Thursday, November 22, 2007

Europa: porquê tanto medo dos povos?



O referendo em Portugal a novo Tratado da União Européia está "nas mãos" de Cavaco Silva, o mesmo é dizer que não há referendo.

O poder determinante do chefe de Estado nesta matéria decorre do disposto na actual Constituição portuguesa, cuja última revisão, em 2005, teve como único objectivo abrir "a possibilidade de convocação de um referendo sobre a aprovação de Tratado que vise a construção e aprofundamento da União Europeia”, à qual Portugal pertence há 21 anos.

É a contar com esta postura do presidente da República que o calendário traçado por José Sócrates será perfeitamente cumprido pelo nosso país.

Os novos Tratados da Europa comunitária. têm de ser aprovados por unanimidade pelos Governos dos Estados membros e depois ratificados por todos, sem excepção, Parlamentos nacionais, com ou sem consultas populares prévias.

O primeiro-ministro José Sócrates remete uma decisão sobre o referendo para depois da Cimeira de Lisboa de chefes de Estado ou de Governo dos 27 na próxima semana.

Não restam dúvidas de que a generalidade dos Estados membros, incluindo Portugal, vai tentar ao máximo evitar referendos prévios, dada a imprevisibilidade dos resultados.

Exceptuando Cavaco Silva, que não espanta pelo medo que sempre mostrou das urnas, o abandono do referendo ao futuro Tratado europeu ameaça ter custos políticos.

Foi promessa eleitoral do PSD e do PS realizar o referendo ao futuro Tratado Europeu e o"conforto" do presidente da República, apenas agrava a ideia de que o PS receia a consulta ao povo sobre estas matérias.

Ao negar o referendo, o PS vai entregar de mão beijada nos partidos à sua esquerda a ideia de uma Europa construída às escondidas do Povo.

Isto não é bom para o PS que mais uma vez esquece os compromissos eleitorais; isto é péssimo para a Europa que cada vez gera mais desconfiança entre os eleitores e constitui um atestado de menoridade aos cidadãos portugueses.

Os portugueses não percebem estas manobras, a História do PS não é digna desta cambalhota e a construção da União Européia suscita cada vez menor paixão.

José Sócrates ainda está a tempo de se credibilizar dando aos portugueses o direito de afirmar que a Europa é mais que uma árvore das patacas.

Saúde: piedosa intoxicação por incúria

A última semana foi marcada por uma troca azeda de palavras entre alguns dirigentes da Igreja Católica Portuguesa e o Governo acerca da assistência religiosa nas unidades hospitalares.

Dois aspectos foram sistematicamente repetidos pelos media como constituindo objecções centrais da Igreja Católica à proposta governamental: a restrição da assistência ao horário das visitas e o facto dos pacientes serem obrigados, na sua admissão ao hospital, a requererem por escrito a assistência, sob pena de esta não ter lugar.

Ora na proposta em discussão, o que está escrito é que a assistência religiosa "pode ser prestada a qualquer hora, de preferência fora do horário normal das visitas", e que o paciente, ou um familiar ou amigo por ele, pode requisitar a assistência a qualquer altura, "de forma escrita" e "a ser assinada por quem a requer, sob pena de se entender que o utente não deseja receber assistência".

Também tem sido repetido que o Governo quer "desmantelar" a estrutura de assistência religiosa nos hospitais, constituída só por sacerdotes e leigos católicos, pagos pelo Estado e em muitos casos com o estatuto de funcionários públicos.

Manda a verdade dizer que, apesar de ser "preciso compatibilizar o regime de assistência espiritual e religiosa com o princípio da igualdade previsto na lei da liberdade religiosa”, se mantém o estatuto, incluindo para efeitos de aposentação (...)".
Na prática, mantêm-se padres católicos como funcionários dos hospitais a auferir salários que variam entre 986 e 1474 euros, até à respectiva reforma.

Por outro lado, especifica-se que em cada unidade hospitalar deve existir "um local com condições de privacidade para reuniões de doentes com os assistentes espirituais ou religiosos.

Ainda bem que José Sócrates veio acalmar a piedosa tempestade num copo de água que alguns senhores da Igreja Católica semearam.

Foi uma polémica sem razão e os bispos e outros dirigentes, que falaram contra o Governo, mostraram imprudência e prestaram um mau serviço à democracia.

