Saturday, May 12, 2007

EMEC: o braço cultural de Barcelos


No princípio era a Escola Profissional de Tecnologia e Gestão (ETG), criada em 1990. Daí derivou a Empresa Municipal de Educação e Cultura (EMEC) de Barcelos que constitui hoje a principal alavanca cultural e educativa do concelho, sob a presidência de Carlos Alberto Cardoso.

Os eventos culturais que marcam o calendário da “Princesa do Cávado” — como a Festa das Cruzes, a Feira do Livro, a Feira do artesanato e Gastronomia e passagem de ano — os equipamentos (Galeria de arte, pólos de leitura, Museu Etnográfico de Chavão, Centro de Artesanato) são promovidos e geridos pela EMEC, constituída em 1999.

Como estrutura base, a EMEC recebeu a Escola de Tecnologia e Gestão e esta é que dá sustentabilidade a tudo o resto, como é o caso dos recursos humanos recebidos da ETG, também criada pela Câmara Municipal de Barcelos, em Abade de Neiva.

Artesanato: FEIRA ÚNICA

A Feira do Artesanato “é única pelo espaço onde se realiza, com a parte gastronómica e vinho verde” e, segundo Carlos Alberto Cardoso é um certame “que pensa em primeiro lugar nos artesãos do concelho” procurando ser “um estímulo à produção”, com muitos artesão novos por causa da crise dos têxteis.

A feita tem trazido algumas novidades, ao nível do design, na perspectiva do artesão, mas tarda a certificação regional que “é fundamental. O processo está concluído e agora é uma questão de tomar partido disso”.

Outra das difilcudades traduz-se na fragilidade do associativismo: “é uma luta de muitos anos, porque partilhar com os outros ainda é muito complicado”, mas vão-se fazendo coisas interessantes como foi o caso do “desfile de moda, em 2006, em que os artesãos mostraram que uns e outros unidos (têxtil e artesanato) podem ter muita força”.

Por outro lado, na Feira de Barcelos, “os que vêm de fora querem mostrar o que valem”, além de ser uma oportunidade para partilhar a etnografia, novas ideias e novas peças, com uma mobilidade de públicos que não é prejudicada por outras feiras.

APOIO A SEIS MIL ALUNOS

A Componente educativa da EMEC traduz-se no apoio que é prestado a seis mil alunos do ensino básico em vertentes que vão desde o inglês, artes plásticas, expressão dramática e ciências eperimentais (ciência divertida).

A parte da educação física está confiada à empresa municipal de desporto, a que preside o vilaverdense Alberto Cerqueira.
Além disso, a EMEC presta apoio psico-pedagógico, disponibilizando um psicólogo para cada agrupamento, o que permite um acompnhamento das crianças na prevenção do abandono escolar e o combate ao insucesso escolar.

A taxa de abandono escolar no quinto e nono ano é das mais elevadas do país e constitui uma prioridade da EMEC. O problema “obriga-nos a procurar soluções mas o trabalho que estamos a fazer com estes 17 psicólogos só terá efeitos daqui a sete oou ooito anos.
“O futuro vai ser diferente mas temos de encontrar soluções” – adeverteCarlos Alberto Cardoso apontando a educação e formação de famílias e núcleos de apoio às crianças e adolescentes.

“Temos de procurar sooluções porque é assustador o número de crianças que abandonam a escola” — admite o presidente do Conselho de Administração da EMEC.

“O trabalho que fazemos só pode ser avaliado correctamente pelos pais” – prossegue o nosso interlocutor que dispõe de um orçamento de quatro milhões de euros para estas tarefas.

Festas das Cruzes reaviva
Tradições que se vão perdendo

A principal aposta das Festas das Cruzes deste ano consiste em “recuperar a tradição e buscar algo que já não se faz há alguns anos e agora decidimos apostar na reconstrução da batalha das flores”.

