Thursday, November 22, 2007

O B., o pai e a escolinha



A história conta-se em poucas palavras, mas é um exemplo eloquente para uma palestra sobre o futebol como escola de virtudes para os adolescentes e jovens.

O pai de B., operário e futebolista amador, B.R., garante que o filho "é do Sporting" e só assinou "papéis para autorizar a presença dele num torneio que o Benfica ia disputar em Numância". Uma assinatura inútil, porque o filho nem chegou a jogar nesse torneio.

O caso já mereceu as honras da intervenção do presidente de uma entidade que alegra o coração de mais de seis milhões de portugueses:

Diz esse senhor que o Benfica “não obrigou ninguém, nem enganou ninguém” e acrescenta: “Não vamos pactuar com oportunistas e com mentirosos". "Esse jovem foi ao balneário com o Simão, levou bolas e a camisola do jogador. Estou convicto de que este caso será exemplar para determinados encarregados de educação."

O miúdo, garante o pai, "é do Sporting" e diz que a sua assinatura foi usada pelo Benfica para federar o miúdo.

Eis um exemplo requintado do desporto como um mundo de mentirosos e oportunistas, como muito bem disse o presidente da nação benfiquista.

O pequeno, de oito anos, está a ser disputado como se fosse um troféu de caça. Agora, a fugir dos galgos que correm para o apanhar, está a receber tratamento psicólogico.

Se não quiserem usar esta triste história num debate sobre as vitudes do desporto, podem usá-la também numa palestra qualquer sobre os direitos da crianças e a defesa dos seus legítimos interesses.

O caso do B., comparado com o da Esmeralda, não tem nada a ver. Neste caso, é um combate de afectos, naquele é uma luta por efeitos de tesouraria.
Só mais uma coisa sem importância: é para estas trapalhadas e negócios que se criam escolinhas de futebol?

Depois da porcaria de Viseu e do apito dourado, das confusões entre autarcas e dirigentes do futebol, que é preciso para alguém neste país acabar com esta choldra? Se ninguém quer fazer nada, ao menos, exige-se que os pais façam qualquer coisinha.

Letras e sons da vidas reflectidos


s

Certamente, o leitor já ouviu sua voz voltar de um penhasco ou contraforte, de um edifício alto ou de uma montanha íngreme, formando um eco?

Ouve-se o eco porque o som bate e volta como acontece a uma bola de borracha que batemos contra e volta de uma parede ao nosso encontro.

O eco também é semelhante a um raio de luz reflectido num espelho.
Um eco é um som reflectido.

Só ouvimos os ecos como sons isolados quando eles nos atingem um décimo de segundo ou mais depois do som original.
Esse é o tempo necessário para o ouvido humano separar um som do outro.
Se o leitor quiser ouvir o seu eco deve ficar pelo menos a 17 metros de distância da parede reflectora.
Se o leitor gritar diante de um penhasco a 17 metros, o som caminhará 17 metros até o penhasco e mais 17 de volta para si, numa distância total de 34 metros.

Porquê 34 metros?
Porque o som tem a velocidade de 340 metros por segundo, e tem de percorrer essa distância em um décimo de segundo. O eco chega ao seu ouvido um décimo de segundo depois do leitor ouvir a sua voz original.
Mas há ecos e ecos.
Um eco pode provocar séria interferência na audição, principalmente num ginásio grande ou num auditório. Os ecos cobrem as palavras de quem fala, causando confusão. Pode-se superar esse problema usando material amortecedor de som para as paredes, tectos e chão.
Mas não é desses ecos que estamos a falar ou estamos a escrever – perdão, quem escreveu foi Monsenhor Eduardo Melo Peixoto.

Para não criarem confusão foram colocados em letra impressa no jornal Correio do Minho, a cada Domingo que passava. Na Rádio Antena Minho, as manhãs de Domingo também acolheram estes ecos diferentes porque eram “ecos da vida”.
Porquê em livro, se já foram transcritos num jornal e ouvidos numa rádio, ainda por cima neste tempo das novas tecnologias? Podiam ser colocados num blogue, na Internet... dirão alguns.
Não há como um livro, como afirma o insuspeito fundador da Microsoft. Escreve ele que “os meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história”.