Em vez que clarificarem as posições, intoxicaram os portugueses num piedoso mas perigoso exercício de manipulação.

O ministério da Saúde não esteve bem, porque devia ter sido mais transparente e dar a conhecer o projecto de lei que está em discussão, o que só fez nos últimos dias, quando se viu acossado na comunicação social.

Quando é que o Governo aprende a explicar melhor as suas decisões e cortar pela raiz campanha de manipulação como esta de alguns dirigentes da Igreja que se mostraram mais papistas que o Papa?

Oficina da Poesia: para que serve em tempos de penúria?


Mais de 130 poetas e artistas plásticos (de Portugal e do mundo) procuram dar resposta à pergunta — “para que servem poetas/em tempos de penúria? — formulada pela poetisa Adília Lopes na abertura da revista “Oficina da Poesia” que assinala dez anos de existência.

Editada teimosa e carinhosamente pela Palimage — A Imagem e a Palavra, “Oficina da Poesia” está na segunda série e apresenta-nos agora um fascículo duplo para assinalar uma década, sob direcção de Graça Capinha, coajuvada por Jorge Fragoso, “alma mater” da editora viseense, com delegação em Braga.

Apoiada pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, através do seu Conselho Directivo, e pelo Centro de Estudos Sociais da mesma escola, “Oficina da Poesia” mantém-se fiel à matriz fundadora de “revista da palavra e da imagem” que aloja “muitas dezenas de jovens poetas, muitas leituras e muitos exercícios de escrita muito poéticas, muitas discussões tremendas, muitas noites que (nos?) tiravam o sono” ¬— lembra a Directora no seu editorial.

Dez anos depois, “sobrevivemos — prossegue Graça Capinha. E fortes laços de respeito e amizade foram criando raiz, assumindo a sua transindividualidade poética e/ou discursiva. Alguns/mas poetas daquela primeira ‘turma’ ainda hoje participam no seminário semanal. Outros/as a viver longe mantêm contacto e ainda enviam material para publicação como acontece neste número especial”.

“Oficina da Poesia” começou por ser uma revista annual, passou a semestral e é “culpada” do lançamento de vários primeiros livros e à sua sombra — ou à luz deste candelabro que alumia todos os que estão em casa?— se estimularam várias participações em outras revistas e antologias de poesia nacionais e internacionais, prémios literários nacionais e internacionais.

Se ainda não se respondeu à pergunta inicial, manda a verdade escrever que “Oficina da Poesia” se assume como uma “militante intervenção poética na comunidade através de leituras públicas e acções de rua” e os que nela participaram já perceberam para que servem os poetas em tempos de penúria.

É que a poesia “só tem sentidos na comunidade, no meio do ruído imenso produzido pelo embate semore violento entre os vários poderes dos vários discurso presentes na sociedade e na história”.

Sendo assim entendida, a poesia “serve o que não é”, na sua radicalidade “social e política” constitui um momento (ou tantos momentos) de procura (de tantos encontros) do infinito, entendido como “dádiva generosa” que não espera o retorno do “muito obrigado”.

A poesia só se agradece com muitos poemas e é isso que explica que a editora Palimage, com a mesma idade da Oficina, teime em manter este filho primogénito, “pedra sobre pedra”.

Ou, como escreve Alfredo Pérez Alencart, porque Jorge Fragoso pode confortar-se dizendo “tengo llave de la casa ancestral/y mapas de la tierra prometida”, essa terra em que “la clave del secreto es un salmo/que lava las heridas del éxodo”.

A edição deste fascículo duplo — 200 páginas de textos e imagens — de “Oficina da Poesia” é a melhor garantia de que “não porá fim à vida,/em legítima defesa”.

Thursday, July 5, 2007

Quarenta perolas da cultura popular

Fui a Braga ao São João
Tive uma ideia, adivinha,
Construir o aeroporto
Onde era o Campo da Vinha

Foi com esta quadra que Heitor Morais da Silva, residente no Largo das Te-resinhas, em Braga, arrebatou o primeiro lugar, entre cerca de 350 participações no Concurso de Quadras do S. João promovido pelo Correio do Minho.
O segundo prémio foi entregue a Abílio de Oliveira Ferreira, residente no Bairro Nogueira da Silva. com esta quadra:

Nossa cidade é vaidosa
A TV nisso não fala;
Nas festas de S. João
Braga se veste de gala.