Trata-se de um desfile que inclui uma mostra da etnografia do concelho e a batalha das flores, em que as associações constroem carros alegóricos que mostram os cantares e as tradições.

O ritual de atirar pétalas às pessoas com danças e cantares é assim recuperado na edição deste ano das Festas das Cruzes. “A máquina não está totalmente montada mas temos já a adesão de onze associações culturais e recreativas e no próximo ano esperamos ter mais” – revela Carlos Alberto Cardoso.

Outra das novidades do programa consiste na criação do palco Cidade de Barcelos para três bandas originárias do cooncelho, a começar a sua carreira, para mostrarem o que fazem.

Por sua vez, o Instituto Politécnico do Cávado e Ave faz coincidir o desfile académico com o encontro de tunas o que permite mostrar a actividade do ensino superior e o “papel importante que o IPCA desenvolve com a partilha de toda a sua dinâmica académica”.

As festas não esquecem a parte etnográfica com grupos de folclore, gigantones, Zés P’reiras, catorze ranchos folclóricos envolvidos que “embelezam todo o centro histórico” com as suas danças, trajes e cantares.
Este ano, as comemorações do 25 de Abril são integradas também no programa ads festas que abriram há dias, com o início da actividade da feira popular, com a sua praça de alimentação e diversões, gerando uma animação que traz mais gente a Barcelos.

À medida que se aproxima o primeiro dia das festas vão chegando de todas as freguesias os arcos de romaria, uma tradição recuperada há alguuns anos e está a ter uma adesão crescente das freguesias, desde há quatro anos.
Este ano são 53 arcos que são apreciados pelo júri, cabendo ao mais bonito um prémio de 2500 euros. Os arcos embelezam o centro de Barcelos e podem ser apreciados até ao fim do mês de Agosto.

O que está na origem de toda esta movimentação festiva é o Senhor da Crruz, a quem é dedicado o dia 2 de maio, com destaque para a exposição das Cruzes, uma das mais bonitas do país, “um acontecimento único no mundo.
É um impressuonante momento de sil|êncio e de reflexão” enriquecido com os tapetes de pétalas no acesso e interior da Capela, construídos por pessoas ligadas à irmandade.

O senhor José Gomes é a alma destes tapetes que todos os anos se constroem com toda a dedicação e carinho. Este ano, vão ser feitas réplicas dos tapetes desenhados em 1936, numa homenagem aos grandes desenhadores de tapetes de flores que foram José Brito (altar do Senhor da Cruz) e José Cardoso Silva (altar da Senhora das Angústias).

Festa das Cruzes sem fogo de artifício no rio é inimaginável. Este ano, essa atracção está entregue a uma empresa multi-premiada no estrangeiro. O fogo aquático nas margens do rrio é da responsabilidade dos ‘Macedos’, da Lixa, empresa consagrada no Canadá, Mónaco e República Checa, cm o espectáculo “Rock in fire”.

Os 225 anos da fundação da Banda de Oliveira constituem outro momento alto das festas deste ano, através de um encontro de bandas no dia 28 de Abril à tarde para mostrar o quanto são queridas do povo as filarmónicas.