Explicado o que é um eco e justificada a necessidade de um livro sobre ecos, é tempo de definirmos que este livro inclui ECOS da Vida.

O que é a vida?

Desculpem meus senhores – leitores e autor dos ‘Ecos da Vida’ – mas eu entendo a vida como uma viagem de comboio. Estou a fazer uma escolha inconveniente mas ecológica, além de ser uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada.

Em anterior edição deste livro, o eng. Abílio da Cunha Vilaça dava-nos o mote para estas reflexões, quando escreveu que “Os Ecos da Vida traduzem vivências, reflexões, pensamentos, sempre numa atitude de alerta, e de despertar o sentido crítico de quem está nesta vida, não apenas para ver “passar os comboios”, mas que actua e faz actuar os que estão à sua volta” (1)
Interessante, porque nossa vida é como uma viagem de comboio, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques.

Quando nascemos — ao embarcarmos neste comboio, encontramos duas pessoas que, acreditamos que farão connosco o percurso até o fim: os nossos pais.

É verdade mental mas não real. Infelizmente, num qualquer apeadeiro, eles desembarcam, deixando-nos órfãos do seu carinho, dedicação, mimos, protecção e amor. Ficamos sem a rectaguarda protectora, mas isso não impede que a viagem prossiga. Assistimos ao embarque de pessoas interessantes que vão ser especiais para nós: irmãos, professores, patrões, companheiros, colegas, camaradas, amigos e amores.

Muitas pessoas entram neste comboio para passear. Outras viajam para esquecer as tristezas da vida. Há outras pessoas que vagueiam de carruagem em carruagem abertas a ajudar quem precisa.
Alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso. Isso obriga-nos a fazer essa viagem separados deles, quantas vezes durante anos, sem nos vermos, falarmos, amarmos. Com maior ou menor dificuldade, a vida faz com abandonemos o nosso vagão e consigamos chegar até eles. Afinal, eles eram o melhor pedaço de nós.

Às vezes é difícil aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado, pois outra pessoa está a ocupar esse lugar. Essa viagem da vida é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, desilusões, traições, derrotas, triunfos, esperas, embarques e desembarques.

Uma coisa é certa: este comboio não volta ao início da viagem. Por isso, só nos resta uma alternativa: fazer esta viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajecto podem fraquejar. Nós mesmos fraquejamos algumas vezes e queremos que algum passageiro nos entenda.

O grande mistério desta viagem de comboio é que não sabemos em que apeadeiro descemos do vagão da vida.
Acresce que, quando chegar o apeadeiro da saída, vai ser dramático deixar os filhos a viajar sozinhos, separar-me dos amigos que nele fiz, e arrancar-me do amor da minha vida.

Resta a esperança de chegar estação principal, onde sentiremos o agradável arrepio de prazer em ver os pais, irmãos, professores, patrões, companheiros, colegas, camaradas, amigos e amores, todos com a bagagem, que não tinham quando embarcaram.

Em que é que esta história contribui para a felicidade dos leitores. Em nada, porque o que nos deixa felizes é saber que de alguma forma, eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido e se tornado valiosa.

Ora, este é o objectivo de Monsenhor Eduardo Melo Peixoto quando decidiu publicar em livro as crónicas “Ecos da Vida” – que escreveu para o jornal Correio do Minho e leu na Rádio Antena Minho. Contribuir para que cada leitor cresça e tenha uma vida mais valiosa para os seus pais, irmãos, professores, patrões, companheiros, colegas, camaradas, amigos e amores.

Desta forma, Monsenhor Eduardo Melo Peixoto aponta-nos uma nova maneira de encarar o desembarque final na viagem da vida. A última estação não é a representação da morte, mas é sobretudo o clímax de uma história, de uma vida que duas ou mais pessoas construíram porque tiveram sempre a coragem de reconstruir para recomeçar.

“Ecos da Vida” acompanha-nos nesta viagem e cada crónica é um símbolo de garra e de luta, um vagão de sabedoria da vida, uma carruagem que frequentamos e nos ensina a tirar o melhor de "todos os passageiros".
“Ecos da vida” é uma dupla delícia porque traz a vantagem da gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado nesta viagem de comboio.

