente para a edificação de um novo tribunal e Paços do Concelho, de uma nova escola e atribuição de bolsas de estudo, para a Banda Musical, para a cons-trução da estrada do Pilar e donativos para instituições de solidariedade.

Arq. Julieta Azevedo: prisioneira das vitórias

Responsável por uma empresa de serviços na actividade imobiliária, criada por si e à qual deu o seu nome, Julieta Azevedo é uma jovem bracarense que tem conseguido conciliar a actividade empresarial com as tarefas de mãe de quatro filhos e outro sonho: a arquitectura.

É um caso raro de persistência e de acumulação de vitórias num universo de negócios dominado pelos homens, conforme reconheceu no programa “A empresa e o empresário” que a rádio Antena Minho trnasmite às terças-feiras, a partir das 19 horas.

“Prisioneira de vitórias, Julieta Azevedo acredita que “as vitórias atraiem outras vitórias e a vontade de querer novas conquistas e ainda não consegui realizar tudo. “Sinto-me uma mulher realizada mas não vou parar aqui. Tenho vontade de levar a empresa mais longe”.

Para a levar mais longe a sua empresa, Julieta Azevedo está a lançar-se num projecto a concretizar daqui a dois anos: “é um projecto muito grande que vai ser muito imprtante e fazer sair a minha empresa da penumbra em que se encontra”.

“Temos uma quinta e estamos a tentar idealizar um tipo de loteamento inovador que ainda não se vê em Braga, com moradias isoladas, mas ainda não tivemos grandes possibilidades de concretizar e esperemos que esse projecto projecte definitivamente a empresa” — revela a empresária.

“Desde muito cedo defini os meus objectivos para a vida e tentava concretizá-los e um dos grandes objectivos da minha vida era ter a minha empresa, o meu canto, o meu espaço, ser eu a mandar sem ter de dar satisfações a outros” — explica Julieta Azevedo.

O curso de arquitectura estava terminado, era a altura “certa para arrancar com esta empresa de projectos na área imobiliária. Uma empresa é a nossa imagem e por isso dei o meu nome à empresa” — explica a jovem empresária natural de Prado, residente em Braga desde a adolescência, quando veio estudar para o Colégio D. Diogo de Sousa.

Julieta Azevedo é uma empresa que se dedica a elaborar projectos de arquitectura e especialidades de engenharia e também se dedica, “não muito porque não há grandes possibilidades à compra e venda de imóveis” e em parceria “temos feito algumas construções com a empresa Xplano”.

O início da empresa foi voltado para os projectos que depois foram capatando as outras áreas.
O momento mais marcante “é o início, se calhar para todas as empresas” porque é de dificuldade “porque não se sabe onde vai parar”.

O “maior projecto que recebi até hoje surgiu no momento mais delicado, quando eu estava grávida, em fase adiantada, um loteamento com 180 habitações, em Gualtar, dinamizado por uns investidores de Viana. No início, deram só uma parte do loteamento porque receavam que, devido ao meu estado, não conseguisse levar a tarefa a bom porto. No espaço de um mês, entregaram-me a outra parte. Para mim foi um momento extraordinário, estava mais debilitada mas consegui e eles confiaram em mim” — recorda Julieta Azevedo.

Convidada a fazer um balanço dos quase sete anos de actividade, Julieta Azevedo considera que valeu a pena, porque já empresa quatro pessoas e já realizaram 160 projectos.

CONSTRUÇÃO EM BRAGA
TEM MUITA QUALIDADE

Sobre o lugar comum da falta de qualidade de construção em Braga, Julieta Azevedo discorda: “enquanto estudei também trabalhei e observei que houve fases em que se construiu mal, mas hoje não. O construtor constrói melhor, porque o cliente hoje é mais exigente, vê tudo, sabe tudo e o construtor tem de provar que as coisas são cumpridas. Hoje, os consumidores são mais exigentes e são mais esclarecidos. Não são emigrantes no estrangeiro que compram sem ver…Os projectos sem qualidade estão condenados a não ter compradores”.

Hoje, os investidores “procuram mais o arquitecto porque sentem a necessidade de apostar na qualidade e ter um produto diferente daquilo que se fazia há uns anos atrás em que qualquer um fazia um projecto”.