Fernando Jorge: 'De divina proportione' no ISAVE




O famoso desenho do Homem – “De divine proportione” – atribuído a Leonardo Da Vinci constitui a ideia a partir da qual o arquitecto Fernando Jorge desenvolveu a concepção e construção do Campus que hoje recebe, pela primeira vez, as comemorações do aniversário do Instituto Superior de Saúde do Alto Ave (ISAVE).
“No dia em que chegamos a este enorme relvado, apeteceu deitarmo-nos de costas, olhar o céu, abrir os braços e as pernas e ficar a contemplar esta maravilha da natureza”. Foi a partir desta ideia que fomos concebendo e desenvolvendo todo o projecto: a cabeça é o auditório, o estômago é a cantina e bar, as pernas são os laboratórios e salas de aulas e os braços são os serviços de apoio” – explica o autor do projecto, que foi acompanhado neste sonho pelo arquitecto Rui Bianchi e pelo eng. Afonso Osório, além de outras parcerias nas especialidades.
“Articulamos as funções de acordo com o corpo humano e o programa desenvolveu o resto da ideia, em que a coluna dorsal é o grande corredor que liga todos os elementos” – prossegue Fernando Jorge que inclui esta obra na chamada “arquitectura híbrida” ou seja, aquela que “transporta para o ambiente as formas, neste caso, o Homem”.
Depois, prossegue, este ambiente “também sugeria paz, recolhimento, num sítio nobre, de modo que o edifício encaixa-se muito bem porque respeita o meio ambiente”.
A integração, explica, “não tem a ver com a cércea ou volume, mas também com outros elementos” e. Na lógica da integração, o edifício está perfeitamente enquadrado, embora seja um volume demasiado agressivo para o sítio”.
Fernando Jorge acredita que embora seja “uma peça extensa ela se espraia pelo terreno, como o homem deitado” de “De divina Proportione” porque respeita os sítios e a atitude é pensada para este local”.
No desenvolvimento desta ideia “tentamos não danificar qualquer peça da envolvente, desde árvores a edifícios existentes. Não se tocou nos edifícios existentes, mesmo o campo verde. Isto era um talude, pouco aproveitado. O ênfase da verdura continua e tem maior ênfase que o campo que não era sequer cultivado”.
Passando em revista as fases desta obra gigantesca, erguida em apenas nove meses, o arquitecto Fernando Jorge sustenta que “o mais interessante de tudo é que temos um edifício que vem dar muita vida a Geraz e, por isso, agora, o meu receio reside no que se fizer á volta e que possa não ser devidamente pensado, mas essa é agora uma competência da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso”.
Quanto à clínica geriátrica, “é desenvolvida em função dos edifícios que existem ara descaracterizar o ambiente”.
Quanto aos materiais, Fernando Jorge refere que, para além da estrutura em betão, com lajes cortantes, foram escolhidos num contexto de modernidade, como pladur, cappotto, alumínios e vidros, sempre capazes de resolver questões construtivas mas adaptadas às funções de escola, que possibilitem melhor limpeza e adaptação. “Só assim se conseguiu fazer em nove meses, porque as obras arrancaram em Agosto. Dois meses e meio depois colocamos os alunos nas salas de aula e pode-se dizer que foi um milagre de coordenação e metodologia da obra, com timings sempre ponderados, de modo a permitir a evolução sectorizada da obra. Foi uma verdadeira apologia às componentes do homem – ideia inicial – com autonomia construtiva”, tendo a cabeça ficado para o fim.
Para Fernando Jorge, em termos pessoais, esta obra “foi um desafio totalmente diferente, que chegou a bom porto. Sabe, o arquitecto não tem que pôr dificuldades nos objectivos propostos, tem de investigar, conversar e a obra vai surgindo”.
Neste caso, “foi um processo discutido com o dono da obra, com os técnicos das outras áreas e eu fui o coordenador geral dessas vontades, o que permitiu absorver as partes componentes para que não houvesse falhas”.
Foi “uma obra importante no meu curriculum? É como as outras. É diferente e é enriquecedora” - confessa o arquitecto Fernando Jorge.
Quanto à caracterização do edifício, as cores e os materiais de integração, Fernando Jorge sustenta que os “conceitos estão agarrados à sensibilidade de cada um dos técnicos. O todo é que faz o conceito definitivo de cada obra, tendo em conta os espaços, a funcionalidade e escala. Tudo faz com que defina a minha forma de intervir num espaço”.