Monsenhor Eduardo Melo aproveita, de forma simples, directa, afirmativa e acessível a todos – como um bom jornalista! - pedaços da vida para extrair deles valores que podem ecoar como lições na vida de quem lê.
Os textos das crónicas são curtos, adequados a um excelente livro de cabeceira que funciona como exame de consciência de um dia que passamos na carruagem da vida ou programa de vida até ao apeadeiro do dia seguinte.

“Ecos da Vida cumpre os requisitos de um livro, traçados pelo nosso padre António Vieira - é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive – mas também é a prova de que os homens são capazes de fazer magia.
Como director do jornal Correio do Minho, ao tempo em que Monsenhor Eduardo Melo Peixoto escreveu estes textos, agradeço a honra de o termos tido connosco ao longo de largas dezenas de semanas.

Posso afirmar que a Rádio Antena Minho subscreve este sentimento e termino com uma provocação aos leitores: o verdadeiro cavalheiro compra sempre três exemplares de cada livro — um para ler, outro para guardar na estante e o último para dar de presente.

Como estamos próximos da estação... do Natal, aqui fica uma boa sugestão. “Ecos da vida” é um bom companheiro de viagem.

(1) PEIXOTO, EDUARDO MELO, Ecos da Vida, Ed. Irmandade de São Bento da Porta Aberta, Terras de Bouro, 2005, p. 15

Europa: porquê tanto medo dos povos?



O referendo em Portugal a novo Tratado da União Européia está "nas mãos" de Cavaco Silva, o mesmo é dizer que não há referendo.

O poder determinante do chefe de Estado nesta matéria decorre do disposto na actual Constituição portuguesa, cuja última revisão, em 2005, teve como único objectivo abrir "a possibilidade de convocação de um referendo sobre a aprovação de Tratado que vise a construção e aprofundamento da União Europeia”, à qual Portugal pertence há 21 anos.

É a contar com esta postura do presidente da República que o calendário traçado por José Sócrates será perfeitamente cumprido pelo nosso país.

Os novos Tratados da Europa comunitária. têm de ser aprovados por unanimidade pelos Governos dos Estados membros e depois ratificados por todos, sem excepção, Parlamentos nacionais, com ou sem consultas populares prévias.

O primeiro-ministro José Sócrates remete uma decisão sobre o referendo para depois da Cimeira de Lisboa de chefes de Estado ou de Governo dos 27 na próxima semana.

Não restam dúvidas de que a generalidade dos Estados membros, incluindo Portugal, vai tentar ao máximo evitar referendos prévios, dada a imprevisibilidade dos resultados.

Exceptuando Cavaco Silva, que não espanta pelo medo que sempre mostrou das urnas, o abandono do referendo ao futuro Tratado europeu ameaça ter custos políticos.

Foi promessa eleitoral do PSD e do PS realizar o referendo ao futuro Tratado Europeu e o"conforto" do presidente da República, apenas agrava a ideia de que o PS receia a consulta ao povo sobre estas matérias.

Ao negar o referendo, o PS vai entregar de mão beijada nos partidos à sua esquerda a ideia de uma Europa construída às escondidas do Povo.

Isto não é bom para o PS que mais uma vez esquece os compromissos eleitorais; isto é péssimo para a Europa que cada vez gera mais desconfiança entre os eleitores e constitui um atestado de menoridade aos cidadãos portugueses.

Os portugueses não percebem estas manobras, a História do PS não é digna desta cambalhota e a construção da União Européia suscita cada vez menor paixão.

José Sócrates ainda está a tempo de se credibilizar dando aos portugueses o direito de afirmar que a Europa é mais que uma árvore das patacas.

Saúde: piedosa intoxicação por incúria

A última semana foi marcada por uma troca azeda de palavras entre alguns dirigentes da Igreja Católica Portuguesa e o Governo acerca da assistência religiosa nas unidades hospitalares.

Dois aspectos foram sistematicamente repetidos pelos media como constituindo objecções centrais da Igreja Católica à proposta governamental: a restrição da assistência ao horário das visitas e o facto dos pacientes serem obrigados, na sua admissão ao hospital, a requererem por escrito a assistência, sob pena de esta não ter lugar.