O terceiro foi a bracarense Maria Amélia Palmeira Soares, residente na Travessa Pascoal Fernandes, com a seguinte quadra:

Fui a Braga, ao S. João
Nele pus minhas esp’ranças
Tirar da face da terra
Os predadores de crianças.

Conforme prometido, aqui ficam as quadras quue me-receram uma menção honrosa do júri que destacou “a elevada participação dos leitores neste concurso”.

Vim ao S. João a Braga
Entrei na Arcada velhinha
E como painel de fundo
Senti que Braga era minha.

António Fernandes Ferreira, Braga

Em Braga há S. João
O melhor de Portugal
Prende qualquer coração
O Estádio Municipal.

Orlando Peixoto Rodrigues, Braga

Vim a Braga ao S. João
Apenas para rezar:
Acabar com a pedofilia
E as ‘Madeleines’ voltar.

Tatiana Cristina, Braga

Ó meu S. João de Braga,
Sei que gostas d’ajudar.
Precisava duns pontinhos
P’ra professor titular.

Jacinta Pinto Ribeiro, Braga

Ó meu rico S. João,
Em Braga tens teu altar,
Peço-te com devoção
Fazei a crise passar.

Orlando Peixoto Rodrigues, Braga

É uma festa sem igual
A tua, meu S. João.
A melhor de Portugal
É em Braga, pois então!

Maria Luz M. S. Rocha, Braga

A Braga venho pedir
(A vós S. João milagroso)
Que ao rio deixes cair...
Este Governo ‘jocoso’.

Maria Graça S. Horta, Famalicão

Vou ao S. João a Braga
Está dito, não há tretas.
Vou lá de qualquer maneira
Nem que seja de muletas.

Abílio Oliveira Ferreira, Braga

Ao descer a Avenida
Em Braga, no S. João,
Um alho porro bateu-me
Bem fundo, no coração.

Francisco Assis Canário, Braga

O S. João é de Braga
Como o Correio do Minho;
Qualquer notícia que traga
Serve p’ra ler no caminho.

Francisco Assis Canário, Braga

Ai que lindo manjerico
Leva a moça no seu braço;
Foi a Braga ao S. João,
Chegou morta de cansaço.

Jorge Tinoco, Amares

Ó meu S. Joõ de Braga,
Como tu não há igual.
É a festa mais bonita
Que temos em Portugal.

Maria Conceição P. Rodrigues, Braga

O do Porto é muito bom
Na concorrência de santos
Mas de Braga o S. João
Não tem rival engre tantos.

Jorge Tinoco, Amares

Ó meu rico S. João,
Que tanta folia tens.
Dá também uma lição
A quem aumenta os pães.

Francisco Assis Nogueira, Fafe

Que bonito é de ver
Em Braga, no S. João,
As moçoilas bem contentes
Com manjerico na mãos.

Francisco Assis Nogueira, Fafe

De martelinho na mão
A Braga fui festejar
As festas de S. João
Comer, beber e saltar.

Parcídio Fernandes, Fafe

Vim a Braga p’ra parir
Mas passei p’lo S. João:
Tantos apertos e... puxos...
Se rebentou o ‘balão’!

António L. S. Pereira, Nine, Famalicão

Saúde, paz e amor
Eu pedi ao S. João;
Levo para onde for
Braga no meu coração.

Orlando P. Rodrigues, Braga

Fui ao S. João a Braga,
De martelinho e balão.
Da Ponte até à Arcada
Toda a noite é S. João.

José Amorim Costa, Maximinos, Braga

O Carro das Ervas é
Uma velha tradição;
Nesta Braga sem igual
Na altura do S. João.

Carlos Leitão Azevedo, Braga

S. João, ouvi dizer:
Em Braga és o maior.
Bem podem outros fazer
Mas não tem este vigor.

Carlos Leitão Azevedo, Braga

Em Braga, no S. João,
Há pessoas bem dispostas.
Levam com alho na cara
E nem ousam dar respostas.

Cristela R. Oliveira, Braga

Ó meu S. João de Braga,
Grande santo popular,
É com muita euforia
Que te vamos festejar.

Cristela R. Oliveira, Braga

Em Braga há grande folia
No dia de São João
A ajudar há cabeçudos
Provocando animação.