SOMOS REALIZADORES DE SONHOS

Interrogado sobre a sua metodologia de trabalho, Fernando Jorge considera essencial “pensar bem as coisas antes de as fazermos. Se as indecisões forem muitas, há derrapagens para o construtor e para o dono. Foi uma experiência enriquecedora. Eu não tenho obras, as obras são das pessoas”.
Depois não se pode menosprezar a “experiência sustentada na multiplicidade e variedade de obras que tenho acompanhado, em consequência de um trabalho que não entendo como mais um trabalho”.
Decerto é por isso que as “pessoas acharam que eu tinha competência” depois de tantas obras como são os casos d o parque hoteleiro do Bom Jesus, no Sameiro, imensas casas e prédios, hotéis, palácios, centros cívicos, sedes de empresas de grande envergadura, um pouco por todo o país.
Sobre a sua marca pessoal – que tanto sucesso (e ciúme) lhe tem granjeado -, Fernando Jorge acha que a sua arquitectura se “define pelo rigor e atitude de seriedade e lealdade face aos meus clientes. O meu objectivo no contacto inicial com o cliente não é fazer a obra, mas resolver um problema. Nós somos realizadores de sonhos”.
Falando ainda de si, o arq. Fernando Jorge confessa que sempre deu resposta “às questões que me colocaram ao longo do tempo. É uma questão de escala. Acharam que eu tinha conhecimento e experiência para resolver este problema e resolvi. Cumpri o meu papel de fazedor de sonhos e até hoje não tenho nenhum cliente que tenha ficado chateado comigo. Respeito-os totalmente”.
Como é que consegue isso? - “é muito fácil. Não quero fazer a obra ideal para a revista ideal. As obras são o meu melhor cartão de visitas, mas não são minhas, a partir do momento em que o meu trabalho e pago”.
Quanto à clínica que agora vai complementar o campus do ISAVE, Fernando Jorge revela que o projecto já foi aprovado pela RAN e agora vai ser apreciado pela Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso. Mais “três ou quatro meses, o projecto está pronto para iniciar as obras”.
Há uma parte que funciona como hotel geriátrico integrado numa clínica vocacionada para a investigação da oncologia e neurologia, em que o doente além do tratamento possui espaços de lazer, com piscina, hidrologia, fisioterapia e outras valências.
Com cerca de 70 obras em curso, Fernando Jorge não destaca nenhuma: “todas são importantes e todas são diferentes”.

A generosidade de uma avó

Na juventude, somos atraídos por aquilo que é chamado de interessante; na idade madura, pelo que é bom — é o que apetece dizer da senhora D. Laurinda Tropa, de Darque, Viana do Castelo, que acaba de concluir a sua 27ª peregrinação a Fátima. Em 31 anos.

A septuagenária (72 anos) fez-se à estrada sábado - "pelas quatro da madrugada" - juntamente com mais de meia centena de peregrinos da região alto-minhota.

Nem as bolhas nos pés que a têm atormentado durante a viagem, nem umas "dorzinhas" na barriga de uma perna, a fazem vacilar na sua firme disposição de ir até ao fim porque, também para ela, “a fé move montanha”.

Fazendo jus ao seu apelido, Laurinda assume-se como a verdadeira chefe das "tropas", já que é ela que, com o seu apito, oferecido por um GNR, dá o "toque de alvorada" para o início de nova etapa, normalmente pela uma da madrugada.
É esse mesmo brilhozinho que se repete no olhar de Laurinda Tropa naqueles que considera os dois momentos mais emocionantes de uma ida a Fátima: quando se chega e se avista a capelinha das Aparições e na hora do adeus, com milhares e milhares e lenços brancos a esvoaçar.

O que avó faz, pode ser igual a muitas desenas de mulheres desta país, mas a sua singularidade reside na intenção que a move nestes trinta e um anos de vida: "Não vou a Fátima por promessa. Vou, isso sim, para rezar a Nossa Senhora pelos nossos jovens, para que os abençoe e os ajude a vingar na vida. Hoje, as pessoas parecem que apenas os querem enterrar, em vez de lhe darem a mão e o ânimo para seguirem em frente".
Lindo. Lindíssimo.