Ora na proposta em discussão, o que está escrito é que a assistência religiosa "pode ser prestada a qualquer hora, de preferência fora do horário normal das visitas", e que o paciente, ou um familiar ou amigo por ele, pode requisitar a assistência a qualquer altura, "de forma escrita" e "a ser assinada por quem a requer, sob pena de se entender que o utente não deseja receber assistência".

Também tem sido repetido que o Governo quer "desmantelar" a estrutura de assistência religiosa nos hospitais, constituída só por sacerdotes e leigos católicos, pagos pelo Estado e em muitos casos com o estatuto de funcionários públicos.

Manda a verdade dizer que, apesar de ser "preciso compatibilizar o regime de assistência espiritual e religiosa com o princípio da igualdade previsto na lei da liberdade religiosa”, se mantém o estatuto, incluindo para efeitos de aposentação (...)".
Na prática, mantêm-se padres católicos como funcionários dos hospitais a auferir salários que variam entre 986 e 1474 euros, até à respectiva reforma.

Por outro lado, especifica-se que em cada unidade hospitalar deve existir "um local com condições de privacidade para reuniões de doentes com os assistentes espirituais ou religiosos.

Ainda bem que José Sócrates veio acalmar a piedosa tempestade num copo de água que alguns senhores da Igreja Católica semearam.

Foi uma polémica sem razão e os bispos e outros dirigentes, que falaram contra o Governo, mostraram imprudência e prestaram um mau serviço à democracia.

Em vez que clarificarem as posições, intoxicaram os portugueses num piedoso mas perigoso exercício de manipulação.

O ministério da Saúde não esteve bem, porque devia ter sido mais transparente e dar a conhecer o projecto de lei que está em discussão, o que só fez nos últimos dias, quando se viu acossado na comunicação social.

Quando é que o Governo aprende a explicar melhor as suas decisões e cortar pela raiz campanha de manipulação como esta de alguns dirigentes da Igreja que se mostraram mais papistas que o Papa?

Oficina da Poesia: para que serve em tempos de penúria?


Mais de 130 poetas e artistas plásticos (de Portugal e do mundo) procuram dar resposta à pergunta — “para que servem poetas/em tempos de penúria? — formulada pela poetisa Adília Lopes na abertura da revista “Oficina da Poesia” que assinala dez anos de existência.

Editada teimosa e carinhosamente pela Palimage — A Imagem e a Palavra, “Oficina da Poesia” está na segunda série e apresenta-nos agora um fascículo duplo para assinalar uma década, sob direcção de Graça Capinha, coajuvada por Jorge Fragoso, “alma mater” da editora viseense, com delegação em Braga.

Apoiada pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, através do seu Conselho Directivo, e pelo Centro de Estudos Sociais da mesma escola, “Oficina da Poesia” mantém-se fiel à matriz fundadora de “revista da palavra e da imagem” que aloja “muitas dezenas de jovens poetas, muitas leituras e muitos exercícios de escrita muito poéticas, muitas discussões tremendas, muitas noites que (nos?) tiravam o sono” ¬— lembra a Directora no seu editorial.

Dez anos depois, “sobrevivemos — prossegue Graça Capinha. E fortes laços de respeito e amizade foram criando raiz, assumindo a sua transindividualidade poética e/ou discursiva. Alguns/mas poetas daquela primeira ‘turma’ ainda hoje participam no seminário semanal. Outros/as a viver longe mantêm contacto e ainda enviam material para publicação como acontece neste número especial”.

“Oficina da Poesia” começou por ser uma revista annual, passou a semestral e é “culpada” do lançamento de vários primeiros livros e à sua sombra — ou à luz deste candelabro que alumia todos os que estão em casa?— se estimularam várias participações em outras revistas e antologias de poesia nacionais e internacionais, prémios literários nacionais e internacionais.

Se ainda não se respondeu à pergunta inicial, manda a verdade escrever que “Oficina da Poesia” se assume como uma “militante intervenção poética na comunidade através de leituras públicas e acções de rua” e os que nela participaram já perceberam para que servem os poetas em tempos de penúria.

É que a poesia “só tem sentidos na comunidade, no meio do ruído imenso produzido pelo embate semore violento entre os vários poderes dos vários discurso presentes na sociedade e na história”.