Na sua perspectiva de arquitecta, o mais importante num apartamento ou moradia , “os pormenores/acabamentos são mais importantes porque eles conferem uma diferença de qualidade à habitação. Hoje quem adquire uma casa já conhece os materiais mas pode desconhecer a qualidade de alguns pormenores”.

Recusando o proveito de que os arquitectos encarecem o preço dos projectos — pois da fama não se livram —, Julieta Azevedo refere que “a casa às vezes encarece por culpa do cliente que faz questão de querer este material e não querer o que foi sugerido, quando as coisas já estão feitas”.



Atleta,
empresária,
arquitecta
e mãe de 4 filhos

Como sempre quis seguir arte e design, Julieta Azevedo, opta por concluir o ensino secundário na Escola Carlos Amarante e faz a licenciatura de arquitectura na Universidade Lusíada, em Famalicão.
Para trás ficavam as provas de atletismo na "Francisco Sanches" e as longas horas de canoagem como atleta do Náutico de Prado.

A meio da licenciatura, enquanto trabalhava, “ em algumas aulas, os professores davam-nos uma ideia diferente do que era o futuro. Achava aquilo uma fantochada que não tinha correspondência no mundo em que eu trabalhava. Nessa altura, questionei-se se aquele era o curso certo mas os familiares estimualaram-me a terminar o curso”.

Concluídos os estudos, “já tinha os objectivos bem definidos e um era estabelecer-me”, por isso, cria a empresa em 2001, lançando-se na vida a todo o gás, casando e sendo mãe de quatro filhos no espaço de cinco anos.

“Se me perguntar se hoje me estabelecia, dada a família que tenho, já me questinava muito se o faria. Fi-lo numa altura certa” — reconhece esta mãe de quatro filhos (uma menina e três rapazes).

“Eu tinha a vontade de querer quatro filhos” — explica Julieta Azevedo porque quando traçamos os nossos objectoso e lutamos por eles, eles acabam por se realizar. Graças a Deus, isso tem-me acontecido”.

Oriunda de uma família numerosa, mais seis irmãos, destaca que os melhores momentos da sua Juventude eram o Natal.

“Não deixo de dizer que é uma tarefa muito difícil ser mulher num ramo empresarial masculinizado, saber ultrapassar preconceitos, ser mãe de quatro filhos. Tenho momentos muito difíceis, especialmente de manhã, e depois à noite. Adoro, não sou uma mãe ausente. Não vou negar que há momentos em que preciso de descanso e o meu marido também precisa. Nessa altura, peço ajuda à minha mãe e ao meu pai” — conclui.

Uma questão de ética e confiança

Há dois ou três anos atrás, uma empresa da Galiza enviou a uma empresa bracarense a quem fornecia serviços um fax a comunicar que, por força da baixa de preço de algumas matérias primas no mercado, a próxima factura mensal traduziria a diminuição do custo.

A administração da empresa bracarense ficou admirada, por um lado, e bem impressionada, por outro. Admirada, porque, por aqui, esta postura era impossível. Impressionada, porque uma empresa assim, mesmo estrangeira, merece toda a confiança.

Já passaram vários anos, e em Portugal, esta ética nos negócios continua a ser impossível. É por isso que, muitas vezes, a qualidade das nossas empresas deixa muito a desejar e a única responsabilidade é apenas de empresários sem escrúpulos.

O que se está a ver agora nos ginásios e outros locais de prática de actividade física é inacreditável, depois do Governo, através do orçamento de estado, ter decretado que o IVA, nestes casos, descia dos 21 para os cinco por cento.

Não adianta nada vir agora o vice-presidente da Associação de Empresas de Ginásios e Academias de Portugal desculpar-se ao dizer que "a descida de preços pode não ser automática com a entrada em vigor da descida de IVA", mas que em breve "o mercado se auto-regulará".

Este tema da diminuição do preço dos ginásios, no seguimento do abaixamento da taxa de IVA de 21 para 5 por cento, não era notícia se não tivesse originado queixas por parte dos utentes, uma vez que os ginásios mantiveram, e em certos casos aumentaram, os valores das mensalidades em Janeiro.