Neste Domingo em que a Igreja Católica começa a celebrar a semana da Vida, afirmar que as mulheres, como os sonhos, nunca são como as imaginamos.
Machado de Assis defendia que as Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se magoar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo. Mas são fáceis de se conseguir.

Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, eles estão errados...

A D. Laurinda é uma das maçãs do topo da árvore feminina. Neste dia, 13 de Maio, em que todos os olhares se concentram em Fátima, devemos sentir-nos felizes por ter uma mulher assim tão perto de nós.

Saturday, March 24, 2007

Diálogos com quem sonhou o novo Hospital de Braga



Falar com ele é perder a noção do tempo que passa tão depressa. A conversa é agradável e os temas vão surgindo como interpelação a quem o ouve, enriquecendo ambas as partes do diálogo (imperfeito por culpa do autor destas letras). É um encontro de velhos conhecidos, entre combatentes de outras batalhas travadas há muitos anos mas que parecem ter sido ontem.

Estamos a falar com e do médico anestesiologista António Gonçalves Ferreira é um arcuense dos quatro costados mas pede meças aos bracarenses de gema, quando se mostra inquieto com a cidade que o acolheu, onde foi director clínico do Hospital S. Marcos, há duas décadas atrás.

Depois, com um grupo de 24 médicos, fundou a Clínica de Santa Tecla onde as quotas eram desiguais mas os direitos iguais. É este mesmo que um dia sonhou o novo Hospital para Braga. Meteu os pés ao caminho e - recorda - “fui falar com o meu amigo Mesquita Machado. Coloquei-lhe o problema em 1985. Ele arranjou o terreno para o novo hospital. A Direcção Geral de Construções Hospitalares veio cá e aprovou o terreno. Quando aprovaram o terreno, eu disse-lhes – na viragem do século, venham cá inaugurar o novo Hospital de Braga. Foi o que se viu...

Não se viu quase nada – atalhamos nós – nem se saberá quando vai ser inaugurado, continuámos.
No seu consultório fala-nos de uma cidade que é a terceira do país, que tem crescido e “continua a crescer mas não está bem servida de farmácias, a partir das 19 horas”, período do dia em que as pessoas estão mais disponíveis para acorrerem àqueles estabelecimentos.

Que se pode fazer? – quisemos saber.

- Olhe, é fácil. Basta que o Irfarmed, o Governo Civil, a Câmara Municipal se reúna com os farmacêuticos de Braga e criem um esquema rotativo com três farmácias. Duas a funcionar entre as 15 e as 23 horas e outra aberta 24 horas. Eu já tenho falado com vários farmacêuticos e eles estão de acordo... mas ninguém coloca a questão. Qualquer vila tem uma farmácia de serviço e uma cidade com esta grandeza só tem duas, a partir das 19 horas.
Criava-se uma maior acessibilidade das pessoas. Às vezes, não entendo. O povo deixa andar, critica, mas não enfrenta as questões.

Sorri-nos e aponta.
A comunicação social também não discute isto mas isto é importante para o público.
De facto é... não somos perfeitos.

Veja lá. A partir das 19 horas, passa pelas farmácias que estão de serviço e vê filas enormes de pessoas à porta, às vezes à chuva e vento, às vezes mães aflitas com as crianças ao colo. Na mesma fila estão aqueles ou aquelas que vão apenas comprar uns cremes, porque é a hora em que podem, depois do trabalho, com pessoas em situação de alguma urgência a comprar medicamentos. Não há razão nenhuma que explique que nesta cidade que cresceu imenso só haja duas farmácias.
Mas nesta altura, o tema central é a reordenação das urgências....