Cristela R. Oliveira, Braga

São João e ABC
São reis das emoções.
Braga em quarto, já se vê,

É terra de campeões.
Orlando P. Rodrigues, Braga

Tua festa não tem par,
Ó meu rico S. João.
É a Braga milenar
Que mantém a tradição.Maria da Luz S. Rocha, Braga

Diz-me cá meu S. João
Isto em Braga é
[pim-pam-pum;
Temos OTA? Alcochete?
Ou Portela e mais um?...

Feliciano Mendes Braga

S. João bem popular,
É tempo de sardinhada.
Todos para a romaria
Até bem de madrugada.

Américo da Silva Alves, Braga

S. João é romantismo
Que perdura e seduz;
Braga é quadro de artista
Pois tem o seu Bom Jesus.
António F. Ferreira, Braga

Já me cheira a S. João
Já me cheira a manjerico;
C’o alho porro na mão
Vou a Braga, ao bailarico.

Francisco Assis Canário, Braga

S. João, és cá dos meus.
Também gostas de bailar.
Pede lá licença a Deus,
Vem a Braga festejar.

Maria da Luz S. Rocha, Braga

O meu S. João de Braga,
Tem alegria sem fim.
Sardinhas e manjericos,
Braga é um belo jardim.
Maria Conceição Rodrigues, S. Pedro de Merelim

Nada tem mais popular,
Esta Braga tão bonita,
Do que quando alguém citar
S. João ou o Mesquita.
Jorge Tinoco,
Amares

Braga, cidade antiga,
S. João a padroeiro.
Tem a Sé como amiga,
Bom Jesus como romeiro.
Parcídio G. Fernandes,
Fafe

Vem ao S. João a Braga,
Faça calor, faça frio;
Vem ver os nossos santinhos
E o São Cristóvão no rio.
Abílio Oliveira Ferreira, Braga

Vem a Braga ao S. João;
É pertinho, pouco paga.
Porque todos os caminhos
Vão direitinhos a Braga.

Abílio Oliveira Ferreira, Braga

S. João ornamental!
Diria mestre Zé Veiga.
Braga e seus continuadores
Dele colheram a seiva.
António Lucílio Pereira
Braga

Alegria e bem-estar
Em Braga, no São João.
Venham todos festejar,
Viver esta tradição.

Cristina Filipa Barcosa, Ucha, Barcelos.

Wednesday, July 4, 2007

Degelo da Gronelândia: efeitos devastadores


Há quinze dias verificámos que os mapas do mundo vão ter de ser redesenhados à medida que aquecimento do Planeta Terra vai aquecendo e o degelo desfaz o continente da Antárctida e a Gronelândia.
Mas debaixo deste Carvalho de Calvos, á espera do sol do Verão, começamos a desesperar. O Verão come-çou mas já não é o que era, quando a TV nos mostra inundações em Inglaterra e na Alema-nha, enquanto a Grécia e a Arménia estão assar com um calor nunca visto. E por falar de Inglaterra, situemo-nos em Londres, uma cida-de que é atravessada pelo rio Tamisa, sujeito às marés do Oceano Atlântico. Nas últimas décadas, os níveis das águas do mar come-çaram a causar mais estragos durante as tempestades, o que obrigou o Governo a construir umas barricadas que podem ser fechadas para prteger grande parte da cidade.
A partir de 1985, as barricadas começaram a fechar a uma média de seis vezes e agora já é necessário fazê-lo onze vezes por ano. É um número que nos alerta para o impacto do crescente aquecimento global através do mundo. O aumento do nível do mar pode vir a ser mais rápido e maior, dependendo do que acontecer na Grone-lândia e na Antárctida e das opções que estão nas mãos de quem gere as grandes potências.
Se observarmos as maiores áreas de gelo — Antárctida e Grone-lância — que estão em risco, ficamos muito mais inquietos.
A plataforma de gelo da Antárctida oriental é a maior massa de gelo da Terra. Pensava-se que estava a crescer mas, em 2000, descobriu-se que o volume de gelo desta plataforma está a diminuir e 85 — 85! — por cento dos glaciares que lá existem aceleram o seu a-vanço para o mar, ou seja, estão a derreter-se. Por outro lado, as temperaturas do ar —medidas acima da massa de gelo — aumentaram mais rapidamen- te que as temperaturas do ar em qualquer outra parte do mmundo. Esta descoberta foi uma triste surpresa sem que os cientistas tenham conseguido explicar este fenómeno.
Os mesmos cientistas afirmam que a pla-taforma oriental será mais estável que a pla-taforma ocidental da Antárctida, apoiada na terra, e, por isso, não se deslocou para o mar como acontece com o gelo flutuante. Se esta plataforma ocienttal se derretesse ou se a ilha escorregasse para o mar, isso fazia aumentar seis metros o nível dos mares em todo o mundo.
Esta plataforma ocidental regista altera-ções alarmante na parte inferior. Estamos a falar de uma plataforma gelada do tamanho da Gronelândia que também faria subir em seis metros o nível das águas do mar em todo o mundo, se se derreter ou se se desprender e deslizar para o mar cada vez mais quente.