Sendo assim entendida, a poesia “serve o que não é”, na sua radicalidade “social e política” constitui um momento (ou tantos momentos) de procura (de tantos encontros) do infinito, entendido como “dádiva generosa” que não espera o retorno do “muito obrigado”.

A poesia só se agradece com muitos poemas e é isso que explica que a editora Palimage, com a mesma idade da Oficina, teime em manter este filho primogénito, “pedra sobre pedra”.

Ou, como escreve Alfredo Pérez Alencart, porque Jorge Fragoso pode confortar-se dizendo “tengo llave de la casa ancestral/y mapas de la tierra prometida”, essa terra em que “la clave del secreto es un salmo/que lava las heridas del éxodo”.

A edição deste fascículo duplo — 200 páginas de textos e imagens — de “Oficina da Poesia” é a melhor garantia de que “não porá fim à vida,/em legítima defesa”.

Thursday, July 5, 2007

Quarenta perolas da cultura popular

Fui a Braga ao São João
Tive uma ideia, adivinha,
Construir o aeroporto
Onde era o Campo da Vinha

Foi com esta quadra que Heitor Morais da Silva, residente no Largo das Te-resinhas, em Braga, arrebatou o primeiro lugar, entre cerca de 350 participações no Concurso de Quadras do S. João promovido pelo Correio do Minho.
O segundo prémio foi entregue a Abílio de Oliveira Ferreira, residente no Bairro Nogueira da Silva. com esta quadra:

Nossa cidade é vaidosa
A TV nisso não fala;
Nas festas de S. João
Braga se veste de gala.

O terceiro foi a bracarense Maria Amélia Palmeira Soares, residente na Travessa Pascoal Fernandes, com a seguinte quadra:

Fui a Braga, ao S. João
Nele pus minhas esp’ranças
Tirar da face da terra
Os predadores de crianças.

Conforme prometido, aqui ficam as quadras quue me-receram uma menção honrosa do júri que destacou “a elevada participação dos leitores neste concurso”.

Vim ao S. João a Braga
Entrei na Arcada velhinha
E como painel de fundo
Senti que Braga era minha.

António Fernandes Ferreira, Braga

Em Braga há S. João
O melhor de Portugal
Prende qualquer coração
O Estádio Municipal.

Orlando Peixoto Rodrigues, Braga

Vim a Braga ao S. João
Apenas para rezar:
Acabar com a pedofilia
E as ‘Madeleines’ voltar.

Tatiana Cristina, Braga

Ó meu S. João de Braga,
Sei que gostas d’ajudar.
Precisava duns pontinhos
P’ra professor titular.

Jacinta Pinto Ribeiro, Braga

Ó meu rico S. João,
Em Braga tens teu altar,
Peço-te com devoção
Fazei a crise passar.

Orlando Peixoto Rodrigues, Braga

É uma festa sem igual
A tua, meu S. João.
A melhor de Portugal
É em Braga, pois então!

Maria Luz M. S. Rocha, Braga

A Braga venho pedir
(A vós S. João milagroso)
Que ao rio deixes cair...
Este Governo ‘jocoso’.

Maria Graça S. Horta, Famalicão

Vou ao S. João a Braga
Está dito, não há tretas.
Vou lá de qualquer maneira
Nem que seja de muletas.

Abílio Oliveira Ferreira, Braga

Ao descer a Avenida
Em Braga, no S. João,
Um alho porro bateu-me
Bem fundo, no coração.

Francisco Assis Canário, Braga

O S. João é de Braga
Como o Correio do Minho;
Qualquer notícia que traga
Serve p’ra ler no caminho.

Francisco Assis Canário, Braga

Ai que lindo manjerico
Leva a moça no seu braço;
Foi a Braga ao S. João,
Chegou morta de cansaço.

Jorge Tinoco, Amares

Ó meu S. Joõ de Braga,
Como tu não há igual.
É a festa mais bonita
Que temos em Portugal.

Maria Conceição P. Rodrigues, Braga

O do Porto é muito bom
Na concorrência de santos
Mas de Braga o S. João
Não tem rival engre tantos.

Jorge Tinoco, Amares

Ó meu rico S. João,
Que tanta folia tens.
Dá também uma lição
A quem aumenta os pães.

Francisco Assis Nogueira, Fafe

Que bonito é de ver
Em Braga, no S. João,
As moçoilas bem contentes
Com manjerico na mãos.