É. Porque se contesta muito. As medidas podem estar certas mas não são explicadas. Já aconteceu o mesmo com as Maternidades. Não houve uma explicação prévia. Eu não percebo porque é que em cada distrito ou sub-região de saúde, ninguém teve a ideia de convocar para o Governo Civil os presidentes de Câmaras e apresentar-lhes a proposta, as soluções, a reflexão e depois tomar uma decisão partilhada por todos. As reformas entendem-se melhor se foram devidamente explicadas, Cometeu-se um erro e está a conflitualizar-se o país.

E bastava?
- Ajudava muito. Era preciso explicar a necessidade do novo mapa mas também há razões culturais e sociais que devem ser respeitadas. Olhe só aqui. O grande Centro de Saúde de Braga é o Hospital. A urgência do nosso Hospital é um martírio porque os Centros de Saúde não funcionam. Porque os médicos de família são uma falácia e não há nenhum cuidado em descontrair esta procura em massa dos cuidados de Saúde. Os Centros de Saúde não funcionam...

Porquê?
- Deviam estar abertos até ás 24 horas. Mas há outros problemas na nossa sociedade que contribuem para isto...
Mas votando aos centros de saúde que não funcionam...

Olhe lá, não existe uma Entidade Reguladora da Saúde? Ela devia fazer inquéritos – com objectivos pedagógicos – para saber como as unidades de saúde funcionam. Mas sabe o que fazem. Aqui há algum tempo, esta entidade veio avaliar a maternidade da Clínica de Santa Tecla. Quem veio? Uma jurista e uma clínica geral. Devia vir uma pessoa com formação na área da saúde materno-infantil. Esta entidade devia ter outras preocupações de avaliação da qualidade dos serviços médicos, com efeitos pedagógicos.

Em Espanha, por exemplo, os inspectores pedem o processo de um doente qualquer, fiscalizam-no, desde o diagnóstico até à terapêutica e se não está conforme as boas práticas, são chamados os médicos. É isto que permite ter cuidados médicos primários e hospitalares com seriedade e dignidade. Em Portugal, o cuidado do acto médico parece que é o que menos interessa. Por isso tornaram o cidadão um grande consumista de serviços e de medicamentos.

Minho: Academia Bracarense é uma escola na moda



O sucesso de uma escola avalia-se pelo que acontece aos formandos após o curso.

A empregabilidade total dos formandos da Academia Bracarense é a melhor coroa de louros da estratégia do seu director, César Costa, ao longo de vinte anos.

Sem qualquer subsídio do estado Português ou da União Européia, por opção, na Academia Bracarense todos os formandos pagam os seus curso, através de uma prestação mensal: “nunca tivemos, não queremos e nunca vamos ter subsídios. Os alunos pagam e é a única maneira deles aprenderem. De outra maneira, tornam-se profissionais de cursos, à espera do cheque de formação no fim de cada mês”.

“Os nossos alunos tem emprego garantido no fim do curso e muitos deles começam a trabalhar antes do curso acabar. Há áreas onde não temos respostas aos pedidos das empresas” – diz, com satisfação César Costa que vai criando os cursos de acordo com as sugestões e carências das empresas, como é o caso do novo curso que vem aí, na área da gestão hoteleira.

A escola começou com um curso de dactilografia que ainda mantém porque é uma exigência dos concursos públicos e depressa se alargou a outras áreas de actividade como a contabilidade e a informática.

O antigo técnico de contas que foi durante muitos anos César Costa em Angola, antes de regressar a Portugal, em 1975, aliou depois aos cursos de papel e lápis (Contabilidade e informática) as artes de sua mãe: o estilismo de vestuário e calçado, o modelismo, a decoração de interiores. Estes cursos foram complementados com outras iniciativas como cabeleireiros e manequins.

Mais conhecida na área da moda – e também muito premiada internacionalmente através dos seus alunos – a Academia Bracarense é uma escola profissional com mais de 230 alunos.

As aulas às segundas, quartas e sextas-feiras integram um ensino personalizado, por módulos, em turmas pequenas em que um aluno mais adiantado não é travado por outro mais lento na aprendizagem.