Agora, centremos a nossa atenção nas alterações que se verificam na Gronelância: em 2005 foram avistadas enormes lagoas de água do degelo. Sempre existiram estas lagoas, mas agora são muitas mais e cobrem uma área mmuito maior do gelo.

Acresce que estas lagoas são se-melhantes às da plataforma Larsen — de que falávamos há 15 dias — antes do seu súbito e chocante desaparecimento.

Também a Gronelândia mostra a existência de profundos sulcos e túneis ou ‘moulins’ constituídos por água produzida pelo derretimento do gelo. Quando esta água che-ga ao fundo do gelo, lubrifica a superfície do leito da rocha e desestabiliza a massa de gelo, fazendo com que esta deslize para o oceano.

Dirão os entendidos que sempre houve de-gelo sazonal oou ‘moulins’ mas estas nada tinham a ver com o que está a acontecer hoje, porque o degelo se tem acelerado rapidamente.

Em 1992, o degelo verificava-se em pequenas franjas da Gronelândia, a sul. Dez anos mais tarde, o degelo já atingia franjas maiores e chegava ao Norte. Em 2005, me-ta-de da ilha da Gronelandia sofre efeitos do degelo.

Se a Gronelândia se derretesse ou se quebrasse ou ainda des-lizasse a suua massa de gelo para o mar Atlântico, os níveis do mar subiam em todo o mundo cerca de seis metros. Al Gore, no seu livro que temos vindo a resumir para os lei-tores, ao longo destas “carvalhadas”, escreve que a Florida ficava reduzida a metade do seu território.

Se as águas do mar subirem seis metros, façam um pequeno e-xercício para ver o que acontece entre a Póvoa de Varzim e Caminha e poderão avaliar as reais consequências do aquecimento global do Planeta terra.

Se acharem que isto não é preocupante, continuem a fazer como até agora.

Monóculos e altar aproximam Santuário do Sameiro a Braga



A Confraria da Senhora do Sameiro já decidiu demolir o altar moderno mas polémico que separa o Santuário do escadório — revelou Mons. Eduardo Melo Peixoto.

O presidente daquela Confraria e da Cooperativa TUREL falava no programa “Sinais” que a rádio Antena Minho emite hoje, a partir das 10 horas, em que manifestou a esperança de que o Novo Centro Apostólico do Sameiro esteja totalmente renovado em finais de Agosto ou Setembro.

Como minhoto, Mons. Eduardo Melo assegura que “o nosso Minho é um santuário religioso e natural” que é preciso preservar e conservar.

Quanto aos santuários existentes no Minho, a TUREL está apostada em  dotá-los de “parques de silêncio e lazer porque os santuários são recantos de peregrinação, de descanço e de lazer”.

Possuidores de uma matriz com certa homogeneidade, através de acordos com o ministério da Administração Interna, as Confrarias colaboram na conservação da natureza, uma vez que os “Santuários funcionam também como postos de vigilância dos incêndios” enquanto “procuramos que possam acolher dignamente quantos os procuram, com sanitários, pontos de água potável e pontos de recolhimento espiritual”.

O facto de haver obras em  todos os santuários significa que as mesas estão tentas a fazer o melhor e respeitar o que nos deixaram”.
No Sameiro têm sido feitas “muitas obras no exterior e envolvência: com novas árvores, novos sanitários (cinco batrias bem equipadas para os peregrinos), e parques automóveis suficientes”.