Francisco Assis Nogueira, Fafe

De martelinho na mão
A Braga fui festejar
As festas de S. João
Comer, beber e saltar.

Parcídio Fernandes, Fafe

Vim a Braga p’ra parir
Mas passei p’lo S. João:
Tantos apertos e... puxos...
Se rebentou o ‘balão’!

António L. S. Pereira, Nine, Famalicão

Saúde, paz e amor
Eu pedi ao S. João;
Levo para onde for
Braga no meu coração.

Orlando P. Rodrigues, Braga

Fui ao S. João a Braga,
De martelinho e balão.
Da Ponte até à Arcada
Toda a noite é S. João.

José Amorim Costa, Maximinos, Braga

O Carro das Ervas é
Uma velha tradição;
Nesta Braga sem igual
Na altura do S. João.

Carlos Leitão Azevedo, Braga

S. João, ouvi dizer:
Em Braga és o maior.
Bem podem outros fazer
Mas não tem este vigor.

Carlos Leitão Azevedo, Braga

Em Braga, no S. João,
Há pessoas bem dispostas.
Levam com alho na cara
E nem ousam dar respostas.

Cristela R. Oliveira, Braga

Ó meu S. João de Braga,
Grande santo popular,
É com muita euforia
Que te vamos festejar.

Cristela R. Oliveira, Braga

Em Braga há grande folia
No dia de São João
A ajudar há cabeçudos
Provocando animação.

Cristela R. Oliveira, Braga

São João e ABC
São reis das emoções.
Braga em quarto, já se vê,

É terra de campeões.
Orlando P. Rodrigues, Braga

Tua festa não tem par,
Ó meu rico S. João.
É a Braga milenar
Que mantém a tradição.Maria da Luz S. Rocha, Braga

Diz-me cá meu S. João
Isto em Braga é
[pim-pam-pum;
Temos OTA? Alcochete?
Ou Portela e mais um?...

Feliciano Mendes Braga

S. João bem popular,
É tempo de sardinhada.
Todos para a romaria
Até bem de madrugada.

Américo da Silva Alves, Braga

S. João é romantismo
Que perdura e seduz;
Braga é quadro de artista
Pois tem o seu Bom Jesus.
António F. Ferreira, Braga

Já me cheira a S. João
Já me cheira a manjerico;
C’o alho porro na mão
Vou a Braga, ao bailarico.

Francisco Assis Canário, Braga

S. João, és cá dos meus.
Também gostas de bailar.
Pede lá licença a Deus,
Vem a Braga festejar.

Maria da Luz S. Rocha, Braga

O meu S. João de Braga,
Tem alegria sem fim.
Sardinhas e manjericos,
Braga é um belo jardim.
Maria Conceição Rodrigues, S. Pedro de Merelim

Nada tem mais popular,
Esta Braga tão bonita,
Do que quando alguém citar
S. João ou o Mesquita.
Jorge Tinoco,
Amares

Braga, cidade antiga,
S. João a padroeiro.
Tem a Sé como amiga,
Bom Jesus como romeiro.
Parcídio G. Fernandes,
Fafe

Vem ao S. João a Braga,
Faça calor, faça frio;
Vem ver os nossos santinhos
E o São Cristóvão no rio.
Abílio Oliveira Ferreira, Braga

Vem a Braga ao S. João;
É pertinho, pouco paga.
Porque todos os caminhos
Vão direitinhos a Braga.

Abílio Oliveira Ferreira, Braga

S. João ornamental!
Diria mestre Zé Veiga.
Braga e seus continuadores
Dele colheram a seiva.
António Lucílio Pereira
Braga

Alegria e bem-estar
Em Braga, no São João.
Venham todos festejar,
Viver esta tradição.

Cristina Filipa Barcosa, Ucha, Barcelos.