Com esta descida de 16 pontos no IVA, o Governo quer estimular objectivamente a prática da actividade física entre a população.

Não baixar a factura mensal em 16 pontos percentuais já é uma obscenidade. Mas, que podemos dizer daqueles que aumentaram, mostrando total falta de respeito pelos seus utentes?


O comportamento de muitos empresários do sector mostra que o Governo não pode fazer tudo para mudar este país para melhor, se cada um de nós não fizer a sua parte, se os empresários não cumprirem os seus deveres.

Como estamos longe da ética empresarial de outros países, a começar pela vizinha Galiza. Muitos empresários portugueses não merecem mesmo nenhuma confiança.

Não há bela sem senão

Hoje quero partilhar convosco a alegria de uma boa notícia. Não tem a ver com o futebol, nem com a política e muito menos com a economia.

É uma excelente notícia saber que o jovem pianista de Guimarães é já considerado um menino prodígio, mais conhecido em Espanha que em Portugal.

Pedro Pereira abriu, no dia 20 de Janeiro, a temporada de piano na Casa da Música com um programa que percorreu um repertório desde Bach até à actualidade.

A boa notícia prossegue porque neste concerto, esgotado há mais de uma semana, o pianista, de 17 anos, natural de Guimarães, dá ainda a conhecer a sua faceta de compositor, interpretando "Quatro canções para piano" da sua autoria.

Pedro Pereira tem participado em numerosos concursos internacionais, tendo sido laureado em todas as competições em que se apresentou.

O pianista vimaranense tem já oito primeiros prémios, tendo os primeiros sido obtidos nas VI e VII edições do concurso nacional de piano "Florinda Santos", em S. João da Madeira, e no IV Concurso Internacional de Piano, cidade do Fundão, em 2005.

Em 2006 venceu o Concurso Internacional de Piano Galaico-Português, em Vigo e no ano seguinte voltou a triunfar na categoria até aos 25 anos.

Em 2007 prosseguiu com mais vitórias em Espanha, nomeadamente nos Concursos Internacionais de Piano de San Sebastián" e "Ricard Vines", em Lleida.

Em virtude destes prémios, o jovem de Guimarães foi convidado recentemente pela União Europeia de competições para músicos Jovens a participar em festivais de música em diferentes cidades europeias.

A má notícia é que Pedro Pereira quer prosseguir a sua formação mas tem de o fazer fora de Portugal, provavelmente nos EUA, ou no Conservatório Tchaichovski, em Moscovo.

Mas esta “bela com um senão” pode fazer do dia de hoje uma melodia mais agradável para a vida de cada um de nós. Afinal, não somos bons apenas no futebol nem a copiar o que a Europa nos dita.

Após Chaves, pode ser Braga

À medida que os anos passam, cresce a dificuldade em entender a nossa relação com o Estado e qual a relação do Estado com cada um de nós.

Nunca se debateu tanto como hoje — à esquerda e à direita — qual é o papel do Estado.

O Estado não faz o que deve na educação, na Justiça, no ambiente e na saúde e anda a meter-se onde não deve.

O espectáculo deprimente da saúde, nos últimos meses, traduz um recuo evidente do Estado nas suas funções básicas, entregues pela Constituição.

Mas esse Estado, não cumpre os seus deveres, manda os seus funcionários e fiscais invadir a intimidade dos cidadãos em nome da segurança e… da saúde pública.

Como escrevia João César das Neves, “enquanto aliena funções fundamentais, a crescente máquina estatal atarefa-se a tratar da violência doméstica, dos galheteiros nos restaurantes, embalagens de brinquedos.

Proíbe o fumo, o ruído e o excesso de velocidade, promove o aborto e facilita o divórcio. Dizemos ser um país livre, mas é impossível a matança do porco, brindes no bolo-rei, ou termómetros de mercúrio”.

É para isto que os portugueses pagam impostos e verem abrir um hospital privado logo a seguir ao fecho de uma unidade pública de saúde?

Em Braga também já estão a construir um novo hospital privado, em Nogueira.

Sobre o que compete ao Estado, está tudo como dantes… Estejam atentos para que não aconteça como em Chaves.

Que está por trás de tantos adiamentos? Pode ser par depois dizerem que já não faz falta.