O Centro Apostólico, construído em 1969 e devido a muita utilização, estava muito deteriorado ao nível das canalizações e teve de se mexer tudo de modo a criar ali a “Albergaria Nossa Senhorra do Sameiro e Centro Apostólico, pois toda a gente vai usufruir do equipamento nas mesmas condições que tinha até agora”. O novo espaço requalificado está “aberto a todos os movimentos apostólicos e a turistas que queiram aproveitar aquele local para repouso corporal e espiritual”.

É uma obra muito profunda porque só ficaram praticamente as paredes e é enriquecida com “uma piscina interior, bem como uma piscina para pequenos, um SPA, e muitas salas para reuniões e convívios de modo a poder albergar actividades dos movimentos de pastoral” — prossegue o presidente da Confraria do Sameiro.

Interrogado sobre o prazo de conclusão das obras, Mons. Eduardo Melo deseja  que “no fim de Agosto, aquando da realização da peregrinação dos emigrantes, estivesse tudo pronto, mas deverá ser difícil. As obras estão em ritmo acelerado e este ano o Centro Apostólico e a Albergaria estão em pleno funcionamento”.

Mons. Eduardo Melo destaca que “o Sameiro continua a ser um lugar de procura de muita gente e dá o  exemplo da “Capelinha no exterior que é um lugar de refúgio de noite, mesmo no inverno”.




Quando se lhe pergunta o que falta, Mons. Eduardo Melo compara os “santuários aos homens —  nunca estão completos” mas sempre vai revelando que “vamos retirar aquele altar das celebrações em frente à cripta porque ninguém concorda com aquilo”.

A comissão de Arte Sacra da altura, na década de 70, concordou mas de facto “quebra a unidade e união entre o Sameiro e a cidade de Braga.

Portanto, temos de procurar uma  maior ligação cidade e santuário. Nas grandes celebrações colocaremos um estrado amovível”.

“Vamos colocar ali uns monóculos especiais para que dali se aprecie a cidade, com dois aparelhos que pu-xam a cidade mais parao Sameiro. Não são dois ‘canudos’, mas permitem aos turistas e peregrinos terem uma maior proximidade com a nossa cidade” — explica Mons. Eduardo Melo.

Ao longo do escadório, estava prevista a colocação de painéis de cerâmica com passos da vida de Nossa Senhora. Só foram colocados dois  — um da Assunção e outro que evoca a descida do Espírito Santo.

“As intempéries e geada não permitem aquele tipo de painéis; é por isso que o programa previsto para aqueles quadros não avançou. Vamos ver se os retiramos dali e dar um arranjo diferente ao escadório. Já pensamos em colocar cruzes de forma a fazer uma Via-Sacra, desde o início do Escadório até lá cima. É uma proposta que está em estudo” — conclui Mons. Eduardo Melo.

Thursday, June 28, 2007

S. João da Ponte: coração da romaria de Braga




Era a quinta dos Arcebipos onde estes repousavam na estação de Verão até que foi confiscada pelo estado, nos alvores da República. Estamos a falar do parque da Ponte onde existe uma fonte de água puríssima mandada construir por D. Frei Agostinho de Jesus, nos fins do século XVI. Esta fonte conserva ainda o brasão daquele prelado.
Os documentos históricos asseguram que esta quinta era propriedade dos Senhores de braga já ao tempo de Frei Bartolomeu dos Mártires.

De facto este Arcebispo, a caminho dos altares, mandou construir ali um hospital para tratar dos “infeccionados pela peste de 1570, como consta da inscrição gravada no pedestal do cruzeiro ali existente e levantado no sítio que servira de cemitério das vítimas”.

Depois deste respigo pelos “Fastos Episcopaes da Igreja primacial de Braga”, escritos por José Augusto Ferreira (Braga, 1935, pag. 419), paremos junto da Capela de S. João da Ponte, construída em 1916, a partir de uma outra ermida mais pequenina, poucos anos depois de ter sido terraplanado o grande largo que a circunda.



A Capela foi idealizada por um mestre coimbrão, António Gonçalves e a sua construção foi custeada por Júlio Lima, ao passo que Ernesto Korrodi (autor do palácio Dona Chica, em Palmeira), foi quem fez a distribuição dos espaços que hoje são conhecidos pelo parque da Ponte e largo envolvente da Capela de S. João.

No ano de 1911, o Governo cedia à Câmara Municipal a quinta dos arcebispos para ali construir um mercado fechado e um horto mas as notícias de 1922 falam-nos dos esforços do bracarense Júlio Lima que construíra, nas imediações um campo de futebol e um hipódromo “que deve ficar o melhor do país”.