Um dos cursos é o de estilismo de vestuário e de calçado para criadores de novos modelos e idéias. Três alunos participaram em Fevereiro no MIDEC – o expoente máximo do mundo de calçado – onde expuseram os seus trabalhos. O estilismo de calçado é uma área nova da formação, estimulada por um aluno cujo pai tem uma fábrica de calçado. Em Portugal, só existe mais outro curso, do Instituto de Emprego e Formação profissional, em S. João da Madeira.

O curso de vestuário tem 36 alunos, a maioria mulheres, habitualmente convidadas do salon de prét-à-porter em Paris.
Outra área é a do modelismo de vestuário e de calçado. Enquanto o estilista faz desenhos, o modelistas faz os moldes a partir daqueles desenhos.

Aliados as estes está o curso de manequins-modelos, que possibilita a realização do desfile Agulha de Ouro, que vai efectuar em Novembro a sua vigésima edição.

Outro curso com provas dadas pelos seus alunos é o de Decoração de interiores, com 24 formandos. “Já passaram por cá grandes nomes” que “levamos ao festival “Maison et object” que é a maior feira do mundo de decoração em paris. Este ano vão participar no concurso de novos criadores deste certame e, na Páscoa, estaremos em Compostela, num concurso semelhante.

Em 2006, trouxemos um terceiro lugar com um encaixe de camariñas (bordados semelhantes aos nossos bilros de Vila do Conde). Em Abril, na Páscoa, vamos estar em Bilbau e uma semana depois em Dinard” — revela César Costa.
No que se refere ao curso de cabeleireiro, há “muita procura pois permite aos formandos trabalhar em casa enquanto os outros estão condicionados às empresas.

No campeonato do mundo de cabeleireiros “trouxemos o 3.º. 5.º e décimo lugares, o que é muito bom a nível mundial” e este ano “vamos voltar, em Outubro, porque nestes espectáculos eles aprendem muito”.

Curso “forte” é o de contabilidade. Não tivemos até agora nenhuma reprovação dos nossos alunos no exame de Técnicos de Contas” – assegura o director da Academia Bracarense.

Regresso aos anos 60

As tendências da moda para este ano traduzem um regresso aos anos sessenta, com cores pálidas e muito ouro e prata. César Costa — já apensar na moda do próximo ano que nos faz reviver os anos 50 – antevê o uso de muitos pólos pelos homens, os tons de rosa choque e rosa velho, azul bebé e muito amarelo. O regresso da mini-saia, das bermudas e muito ouro e prata. Os cabelos são curtos e escalados.

O próximo ano traz-nos as idéias dos anos cinqüenta, com as calças à boca-de-sino, refere César Costa. Filho de uma modista que, aos 15 anos, já cosia as bainhas das calças.

Um dos seus projectos, na Academia Bracarense, passa agora pela constituição de um museu com todos os vestidos e trabalhos feitos pelos alunos da escola que dispõe da segunda melhor biblioteca e da melhor videoteca de moda do país. Ali ficará também o maior chapéu do mundo apresentado numa feira de moda de Valencia por um aluno da Academia.

A descrença e a desilusão

O primeiro-ministro explorou, no Parlamento, as contradições no PSD sobre a construção do novo aeroporto da Ota e a baixa dos impostos, sugerida pelos sociais-democratas, num debate com a intervenção surpresa de Santana Lopes.

A única alegria para os portugueses consiste na revisão em baixa da meta do défice em 2007 de 3,7 por cento para 3,3 por cento.

De resto, os portugueses só podem estar descontentes. O líder do PSD volta a apelar ao Governo para reconsiderar a decisão da Ota, mas esuquece-se que pertenceu a um Governo que defendia a construção do novo aeroporto.

Não se percebe porque há tão pouco tempo defendia o contrario e parece que mudou de opinião só porque agora está na oposição.