Wednesday, July 4, 2007

Degelo da Gronelândia: efeitos devastadores


Há quinze dias verificámos que os mapas do mundo vão ter de ser redesenhados à medida que aquecimento do Planeta Terra vai aquecendo e o degelo desfaz o continente da Antárctida e a Gronelândia.
Mas debaixo deste Carvalho de Calvos, á espera do sol do Verão, começamos a desesperar. O Verão come-çou mas já não é o que era, quando a TV nos mostra inundações em Inglaterra e na Alema-nha, enquanto a Grécia e a Arménia estão assar com um calor nunca visto. E por falar de Inglaterra, situemo-nos em Londres, uma cida-de que é atravessada pelo rio Tamisa, sujeito às marés do Oceano Atlântico. Nas últimas décadas, os níveis das águas do mar come-çaram a causar mais estragos durante as tempestades, o que obrigou o Governo a construir umas barricadas que podem ser fechadas para prteger grande parte da cidade.
A partir de 1985, as barricadas começaram a fechar a uma média de seis vezes e agora já é necessário fazê-lo onze vezes por ano. É um número que nos alerta para o impacto do crescente aquecimento global através do mundo. O aumento do nível do mar pode vir a ser mais rápido e maior, dependendo do que acontecer na Grone-lândia e na Antárctida e das opções que estão nas mãos de quem gere as grandes potências.
Se observarmos as maiores áreas de gelo — Antárctida e Grone-lância — que estão em risco, ficamos muito mais inquietos.
A plataforma de gelo da Antárctida oriental é a maior massa de gelo da Terra. Pensava-se que estava a crescer mas, em 2000, descobriu-se que o volume de gelo desta plataforma está a diminuir e 85 — 85! — por cento dos glaciares que lá existem aceleram o seu a-vanço para o mar, ou seja, estão a derreter-se. Por outro lado, as temperaturas do ar —medidas acima da massa de gelo — aumentaram mais rapidamen- te que as temperaturas do ar em qualquer outra parte do mmundo. Esta descoberta foi uma triste surpresa sem que os cientistas tenham conseguido explicar este fenómeno.
Os mesmos cientistas afirmam que a pla-taforma oriental será mais estável que a pla-taforma ocidental da Antárctida, apoiada na terra, e, por isso, não se deslocou para o mar como acontece com o gelo flutuante. Se esta plataforma ocienttal se derretesse ou se a ilha escorregasse para o mar, isso fazia aumentar seis metros o nível dos mares em todo o mundo.
Esta plataforma ocidental regista altera-ções alarmante na parte inferior. Estamos a falar de uma plataforma gelada do tamanho da Gronelândia que também faria subir em seis metros o nível das águas do mar em todo o mundo, se se derreter ou se se desprender e deslizar para o mar cada vez mais quente.

Agora, centremos a nossa atenção nas alterações que se verificam na Gronelância: em 2005 foram avistadas enormes lagoas de água do degelo. Sempre existiram estas lagoas, mas agora são muitas mais e cobrem uma área mmuito maior do gelo.

Acresce que estas lagoas são se-melhantes às da plataforma Larsen — de que falávamos há 15 dias — antes do seu súbito e chocante desaparecimento.

Também a Gronelândia mostra a existência de profundos sulcos e túneis ou ‘moulins’ constituídos por água produzida pelo derretimento do gelo. Quando esta água che-ga ao fundo do gelo, lubrifica a superfície do leito da rocha e desestabiliza a massa de gelo, fazendo com que esta deslize para o oceano.

Dirão os entendidos que sempre houve de-gelo sazonal oou ‘moulins’ mas estas nada tinham a ver com o que está a acontecer hoje, porque o degelo se tem acelerado rapidamente.

Em 1992, o degelo verificava-se em pequenas franjas da Gronelândia, a sul. Dez anos mais tarde, o degelo já atingia franjas maiores e chegava ao Norte. Em 2005, me-ta-de da ilha da Gronelandia sofre efeitos do degelo.

Se a Gronelândia se derretesse ou se quebrasse ou ainda des-lizasse a suua massa de gelo para o mar Atlântico, os níveis do mar subiam em todo o mundo cerca de seis metros. Al Gore, no seu livro que temos vindo a resumir para os lei-tores, ao longo destas “carvalhadas”, escreve que a Florida ficava reduzida a metade do seu território.

Se as águas do mar subirem seis metros, façam um pequeno e-xercício para ver o que acontece entre a Póvoa de Varzim e Caminha e poderão avaliar as reais consequências do aquecimento global do Planeta terra.

Se acharem que isto não é preocupante, continuem a fazer como até agora.