Um éden terreal
adentro da cidade

Azevedo Coutinho, no seu “Guia do Forasteiro de Braga” (1922) descreve o S. João da Ponte como um dos “mais belos e pitorescos da cidade de Braga, tendo sido muito transformado, pois além do ajardinamento de que dispõe e fontanários, tem no lado poente, um pequeno lago, com uma gruta também de minúsculo tamanho, um coreto na alameda, na rectaguarda da capela e mais ao fundo um outro lado maior”.

Escrevia Azevedo Coutinho que aquela zona “é, aos domingos, durante o Verão, muito frequentada, não só pelo povo desta cidade, mas também pelos inúmeros visitantes que vêm a esta terra e mais o será quando as obras estiverem todas completas o que será caso para dizer que deve ser um Éden terreal, adentro da cidade”.



DA CAPELINHA Á CAPELA
NUMA VIAGEM POR CAMILO

A Capela de S. João é acanhada e simples arquitectura, em cujo alpendre se pode ler 1616, data de uma reconstrução da anterior ermida fundada no mesmo local por iniciativa de D. Diogo de Sousa (1505-1532), sede de uma confraria responsável pela festa do baptismo de S. João, cuja fama vinha dos tempos do rei D. João I que impôs esta festa a todos os concelhos.

Camilo Castelo Branco, que vinha muitas vezes a Braga, citando um documento do séc. XVII, fala-nos dos cavalheiros bracarenses que lançavam porcos na coutada dos arcebispos, sendo um deles de cor preta, criado durante o ano à custa de um ou dois mordomos nomeados para esse ano.

Quando rompia a madrugada, os cavalheiros subiam ao alto do Picoto onde recebiam as orvalhadas e soltavam o porco para o perseguirem atè à margem esquerda do rio este, onde encontrava sobre a velha ponte um grupo de moleiros — da zona dos Galos – que impediam a sua passagem para a cidade. Se o porco conseguisse passar, venciam os moleiros que depois o matavam, desamanchavam e distribuíam entre eles. Se não conseguisse passar a ponte, era comido pelos cavalheiros.



O PINHEIRO DA GREGÓRIA:
ORIGEM DE UM NOME

A cerca de dois quilómetros da velha ponte do rio Este — na estrada em macadame para Guimarães — existiam dois pinheiros mansos, de proporções gigantescas. O da esquerda foi derrubado antes de 1895. Neste ano, a senhora D, Maria Couto. Residente na rua do Carvalhal, “sem o mínimo respeito por essa vida tão longa, vendeu-o por 31.500 reis. Os seus braços enormes deram dezanove carros de lenha que foram vendidos por 18 mil reis. A maior parte da madeira foi comprada por um snehor António Fernandes Lopes para a casa que construiu na Rua dos Capelistas.

É o desaparecimento do Pinheiro da gregória — que dá origem ao nome do lugar — foi muito chorado naquela altura e levou alguns bracarenses a plantarem um outro pequenino.



UM CRUZEIRO
E O DIABO MANQUINHO

Um dos sítios mais interessantes do parque da Ponte é o cruzeiro do Senhor da Saúde. Começou por estar junto à Sé, depois passou para a Capela de S. Miguel-o-Anjo e dali para o Largo das Carvalheiras. A invocação deriva da sua integração numa casa de saúde, construída por D. Frei Bartolomeu dos Mártires, aquando da peste de 1570.

O cruzeiro tem uma inscrição onde se lê: Sendo o Arcebispo de Braga D. Frei Bartolomeu dos Mártires, houve peste nesta cidade, no ano de 1570, e os ‘impedidos’ foram trazidos a esta devesa”.

Uma das estátuas que desperta a curiosidade dos que passeiam pelo parque da Ponte é o Diabo manquinho, (idealizada por André Saores?) situada à direita da Capela de S. João.

Esta estatueta estava originariamente numa alameda do Bom jesus, por trás do antigo Hotel do Parque. Por ali se encontram ainda capitéis peretencentes á antiga Igreja e Convento dos Remédios (demolido em 1911) e do pórtico jónico da Igreja do Salvador.

Estes elementos escultóricos mereciam melhor sorte se… e é melhor não dizer mais nada!