Santana Lopes – que está a aparecer muitas vezes — veio em socorro do PSD mas também se esqueceu do que tinha dito há escassos dois anos.

Depois Marques Mendes também meteu os pés pelas mãos na questão dos impostos do IVA e do Irc que agora quer baixar quando em Outubro, há apenas seis meses dizia que isso era "um exercício de demagogia e irresponsabilidade".

Quanto ao partido de alternativa ao actual poder socialista estamos conversados.
Mais à direita, por entre insinuações de racismo e de agressões físicas, o CDS vai caminhando para a agonia final da sua decomposição e não inspira confiança.

À esquerda do PS, o discurso é o mesmo de sempre num pais que está à mingua de recursos económicos.
O Governo está como quer, sem oposição credível e sustentada na coerência e alimentada de credibilidade. A economia não sobe acima dos dois por cento necessários para criar os prometidos 150 mil novos empregos.

As regalias de segurança social e saúde dos trabalhadores continuam ameaçadas. Os filhos tem de levar as mochilas às costas cada vez mais longe para as aulas, as mães dão à luz na auto-estrada com maior freqüência e os funcionários públicos e trabalhadores por conta de outrem – que a nada podem fugir – comem e só podem estar calados.

Apesar do sol da Primavera que se anuncia, os portugueses só tem razões para estar desiludidos e descrentes. Se há vida para alem do défice, a vitória anunciada de Sócrates é muito pouco para a vida dos portugueses.

O Governo de José Sócrates está refastelado nas suas sete quintas das OTA’s e TGV’s. Os portugueses é que não.

Um candelabro do humanismo

Morreu na semana passada em Coimbra o Prof. Doutor Miguel Baptista Pereira, sacerdote de Braga, distanciado há longuíssimos anos das suas terras de origem.
O acontecimento — como a sua vida distante dos salões — passou despercebido mas a envergadura deste homem de Igreja não merece este limbo informativo.

Quem o conheceu sabe do seu distanciamento de faustos sociais, sobre os quais ironizava em aberto desrespeito…
Nunca pôde aceitar a troca da investigação e do magistério por salões e mundanismos. Não foram poucos os que não compreenderam o seu afastamento de mesas redondas, congressos, e das reuniões de estirpe, onde há mais lazer que saber partilhado.

A sua preferência pela vida intelectual, a que sempre se devotou, e de que é voz o mundo de escritos legado, não se coadunava, com o que avaliava ser o desrespeito pelo “santuário” do pensar — como acetuava D. Januário Torgal em artigo publicado na agencia Ecclesia e do qual respigamos alguns apontamentos.

A articulação do pendor aristotélico-tomista com as reflexões de correntes contemporâneas; a interpretação de autores, de convicção cristã e da maior nomeada, que trilhavam essa mesma refundação; a abertura a temáticas da maior oportunidade (como fundamentalismo e religiões monoteístas, ecologia, cibernética, ciências do homem, linguística, questões do ambiente, etc) em confronto com a meditação filosófica; as visões do pensamento grego; a secularização e o iluminismo, etc., mereceram-lhe sempre, à luz do pensamento alemão, que tanto o marcou, o mais constante interesse e respeito.

Um dia nascerão teses de doutoramento deste chão a pisar, esperando-se a publicação integral da sua obra pela Fundação Calouste Gulbenkian, da qual era cooperador.

Nesta altura, em que se discute (e decide…) em Portugal a “sobrevivência” da Filosofia, parece irónico deixar-se morrer quem dela foi inspirador, pela coragem e liberdade, longe de mimetismos livrescos e de argumentos de autoridade.

Ele não se esgotou nas bibliotecas porque era um padre e investigador atento ao homem concreto, à vida e à sociedade; foi sempre “um combatente pela liberdade, de pensamento e de acção”.

Quem se bate pela Luz, pela Luz é iluminado mesmo que muitos o queiram esconder para que não sejam iluminadas as suas infuciências!